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Vamos ao Sem Falta, na Rádio Observador, sempre com o nosso áudio-árbitro Pedro Henriques. Pedro, sê muito bem-vindo mais uma vez.

Boa noite.

Boa noite. Vamos olhar para o trabalho do árbitro, o juiz Hélder Carvalho, que esteve ao comando deste encontro entre Casa Pia, um, Benfica, também um, a contar para esta 28ª jornada do campeonato. Vamos desde já começar a olhar para os lances. Aos 26 minutos, sem pênalti sobre Bah.

Exatamente. É um lance de bola dividida entre o Alexandre Bah e David Sousa. Estamos a falar na área do Casa Pia, obviamente, em que o David Sousa, com o pé esquerdo, e o Alexandre Bah, com o seu pé direito, levantaram o pé no sentido de tentar interceptar e chegar à bola. Realmente, é o jogador central brasileiro do Casa Pia que toca primeiro na bola e depois há, logicamente, o tal contacto no pé do adversário, a bola puxa para a linha de baliza e o árbitro vem a recomeçar o jogo com um pontapé de canto. Aqui a questão que se coloca é que quando dois jogadores levantam o pé para tentar jogar, tocar, interceptar a bola, é muito relevante e importante, porque como os jogadores vão os dois no mesmo sentido de jogar a bola, é normal que haja contacto de um pé em relação ao outro. Muitas vezes, aquilo que é a diferença entre alguém que pontapeia o seu adversário, e que normalmente é penalizado se for quem defende sobre quem ataca, com pontapé de pênalti ou não, é exatamente, e é uma atenuante fundamental, quem chega primeiro à bola, quem toca primeiro na bola, porque no fundo, é esse o intuito de ambos os jogadores. Neste caso concreto, foi o David Sousa que acabou mesmo com o seu pé esquerdo por tocar primeiro na bola. O Alexandre Bah chega depois, depois há o contacto, mas não há qualquer infração para pontapé de pênalti. Estou aqui a cair um pouquinho mais em cima deste lance, porque é um dos lances que, obviamente, nas redes sociais já está a fazer efeito.

Perdemos aqui por uns instantes a ligação.

Sim.

Já está aí. Boa.

Estava a dizer que este é um lance que, como está a bombar nas redes sociais, naquela perspetiva de alguém tentar sempre tirar aquela questão de "há aqui um toque no pé, pênalti, etc.", eu estou aqui a reforçar um bocadinho mais que, de forma muito clara, muito evidente, o David Sousa, com o pé esquerdo, toca na bola e só depois é que dá o contacto. É essa a atenuante para não haver qualquer infração, nomeadamente pontapé de pênalti. Vem o árbitro recomeçar com pontapé de canto.

E depois, logo a seguir, a questão da mão também do David Sousa.

Exatamente, é o mesmo jogador. Penso que, de uma maneira geral, as pessoas começaram-se a aperceber, sobretudo quem são os jogadores, os técnicos e até o público em geral, destas questões que são relevantes, que é como muitas vezes com a questão do braço ou da mão, se está afastado do corpo ou se está junto ao corpo, e depois também a questão de quando muitas vezes as bolas vêm de ressalto e de forma inesperada contra essa mão. Neste caso concreto, é o próprio David Sousa. Há este pontapé de canto, que falámos um minuto antes, e do pontapé de canto, o David Sousa a aliviar quase que ia fazendo autogol. Ele alivia de cabeça e a bola vai contra a base do seu poste, bate no poste e vem de ricochete, neste caso, de ressalto, à sua mão esquerda. Ele tem o braço completamente dobrado e junto ao corpo. O fato de não haver volumetria já é importante, o fato de ser ele próprio a fazer o alívio, a bola ir ao poste e vir de ricochete para a sua mão, no fundo, um ressalto, faz com que todo este desenho, ressalto, bola inesperada, braço dobrado e junto ao corpo, e sem volumetria, os fatores para, se fosse uma resposta a um teste de escrito, dizer que não há qualquer infração. Portanto, muito bem o árbitro aqui, não houve motivo para pontapé de pênalti.

