Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Para que nenhum lance fique no ar, sobretudo depois de noite de clássico, está conosco o Pedro Henriques para mais uma edição do "Sem Falta" e análise ao trabalho da equipe de arbitragem liderada por João Pinheiro, neste encontro da 25ª jornada do campeonato, que deu duas bolas pro Benfica e duas bolas pro Porto. Pedro Henriques, vamos passar à análise.

Ora bem, vamos lá à análise dos casos e hoje, porque são muitos, vou tentar varrer todos, mesmo aqueles menos importantes ou menos significativos, mas trata-se de um clássico. Daí fazer isso de forma relativamente mais seguida. Minuto dois, para destacar os tais três minutos e 40 segundos que o jogo esteve interrompido por causa dos objetos que foram deflagrados. Eu relembro aquilo que também falei no direto, parece que andamos todos a brincar um pouquinho com isto. Podemos não concordar, isso é outra questão, mas está na lei, o uso de engenhos pirotécnicos em recintos desportivos em Portugal, pela lei, é considerado crime e é punível com pena de prisão ou multa. E portanto, acho que tem que ser feito aqui qualquer coisa. Os clubes têm que ajudar, obviamente, mas os clubes também não podem ser sempre co-responsabilizados, pagando deles as multas por responsabilidades individuais. Os fumos foram visíveis, as pessoas são facilmente detectáveis, até porque as imagens foram mostradas e há câmeras nos estádios para mostrar, e é penalizar individualmente. Pode-se não acertar em todos, mas se forem penalizando e afastando essas pessoas e realmente elas pagarem, e se calhar mais do que a multa, em questões de prisão, as pessoas vão aprender que isto não pode ser. Tem que acabar de uma vez por todas, até porque isto tem este condão. Está bem que foi no início do jogo. É uma área que não cabe aqui na parte da arbitragem, mas o Benfica até estava bem, estava por cima, estava a atacar, estava a pressionar e de repente quebraram o jogo todo. Os próprios adeptos, não é a primeira vez que fazem isso.

Uma quebra de ritmo provocada pelos próprios adeptos, que é difícil de perceber do ponto de vista desportivo. E que na tua opinião, Pedro, então deveria ser punido de outra forma do ponto de vista desportivo, criminal?

Sim, desportivo, porque a parte do desporto vai penalizar, mas muitas vezes essa parte desportiva é em cima dos clubes. E a minha questão aqui, nestas ações de racismo, etc., é que têm que ser punidos também desportivamente, no sentido de serem afastados individualmente, afastados de sócios, afastados dos estádios. E depois, se existem leis, como é o caso do racismo e deste caso concreto, não foi racismo, obviamente, mas foi por engenhos pirotécnicos, que ainda por cima são considerados crime pela lei civil, vamos dizer assim, é aplicar, é só isso. E afastar essas pessoas, essas pessoas serem penalizadas, isso não faz sentido nenhum. Vamos avançar, então?

Vamos avançar, Pedro, força.

