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Sem falta da Rádio Observador, jornada de muitas polémicas, esta 32ª. Há dois Sem Falta disponíveis relativamente ao jogo do Porto e também do Benfica. Hoje foi a vez de fechar esta jornada o Sporting. Vitória por cinco bolas a uma, frente ao Vitória Sport Clube. Pedro Henriques, o árbitro desta partida foi António Nobre. Acredito que António Nobre venha a merecer uma nota positiva. Vamos, desde já, analisar os lances deste encontro, que terminou, recordo, com uma vitória do Sporting. Vamos logo ao minuto sete, amarelo para Diogo Sousa, Pedro Henriques.

Sim, e foi só cartão amarelo. Porque é uma entrada que depois tem muito-

Falámos aqui como podia ter sido alaranjado, não é?

Exato, alaranjado. Mas é só cartão amarelo. O Diogo Sousa realmente entra com o pé esquerdo, sólido, de pitons, de cima para baixo, acerta na perna, canela esquerda do Daniel Bragança. É uma entrada apenas, entre aspas, negligente, só para cartão amarelo, porque quando vemos não a imagem parada, porque fica um bocadinho mais dura, mas em movimento normal, que é assim que tem que se ver, por causa das questões da intensidade, da malícia, da impetuosidade, percebe-se que é um contacto que acaba por ser rápido e é quase a raspar. Ou seja, acerta, mas raspa, sai rápido e não há o tal uso de força excessiva. Portanto, para mim, apenas negligência, que é quando não tem em conta o perigo e as consequências do seu ato para com o adversário, definição da lei 12, e por isso livre direto e cartão amarelo.

E ao minuto nove temos o primeiro gol do Sporting, que nasce de uma falta à entrada da área, a bola é colocada do lado esquerdo, dentro da área, para Luís Soares, que depois encosta para o meio para o cabeceamento de Gonçalo Inácio. Ora, com estas jogadas resta saber se a falta era legal e também se depois não havia fora de jogo.

É a questão do fora de jogo. A falta sim, foi tranquila, é mesmo a questão do fora de jogo, porque é um daqueles no limite. É o momento do cruzamento do Pedro Gonçalves. Em relação à finalização do Gonçalo Inácio, o mais relevante é mesmo o momento do cruzamento ou de bater o livre do Pedro Gonçalves.

A bola que viria para o Soares.

Exatamente, para o Soares, que vai fazer depois a assistência para o Gonçalo Inácio. E nessa situação do passe do Pedro Gonçalves, do Pote para o Soares, ele está em jogo por 12 centímetros. Portanto, percebemos que realmente é uma coisa muito escassa. Depois, quando ele faz a assistência para o Gonçalo Inácio, o Gonçalo Inácio, como está atrás da linha da bola, não há fora de jogo. Um jogador sempre que está em linha ou atrás da linha da bola, no momento que o seu colega passa, nunca há fora de jogo. Mas é sobretudo no momento do passe do Pote para o Soares, o Soares está em jogo por 12 centímetros, gol legal do Sporting.

E ao minuto 19, creio que o jogo até teve um compasso de espera para que houvesse uma verificação mais profunda deste lance, porque queixavam-se os homens do Vitória de um alegado penalti cometido por Maxi Cerullo na área do Sporting, por alegada mão na bola, Pedro.

Exato, mas não existiu e portanto tudo legal, começando pelo fim, é um pontapé de canto a favor do Vitória, a bola é metida de forma rápida para o Miguel Nogueira, que faz ali um desvio, um toque meio de calcanhar, habilidade do pé esquerdo e faz com que, ao fazer isso, a bola levante. E ao levantar, a bola vai à coxa direita do Maxi Cerullo e só depois de bater na coxa é que ressalta, vai, sobe e resvala. Eu digo resvala porque a imagem não é muito clara. Dá uma ideia que se calhar até nem bateu no braço, mas mesmo tendo batido, é de ressalto, é resvalar, ainda por cima num braço que está junto, encostado ao corpo e sem volumetria, portanto, mesmo que batesse no braço, nunca seria motivo para pontapé de penalti, até porque, como digo, o ressalto é sempre matinuante, mas a bola vai claramente à coxa e depois a tocar no braço é mesmo a resvalar. Portanto, tudo certo, sem motivo para pontapé de penalti.

E ao minuto 30, novo amarelo neste jogo, desta feita para Saviola, também do Vitória. Bem mostrado?

