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Sem falta da Rádio Observador. Primeira jornada do campeonato. Pedro Henriques, muito bem-vindo. Jogo apitado por João Gonçalves, que foi o escolhido para apitar a estreia do Sporting em casa do Estrela. Empate a duas bolas num jogo com muitos lances para analisar. Pedro, a começar aqui ao minuto 14, vamos ao nosso "Sem Falta", começar com um lance a envolver Ioannidis e outro jogador do Estrela da Amadora, na área do Estrela, e do qual se reclamou penalty por um eventual toque por chão sobre o grego. Acredito que, na tua opinião, sem motivos para penalty. Boa decisão do árbitro.
Sim, há dois lances sobre o Ioannidis, que é o minuto 14 e minuto 30. Este não é a questão dos braços, este é, sobretudo, a questão do pé. É aquele lance em que o Ioannidis fica-se a queixar de ter sido pontapeado pelo Max Coulze, acho que é assim que se diz. Mas o Ioannidis é que com a ponta do pé direito, pontapeia o peito do pé esquerdo do Max Coulze e acaba ele próprio, Ioannidis, por cair por deste pontapé que dá e que provavelmente o leva a desequilibrar e a cair. Portanto, é em função desse pontapé que ele deu, ou seja, ele não foi rasteirado, não foi pontapeado e, portanto, boa decisão, não há motivo para penalty, que neste caso seria a favor do Sporting.
Ao minuto 26, na tua opinião, faltou um amarelo para um homem do Estrela. Falamos de Dué. Em que lance, Pedro?
Claro, é aquele lance em que ele vem na direção do Genné Catam, a bola já não está lá e ele com o braço esquerdo completamente esticado e projetado pra frente, acerta no ombro e na cara do avançado moçambicano do Sporting. É uma entrada que por si só é negligente, é um comprimento desportivo, porque não tem necessidade de fazer aquilo, porque a bola nem sequer está lá. Depois o Genné até ficou no chão a queixar-se da cara. Este comprimento desportivo não tem gestão e devia ter sido passível de cartão amarelo para o Dué, que o árbitro não mostrou.
Ao minuto 30, também na área do Estrela da Amadora, na tua opinião, sem penalty sobre o grego do Sporting, Ioannidis, que voltou a cair na área dos tricolores.
Aqui há duas circunstâncias: os braços e o pé. Em relação aos braços, para nós percebermos, o Ioannidis está a ser marcado por trás pelo Escapo, e o Ioannidis tem o braço esquerdo para trás e está a agarrar, típico dos avançados, a camisola do Escapo. E o Escapo, que também tem o seu braço esquerdo pra frente e também está a agarrar a camisola do avançado leonino. Aqui, em relação a este controle de braços, nunca haveria falta, porque ambos estão a fazer. Depois a dúvida pode surgir ao nível do pé, porque se parares a imagem, fica a ideia de quase um pisão do pé esquerdo do Escapo sobre o Ioannidis. Em movimento normal, percebemos que há um contato ligeiro e insuficiente desse pé esquerdo sobre o pé esquerdo. Não é propriamente aquela situação que tens o pé no chão, levas um pisão e cais. Portanto, este contato existe, não é pisão, é inconsequente, é ligeiro, não tem a tal consequência para que o Ioannidis pudesse dizer que tinha ficado fora da jogada. E por isso, uma vez mais, boa decisão, pra mim, sem penalty.
E ao minuto 45, a fechar a primeira parte, Dué acaba por ganhar uma bola pelas costas a Gonçalo Inácio, acaba por fazer gol, mas o árbitro marcou a falta, a alegada falta de Dué, por ter tocado nos pés de Gonçalo Inácio. Um lance que fez correr muita tinta nas redes sociais, mas Pedro Henriques, tu validas a decisão do árbitro.