Aos 33 minutos, sem pênalti também sobre Pavlídis, neste caso.

Este é mais fácil, porque é um lance em que o Pavlídis adianta a bola e vai tentar ir buscá-la mais à frente. Está a ser marcado por dois jogadores na área, por dois jogadores do Casa Pia e, uma vez mais, o David Sousa na jogada, e o Pavlídis acaba por chocar contra o David Sousa, que, por um lado, já tem a posição ganha. Isto é muito importante. Os jogadores, muitas vezes, tendo a posição ganha, não são obrigados a desviar-se da posição em que estão. O que é falta é se eles saem da sua posição e vão se colocar na trajetória do adversário. Aí temos a falta de obstrução. Se o jogador tem a posição ganha e não se move, não se mexe, tudo certo. É o Pavlídis que, na tentativa de ir buscar a bola que ele próprio colocou para frente, vai chocar contra o David Sousa, que inclusivamente mantém a posição, faz rotação e vira as costas ao Pavlídis, sendo que o Pavlídis choca contra ele. O Pavlídis fez só um protesto muito ligeiro, não é protesto no sentido de advertência, só um olhar para o árbitro, levantar os braços, mas automaticamente seguiu a jogada. Mais importante, o Pavlídis cai com este contacto, perfeitamente normal e legal e sem pênalti.

Avançamos para a segunda parte, minuto 63. António Silva não faz pênalti, Pedro, na tua opinião?

Houve dois momentos que estariam em análise se o António Silva tinha tocado a bola com o braço, que não tocou, portanto, aí tudo tranquilo, e ao mesmo tempo, ele faz um gesto com o calcanhar meio para trás e acaba por tocar na bola com o pé calcanhar direito, mas não pontapeia o Cassiano, que aparece caído no chão. A dúvida ali, um pouco à semelhança do primeiro lance que falámos aqui, era se eventualmente o António Silva teria tocado na bola, não, ou ao levantar o pé, teria tocado de pontapé o Cassiano, que também levantou o pé. Neste caso concreto, este lance ainda é mais fácil de ver, é o António Silva que toca claramente na bola com o pé direito ou com o calcanhar direito, mais concretamente, não toca no Cassiano, António Silva também nunca toca a bola com o braço e portanto, tudo legal e sem qualquer motivo para pênalti.

Avançamos, Pedro, para o gol do Benfica ao minuto 68.

Certo. Não é pelo gol do Richard Rios, é na assistência do Andreas Schjelderup, se ele nas costas do Larrazábal tinha feito ou não alguma infração, até porque o jogador espanhol fica no chão, fica aquela ideia que podia ter sido impedido de saltar ou ter sido carregado. Deu várias repetições, não que as repetições fossem das melhores do mundo, como se costuma dizer, mas foram as possíveis, mas deram vários ângulos e em todos eles fico sempre com esta ideia que é, por um lado, não usa o braço para se apoiar ou saltar, apoiando-se, por exemplo, no ombro do Larrazábal, e mais importante também, como salta na vertical, não carrega nas costas o jogador. O avançado norueguês do Benfica, o Schjelderup, não carregou nas costas o Larrazábal. Portanto, para mim, gol legal no que diz respeito a esta assistência, que era a que estaria a questão de falta ou não falta.

Gol legal, o do Benfica, o único desta partida para os encarnados. Aos 84 minutos, amarelo para Patrick Siqueira.

Sim, é aquela situação típica da equipa que está com o resultado favorável.

Já depois desse golo de empate.

