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Vamos a mais uma edição do "Sem Falta" com o Pedro Henriques. Pedro, sê muito bem-vindo. Vamos falar sobre o trabalho do árbitro Srdan Jovanović, um juiz sérvio, esteve no comando deste encontro entre Portugal e a Hungria a contar para o apuramento para o Campeonato do Mundo do próximo ano. Jogo que terminou empatado a dois gols e vamos desde já olhar para os lances. E o primeiro que queres destacar é logo ao minuto 22, o gol de Portugal. O que há a dizer sobre este lance, Pedro Henriques? Penso que o Pedro Henriques neste momento não-

Sim. Estás-me a ouvir?

Viva, Pedro, como estás?

Ok. Estava aqui com o botão. Quando está vermelho, está a funcionar, quando não está vermelho, está desligado.

E o gol de Portugal funcionou ou não?

Sim, vamos lá. Sim, funcionou e bem, porque a questão aqui é se no momento do passe do Nelson Semedo para o Cristiano Ronaldo, que faz o gol, se o Cristiano Ronaldo estava em fora de jogo e é o Milos Kerkez que o está a colocar em jogo. Portanto, ele tem dois adversários entre ele e a linha de baliza adversária. Portanto, tudo correto, tudo legal. Gol legal de Portugal.

E ao minuto 29, há um lance dentro da área de Portugal a envolver Renato Veiga, mas no teu entender, sem pênalti.

Sim, é aquela situação em que o Renato Veiga pontapeia a bola para interceptar a bola e, portanto, aliviar a bola com o seu pé direito e a bola ao subir, vai à sua mão esquerda. A mão está numa posição normal, embora aberta, mas está em posição normal, porque é o movimento que ele está a fazer de pontapear a bola. E eu relembro que sempre que um jogador, ou porque leva com a bola em qualquer parte do seu corpo e depois ressalta para a mão ou braço, ou quando ele próprio pontapeia a bola e de forma inadvertida, a bola acaba por bater no seu braço, porque ele ao pontapear, chuta, como se costuma dizer, com o pé que tem mais à mão para aliviar a bola e era mesmo para aliviar. Estas são atenuantes para que não haja infração, mesmo que o braço esteja numa posição natural, embora relativamente aberto, porque tem a ver com o gesto técnico que ele estava a fazer. E, portanto, tudo legal, não há motivo para pontapé de pênalti. Estas situações estão claramente vincadas na lei para que estes próprios remates contra ele próprio, chamemos assim, ou que um jogador faz contra ele próprio, em que a bola acaba por ir à mão, não sejam penalizados.

Ora, vamos avançar. Próximo lance, minuto 34, cartão amarelo mostrado a Bruno Fernandes.

Sim, o cartão amarelo a Bruno Fernandes, ele falha completamente a entrada, está por trás do Andreas Schäfer e acaba por, com a biqueira da sua bota direita, do Bruno Fernandes, pontapear a parte de trás do joelho. Uma entrada muito dura, um pontapé, uma verdadeira bicarada e que o árbitro sancionou com livre direto e cartão amarelo, porque realmente é uma entrada dura, nós dizemos tecnicamente que é uma entrada negligente.

E três minutos depois, Schäfer volta a estar em destaque num lance de área, mas sem pênalti.

Sim, Andreas Schäfer outra vez, porque ele ao cair, isto é, ao ir com o braço, neste caso, braço esquerdo, na vertical, na direção do chão, porque vai a cair, acaba por sem querer, de forma inadvertida, tocar a bola com a sua mão esquerda. E depois de cair e tocar a bola com a mão esquerda, acaba por pontapear a bola com o pé direito, aliviando a bola, não tocando no Cristiano Ronaldo. Digamos que há aqui um dois em um. A mão não é penalizada, porque os jogadores têm direito a apoiar a mão no solo, sobretudo quando é na vertical. E se porventura tocarem na bola, e de forma inadvertida como foi, por estão a apoiar, não é punido. Mais uma das exceções em relação às infrações de mão. E depois o Cristiano Ronaldo cai, ficou-se na dúvida se teria sido pontapeado quando o próprio Andreas Schäfer, com o pé direito, pontapeou a bola, mas não, ele pontapeou só a bola, não há qualquer arrastão e, portanto, tudo correto, tudo legal, sem pênalti, neste caso, que seria a favor de Portugal.

Temos ainda mais um lance na primeira parte, quando já passavam três minutos dos 45, que é o segundo gol de Portugal.

Sim, o próprio Cristiano Ronaldo ficou na dúvida, pareceu tão isolado na cara do guarda-redes que perguntou a Bernardo Silva se estava fora de jogo. Fez o gesto que não estava e, portanto, ele a confirmar, porque ele próprio tinha dúvidas. Mas curiosamente é um lance em que ele está claramente em jogo. Ele tem quatro jogadores entre a linha de baliza adversária no momento em que o Nuno Mendes cruza a bola. A questão é que o cruzamento é feito e os jogadores da Hungria estão todos a sair, que de repente o Cristiano Ronaldo, que está aí no sentido contrário, aparece muito isolado, mas o conto é o momento do passe e no momento do passe está em posição legal e sem fora de jogo.

