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Está na hora de mais um Sem Falta, aqui na Rádio Observador, a cargo do nosso áudio-árbitro e antigo árbitro internacional, Pedro Henriques. Pedro, bem-vindo a mais um Sem Falta. Muito boa noite para ti.
Boa noite.
Vamos fazer a análise do trabalho da equipa de arbitragem neste encontro entre o Sporting e o Futebol Clube do Porto. Um jogo que os leões estiveram a vencer por 1 x 0, mas que acabou com os dragões a darem a volta em menos de cinco minutos. Pedro Henriques, começamos pela apresentação da equipa de arbitragem deste encontro, liderada por Artur Soares Dias, com Hugo Miguel no VAR. Começamos a análise aos lances pelo minuto 30. Bruno Costa fez falta sobre Paulinho, mas foi fora de área. Entendes que ficou um livre direto e um cartão amarelo por mostrar?
Sim, aqui a questão era se havia ou não pontapé de penalty, porque o Paulinho acabou por cair já dentro da área. De qualquer maneira, como disseste, e bem, o que aconteceu foi que o Bruno Costa, ao tentar parar o seu movimento, acabou mesmo por tocar com o seu joelho esquerdo no joelho esquerdo do Paulinho, e derrubou o jogador do Sporting. Foi fora da área, portanto, era situação para livre direto, que o árbitro assinalou, e por se tratar de uma jogada de perigo, que nós tecnicamente dizemos ataque prometedor, era também passível de cartão amarelo. O importante era que, se fosse dentro da área, obviamente, teríamos perante uma situação de penalty, mas aí teríamos o VAR a poder fazer a intervenção. Tratando-se de um lance fora da área, o VAR não pode intervir e, portanto, o que conta, ou que contou, foi a decisão do árbitro, que neste caso foi não assinalar nada.
Ao minuto 33, o avançado do Sporting, Paulinho, vê cartão amarelo. O que te pareceu esta decisão?
Não me pareceu uma decisão completamente correta. No direto, que estávamos a fazer aqui o relato no Observador, fiquei com algumas dúvidas e até estava a dar a entender que se calhar aceitava a decisão, mas depois, e como faço sempre, revejo sempre os lances. O Pepe já está em queda quando o Paulinho promove o contacto. É um facto que o Pepe já se tinha desembaraçado da bola e podíamos estar aqui perante uma situação de uma carga chamada carga fora de tempo, sem bola. Mas, na realidade, o Pepe já estava em desequilíbrio, o Paulinho limita-se a carregar, empurrando nas costas do Pepe e portanto pareceu-me algo exagerado e eu não mostraria cartão amarelo, embora que o árbitro não tinha mostrado nenhum cartão amarelo e se calhar também sentiu que era a altura de poder segurar o jogo. De qualquer maneira, algo exagerado, poderia ter ficado no bolso.
E no período de compensação da primeira parte, é Sérgio Conceição quem vê o cartão amarelo. Isto foi bem, na tua visão?
Em relação aos cartões amarelos que são mostrados aos treinadores ou aos bancos, dou sempre o benefício da dúvida à equipa de arbitragem, porque nós não estamos a ver nem a ouvir, isto é, não sabemos se houve protestos, que é o normal nestas circunstâncias, por palavras ou por gestos, e por isso aceito como boa sempre a decisão da equipa de arbitragem, no sentido de que sempre que adverte alguém que esteja no banco, ainda por cima fora das nossas vistas, aceitarei sempre como boa decisão. Provavelmente, terá sido o quarto árbitro ou o árbitro assistente, neste caso, provavelmente o quarto árbitro, que estava mais próximo do banco, a dar essa indicação, por isso aceito como boa decisão.
E já na segunda parte, temos um dos momentos decisivos do encontro, a grande penalidade de Pedro Porro sobre Evanilson. Como é que analizas esta decisão?
Boa decisão da equipa de arbitragem, mais concretamente do árbitro, que depois foi confirmada pelo vídeo ao árbitro, mas foi uma decisão que o árbitro tomou em campo. Basicamente, o Porro é completamente imprudente na forma como aborda por trás o Evanilson e promove dois momentos de contacto que são faltosos. Um, carrega com o ombro na parte lateral das costas e com a sua perna esquerda, acaba por tocar e derrubar a perna direita do Evanilson. Há uma causa, há uma consequência. A consequência foi o jogador do Porto cair dentro da área, pontapé de penalty bem assinalado.
E ao minuto 69, consideras que ficou por assinalar um penalty a favor do Porto, isto por falta de Ugarte e sobre Pepe?