Minuto 10, um dos seis lances mais relevantes e importantes para mim, este é um deles. No primeiro gol dos Dragões, gol legal, não há infração à fora de jogo. No momento do passe pro Viktor Klauss, ele está claramente a ser colocado, até por mais do que um jogador, mas sobretudo pelo Sebald, que ficou claramente para trás, recuado, e colocou o médio dinamarquês em posição legal e o gol do Porto, o primeiro gol dos Dragões, perfeitamente legal e sem qualquer motivo para infração ao nível fora de jogo. Minuto 13, o Gabri Veiga que não parou o movimento e após cortar bem a bola para longe com o pé, acaba por ir com o seu pé em rista bem à frente, a deslizar. Eu, na altura, tinha referido que o livre direto tinha que ser assinalado, coloquei a questão do amarelo, mas depois de rever o lance, porque é mesmo imponente na sua ação, corta e vai em movimento. Não é aquela situação que vai disputar a bola, que são questões diferentes, tem o azar de não parar o seu movimento, é imponente na abordagem, o livre direto, pelo menos, sim, cartão amarelo, não, e por isso apenas esse destaque. Ao minuto 15, foram mostrados dois amarelos, um para cada banco, provavelmente pela altura, por elementos que mais se evidenciaram naquilo que foi cumprimentos incorretos, e aqui nada a dizer, aceito sempre como boa a decisão, mas só referenciar isso. Minuto 16, o Alberto Costa toca e derruba o Shelljob, pitons na canela, passível de cartão amarelo, que não foi mostrado, e portanto uma ação disciplinar que o árbitro não considerou, mas no meu ponto de vista, neste caso, não acertou. Vamos a um outro lance dos tais seis que eu destaco. Minuto 24, fica-se a pedir penalti na área dos Dragões, a favor do Benfica, é um remate do Tomás Araújo, por eventual mão, mas depois percebe-se que após o remate do Tomás Araújo, a bola vai à perna do Denis Güler, que está em área defensiva e depois ato contínuo, vai também à perna do Klauss. Em nenhum momento, nenhum destes ou outro jogador qualquer com a mão, com o braço e portanto, tudo certo, sem motivo para pontapé de penalti. Minuto 26, bem assinalado o livre direto e mostrado o cartão amarelo ao PP, porque com a perna direita toca e derruba a anca e a perna do Prestean, cortando uma jogada de Periquão, no fundo, ataque promissor, já perto da área dos Dragões, quando o Prestean vai na direção da área do Benfica e, portanto, livre direto e cartão amarelo bem mostrado. Minuto 35, o meu terceiro lance dos tais seis que eu destaco, que é aquela situação em que o Diogo Costa sai e com o punho da sua mão direita acerta apenas na bola. Obviamente que depois, ato contínuo, pelo movimento que vai pra frente é impulsionado e também porque o Pavlídis vai no sentido contrário pra tentar chegar lá. Só que o Diogo Costa chega primeiro e quando digo primeiro, muito primeiro, o contato é inevitável. É normal que o Pavlídis tenha se magoado, mas não há qualquer infração, sem motivo para pontapé de penalti. Tudo certo nesta decisão. Porque o jogo segue, porque a bola é aliviada pro punho, ato contínuo, Otamendi, porque o Porto sai. Exatamente.

Vai contra-atacar o Porto e dá o segundo gol.

Não, dá o amarelo. Dá o amarelo ao Otamendi, que rasteira o Pieter Zulj à saída dos Dragões. E na sequência deste cartão, em simultâneo, também cartão amarelo mostrado a Gabri Veiga por protesto. Portanto, não há penalti na área, Otamendi para a jogada, porque como o jogo segue, o Pieter Zulj quer sair, é derrubado e portanto aqui é uma falta tática e o Gabri Veiga terá ali também protestado na ação e daí também sair o cartão amarelo, tudo certo. Ainda nos ditos descontos, porque o jogo teve sete minutos de descontos e por razões óbvias, temos o lance Ao minuto 45 mais cinco, em que é um amarelo bem mostrado ao Diogo Costa por demorar a repor a bola num pontapé de baliza e, portanto, tudo certo. E com isto terminamos a primeira parte.

A primeira parte está analisada, vamos à segunda parte, sendo que acredito, Pedro, que esse último lance do jogo que está a ser muitíssimo discutido, está a ser também procurado um penalti. Vamos falar dele, mas vamos primeiro à análise dessa segunda parte, Pedro.

Começa com o minuto 55, Alan Varela com o pé direito pisa de lado, não enchei o pé direito, Rafa derrubou e quis só para a jogada e sair em contra-ataque. Para mim ficou aqui amarelo também por mostrar. Depois ao minuto 58, cartão amarelo mostrado a Martim Fernandes por demorar na saída para ser substituído. Aqui nada a dizer. Ao minuto 61, o quarto dos seis lances que eu destaco, e este é também um lance na área sem penalti, em que ficou-se a pedir penalti por mão de Fofana. Há ali uma série de molhada, de jogadores que estão ali todos emborcados, quer do Porto, quer do Benfica. Há uma série de ressaltos e digamos no ressalto final, a bola fica ali a ser tocada pelo cotovelo do jogador, pelo Seko Fofana, toca a bola com o cotovelo, mas é um movimento, para já não é um movimento deliberado no sentido de ir interceptar a bola. E depois é chamado ressalto de forma completamente inesperada. O braço está completamente dobrado, encostado ao corpo, portanto, não há motivo para penalti. Boa decisão também aqui ao minuto 61. Quinto lance dos tais seis que eu destaco, minuto 69, o gol obtido por André Schurrle. Na construção da jogada e no passe que é feito pro lado direito, corredor direito do ataque do Benfica, Paulo Cabaco, que ele está a ser colocado em jogo por Francisco Moura. Bem o assistente na decisão e depois confirmado pelo VAR e, portanto, este gol do Benfica legal, também sem motivo para infração ao nível daquilo que podia ser a questão do fora de jogo. Depois avançamos para o minuto 78 e ao minuto 68 o amarelo a Alberto Costa é porque ele derruba o Schurrle no corredor esquerdo, quando ele faz ali uma rotação e tenta progredir para esse corredor e, portanto, corta ali uma cena em contra-ataque, meio por isso e meio pela falta tática.