Sim, eu valido, eu compreendo. Para tu conseguires perceber a falta, tens que fazer uma coisa que eu fiz, porque na televisão nunca dá essa imagem e as melhores imagens não se veem os pés. Portanto, muito má a transmissão nesse sentido. Tens que agarrar no lance e fazer correr o lance de forma lenta, isto é, reduzir a velocidade. Isso é feito de forma muito fácil no computador ou telemóvel. E por quê? Porque aquilo que se fica é que parece que é o próprio Gonçalo Inácio que com o seu pé acaba por pontapear na outra perna o seu próprio calcanhar, tipo ele próprio pontapeia-se a ele próprio. Mas antes disso acontecer, o que acontece é que o Dué, que vai em corrida e por trás do Gonçalo Inácio, e é nesse movimento de corrida e de proximidade que acaba por, sem querer, isto para a arbitragem chama-se de forma imprudente, e a imprudência, mesmo sem querer, se houver esse tal contato que leva a um desequilíbrio, é punida na mesma a falta. Eu relembro que não é por ser intenção ou inintenção, que essa palavra nem existe nas leis de jogo, o sem querer também é punido. E para nós percebermos isso, ele ao fazer esse movimento de corrida e de aproximação, acaba por tocar com o tornozelo direito, ele Dué, no pé esquerdo do central leonino. E é esse pé esquerdo que, ao ser tocado, depois faz com que a ato continue na passada a seguir, vá à própria perna direita e fica a ideia do próprio troca-pés no próprio. Mas antes, há um troca-pés feito pelo Dué no Gonçalo Inácio e é isso que leva à queda. É daqueles lances que nós percebemos que um jogador, em velocidade, a correr na frente do outro, basta um pequeno toque de dedo nos pezinhos para tropeçares, para caíres. Todos nós já brincamos um bocadinho com essas situações de ir por trás e dar ali um cheirinho em alguém que vai em corrida e percebemos como a pessoa a seguir destateia-se à nossa frente, porque é o suficiente pra desequilibrares, porque tu não estás à espera do contato e como vais em corrida, esse toque que leva o pé pra dentro, seja o direito ou esquerdo, que faça o toquezinho suficiente pra ir pra dentro, faz com que tu tropeces em ti próprio e caias.
É o chamado troca-pés e às vezes até aquela brincadeira muito parva no secundário, que é precisamente esperar que o pé esteja de pé para dar um pequeno toque, nada muito sutil, porque já sabemos que isso vai gerar o cruzamento de pernas e a queda.
É exatamente isso. Claro que aqui ele não fez com intenção, fez no ato de corrida. É exatamente essa imagem que estás a passar que aconteceu. E todos nós sabemos que não é uma questão de intensidade, é uma questão de consequência. E a consequência é que esse pequeno toque que estás a falar do secundário, faz com que a pessoa que está na frente desequilibre e estatele-se todo no chão. E é isso que aconteceu. Há uma causa, há um efeito, há uma consequência, há mesmo falta. Por muito que nas redes sociais estejam a dizer que ele tropeçou sozinho e que não houve contato, há mesmo falta. O árbitro, inclusivamente, depois tive o cuidado de ver, ele deixa a jogada fluir e deixa a bola entrar na baliza para poder dar intervenção do VAR. E o VAR vê exatamente o que eu vi e obviamente valida a decisão.
Temos depois ao minuto 52, já na segunda parte, o cartão amarelo para Dué, o costa-marfinense da equipe do Estrela da Amadora. Vamos mostrar, Pedro.
Sim, é uma entrada fora de tempo, sem bola, a bola bastante afastada, chega tarde e com o pé direito, de sola e com os pitões, pisa o peito do pé direito do Vajanis. Portanto, livre direto, o árbitro assinalou e cartão amarelo bem mostrado.
Temos depois, ao minuto 67, aquilo que na tua opinião faltou, um segundo amarelo precisamente para Dué. Acredito que num lance a envolver um jogador do Sporting que acabou por ver cartão amarelo, faltava o segundo amarelo para Dué, já não me lembro é por quê, Pedro.
Sim, é aquele lance em que o Suárez vê cartão amarelo. O árbitro o que é que vê? A parte final da jogada, o Suárez a vir por trás do Dué e empurrá-lo. Sem bola, que a bola nem sequer está lá, o Sporting está a atacar pelo corredor esquerdo e isto é na zona mais central. E aquilo que o árbitro vê está certo, que é a parte final do lance e por isso marca livre direto contra o Sporting e mostra cartão amarelo ao Dué. A questão é por que é que o Suárez fez isso. E depois quando se puxa atrás e tem duas repetições fantásticas. Aliás, até no lance corrido se vê, porque a câmera está a filmar, é plano aberto, é a massa, dá para perceber. E depois há uma imagem que é vista pelo topo, pela baliza que o Sporting estava a atacar, por trás da baliza do Estrela, em que se vê também na profundidade. O que é que o Dué faz? O Dué passa por Suárez e com a mão acaba por acertar e até puxar o pescoço e a cabeça do Suárez. E o momento é bastante visível, vê-se o Suárez todo abanado com aquela infração e com aquela atitude antidesportiva. E depois, o Dué ao fazer isto, faz com que o Suárez pare a corrida ou abrande a sua corrida, e depois o Suárez o que é que faz? Vai tirar de esforço, vai atrás do Dué e então é aí que empurra. Este lance, com esta repetição, só tem uma leitura: o árbitro interromper o jogo, assinalar livre direto contra o Estrela, e não contra o Sporting como ele marcou, porque a primeira falta é do Estrela, do Dué, e mostrar cartão amarelo aos dois. Ao Dué, pelo comportamento antidesportivo sem bola, com a bola a ser jogada no outro lado, incorreta, passar para um adversário e dar-lhe aquele cheirinho no pescoço e na cabeça, e depois cartão amarelo ao Suárez por tirar de esforço e por responder por comportamento antidesportivo. O caso aqui é que o Dué, se visse amarelo, era o segundo.
