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Apito inicial para mais um Sem Falta. Ora, desta vez vamos até à Madeira, à Choupana, para analisar aquela que foi a prestação da equipa de arbitragem deste Nacional 0, Futebol Clube do Porto 1. E como sempre, para isso, junta-se a nós o ex-árbitro Pedro Henriques. Boa noite, Pedro, bem-vindo.
Muito boa noite.
Pedro, vamos começar bem cedo, ao minuto cinco, mas antes disso vamos apresentar esta equipa de arbitragem liderada esta noite por João Pinheiro, assistência de Tiago Costa e Nuno Eiras. O quarto árbitro foi João Gonçalves, o vídeo-árbitro foi Artur Soares Dias, com assistência de vídeo-árbitro de Rui Licínio. Vamos então esse primeiro lance, que é um dos lances capitais da partida, bem cedo. Ao minuto cinco, João Camacho ia disparado pela direita, Zaidu derrubou o jogador do Nacional da Madeira. O árbitro apitou para pontapé de pênalti, que depois até foi falhado por Everbessa, mas falhada ou não, pergunto, Pedro Henriques, se foi uma boa decisão do árbitro da partida.
Sim, foi uma boa decisão do árbitro da partida, do João Pinheiro, e bem cedo, como disseste, logo no minuto cinco. O que acontece é que o Zaidu faz o chamado take deslizante, com o objetivo, obviamente, de tocar ou cortar a bola, interceptar a bola. Só que quando se faz um take deslizante, muitas vezes quando não se toca na bola, como foi o caso, a probabilidade de acertar e derrubar o adversário, que tem normalmente os apoios fixos, é muito grande. E foi o que aconteceu. Ele acabou por rasteirar e derrubar o Camacho. Um lance rapidamente escrutinado pelo árbitro, que estava muito bem posicionado e de resto, até pela reação de todos, nomeadamente do Zaidu, percebeu-se claramente que a decisão era correta, ainda sem haver qualquer repetição. Obviamente que há vídeo-árbitro, curiosamente Artur Soares Dias, que verificou, confirmou, pontapé de penalty bem assinalado. E só de referenciar este aspecto, que é não haver sanção disciplinar. Relembro, uma vez mais, que por causa da questão da chamada lei da tripla penalização, esta entrada numa situação normal, e ainda por cima, portanto, um lance de perigo dentro da área, era para cartão amarelo. Com a lei da tripla penalização, sempre que um jogador tenta jogar a bola, e tentar jogar a bola aqui significa que o jogador com os pés, com as pernas, com os joelhos, tentou chegar à bola, não conseguindo e derrubando o adversário, aquilo que dantes, antes da lei criada, era uma situação para cartão amarelo, deixa de ter essa penalização. Da mesma maneira que se fosse uma situação em que o jogador estivesse isolado para cartão vermelho, com o penalty, nesta mesma circunstância, seria só cartão amarelo. Isto para explicar o motivo de não haver sanção disciplinar neste lance, de acordo com esta tal lei da tripla penalização.
Exatamente. Vamos avançar até ao minuto 20, em que há o gol que deu a vitória ao Futebol Clube do Porto, um gol de Mehdi Taremi. O lance começa com uma perda de bola de António Filipe, colocou a bola nos pés de Corona, o mexicano devolveu a Taremi e acaba por marcar o iraniano. Mas pergunto, Pedro Henriques, se nesta troca de bola entre Mehdi Taremi e Corona, se há aqui algum fora de jogo.
