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Sem falta, Pedro Henriques, árbitro alemão. Bem-vindo, mais uma vez.
Boa noite.
Boa noite. Harm Osmers, alemão, 39 anos, um árbitro da FIFA desde 2020. A primeira análise é a nota mais negativa, que é aquele penalti, que na realidade, e tu depois mais à frente no jogo acabaste por ver aquilo que ninguém tinha visto, é que de fato não há penalti.
Exatamente. Em primeiro lugar, a questão coincidiu com uma questão técnica do meu som, no momento do penalti, tanto que vocês chamaram e eu não pude intervir. Estávamos aqui a fazer uma troca de aparelhagem, por assim dizer. E portanto, quando intervim, fiz aquela intervenção com base, sobretudo, naquilo que tinha visto no direto e não nas repetições. E no direto, fiquei com a ideia do penalti na perspectiva de que o Vitinha, ao ter esticado o seu pé direito, isto em relação ao Kovacic, tinha pisado o pé esquerdo, o pé contrário. E obviamente que era isso que originava a queda, porque era um pisão dentro da área, que não vamos sempre discutir essas questões de intensidades, ao pisar o adversário, era penalti. Depois, quando resolvi o som e fui buscar todas as repetições que nos foram dadas em termos da transmissão, primeiro, percebe-se que não há pisão e logo aí ficava em questão a situação do penalti. E mais do que isso, a única zona de contato é a perna direita com o joelho direito do Kovacic, mas curiosamente o que acontece é que o Vitinha, ao esticar o pé, não pisa o pé do adversário e é o Kovacic que arrasta, e é só ver a imagem, arrasta literalmente o pé direito pelo chão e vai com o seu joelho contra a perna do Vitinha e portanto é claramente forçado. Acredito que em campo possa ter ficado a sensação do pisão e daí que eu dou sempre esta ideia que é: "Ok, não vou criticar, claro que eu fico com o árbitro certo do que erra nas decisões de terreno de jogo, mas não vou crucificar, entre aspas, o árbitro". A questão depois tem a ver com imagens, com repetições. E quando nós, com imagens e com repetições, que nem são precisas muitas, são aquelas duas, três normais, que em cada lance tem, com os principais planos, curtos, a massa e eventualmente depois uma topo atrás da baliza, percebemos claramente que não há penalti, isto chama-se penalti de televisão, ou neste caso um penalti de televisão que não é, estamos a falar de videoarbitragem, porque no fundo a videoarbitragem é agarrar em duas ou três repetições que mostrem de forma clara ou não, que realmente o árbitro acertou ou não acertou. E era tão fácil perceber que é claro e óbvio que não há penalti com as repetições, repito, que fico um bocadinho espantado com a decisão do VAR em ter validado esta decisão. Portanto, é um erro. Vamos esquecer que isto é um jogo de preparação e, portanto, pode não ser tão relevante nem importante quanto isso. Não é decisivo como vai ser no Campeonato da Europa, mas é um erro grave, porque se trata de um pontapé de penalti mal assinalado e que poderia ter sido claramente corrigido pelo VAR, não foi. Ainda por cima no resultado de 2x1, ainda dá mais ênfase a esse momento. Portanto, é um erro grave da equipe de arbitragem, claro que o árbitro é o principal responsável, mas com o VAR que deveria e teria que ajudar neste lance.
Entretanto, ainda na primeira parte, há aqui um cartão amarelo para o Bodimir.
Sim, pisão ao Gonçalo Inácio e quando falo em pisão, estou a ser simpático. Ele realmente tenta ponteapear a bola, não há a intenção, ou digamos que ele não faz a entrada direta ao tornozelo. É um bocadinho acima do tornozelo, lateralmente, bem acima do tornozelo. Mas é uma entrada muito dura de sola de pitons, como a gente costuma dizer, se houvesse cartão laranja, era o que ficava melhor, mas o cartão amarelo, entre o amarelo e o vermelho, é o que mais se ajusta. Podemos enquadrar isto claramente naquilo que é não tem em conta o perigo e as consequências do seu ato, e isto na lei significa negligência, e negligência significa cartão amarelo.
Segunda parte, começa com o gol de Portugal, o que se analisa, creio eu, é uma situação eventual de fora do Nelson Semedo.
Sim, que depois mais à frente, é injetado o sinal na televisão, aquilo que nós também dissemos no direto, que o número 6, o Stalo, estava a colocar em jogo o Nelson Semedo, e o Nelson Semedo está mesmo em jogo por 118 centímetros, é bastante, é mais de um metro. E portanto, tudo legal. E depois quando o Nelson faz a assistência pro Diogo Jota, aqui também é fácil, o Diogo Jota está atrás da linha da bola, um jogador atrás ou em linha com a bola nunca está fora do jogo, e portanto, o gol de Portugal, legal.
Também legal o gol da Croácia, 2x1, o gol ao minuto 56.
Exatamente, porque o Budimir, acho que é assim que se diz, que faz o gol, número 16, aparece na cara do Diogo Costa isolado. Aqui o conto é o momento do remate, do seu colega, do passe ali, quando remata, depois o Diogo Costa defende pra trave, o 16 está em jogo e portanto é esse o momento que conta pra análise, não é depois do momento do cabeceamento e por isso golo, neste caso segundo da Croácia, também legal, sem motivo para fora de jogo.
É o Cancelo que o coloca em jogo.
Exatamente, é o Cancelo que mete em jogo o jogador número 16.
Minuto 59, cartão amarelo para o Brozovic.
