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Isto foi criado ao mais alto nível pela presidência da Câmara de Lisboa, que solicitou o apoio. Não é apoio, não tem a ver agora com esse evento, tem a ver com aquilo que é a retoma do Elevador da Glória nuns preceitos de maior segurança e convidou a Ordem dos Engenheiros e, tanto quanto eu sei, o Laboratório Nacional de Engenharia Civil, para constituir um grupo de trabalho para desenvolver a metodologia. Esta semana vai ser lançado o grupo de trabalho pelo senhor Presidente da Câmara de Lisboa. Eu estarei presente. Ainda não posso precisar data e hora, mas vai ser esta semana. Esta semana que vem. Durante a próxima semana, esta já está a terminar. E os nomeados da Ordem dos Engenheiros são especialistas, são os coordenadores. É o presidente do Colégio Nacional de Engenharia de Segurança e Qualidade, o engenheiro Ricardo Reis, e o coordenador da especialização de Engenharia de Segurança, o engenheiro Manuel Tender. Portanto, são pessoas ilustres com funções dentro da Ordem dos Engenheiros, claramente no sentido, do ponto de vista institucional da Ordem, de conferir uma maior credibilidade ao processo para o futuro.

E agora o passo a seguir, qual é? Já tem alguma indicação pela parte da Câmara, do que é que devem apresentar dentro desta reunião?

Eu estou convencido que a reunião de arranque durante a próxima semana, em que certamente estará o senhor Presidente da Câmara, estarei eu e estará presente o Laboratório Nacional de Engenharia Civil, vai ser para definir prazos e estratégias de desenvolvimento do grupo de trabalho, do qual depois nós vamos acompanhar à parte, porque vão ser os técnicos especializados a dimensionar isto. E depois de definirmos esses prazos e a metodologia de trabalho, certamente depois também estaremos em condições de divulgar essa matéria. Neste momento, ainda estamos mesmo no arranque do assunto.

E o ponto principal agora é focarmo-nos dentro da parte interior e a estrutura interior do elétrico, mas também temos aqui um ponto importante que é garantir o património histórico e cultural. De que maneira é que pode ser feito este equilíbrio entre o moderno e o antigo?

É isso que vai ser trabalhado. A única coisa que digo como engenheiro é que não tenho dúvidas que o equilíbrio, até porque existe já noutras latitudes, o equilíbrio entre o património, o antigo e o histórico e a atração turística conjugada com a tecnologia atual disponível, é perfeitamente compatível. Claro que é naturalmente mais caro, porque há mais envolvimentos, mais tecnologia envolvida e mais responsabilidade também que terá que ser assumida. Responsabilidade no sentido de sistemas redundantes, mas é compatível. Ou seja, não fica em causa de maneira nenhuma a tradição, até porque as pessoas quando veem a tradição, as pessoas não subiam e desciam o Elevador da Glória pela tecnologia, desciam pelo património e pela tradição. Mas a tecnologia pode estar escondida naquilo que é o output da tradição e do histórico e, portanto, isso será conseguido, certamente.

E no caso deste elevador, como disse, que era bastante histórico, a parte exterior era ainda a parte, podemos dizer, meio que original do elevador. Esta nova versão que vai ser desenhada, que vão tentar manter a parte histórica, vão usar ao mesmo tempo novos materiais, mas ao mesmo tempo mantendo a mesma estética?

Não sabemos, mas eu estou a crer que sim. Vamos lá ver uma coisa. Estes funiculares têm um sistema de tração de cabo, pode ser mantido com muito mais garantias de segurança. É obrigatório, não tenho dúvidas disso, e um acompanhamento muito mais cuidadoso, mas inclusivamente com sistemas digitais que até ao momento não tinha e que vai ter que ter. Isso é um não assunto, é uma evidência que tem que ser assegurada, mas a tecnologia de base, na minha opinião, pode manter-se a mesma, com sistemas redundantes adicionais. Em 1915 foi retirada a cremalheira e transformado em elétrico aquilo que era a vapor. E a cremalheira, tenho dito isto já, nunca devia ter sido retirada, porque é um sistema duplo de segurança, mas foi retirada em 1915, portanto há 110 anos. Não faz sentido estarmos a falar sobre isso agora do ponto de vista das responsabilidades, mas a verdade é que, felizmente, durante 110 anos não aconteceu nenhum acidente relevante. Aconteceu agora, infelizmente, e agora há que tomar medidas adicionais para que isto nunca mais na vida volte a acontecer.

E, por exemplo, na parte exterior, sei que vocês estão a tratar por enquanto da parte interior, mas da parte exterior, a parte em que de facto chocou contra o prédio, vai existir alguma coisa que seja mais resistente, o material, para não ficar no estado em que ficou a última carruagem?

Admito que sim, isso agora depois há que ser trabalho de engenharia e arquitetura e até de design para adaptar a carruagem aos tempos modernos do ponto de vista daquilo que é a imagem, por um lado, sem perder o da tradição, como eu disse, mas ao mesmo tempo, eventualmente, com outro tipo de equipamento de segurança no interior e até na própria envolvente da carruagem, que permitam uma maior, não só segurança, mas também comodidade dos utentes. Mas isso é aquilo a seu tempo há de ser trabalhado e estudado. A engenharia é feita de conceção, primeiro, de projeto, e o projeto tem dimensão de engenharia e de arquitetura e de design, obviamente, e depois de execução. Nós ainda não estamos na fase conceptual e na conceção, certamente essas preocupações vão ser asseguradas.