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Vamos a mais uma sessão de áudio arbitragem com o único árbitro no mundo que é capaz de o fazer, o ex-árbitro internacional português Pedro Henriques. Pedro, muito bem-vindo. Vamos analisar o trabalho de Jalol Yazdov, árbitro marroquino que apitou. Breves notas primeiro sobre este árbitro ou queres ir já aos lances?

Sim, a única nota especial é o segundo jogo do Mundial, já tínhamos falado sobre isso. Ele ainda apitou a Alemanha com o Coração, aquele 7x1. Não tinha mostrado cartões amarelos, agora mostrou dois. Tinha marcado 26 faltas, agora marcou 29, tudo muito na média. E é internacional desde 2019.

E vamos ao primeiro momento deste jogo, ao minuto 14, amarelo para o uzbeque Kamrov Bekmov.

Sim, o primeiro lance que eu tenho aqui é o minuto 14, tem a ver com um cartão amarelo que foi mostrado pelo Kamrov Bekmov. Esta não vai ser fácil.

Não vai. Ninguém sabe quem é o número nove desta seleção, é tudo acabado em nove.

Exatamente. Vamos falar. Ele com o braço esquerdo perde a bola à entrada da sua própria área, porque faz um mau domínio, e o Pedro Neto recupera. E o Pedro Neto ia entrar com a bola dominada na área, mesmo pela zona central. E o jogador do Uzbeque, Kamrov Bekmov, com o braço esquerdo, agarra e puxa o braço esquerdo do Pedro Neto, conforme disse, quando ele ia entrar na área, acaba por fazer uma falta que corta o chamado ataque prometedor, livre direto e cartão amarelo, tudo certo.

Temos depois neste encontro, na tua opinião, algo que faltou ao minuto 20. Ao minuto 20 do jogo faltou, na tua opinião, amarelo para Karimov. Este é um pouquinho mais fácil de dizer.

Sim, o Karimov faz uma falta, que eu na altura detetei como livre direto, bem assinalado, e deixei ali na dúvida se o cartão amarelo teria sido ou não a decisão mais correta, mas depois na segunda parte até tive a oportunidade de intervir e disse que na primeira parte tinham ficado por assinalar ou mostrar dois cartões amarelos, e um deles é este. Porque depois percebe-se que o Karimov, sem qualquer intenção de chegar à bola, quando o Nuno Mendes mete a bola para um lado e vai tentar passar pelo outro, é aquela cena do homem ou bola, e neste caso, alguma coisa não passa, e como a bola passou, não passou o homem. E ele abre de forma deliberada o braço esquerdo e com a mão e com a zona do antebraço, acerta na zona do pescoço o Nuno Mendes, quer pela infração em si, que é mandares com a mão ou braço, há ali uma zona de proteção, como é o caso do pescoço, pelo local, que é próximo da área, embora desquilo para um dos lados, e pela atitude em si, que é um comportamento antidesportivo, ficou aqui o amarelo por mostrar.

23 minutos, também faltou um amarelo desta feita para um velho conhecido da nossa praça, João Cancelo.

Sim, e aqui o segundo cartão amarelo da primeira parte que ficou por mostrar é uma situação que praticamente dá-se a falta e o árbitro automaticamente assinala a falta e manda a malta toda para a hydration break, mas o João Cancelo, com o único propósito de parar e destruir uma saída em contra-ataque, era uma falta a nosso favor, e isso acontece às vezes com a seleção, bombeia a bola, a defesa adversária do Uzbeque acaba por aliviar e eles saem todos em contra-ataque e saíam quase com igualdade numérica. E a única coisa que o Cancelo fez, lá está, deu o corpo às balas, como se costuma dizer, é que vai fazer uma carga incorreta para travar o Shomurodov quando ele estava a sair em velocidade. Ficou aqui o cartão amarelo por mostrar, de resto, foi contestado quer pelo próprio jogador, que é capitão da seleção do Uzbeque, quer até pelo banco, depois eles mostram o banco a protestar e tinham razão, que realmente havia cartão amarelo porque é uma falta tática.

