Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Eu começava por lhe perguntar os fundamentos desta carta e também o porquê do timing. Isto porque esta ideia surge depois da questão dos incêndios, dos animais que foram descobertos e isso motiva a transferência de competências. E se acreditam que há agora a possibilidade de existir esse recuo por parte do Governo?

Nós subscrevemos essa carta. Aliás, são 40 e tal associações do setor que subscrevem essa carta, porque realmente estamos muito preocupados com a passagem de competências, que são apanágio dos médicos-veterinários, portanto, não se pode dissociar o bem-estar animal da saúde animal, que estão há 100 anos na direção geral de alimento e saúde veterinária, e passar agora, sem haver qualquer estudo prévio e técnico que suporte esta medida, para o Ministério do Ambiente e, mais concretamente, para o ICNF, que não tem qualquer know-how, não tem qualquer tradição de tratar esses assuntos, que vai ter que recorrer a contratações de médicos-veterinários para tentar começar a trabalhar esta matéria. Parece-me completamente absurdo. Uma medida que, no nosso entender, não está suportada por qualquer estudo técnico e é meramente uma medida idealista e política. Nós não podemos concordar com uma situação dessas. Aliás, temos vários pareceres, quer de especialistas nacionais, quer europeus, nomeadamente a OIE, que diz que esta medida é completamente desprovida de qualquer embasamento técnico. Antes pelo contrário, o próprio ex-presidente da OIE diz que Portugal recua cerca de 50 anos com uma medida destas, que não faz sentido nenhum. 70% das doenças emergentes que vão aparecer vão ter origem em animais. Portanto, cada vez mais tem que haver um reforço, uma direção médica, técnica, para combater estas doenças. Está a saber o que é que tem acontecido com epidemias, etc. E olha que agora aconteceu esse incêndio de Santirso, tiraram as competências à DGA, a dizer que era culpa dela, que nunca foi. Agora, passam para o ICNF, que agora tinha a competência também de tratar deste problema desses animais todos, desta matança imensa do ribeira, e demonstrou também que não tem recursos para tratar as matérias que lhe são confiadas. Portanto, agora ainda passar o bem-estar dos animais para o ICNF, parece-nos uma medida completamente absurda.

E esta medida a concretizar-se teria também peso ao setor da agricultura e ao ministério, também do ponto de vista político?

É claro, porque os animais têm interações, não se podem separar, é um erro crasso separar animais de companhia com outros tipos de animais. Portanto, os animais são uns e há doenças que são transmissíveis de uns para os outros. E, portanto, toda a matéria animal, quer de saúde, quer de bem-estar, tem que se ver do ponto de vista global. Não se pode estar a dividir estes para um lado, aqueles para o outro, qualquer dia as aves é de um, os bovinos é de outro, os cavalos é de outro. É uma medida que não tem pés nem cabeça. E o que mais nos aborrece a nós é não haver um estudo técnico que suporte isto. É que se houvesse... Mas não há nenhum estudo técnico, é só uma medida meramente política. Eu acho que são matérias de grande importância e de grande responsabilidade para andarmos a brincar com alteraçõezinhas, baseadas não sei em quê, mas só por meras intenções baseadas em ideologia e em política. Parece-me que são matérias realmente extremamente importantes, tem a ver não só com os animais, mas também com a saúde humana, para se andar a tratar com uma certa leviandade.