Exatamente. Depois do golo do empate e o Patrick Sequeira na reposição de bola de pontapé de baliza a perder o tal tempo excessivo. Esta situação, no próximo campeonato do mundo, já vai ter uns contornos diferentes, depois falemos sobre isso. Mas, de qualquer maneira, bem o árbitro, no meu ponto de vista, porque o Patrick demorou mesmo e o árbitro a mostrar o respectivo cartão amarelo por esta demora na reposição.

E vamos fechar com uma falta atacante do Anísio Cabral, um lance bastante contestado.

Sim, mas também tranquilo, porque o David Sousa quando cai, é um lance com o David Sousa.

Mais uma vez, David Sousa.

Exatamente, o central brasileiro. E aqui a questão do Anísio ficar a reclamar a mão, e realmente existe mão. Na minha opinião, se não houvesse qualquer carga ou falta sobre o David Sousa, que para mim houve, eu também nunca marcaria a mão, porque o David Sousa quando cai, tem que apoiar os braços ou as mãos no chão, porque vai a cair desamparado. E ao cair e apoiar a sua mão esquerda, é nesse momento de contato com o solo da mão que acaba por a bola lhe tocar. Eu, olhando só para a mão, também não marcaria, mas seria sempre mais polémico, porque os jogadores quando vão ao chão podem apoiar os braços no chão quando é feito na vertical, sem grande voluntaria, sem grande abertura. Mas o mais importante é que o Anísio, nas costas do David Sousa, para se desembaraçar dele e o retirar da jogada, no meu ponto de vista, até agarrou e empurrou. Mas tem ali uma carga e um retirar do David Sousa da jogada de forma incorreta, ilegal. E é por isso que ele consegue fazer aquele desvio de bola para a baliza, porque estou convencido que se não faz a falta, o próprio David Sousa teria interceptado a bola. E por isso, para mim, o árbitro esteve bem, ainda antes de qualquer discussão sobre a mão, na questão da falta atacante e eu vou dar como boa decisão.

Pedro, estão analisados todos os lances desta partida. Falta a nota. Hélder Carvalho e a sua equipa tiveram uma boa prestação no seu global?

Sim, vou dar nota sete, vou dar uma nota positiva e queria dizer aqui duas ou três dicas em relação à nota positiva que dou. Primeiro, que tivemos seis lances de área e todos eles bem decididos. Depois, dentro desses seis lances de área, um deles é a questão do gol do Benfica e, como já falámos, bem decididos. O árbitro também fez uma boa gestão disciplinar, apenas mostrou um cartão amarelo. Não me recordo de nenhum lance em que se pudesse estar aqui a dizer: "Não, há ali um amarelo muito claro e óbvio, houve ali realmente algumas faltas". Houve 29 no total, se não estou em erro.

Pedro? Pedro Henriques?

Sim. Estás a me ouvir?

Sim, vamos a isso.