Gol de Portugal, legal. Vamos já avançar para a segunda parte, minuto 50, o cartão amarelo mostrado a Styles, jogador húngaro.

Sim, o Callum Styles acaba por, ao esticar a sua perna esquerda, pisar o pé direito do Pedro Neto quando ele está ali numa transição ofensiva, em contra-ataque. Não só a falta em si é dura porque é um pisão, como corta a chamada falta tática, destrói completamente aquilo que era um movimento muito rápido de saída do Pedro Neto. E portanto, por esta dupla infração, chamemos assim, bem mostrado o cartão amarelo.

Vamos ao minuto 71, de novo, um lance de área a envolver João Palhinha, mas no teu entender, Pedro Henriques, sem pênalti.

Sim, a bola é de um pontapé de canto, vai ao solo, do solo ressalta e vai bater no braço direito do João Palhinha, que tem o braço esticado, junto e encostado ao corpo, ou seja, sem qualquer volumetria extra. E isto é mais uma atenuante. Sempre que um jogador tem o braço sem volumetria, se está fora do plano do corpo, sem o movimentar deliberadamente, e a bola que ainda por cima vem de ressalto do solo para o braço, tudo atenuantes para que não seja punida a infração de mão e, portanto, mais uma decisão correta na área, sem pênalti.

E vamos avançar então para o minuto 90, quando João Félix vê cartão amarelo.

Sim, essa situação eu não tenho muito a comentar. Há vários empurrões. Para já, não estamos sempre a seguir a imagem, porque estamos a ver o canto, depois o árbitro não deixa marcar o canto e depois as imagens passam para a área. Percebe-se que há ali uns puxões, uns agarrões. O fato é que o único a ser advertido foi o João Félix e terá sido muito provavelmente por ter sido avisado e todos os outros pararam e ele se calhar continuou a agarrar e empurrar. É aquela questão das colocações na área, marcas tu ou marco eu. E, portanto, o fato é que viu esse cartão amarelo, nada a dizer.

Faltam então dois lances ainda, sendo que um deles é o minuto em que o Estádio do Alvalade gela devido ao gol da Hungria.

Sim, é a saída do meio-campo, se o Barnabás Varga, o número 19, estaria ou não em fora de jogo. E percebemos que no momento em que a bola é emitida, é ele que vai fazer a primeira recepção e depois desenvolve todo o lance, está a ser colocado em jogo pelo Renato Veiga e, por isso, tudo legal na construção da jogada, que deu o gol do empate da Hungria. Não há fora de jogo nessa construção da jogada.

E falta-nos apenas então o último lance, já perto do fim. Cartão amarelo mostrado a Lukacs.

Sim, ao minuto 90 mais cinco, o Nuno Tavares acaba por ser pontapeado pelo Dániel Lukács, que acaba por objetivo de destruir a jogada e pontapear o adversário para parar a mesma quando o Nuno Tavares ia fugir pelo corredor esquerdo. Portanto, mais uma decisão correta de livre direta e de cartão amarelo.

Analisados os lances, falta a nota. Pedro Henriques, Srdan Jovanović passa na tua análise?

Sim, claramente. Nota sete. É um jogo com muito poucas faltas, uma média de 19 faltas, apenas quatro cartões amarelos, todos eles bem mostrados. Claro que o destaque seria maior se Portugal tem ganho, porque os gols teriam mais importância, mas foram dois lances de difícil análise e que os assistentes, aliás, tiveram muito bem em todas as situações de fora de jogo, sobretudo dos quatro gols em três deles, dois de Portugal e o gol do empate da Hungria ao nível de fora de jogo. Isso é o grande destaque, mas eu diria que os dois gols do Cristiano Ronaldo foram legais em fora de jogo. Ele próprio teve algumas dúvidas se estaria ou não em fora de jogo e os árbitros assistentes tiveram muito bem e é o maior destaque. Além disso, o árbitro teve também um papel muito preponderante, como vimos aqui, três situações de mãos nas áreas, todas elas bem analisadas, dois que seriam contra Portugal, um contra a Hungria, e também ao nível das áreas, o árbitro esteve muito bem naquilo que foi a decisão dos pontapés de pênalti, que nesse caso não foram sinalizados porque não existiram. Portanto, uma arbitragem competente, bastante positiva, com destaque para os assistentes nos gols e para o árbitro nas decisões das áreas ao nível das mãos.

Nota sete dada pelo Pedro Henriques ao trabalho do árbitro sérvio que esteve neste jogo entre Portugal e a Hungria. É desta forma que fechamos mais uma edição do "Sem Falta". Pedro Henriques, muito obrigado. É sempre um gosto. Até uma próxima oportunidade.

Obrigado.