Temos ainda na primeira parte, ao minuto 29, aqui ficámos com uma grande angústia porque tinha sido um grande gol marcado pelo jogador uzbeque à entrada da área, mas o que é certo é que o lance é precedido de uma falta sobre o jogador português, algo que obrigou o VAR a intervir.

Sim, e foi uma boa intervenção do VAR, porque nós todos temos consciência que às vezes o jogo e o futebol é o momento, e é totalmente diferente sofreres um 2x1, que vai moralizar uma equipe, e os fantasmas caíam logo sobre a seleção porque tínhamos vindo de um jogo muito pouco conseguido, ou manteres o 2x0, que dá o alento. E o que acontece é que é uma daquelas situações, em termos de televisão, claras e óbvias. Vamos ver se eu consigo dizer, o Fayzullaev estica a perna direita.

Perfeito. Cartão branco, não sei como é que é.

Cartão branco, exatamente. O Fayzullaev, não vou dizer mais nenhuma vez, senão a próxima já não dá. Estica a perna direita, não toca na bola e dá uma canelada, pontapeou a canela direita do João Cancelo. E é isto que faz com que ele ganhe a bola e recupere a bola. E depois, como todo o lance que se desenrola a seguir é a chamada mesma fase de ataque, quer dizer, a equipe já não voltou para trás, Portugal já não ficou com a bola pelo meio. Dali dessa recuperação de bola acaba por nascer o gol, o gol acaba por ser bem anulado à seleção uzbeque e uma excelente intervenção do vídeo árbitro, que faz toda a diferença. Não sabemos o que aqui vai acontecer, mas é claramente, em termos emocionais e psicológicos e de jogo, ficares a ganhar por 2x1 ou haver um gol que é anulado e manter tudo no 2x0.

E fez tanta diferença que pouco tempo depois, menos de 10 minutos depois, Portugal chegou ao terceiro gol. Segundo gol no jogo de Cristiano Ronaldo. E a verdade é que o que pode estar aqui em dúvida é um eventual fora de jogo. Mas Pedro, sem motivo para isso e com grande assistência, açucarada, como disse o Gabriel, de Bruno Fernandes.

Exatamente, até porque as repetições que deram, curiosamente, eu para ter a certeza, tive que ver a imagem original, ou seja, o lance corrido na master. Não há nenhuma repetição, ou seja, porque para a regi, para quem está a fazer a transmissão, é tão fácil perceber-se que não há fora de jogo e, portanto, que não há ali sequer a dúvida, eles nem repetiram com nenhuma imagem lateral. Inclusivamente, deram aquela imagem que eles agora passam sempre, que é da visão do árbitro, da câmera, mas para dizer que o Bruno Fernandes, quando passa a bola para o Cristiano Ronaldo, tem três jogadores entre ele e a baliza adversária, além do guarda-redes, que está lá na baliza. Agora vamos lá ver se eu vou dizer bem, também o Kuzanov

Muito bem dito, Pedro Henriques. Creio que perdemos para já. Perdemos momentaneamente, mas no momento exato em que disseste Khusanov, contaste as letras muito bem.

Khusanov e o Ashurmatov são eles que estão a validar a posição do Cristiano Ronaldo e, portanto, gol legal sem irregularidade ao nível do fora de jogo.

Já na segunda parte, onde vamos analisar apenas três lances, ao minuto 58, ficou a ideia no ar de que poderia haver um penalti sobre Cristiano Ronaldo, depois de uma belíssima jogada trabalhada de bola parada de Portugal.

Exato.

Ronaldo na cara do guarda-redes que fez a mancha. Ao rematar, Ronaldo acaba por acertar nas pernas do guarda-redes. Creio que sem motivo para penalti, apesar de ser legítima a dor de Cristiano Ronaldo no chão.