Sim, bem mostrado. É um lance que nos passou despercebido, isto é, nós fixámo-nos na lesão do Debast e as repetições não mostraram o árbitro a mostrar cartão amarelo, mas mostrou. Porque o árbitro deu lei da vantagem, depois há uma repetição que se vê o árbitro a perceber que houve falta sobre o Debast, o Saviola não para o movimento e dá-lhe ali uma paralítica, vai com o joelho. Sporting. Porque a jogada depois vem, o Sporting sai, depois a jogada volta outra vez para a área do Sporting, o Debast até se levanta, vai acoxiar para tentar intervir também no lance e depois quando a jogada termina, por assim dizer, o Debast manda-se para o chão, porque realmente ficou muito caixoso. E é aí que não se percebe, mas depois mais à frente dá para perceber que houve mesmo cartão amarelo, porque é uma entrada fora de tempo, é negligente e, portanto, bem mostrado este cartão.

Temos depois neste encontro, Pedro, no seguimento dos lances apitados por António Nobre, ao minuto 39, na tua opinião, faltou um amarelo para Strata, também do Vitória.

Exatamente. É o único lance de menos por parte da equipa de arbitragem, no seu global, incluindo aqui os assistentes e o VAR, em que o Tony Strata entra de frente e acaba por, ao fazer essa entrada de frente, uma entrada também negligente, com o seu pé direito, sólido, com os pitons, pisar o pé direito do Luís Soares. E, portanto, uma infração enquadrada lá está na entrada de negligência, que devia ter sido sancionada disciplinarmente. O árbitro nem falta assinalou e daí também não ter mostrado cartão amarelo.

Ainda na primeira parte, vamos fechá-la, minuto 45 mais um, há um gol do Sporting que é apontado por Maxi, depois disso é anulado, só que posteriormente, depois da revisão do VAR, aprovado por mais uma nesga. 12? Não, oito, 12, já nem sei.

Exatamente. Este é de oito, os 12 foi há bocado. Exato, porque tivemos aqui vários lances de possível fora de jogo. O assistente numa fase inicial anula o gol, mas com base na tecnologia das linhas fora de jogo, a decisão inicial é revertida e validado o gol, porque no momento do passe do Debast para o Maxi Cerullo, ele está em jogo por oito centímetros. E, portanto, nesta circunstância, porque há uma decisão inicial de anular o gol e como o VAR intervém e diz: "Atenção que o gol é válido", neste caso, faz parte agora do protocolo o árbitro verbalizar para o estádio que após revisão VAR, o gol vai ser validado, não havendo portanto fora de jogo. E portanto, foi isso que aconteceu, porque se fosse fora de jogo, ele não tinha que falar. Apenas confirmaria a decisãoDo árbitro assistente e levantaria o braço.

Eu só tenho que falar quando é revertida a decisão original.

Exatamente, neste caso, por ter sido revertida.

Ao minuto 60, Pedro, temos novo amarelo para Balieiro, também do Vitória. Bem mostrado?

Sim, o Tiago Balieiro acaba por ver o cartão amarelo, entra com a perna direita a tocar e a arrastar na perna esquerda de Jani Katame, é quando ele vai a fugir, ele Jani, vai a fugir pelo corredor e numa situação de contra-ataque, e portanto, digamos que há dois em um, a entrada em si, que é dura, negligente, e em simultânea falta tática, porque destrói a possibilidade de sair em contra-ataque, portanto, tudo certo.

Minuto 61, foi o quarto gol do Sporting. Resta também saber se aqui com alguma ilegalidade.

Certo, mais uma questão de fora de jogo. É mais uma questão de fora de jogo, dois momentos de análise. Curiosamente, gol legal do Sporting, gol do Luís Soares, mas dois momentos de análise e aquela que a cidade do futebol colocou como mais importante foi o primeiro passe que é feito pro Pedro Gonçalves, depois o Pedro Gonçalves é que faz a assistência pro Soares. E o Pedro Gonçalves, quando a bola é colocada, está em jogo por 56 centímetros. Depois, quando ele passa pro Luís Soares, essa é mais fácil de ver, porque o Luís Soares está atrás do penúltimo adversário e, portanto, este duplo momento de análise, bem uma vez mais o árbitro assistente na validação deste que foi o quarto gol do Sporting e o gol do Suárez.

E ao minuto 65 acaba por ser anulado um gol a Eduardo Quaresma. Teria sido um gol de belo efeito, o jogador recebe a bola, quase que sem a deixar cair e depois remata de voleio, mas essas técnicas são de outro campo, Pedro, do ponto de vista disciplinar, tudo bem decidido aqui.