Exatamente, agarra o Vitinha. Tudo que é cortes de contra-ataque, tudo que seja agarrar de forma evidente e ostensiva e deliberada os adversários, normalmente estas situações, juntamente com as faltas táticas, são as três mais disponíveis em termos de cartão amarelo, que os árbitros, de uma maneira geral, estão bastante uniformizados e uniformes nessa amostragem. Este, neste caso concreto, foi por agarrar o Vitinha, e cartão amarelo é a amostragem.
Portugal nem questionou. Na altura, falou-se aqui na possibilidade de uma falta sobre o Diogo Costa, mas de fato era impossível assinalar o penalti.
Certo. O número dois, o Stanišić, está nas costas do Diogo, a bola também vem um pouquinho puxada pra trás. Dá-me a ideia que o Diogo faz ali uma meia acrobática, uma tentativa de cabecear e ao mesmo tempo de no ar tentar recuperar um pouquinho melhor a posição. Há contato, mas não há empurrão, carga, absolutamente nada. O Diogo Jota também não protestou muito e portanto, bem, neste caso, em não ter assinalado pontapé de penalti, que não existiu.
Aqui tudo pacífico e também tudo pacífico o amarelo para o Cancelo.
Sim, falta tática. O Vlasic já tinha invadido o meio-campo português e o Cancelo, embora com um ligeiro toque nas costas, o suficiente para desequilibrar o jogador croata, destruindo claramente mais uma das muitas jogadas de contra-ataque por parte da Croácia, com o objetivo de destruir aquela jogada e, portanto, cartão galo mostrado.
E finalmente o amarelo para o Luka Ivanusec, é o último lance em análise.
Exatamente. É uma rasteira por trás, se não estou em erro, sobre o Nelson Semedo, que o árbitro deu a lei da vantagem. Como esta vantagem não se concretizou, recuperou a falta e recuperou aquilo que, no fundo, era a parte disciplinar do cartão amarelo e por isso cartão amarelo bem mostrado.
Então vamos lá ver que nota que dás a Harm Osmers da Alemanha.
Vou dar nota três, nota negativa, porque este patamar, este nível, embora não seja um árbitro europeu, é um árbitro internacional, entre árbitro e VAR, lances como pontapé de penalty que são claros e óbvios, isto é, depois de se ver as repetições, e é isso que o VAR pode fazer também, não são admissíveis. E depois num jogo fica 2x1, se fosse para o favor de Portugal. Se fosse ao contrário, diria exatamente a mesma coisa. Portanto, é um lance que tem impacto no jogo. Certo, na parte disciplinar, que ao contrário do jogo que Portugal fez recentemente com a Finlândia, em que o árbitro não valorizou a parte disciplinar, este árbitro valorizou e isso é um lado positivo, mas se valoriza porque tem que valorizar, porque é um jogo de preparação em que também tudo conta, também tem que valorizar, por exemplo, as questões relacionadas com os ditos descontos, a recuperação do tempo perdido. Não faz sentido que tenha 75 paragens na segunda parte, a 45 segundos cada paragem, o que perfaz só aqui quatro minutos com mais dois gols e mais dois cartões amarelos, porque o terceiro já foi apostado depois do minuto 90, que depois destes três minutos, não é pela questão de Portugal ter mais um minuto ou não, ainda assim num jogo 2x1, estes pormenores também são relevantes e importantes. Há aqui uma definição, no meu ponto de vista, tem a ver com lideranças, que quem está lá tem que dizer aos árbitros claramente o que é que pretende destes jogos de preparação. Quando digo quem está lá, quem está à frente da arbitragem. Quer dizer, sim, senhor, vamos, e tornar isso público, porque depois a gente vai vendo vários jogos de preparação e percebe que não há uniformização dos árbitros de uns jogos para os outros. Portanto, das duas, uma, ou aliviamos a parte disciplinar, ou não damos os minutos dos descontos, porque estamos num jogo de preparação e se calhar até convém não dar muita carga, ou então levamos isto a sério e com rigor. Mas isso tem que ficar definido. E aquilo que está a acontecer neste momento, e eu tenho seguido praticamente todos os jogos, até porque gosto de fazer as minhas apostas, etc. E gosto de ir passando pelos diversos canais para ir tentando perceber como estão os outros jogos e vou acompanhando. Aquilo que se passa é que nuns jogos temos árbitros que não mostram amarelos, noutros temos árbitros que mostram amarelos, nuns temos árbitros que até dão os descontos, a recuperação do tempo perdido, de acordo com o tempo perdido, outros chegam ali e dão um minuto ou dois, porque realmente é um jogo de preparação. E esta não uniformização, no meu ponto de vista, revela duas coisas: não é bom para a arbitragem e revela a tal falta de liderança, que tem que ser vista e passada publicamente, porque a arbitragem, e termino com isto, tem que perceber de uma vez por todas, é cá em Portugal, é a nível internacional, que não podem ficar em silêncio, têm que comunicar, tem que haver comunicação semanal, sistemática, da arbitragem para o meio, para o mundo futebolístico, para explicar, para dizer, para passar, para comunicar e com isto passar boas mensagens ou mesmo até explicar coisas relacionadas com os jogos. E neste momento a arbitragem está parada há 20, 30 anos, a UEFA é exatamente a mesma coisa, tudo em silêncio, tudo caladinho, quanto menos barulho, a gente tem é que nomear árbitros e não fazer muito barulho. E as pessoas não conseguem compreender e hoje com as redes sociais percebe-se melhor a insatisfação das pessoas relativamente a estes assuntos. Antes, a gente não sabia, podíamos dar opinião, mas não sabíamos. Agora percebemos que o adepto comum está insatisfeito com estas coisas e não tem a ver com o penalty marcado ou não penalty não marcado, tem a ver exatamente com isto. E a arbitragem tem que evoluir e penso que neste momento é dos setores que mais estagnado está neste processo de evolução.