Ok. Não houve nenhum cartão amarelo daqueles que a gente pudesse dizer, além do cartão amarelo bem mostrado que nós falámos aqui, que se pudesse dizer: "Não, está aqui um amarelo que realmente ia ter sido mostrado, etc". O árbitro acaba também por fazer uma boa gestão disciplinar. Dois apontamentos, um relativamente àquilo que disse o Mourinho. Aliás, duas coisas que disse o Mister Mourinho e que eu acho que são relevantes e importantes, uma delas que tem razão e outra com a qual eu não concordo. Não é bem concordar. Ele fala do vídeo-árbitro por causa da questão dos seis minutos. Eu queria relembrar que não é o vídeo-árbitro que dá o tempo. Essa ideia, quem disse isso ao Mister Mourinho enganou, não disse de forma correta. O árbitro é que decide o tempo extra. O que acontece é que o árbitro se apoia na sua equipa de arbitragem para poder só recordar coisas como quantas paragens houve para substituições, quantos jogadores é que foram assistidos. E a parte do VAR é sobretudo na parte da contagem do tempo das assistências aos jogadores. Ou seja, jogadores cuja equipa médica entra dentro do terreno de jogo, esses momentos e esse tempo de paragem é que o VAR dá como informação, mas dá como informação especificamente desse tempo que o jogador teve a ser assistido. Não é do resto tudo. O resto tudo é com o árbitro. Claro que o árbitro depois apoia-se na equipa de arbitragem para dizer quantas paragens houve, substituições, sim, paragens. E cartões amarelos, três ou quatro, porque os amarelos também contam. Gols, um, dois, neste caso dois gols. Tudo isso são os fatores que estão na lei sete, mas é ao árbitro que compete dar como decisão final o tempo. Não é o vídeo-árbitro que lhe diz o tempo. E o Mister Mourinho fez referência que a VAR só deu seis minutos, não foi a VAR, foi o árbitro. Segunda questão, e aí sim, todo de acordo, não é só um problema do árbitro, embora os árbitros possam ter sempre um papel muito importante naquilo que é o tempo útil de jogo e o jogo que se joga, mas o árbitro, se um guarda-redes está no chão, o árbitro tem que insistir. Ponto final, parágrafo. Só para dar este exemplo. Se um jogador fica no chão e depois não se levanta, por muito que a gente possa achar que o jogador se calhar não tem nada, o árbitro tem que verificar do estado de saúde do jogador, porque toda a gente se lembra do Feher que sorriu e caiu no chão e morreu. Nós temos que perceber isso e a partir daí as coisas mudaram. Os árbitros não são médicos, mesmo que sintam que eventualmente o jogador tem ali algo que se calhar não é bem uma lesão, os árbitros têm que prestar essa assistência e muitas vezes isso quebra o ritmo e o jogo. É certo que os árbitros têm um papel importante, deixar jogar, proteger o contato físico. Agora há um aspecto que eu não culpo o árbitro, culpo o futebol de uma maneira geral. Jogadores, árbitros, treinadores. Jogaram-se 102 minutos, 45 mais 4 na primeira parte, 45 mais 6, que depois, na prática, foram mais um minuto e tal, e como também na primeira parte, além dos quatro, mais uns segundos. Em teoria, teriam sido 100 minutos, mas depois jogaram-se mais uns segundos e mais um minuto e tal para além desses 100 minutos que é na primeira e segunda parte, tivemos 102 minutos de jogo. E desses 102 minutos, jogaram-se 54 minutos e sete segundos. Ou seja, um tempo útil de jogo de 52,88. Quando nós temos jogos na nossa liga, que são dos melhores, que batem os 60% de tempo útil, percebemos que um jogo com menos 8% de tempo útil, e estamos a falar aqui claramente menos, normalmente, neste caso concreto, menos seis, sete minutos de jogo, é um tempo útil bastante baixo. E isto é para rever, de alguma maneira, em termos conjuntos. Os árbitros têm papel importante nisso? Têm, mas não só. Os jogadores também têm, os treinadores também têm. O ponto está muito caro, nesta fase cada vez mais, e por vezes, não vou chamar antijogo, mas esse tipo de maneira de jogar de algumas equipas, é difícil de o árbitro poder contrariar. O árbitro não pode contrariar muitas vezes, a não ser protegendo o contato físico, deixando jogar, mas tudo que é assistência é mais complicado. Também as regras têm aqui umas coisas novas para a próxima época, que no fundo é já para o Campeonato do Mundo de Clubes, que podem vir a ajudar nesse aspecto. Nota final, nota 7. O árbitro esteve bem nas áreas, com o VAR a confirmar e a validar, boa colaboração dos assistentes, seis decisões de área muito importantes, o tal gol do Benfica que é válido e no sentido que não há infração, e isso é o mais relevante e importante. Nota 7 para a equipa de arbitragem liderada por Hélder Carvalho.

Uma nota positiva aqui deixada pelo nosso audioárbitro Pedro Henriques. É desta forma que fechamos mais uma edição do "Sem Falta". Pedro, um grande abraço, bom trabalho.

Um abraço, obrigado.