E também por acumulação de faltas, não?

Sim, exatamente. Era isso que eu ia dizer. Meio pela falta em si e pelo corte saindo em contra-ataque, mas também por aquilo que é o gesto que o árbitro faz e muito bem, que é tipo, ele não sei se fez com três dedos ou com quatro, tipo fizeste várias faltas e estás a ser punido pela sucessão de faltas ou pelas diversas faltas que fizeste. Minuto 81, cartão amarelo mostrado ao William Gomes, pontapeou por trás o Schurrle, e quando digo pontapeou não é em sentido agressivo, é no sentido de ir atrás, tenta chegar à bola, acaba por tocar e derrubar o Schurrle por trás quando ele sair numa transição rápida e, portanto, cartão amarelo bem mostrado. Depois, só dizer que ao minuto 90 temos a situação dos seis minutos dados após o gol e nesses seis minutos que são dados, há aqui uma série de expulsões. Pelo menos aquelas que são mais relevantes são aqueles que têm mais impacto, o Mourinho e o Otamendi. O Otamendi viu o cartão vermelho, vai ficar fora do próximo jogo e o José Mourinho também vai ficar. Depois, terá também saído para-

Lucho González.

O Lucho González, mas não se tratando do treinador principal, não sei se houve mais qualquer coisa em termos disciplinares, mas estes são os mais relevantes e importantes, pelo menos o Otamendi e o Mourinho, porque são aqueles que têm mais impacto em relação ao jogo. Últimos dois lances. Minuto 97, o amarelo mostrado ao António Silva, porque ele sofre uma falta e o árbitro assinala, ele queria mais do que isso, queria cartão amarelo para o Varela. E a maneira como protestou por ser só amarelo, depois o facto também de fazer o gesto para pedir amarelo, tudo isto somado, deu respetivamente o cartão amarelo ao António Silva e, portanto, do meu ponto de vista, bem em termos daquilo que foi a forma como o fez de forma veemente. Finalmente, o último lance. Minuto 98, vou começar, ou 90 mais oito, para mim indica que é claramente sem penalti. É um lance já junto à linha de baliza. O Diogo Costa ao tentar defender e agarrar a bola, está a proteger o seu espaço e está praticamente de joelhos no chão. Isto é, aliás, está mesmo. Dobra o joelho direito na relva e ao mesmo tempo tem a sua perna esquerda esticada e com o pé esquerdo assente no solo. E, portanto, ele está em situação de já estou no chão, estou a proteger o meu espaço e vou agarrar a bola que é praticamente ato contínuo. E é o Pavlídis, na minha opinião, que com o pé direito dobrado, vai ao contato contra o pé do guarda-redes do foco do Porto. E é ele que provoca mais esse contato. Não é a situação típica de um jogador que vai a passar e o outro estica-lhe a perna e rasteiram. Até porque a maneira como o Pavlídis vai com o pé, é com a biqueira da bota direita no chão e o pé todo dobrado. Vai arrastar o pé, vai mesmo claramente à procura do contato. Portanto, o Pavlídis não é inocente na maneira como procura este contato e é ele que provoca o contato. E há uma imagem por trás da baliza para mim é mais relevante e importante nesse aspeto. E é o Diogo Costa que está a proteger o seu espaço e é o Pavlídis que provoca o contato. E, portanto, para mim, não há motivo para pontapé de penalti e boa decisão do árbitro neste caso. E portanto, com isto terminamos os casos.

E Pedro, só antes de saber a nota, tenho assistido aqui às transmissões, aos serviços de transmissões. Foram feitas várias perguntas, sobretudo aos treinadores, sobre este lance final, quer a Farioli, quer a Mourinho, os dois não quiseram responder. Continua a ser reproduzido o lance à exaustão. Está a ser aqui também procurado um penalti onde não existe. Também que responsabilidade há das transmissões sobre estes momentos e sobre a verdade desportiva também?

Bem, vamos lá ver. Em primeiro lugar, se os próprios treinadores, é normal que o treinador do Porto se dissesse sempre. Aliás, o treinador do Porto respondendo a essa questão, disse que não entendeu, não havia falta e foi muito rápido. E o José Mourinho foi extremamente cauteloso.

Disse que não queria cometer o mesmo erro da semana passada.