Não, esse era o momento exatamente que teria que ser analisado, inclusivamente a própria realização fez isso. Mas quando há a assistência do Corona para Taremi, ele, Taremi, tem entre ele e a linha de baliza dois adversários, um defesa e o guarda-redes, neste caso concreto. E, portanto, esta é a tal situação que faz com que não haja irregularidade. Portanto, boa decisão da equipa de arbitragem, obviamente confirmada. Depois, curiosamente, mais à frente até apareceu os centímetros, era mais de um metro. Aliás, não era preciso isso, mas de qualquer maneira, mais de um metro a colocar em jogo. Portanto, boa decisão, gol legal, que pode ter, pela velocidade, pela maneira como desenrolou a tal perda ou mau passe feito pelo guarda-redes, poderia criar uma situação, eventualmente, até de fora de jogo, que era normal, porque os defesas estariam a sair. Portanto, ninguém estava à espera daquela jogada. De qualquer maneira, lance legal, gol legal e com relevância, porque da mesma maneira que o penalty era sempre importante, o gol, ainda por cima sendo único, teria que ser analisado e verificado e por isso, gol legal.
Vamos dar aqui um salto praticamente até ao intervalo, até ao minuto 42, em que há um cartão amarelo para João Camacho, uma falta sobre Pepe, ficou muito queixoso o internacional português. Pergunto, Pedro, se foi bem mostrado este cartão amarelo.
Sim, bem mostrado. É uma entrada entre o take e a tesoura, que depois, não acertando na bola, acaba só por tocar nos pés de Pepe. Levantou o Pepe, como se costuma dizer. Neste caso, a entrada é negligente, não tem em conta o perigo e as consequências do seu ato. Aliás, como alguns cartões que foram aqui mostrados muito dentro deste enquadramento, cartão amarelo bem mostrado.
E avançamos até ao minuto 56, já na segunda parte, primeiro lance a analisarmos neste segundo tempo. Vamos olhar para o cartão amarelo mostrado a Kenji Gorré. Foi o sétimo cartão amarelo para o jogador do Nacional. Pergunto se foi bem mostrado este cartão a Gorré.
Sim, agarrou o Manafa, com isso destruiu e cortou o atacante uma jogada. Portanto, entre a falta tática e o comportamento antidesportivo. Estas infrações são penidas. Já sabemos que quando um jogador utiliza os braços e as mãos para destruir jogadas, normalmente há cartão amarelo, porque as mãos não são permitidas no jogo, que é sempre diferente quando o jogador vai tentar disputar a bola, e por isso este cartão amarelo, correto e assertivo.
E mais um cartão amarelo. Aconteceu ao minuto 82, quando Wilson Manafa entrou fora de tempo sobre um adversário, ali junto à bandeirola de canto, se não estou em erro, se a memória não me falha. Um cartão amarelo, o segundo para Manafa neste campeonato. Pergunto se também foi bem mostrada esta demonstração.
Exato. Disse esta palavra-chave para definir o motivo e a razão do cartão amarelo, é a tal entrada fora de tempo, mas também negligente, portanto, durinha. E esse foi o motivo dentro da lógica, até porque estávamos nos 10 minutos finais e era importante para o árbitro segurar o jogo, sobretudo nestas entradas um bocadinho mais duras. E foi isso que o João Pinheiro uma vez mais fez, e bem. Portanto, cartão amarelo bem mostrado ao Manafa.
E mais um cartão amarelo foi mostrado ao minuto 90 a Mabrouk Houhai, o jogador do Nacional da Madeira, o primeiro cartão amarelo também na liga para Houhai. Pergunto se foi bem mostrado também por João Pinheiro este cartão.
Sim, é uma entrada negligente, um pisão sobre o Baró. Dentro da mesma linha das entradas negligentes, das entradas mais duras, o árbitro esteve muito assertivo, neste e nos outros capítulos. Nestas jogadas que, de forma clara, nós olhamos e percebemos que não há dúvida e é cartão amarelo, o árbitro acertou.
Vamos avançar até o minuto 96, em que há golo do Futebol Clube do Porto e este é o último lance em análise. Toni Martínez consegue ultrapassar o guarda-redes António Filipe, marca aquele que seria o 2 x 0, mas estava em fora de jogo, assinalado num passe entre Taremi e Toni Martínez. Pergunto se foi uma decisão correta. Taremi estava mesmo em fora de jogo?