Temos depois ao minuto 71, o golo do Estrela da Amadora, o primeiro golo, o golo que deu o 2 x 1, estava neste momento 2 x 1. Aqui a grande questão é se há ou não falta sobre Quaresma no lance, porque Quaresma acaba por não correr atrás do defesa, ficou a reclamar sobre o árbitro. Aqui na emissão, Pedro, a título pessoal, fiquei com a impressão de que não havia falta, quero saber o teu veredito.
A minha impressão, a minha análise é que há falta mesmo. O Antonetti sem a bola jogável, até porque a bola está bem à frente, está por trás do Quaresma e é com a ação que ele consegue fazer. Portanto, há lance visto de lado e há lance por trás. No lance visto de lado, fica a ideia de apenas haver falta com o braço direito duas vezes no ombro direito do central leonino. Visto por trás, percebe-se que não é só o direito, é o direito no ombro e é o esquerdo na zona quase lombar, costas, que também tem essa ação. E portanto, aquilo que faz com que o central leonino pare, independentemente ele depois poder ter ido atrás ou não, pare, fique fora da jogada, perca a posição que está, ganha e faça com que o seu adversário, no fundo, o ultrapasse e ganhe a posição, no meu ponto de vista, é aquela ação de ambos os braços e sobretudo o braço direito por duas vezes no ombro também direito do Quaresma. Agora aqui a questão que se coloca é: em movimento normal, o árbitro acha que não há tal consequência, o tal causa efeito, que o Quaresma sentiu o toque e deixou-se ficar. E depois vem aquilo que aconteceu no mundial, que é todas as indicações que foram dadas aos vídeo-árbitros para intervirem naquilo que é muito evidente, aquilo que é muito claro e óbvio. E quando nós pomos as repetições, e estou certo que há de haver pessoas, e estou a falar de comentadores, obviamente, não estou a falar das redes sociais, que vão analisar como eu e considerar que há falta, há de haver outras pessoas que vão analisar de forma diferente e achar que sim, há ali o contacto, não é suficiente e, portanto, estamos ao nível da intensidade da sua interpretação e é aqui que entra o VAR. E o VAR tem essas indicações específicas. Se vais parar a imagem para frente e para trás para analisar se há intensidade suficiente para perceber se realmente o Quaresma deixou-se ficar ou foi mesmo impedido de continuar, então fica com a decisão que o árbitro toma em campo, porque não és tu que vais interpretar, nem vais chamar o árbitro para fazer essa interpretação. Isto eu estou a tentar pôr-me no lugar do VAR e no motivo e na razão pelo qual ele faz essa interpretação. Para mim, há realmente esse agarrar, há esse impedir dos dois braços, sobretudo do braço direito. Estamos sim perante uma análise que é interpretativa ao nível daquilo que é a intensidade. Teve consequência, causa e efeito ou não, ou foi ele que se deixou ficar. Mas para mim, também ao nível do vídeo árbitro, há prova evidente e factual para que o VAR pudesse intervir, compreendendo as normas e instruções que foram dadas. Resumindo e concluindo, acho que há falta e acho que o gol do Estrela, que nasce deste lance, deveria ter sido anulado e não devia ter sido validado, obviamente.
Minuto 83, segundo gol do Estrela da Amadora, desta feita foi marcado por Benito e aqui acredito que o principal destaque seja para a tecnologia da linha de gol.