Pois, exatamente. Não me apercebi se ele já tinha visto o lance ou não, porque quando apanhei isso ouvi ele já a falar na parte "não queria cometer o mesmo erro". É normal que as televisões Vamos lá ver. Querem mais mediatismo, querem mais engajo no sentido de pessoas a verem, vão explorar este lance, porque obviamente que se calhar os adeptos do Benfica vão dizer que é penalty, os adeptos do Porto vão dizer que não é. No meu ponto de vista, não é penalty. Eu acho que este jogo tem muita coisa para ser falado sob o ponto de vista técnico ou tático, obviamente que sim, e acho que era isso que o futebol mereceria sempre, ser mais tratado, observado e falado. É normal, porque se calhar se estiveres a falar de 4-3-3, 4-4-2 e substituições, os adeptos ou as pessoas em geral, porque tem a ver com a cultura desportiva ou falta de cultura desportiva, mudem de canal. Assim que tens um lance e colocas em loop 50 mil vezes para tentar perceber se é penalty ou não, quase que depois convences as pessoas a ver a respetiva infração e o facto é que isso dá visualizações. E eu digo isto, e só estou a responder porque me estás a colocar essa questão. Como é óbvio, eu trabalho aqui na Rádio Observador, mas também trabalho para um jornal e esse jornal pede-me sempre um vídeo de análise, pelo menos de um lance só, e que coloca nas suas páginas também, em termos de página e propriamente na utilização daquilo que é o TikTok e Instagram.

E será o vídeo mais visto.

Repara uma coisa, eu tenho vídeos de meio milhão, de 400 mil a nível do TikTok. O TikTok tem sempre mais que o Instagram, só para nós percebermos. E são sempre em quê? Em situações, obviamente, possíveis penalties ou não penalties. E só para percebermos que os vídeos são todos seguidos, está, por exemplo, a conferência de imprensa do Mourinho, do Farioli, do Rui Borges, que são pessoas que têm muito mais relevância e importância do que eu no contexto do futebol e que estão a falar de coisas muito mais relevantes e importantes. E enquanto eu vou aos 300 mil, 400 mil e 500 mil nos vídeos mais vistos, eles estão nos cento e tal mil. E aqui percebemos muito bem que eu não sou mais importante que eles.

O que atrai é a polêmica.

Exatamente, o que atrai aqui é a polêmica e obviamente, muitos deles vão por lá nas 5 mil mensagens que lá estão, 3 mil é para me chamar nomes. Tudo bem com isso, mas é para percebermos a nossa cultura desportiva ou falta de cultura desportiva que temos.

E Pedro, para finalizar este "Sem Falta", falta a nota para João Pinheiro. Merece boa nota neste clássico?

Merece. Eu vou dar nota 7. Eu não vou dar mais porque eu tenho aqui algumas situações de natureza disciplinar que eu percebo que no contexto de jogo, ele tenha gerido sem cartão. Percebo isso claramente. Eu quando analiso, analiso os lances não no contexto geral, mas um a um. E, portanto, é por isso que não lhe dou o tal oito que poderia ser dado, claramente, porque isto é um jogo fora do contexto normal. Felizmente, tive a sorte de estar nestes contextos também, a este nível deste tipo de jogos. E são jogos muito difíceis, tem um grau de dificuldade acrescido por tudo e em cima podíamos dizer que estava aqui a ser jogado também o título. Portanto, para mim é uma arbitragem positiva. Nas áreas, que é o relevante, mais importante, para mim, teve tudo certo. Os assistentes estiveram bem, sobretudo os quatro gols foram legais. Os assistentes estiveram bem em dois desses gols, porque havia a questão do fora de jogo. Claro que o VAR corrigiria, mas os assistentes estiveram bem. Menos positivo do jogo é mesmo o comportamento dos bancos na relação entre eles e muito, por vezes, também na relação com as equipas de arbitragem e as interrupções dos engenhos pirotécnicos que eu não consigo compreender. Vou dar nota positiva ao árbitro, nota 7. Acho que globalmente saiu-se por cima. Claro que agora vão tentar achar o tal penalty ou outra situação qualquer, mas ele esteve bem e o resultado de 2 x 2 tem a ver com aquilo que os jogadores e as equipas técnicas fizeram e não com decisões erradas dos árbitros. Nota 7 para a equipa liderada por João Pinheiro.

Pedro Henriques, está feito mais um "Sem Falta", hoje com ares de clássico. Vamos estar de regresso também a meio da semana com o "Sem Falta" para analisar os compromissos europeus, quer de Sporting, quer depois também de futebol do Porto. Um grande abraço, Pedro.

Um abraço, obrigado.