Não, aqui é a questão do fora de jogo, exatamente. E bem, o assistente cumpriu o protocolo, o gol é anulado ao Quaresma, porque na construção da jogada, num primeiro momento, o Jani Katame passa a bola e ela é interceptada pelo Maxirus, que depois até faz o passe de assistência pro Quaresma. O Maxirus está claramente adiantado, portanto a cidade do futebol, obviamente, nem sequer colocou as linhas fora de jogo. Só para referir que os jogadores do Vitória ficaram um pouquinho irritados e levantaram o braço, porque eu percebo, os jogadores queriam que o fora de jogo, porque eles consideram que era tão claro e evidente, devia ter sido levantado logo a bandeirola. Mas eu relembro que aquilo que é o protocolo do vídeo árbitro, na página 151 das leis de jogo, fala exatamente no motivo, que até diz se um árbitro assistente retardar o sinal da bandeira, numa infração, ele deve levantar a mesma, no caso, ocorrer um gol, um penalto, um canto, livre, lançamento a favor da equipe atacante ou manter a posse de bola após o término do ataque inicial. E portanto, digamos que a ideia é deixar a jogada correr até o fim, porque se o árbitro assistente levanta e a partir do momento que o árbitro assistente levanta a bandeirola e que o árbitro apita, tudo que vem pra frente já não pode ser emendado. E isto vai permitir, por muito que deixe as pessoas um bocadinho preocupadas, irritadas, mas é evidente interromper, este retardar vai sempre permitir a intervenção do VAR para reverter algum erro. E aquilo que às vezes parece evidente, às vezes depois não é. E por isso é que cumpriu-se também o protocolo.

Se houvesse evidências, não havia VAR, não é, Pedro?

Não, exatamente, claro, como é óbvio. Exato.

Temos depois já o minuto 90, aquilo que vai sendo já um ato comum entre os árbitros portugueses. 93 minutos dados de compensação, na tua opinião deveriam ter sido mais, independentemente do resultado. Há motivos pra isso.

Sim, eu tenho batido um bocadinho pra esta luta da questão do tempo extra. Se calhar agora, eu como árbitro, se calhar nunca tinha raciocinado tanto nisto, agora como comentador. Esta é uma competição, neste caso concreto, que até tem o melhor marcador na competição ou um prêmio atribuído. É uma competição que tem gols marcados e gols sofridos, e a diferença de gols marcados e sofridos, e que isso conta ou pode eventualmente ser importante para a atribuição de lugares na classificação, sejam eles para o campeão já está decidido, para segundos lugares. E repare, o Sporting e Benfica até estão ali taco a taco. Neste caso, não vai ser importante porque estamos perante uma situação de confronto direto, mas os gols marcados e sofridos é um dos critérios de análise. E portanto, não compete aos árbitros. O resultado está feito, há uma equipe que está a ser goleada, vamos terminar. Não, se for uma Taça de Portugal, que é eliminar, isso compreende-se. Numa competição destas, em que há coisas em jogo, e lá está, os gols marcados e sofridos e os melhores marcadores, o árbitro tem que dar o tempo que realmente tem que adicionar, porque não faz sentido. E repara que tivemos três minutos, mas nós tivemos seis paragens pra substituições, onde entraram oito jogadores, três gols, um cartão amarelo e, portanto, o jogo tinha que ter pelo menos seis minutos.

Pedro Henriques, resta saber, acredito que mesmo apesar dessa falha final, vá merecer nota positiva a António Nobre, até porque o jogo correu de feição para o árbitro.

Sim, correu, sim, senhor. Nota 7. Eu acho que os assistentes e o vídeo-árbitro hoje, os assistentes tiveram muito trabalho. Houve uma falha de um assistente, mas o VAR corrigiu e, portanto, eu diria que os assistentes e o vídeo-árbitro estiveram muito bem ao nível dos fora de jogo. Houve várias situações de gols validados e um invalidado, tudo no limite. Nas áreas também o pouco trabalho que houve, tudo certo. Falhou no tal cartão amarelo, foi um jogo em que o árbitro deixou jogar e isso teve como consequência apenas 20 faltas. O tempo de jogo foi bom, 60%. E portanto, tirando este pormenor do cartão amarelo, no meu ponto de vista ficou por mostrar e o tempo adicional, a equipe de arbitragem sai com nota positiva, num jogo que se tornou fácil pelo resultado. Nota 7 pra equipe liderada por António Nobre.

Na vitória do Sporting frente ao Vitória Sport Club por cinco bolas, uma 32ª jornada do campeonato, as contas do campeonato estão feitas no que à entrega da taça diz respeito, Pedro Henriques, mas temos novo ponto de interesse marcado pra próxima quinta-feira, porque o Braga pode conquistar a passagem à final da Liga Europa. Cá estaremos nessa empolga europeia do Braga. Vamos também ouvindo o Pedro Henriques, sempre em sede, e o Campeão É, com notas de 0 a 20 aos protagonistas do dia no mundo do esporte, sempre disponível em observador.pt. Um grande abraço, Pedro.

Um abraço, obrigado.