Sim, é legítima, porque realmente há o contacto, mas não há penalti. Primeiro, o momento em que o Bruno Fernandes faz aquela picadinha a bater o livre por cima da barreira para colocar a bola no Cristiano Ronaldo, e o Cristiano Ronaldo aparece isolado. Portanto, aqui a primeira dúvida era se ele estaria em fora de jogo ou não. Não estava. Portanto, foi bem trabalhado este livre, porque é importante não é só trabalhar os livres, mas trabalhá-los mantendo a legalidade da questão, porque se ele aparecer em fora de jogo, o livre ia para água abaixo. E depois, o que acontece é que o Cristiano Ronaldo realmente remata com o pé direito, mas como faz aquele armar de perna e pontapear, a perna depois não para o movimento e é a própria perna do Cristiano Ronaldo, mais concretamente o seu pé, que acaba por ir embater contra o guarda-redes, que se limitou a fazer a mancha. A bola até vai, depois de pontapeada, à perna também direita do guarda-redes. E portanto, o guarda-redes uzbeque não faz qualquer infração, não pontapeia, não arrasta o Cristiano Ronaldo, é o Cristiano Ronaldo que acaba por não parar o movimento e acertar no Nematov, que é o guarda-redes uzbeque. E portanto, tudo certo, sem motivo para pontapé de penalti.

Temos 10 minutos depois, ao minuto 68, um amarelo para Renato Veiga. Bem mostrado, Pedro?

Sim, é bem mostrado. Ele estica o braço direito e acerta em cheio no peito do Ganiev. E é uma jogada sem bola, portanto, é chamada entrada fora de tempo, sem bola. Não sei se estariam ali picados ou não, mas ele vai lá com o bracinho esticado e acerta ali no peito e o árbitro está bem posicionado e além do livre direto, que é bem assinalado, também mostra cartão amarelo.

Ao minuto 87 chega o quinto gol de Portugal, que resta saber se esteve conforme às leis do jogo.

Sim, também é o Rafael Leão que marca. A questão está no corredor direito, na construção da jogada. Eu sei que é o Nelson Semedo que vai receber a bola e que não está em fora de jogo. Fico a ideia que é o Trincão que faz o passe. Porque depois nas repetições parece que há a bola a ser passada, mas sem se ver quem passa. Mas portanto, no momento do passe para o Nelson Semedo, ele tem muito mais do que dois adversários entre a linha de baliza adversária e, portanto, não há fora de jogo e por isso o gol acaba por ser legal.

Temos, para fechar, a nota. Que nota vai merecer o árbitro Jalal Jaied, de Marrocos, nesta vitória de Portugal, sendo que eu vou dar nota 10 ao Pedro Henriques pela pronúncia uzbeque. Muito bem, Pedro.

Sim, essa está fácil. Mas de qualquer maneira, vamos à nota. Nota seis. Nota positiva. Por que eu não dou um pouquinho mais? Porque há dois cartões amarelos, que no meu ponto de vista são óbvios, ficam por mostrar ao Karimov e ao João Cancelo, tudo na primeira parte. E depois, não sendo muito relevante, o tempo para esta final que deu foi escasso. Deu cinco minutos e eu relembro que só 3 minutos e 10 segundos foi o tempo de pausa de hidratação. A primeira parte foi 3 minutos e 25, estão todas a ter os 3 minutos regulamentares, e na segunda, 3 minutos e 10. E depois, se lembrarmos que houve também quatro paragens para substituições, houve ainda um gol e houve um amarelo, portanto, obviamente que este jogo teria que ter seis a sete minutos. De qualquer maneira, não é isso que tem grande impacto, é sobretudo pelos dois cartões amarelos não mostrados, que tornam a arbitragem menos regular. O que eu gostei? O VAR, que esteve muito bem no gol anulado e acho que para mim é o momento do jogo e por isso se eu tivesse que pôr aqui um título era "VAR bem no gol anulado", porque isso é muito mais importante do que qualquer decisão, mas depois o árbitro acaba por estar bem nas áreas. Os assistentes ao nível do fora de jogo também estiveram bem, nomeadamente em dois dos cinco gols portugueses e por isso acaba por ser uma arbitragem positiva. Nota seis.

Nota seis para Jalal Jaied, árbitro da vitória de Portugal frente à Uzbequistão, por cinco gols a zero. O nosso audioárbitro Pedro Henriques, podemos também ouvi-lo muitas vezes em sede de "O Campeão é..." e vai estar também conosco ao longo deste mundial para analisar todos os jogos de Portugal e ainda com um programa todos os finais de semana, ao final da semana, para analisar os casos mais determinantes deste Campeonato do Mundo. Um grande abraço, Pedro.

Um abraço, Amián.