Sim, ficou. Claramente, é um lance que, curiosamente, como o jogo não parou logo, a transmissão televisiva não deu grande relevância. Depois começou a recuperar algumas imagens de ângulos diferentes e foi buscando essas imagens não seguidas, mas em vários momentos. E para mim ficou um pontapé de penalty. Basicamente, o que acontece é que o Ugarte não tentou jogar sequer a bola e foi na direção do Pepe e acabou por tocar também com a anca e também com o seu pé direito na perna esquerda do Pepe, e derrubou-o. Perante esta circunstância, para mim, pontapé de penalty. Eu sei que o VAR normalmente só intervém quando há situações do chamado erro claro e óbvio. Provavelmente é isso que o VAR vai defender-se na perspectiva de dizer que para ele é um lance de contacto, de intensidade, não ser claro e óbvio. Para mim, não. Para mim é mesmo claro e óbvio, para mim é pontapé de penalty e acho que ficou por assinalar aqui um pontapé de penalty e conforme podemos perceber, isto pode vir a ser importante e depois explico na nota final o porquê.
E vamos agora até ao minuto 78, quando foi a vez do guarda-redes do Porto, Marchesín, viu o cartão amarelo. O que também te pareceu este cartão amarelo?
Foi porque o Porto estava a ganhar, obviamente, e o Marchesín, guarda-redes do Futebol do Porto, retardou o recomeço do jogo no pontapé de baliza e o árbitro achou por bem, e eu concordo com isso, mostrar o cartão amarelo, exatamente por esta perda de tempo na reposição do pontapé de baliza.
E aos 80 minutos, é Vitinha quem recebe a cartolina amarela.
Parecido. Foi agora num pontapé livre a favor do Futebol Clube do Porto, entre ele e o Otávio. O Vitinha ia bater, depois deixou para o Otávio e o árbitro entendeu que estavam a perder tempo uma vez mais e, portanto, coerência com o cartão amarelo que já tinha mostrado, também bem mostrado aqui.
E depois do minuto 90, tivemos uma sequência de quatro cartões amarelos. Aos 91 para Slimani.
Cartão amarelo mostrado por uma entrada fora de tempo, a bola já não está lá e ele entra, carrega o seu adversário e o árbitro entende por cartão amarelo e eu concordo com a decisão.
E aos 93 para Pepe.
Num pontapé livre a favor do Sporting, o árbitro com o spray colocou a barreira à distância. Neste caso, a barreira era só o jogador, o Pepe, e o Pepe não queria respeitar a distância, ou seja, estava a pisar, estava para além do risco que tinha sido traçado e o árbitro, de forma muito clara, mostrou o cartão amarelo por não respeitar exatamente essa distância.
E também outro cartão amarelo aos 94 para Matheus Reis.
Sim, aqui foi exatamente também por uma parte de discussão, de protesto e, portanto, na sequência daquilo que o jogo estava. Estávamos nos oito minutos de desconto de tempo que foi dado. O Sporting estava a perder e começaram aqui a surgir algumas situações de protesto por parte da equipa do Sporting e o árbitro quis segurar o jogo e, portanto, entendeu isso como comportamento anti-desportivo e cartão amarelo.
E nesta sequência dos cartões amarelos, aos 98, também para Porro e para o próprio treinador do Sporting, Rúben Amorim.
Exato. O Porro, aparentemente, pela simulação. O Porro cria uma falta, o árbitro não assinalou essa falta e, ao cair, o árbitro considerou, inclusivamente, que ele terá feito simulação. Logo a seguir protesta. Portanto, seja pela simulação, que acho que foi isso que mostrou o cartão amarelo, porque as imagens não são esclarecedoras, seja pelo protesto a seguir, estará sempre correto. Em relação ao Rúben Amorim, a mesma coerência em relação àquilo que disse o Sérgio Conceição. Na sequência deste lance, o Rúben Amorim com certeza queria falta, achava que a decisão tinha sido errada, deve ter protestado e isso levou o árbitro, obviamente, a mostrar o respetivo cartão amarelo.
E fica assim concluída a análise dos lances deste encontro. Resta saber, Pedro Henriques, que nota merece a equipa de arbitragem liderada por Artur Soares Dias.
Vou dar nota negativa, vou dar nota 4. O 5 para mim é positivo, o 4 é negativo, só para relembrar a minha escala. E vou dar nota 4 por uma razão muito simples: se o Futebol Clube do Porto e o Sporting estivessem num jogo de pontos, em que a vitória por 2-1 ou por 3-1 era exatamente a mesma coisa, obviamente que até poderia dar valorizando o penálti que ele assinalou e boas decisões disciplinares. Aqui a questão que se coloca é que isto é uma eliminatória em que os gols contam, ainda por cima os gols fora ainda estão na dinâmica antiga, contam, por assim dizer, a dobrar, não é como as competições europeias que já não contam. E, portanto, o penálti não é um gol, mas o penálti que ficou por assinalar poderia ser uma clara oportunidade para ser um gol e, portanto, tem mais peso e tem mais ênfase um erro desta natureza. Daí que, com base nesse penálti que ficou por assinalar a favor do Futebol Clube do Porto, claramente a nota da equipa de arbitragem acaba por ser afetada. Daí eu dar a nota 4.
E está feita assim a análise dos lances deste Sporting 1, Futebol Clube do Porto 2. Pedro Henriques, obrigada e até à próxima.
Obrigado.
O "Sem Falta" está de volta este sábado para a análise do Portimonense-Benfica, um jogo que começa às 18h. Até lá.