Sim, quando há a assistência de cabeça do Toni Martínez para o Taremi, quando se para as imagens, percebe-se que o Taremi está adiantado em relação ao último adversário e, por isso, uma decisão correta, que também ficamos logo com essa ideia, porque é um fora de jogo claro, daqueles que está mesmo adiantado. De qualquer maneira, bem porque o árbitro assistente levantou a bandeirola, obviamente que o vídeo-árbitro vai sempre confirmar, mas é relevante também dizer que todas estas decisões, desde o penalty à questão dos fora de jogo, foram tiradas sempre à primeira pelos árbitros e nunca foi necessária a intervenção do VAR para corrigir. Ou seja, o vídeo-árbitro intervém sempre na perspectiva de verificar, mas não foi preciso fazer a retificação de nenhum destes lances.
Pedro, não sei se os nossos ouvintes que estão agora a ouvir e também os que estiverem a ouvir depois em podcast estiveram atentos, mas até agora, se não estou em erro, todas as decisões acertadas. Estou ansioso para saber, qual é a nota que vai merecer, de 0 a 10, esta equipa de arbitragem liderada por João Pinheiro?
Eu só vou dar sete, e acho que é uma nota altíssima. O oito é quase um pouco mais de exceção.
É a melhor que demos até agora.
Exatamente, é a melhor que nós demos. Boas decisões, acertou no pontapé de penalty, na questão do próprio gol. Mas vamos lá ver. A questão do gol é por mais de 1 m que está em jogo, assim como este gol anulado ao Taremi, é qualquer coisa também parecida. Não são daqueles lances em que a equipa de arbitragem acerta e depois verifica-se que confirmaram, que realmente acertou por 10 ou 15 cm. O jogo não teve grau de dificuldade, muito por mérito do João Pinheiro, também, que é um árbitro que está com uma postura dentro de campo muito diferenciada em relação à maior parte dos seus colegas. Vê-se com frequência a falar com os jogadores, a dialogar, a avisar. Agora com os estádios vazios, percebe-se quando ele levanta a voz um pouco mais em determinadas circunstâncias que acontecem no jogo, até a própria realização focou um ou dois aspetos. É um árbitro que tem um grande respeito pelo jogo e pelos jogadores, e isso é muito importante. E o feedback, quando isso acontece, também é dado pelos jogadores que acabam por aceitar, mesmo quando às vezes não concordam com as decisões e aceitam de forma mais tranquila. Tem todo o mérito. É lógico que é um jogo com 29 faltas, o que até não é mau, com quatro amarelos, portanto bem controlado o jogo, boas decisões, mas com grau de dificuldade que também não foi assim tão elevado. E por isso, nota positiva clara para o João Pinheiro. Nota sete.
Nota sete para João Pinheiro e a equipa de arbitragem, que esteve esta tarde, noite, no Estádio da Choupana, o Estádio da Madeira do Nacional, e que viu o Futebol Clube do Porto vencer novamente. Relembro a classificação para quem estiver mais desatento ou mais desatualizado, porque mexeu bastante a classificação nesta jornada. O Benfica perdeu, o Futebol Clube do Porto e o Sporting voltaram a vencer, o Sporting de Braga empatou. Temos o Sporting em primeiro com 69 pontos, Futebol Clube do Porto com menos seis, com 63, Benfica com menos seis do que o Porto, 57, e o Sporting de Braga a dois do Benfica, com 55. A próxima jornada vai ser a meio da semana. Pedro Henriques, vamos ter um regresso na quarta-feira com o Sporting-Belenenses às 21h15 e depois também com o Portimonense-Benfica e o Porto-Vitória Sport Clube na próxima quinta-feira. Pedro, até quarta para esse Sporting-Belenenses.
Até quarta.
Obrigado.
Obrigado, boa noite. Obrigado.
Foi o "Sem Falta" de hoje. Daqui a pouco atualizamos toda a informação na Rádio Observador. Obrigada ao Pedro Henriques e André Maia, aqui com boas notas. Parece.