Sim, exatamente. Não há TLG, não há tecnologia de linha de gol e portanto poderá sempre haver lances que possam deixar dúvidas se a bola transpus completamente a linha de baliza ou não, este não é o caso. No meu ponto de vista, mesmo com a imagem lateral, mesmo com o chamado erro de paralaxe, que é o que acontece quando nós não vemos imagens no enviamento e vemos na diagonal, eu acho que este, para mim, é claro e óbvio que a bola entrou e que a decisão do árbitro, sobretudo do árbitro assistente que está a acompanhar o lance e que estará praticamente no enviamento da linha e que tem uma visão privilegiada em relação a isso, mas fico com a ideia que aqui há mesmo uma boa decisão e que este segundo gol é válido.
Pedro Henriques.
Sim, e que a bola ultrapassou completamente a linha de baliza.
Boa decisão, portanto, de João Gonçalves, o árbitro que liderou a equipe de arbitragem neste encontro. Estreia do Sporting, empate a duas bolas frente ao Estrela da Amadora nesta época 2026, 2027. Temos depois ao minuto 92, Beni Sousa, autor do gol do empate do Estrela da Amadora e Jesse Derry, da equipe do Sporting, contratado por empréstimo ao Chelsea, viram ambos cartão amarelo pelas habituais trocas de carinho
O Sousa foi porque foi atrás do Jesse Derry, agarrou e puxou.
Fez falta e puxou com força.
Exatamente. Puxou para a transição, falta tática. O Jesse Derry reagiu e faz logo aquele empurrão. Um pela falta, outro pela reação, bem mostrados os dois amarelos.
Pedro Henriques, para fecharmos este primeiro "Sem Falta" da época 2026/2027, o que te pergunto é: que nota merece João Gonçalves depois deste Estrela 2, Sporting também 2?
Eu vou dar nota quatro. Vou dar nota negativa, porque obviamente a minha interpretação, e estou a ser estes cuidados hoje, que normalmente nem costumo ter, porque respeito e aceito que são lances que têm análises que podem ser distintas, independentemente de todas as pessoas conhecerem as leis de jogo e mesmo conhecendo em profundidade, que possam analisar de forma diferente. Por que eu dou nota negativa, nota quatro? Porque, para mim, há um golo do Estrela que é irregular, há falta sobre o Quaresma, na minha opinião, e porque ficou o segundo cartão amarelo para mostrar ao Dué. De resto, o Dué deveria ter visto um primeiro que não viu, depois viu efetivamente e depois teve este, que para mim era mesmo para cartão amarelo, e acho que as imagens são muito claras e óbvias para isso. O tal amarelo que dá ao Suárez tinha que dar primeiro ao Dué pela infração que ele comete, a parte antidesportiva sobre o Suárez. Com um golo, para mim, que é irregular, ou melhor, é preciso uma falta, e por um vermelho para mostrar pela acumulação de amarelo, obviamente não posso dar nota positiva. O árbitro esforçou-se para deixar jogar, privilegiar o contacto físico. O jogo até teve um bom tempo útil de jogo para aquilo que é a média portuguesa. Tivemos nos 57% de tempo útil, que é bastante aceitável. Tivemos, por outro lado, a questão que vocês falaram muito bem e que também implica muitas vezes na questão da arbitragem, que é o estado do relvado. Acho que é impróprio para um jogo deste nível, na sequência daquilo que aconteceu na Supertaça, e também o tempo que foi dado, zero minutos na primeira parte e depois apenas quatro na segunda parte. Eu, na altura, até disse erradamente o número, foram seis paragens para as substituições, não cinco, porque a sexta foi mesmo em cima dos 90, e 10 jogadores que entraram, quatro gols e algumas análises de VAR, pelo menos para confirmar determinadas situações. Portanto, quatro minutos foi muito escasso, deveria ter sido cerca de sete minutos, mas, de qualquer maneira, aquilo que, para mim, é mais relevante e importante é a nota quatro. E termino com isto: o gol que é irregular, preciso de falta, e o vermelho, segundo cartão amarelo para mostrar ao Dué.
Ponto final neste "Sem Falta", análise ao trabalho da equipe de arbitragem, hoje liderada por João Gonçalves no Estrela 2, Sporting também 2. Pedro Henriques, este domingo, novo encontro marcado a partir das 18h para análise ao trabalho da equipe de arbitragem, quer do jogo do Porto e Alverca, quer depois também do Benfica-Académico de Viseu. Um grande abraço, até amanhã.
Um abraço, até amanhã.