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O Benfica deu a volta à eliminatória, está vivo na Liga Europa, vai encontrar o Ards na tentativa de chegar à fase liga desta competição e hoje, na segunda volta da segunda preliminar, venceu por cinco bolas a zero, em casa, o St. Gallen, num jogo arbitrado pelo alemão de 35 anos, Florian Badstübner. Esteve bem o árbitro, Pedro Henriques. Vamos também às apresentações desta equipa de arbitragem, que é integralmente composta por alemães.

Sim, rapidinho. Só para dizer que, como disseste, a equipa de arbitragem, incluindo o VAR, o Christian Dingert, são todos alemães, assistentes, quarto árbitro, AVAR, inclusivamente. Dizer que este era o primeiro jogo do árbitro nesta época, o que é normal, porque são as chamadas pré-eliminatórias e, portanto, os árbitros só têm jogos de preparação, que não contam em termos oficiais. O árbitro é jovem para a arbitragem, tem 35 anos, é internacional há pouco tempo, está na segunda época, é internacional desde 2025 e era um árbitro que, tendo menos experiência internacional, tem a experiência da Bundesliga, onde já tem muitos jogos e é um árbitro com médias muito baixas, quer de amarelos, tinha abaixo de três cartões, quer de faltas, tinha uma média de 23. Não chegava a 22 faltas. É um árbitro que deixava jogar, privilegiava o contato físico e estas considerações de amarelos e de faltas vieram se refletir também no jogo, porque, já agora começando por aqui, 17 faltas foram quantas houve neste jogo, cinco cometidas pelo Benfica e três amarelos. Depois, neste caso concreto, há um vermelho por acumulação de amarelos, mas é um vermelho que resulta da acumulação. Manteve exatamente os mesmos padrões da média que vinha do ano passado.

Mas ao minuto 19, na tua opinião, deixou escapar um pênalti a favor do Benfica, um lance a envolver a entrada de um jogador pela direita na área. Há uma mão nas costas, ficamos em dúvida, mas a tua decisão final, Pedro, era que havia motivos para a grande penalidade.

Sim, começamos pelo lance, para mim, e o resto que vou dizer, é o único lance em que o árbitro não esteve bem sob o ponto de vista de jogo, o que significa que tudo o que vem a seguir é positivo, mas este para mim é pontapé de pênalti. É um pontapé de pênalti que fica por assinalar a favor do Benfica. Eu vou tentar dizer o nome do jogador, que é o Bukalfa, acho que é assim que se diz, Carlo Bukalfa. Não sei se é Bukalfa ou Bukalfá, mas acho que é Bukalfa, por trás e com o braço esquerdo dobrado, empurrou na zona lombar do Leandro Barreiro, fazendo com que o Leandro caísse e perdesse o contacto, a possibilidade de continuar com a bola. E a bola está à frente do Leandro Barreiro, perfeitamente dominada. No meu ponto de vista, é um lance que deveria merecer a intervenção do vídeo-árbitro, porque para mim é claro e óbvio. Se em movimento normal já me parecia falta, mas poderia passar um bocadinho mais despercebido daquilo que são a diferença ou o limite entre o contacto e eventualmente um empurrão, com a câmera lenta, percebe-se claramente o movimento de esticar o braço, de empurrar e desequilibrou o jogador adversário. É um facto, e só aqui vou me debruçar um pouquinho mais tempo, é um facto que do mundial vieram estas duas referências, vídeo-árbitros para intervir só no claro e óbvio, tudo aquilo que realmente seja muito claro e óbvio. É normal que nesta fase inicial se vão, entre aspas, cortar a intervir em qualquer circunstância, mas para mim este lance é claro e óbvio, e os árbitros a deixar jogar e a privilegiar o contacto físico. Tivemos também essa característica do mundial e aquilo acabou por fazer jurisdição, jurisprudência, mais concretamente, para aquilo que vai acontecer, provavelmente, pelo menos no plano internacional, mesmo na UEFA, mas para mim, pontapé de pênalti para assinalar a favor do Benfica.

Temos depois ao minuto 21, amarelo para Stanic, da equipa do St. Gallen. Bem mostrado, Pedro.

Sim, bem mostrado. Josip Stanic entrou com o pé direito, sola e com os pitons, acerta no pé esquerdo o Vangelis Pavlidis, enquadra-se naquilo que é negligência e ainda por cima fora de tempo, a bola já não estava lá e o árbitro muito bem, livre direto e respectivo cartão amarelo e isto vai ser importante para o jogo.

Depois temos ao minuto 50, amarelo para outro homem do St. Gallen. Desta feita foi o nigeriano Okoroji.

Exatamente, o Chima Okoroji, porque com a mão esquerda por trás, agarrou e puxou de forma ostensiva, evidente, liberada, a camisola de Leandro Barreiro para travar aquilo que era a transição ofensiva rápida, passagens em linha de meio-campo, a chamada falta tática. Pelo comprometimento desportivo do agarrão, que por si só normalmente é penalizado com amarelo. Pela falta tática, porque no fundo parou a jogada, destruiu a jogada, aquela saída em contra-ataque, contra-transição rápida, cartão amarelo bem mostrado.

Temos depois ao minuto 57, novo amarelo para Stanic, o segundo, que fez com que o St. Gallen ficasse reduzido a nove unidades. E aqui creio que também boa decisão do árbitro, Pedro.

Sim, aliás, aquilo que aconteceu logo a seguir, a maneira como reagiu o jogador Stanic. Normalmente os jogadores, mesmo sabendo que fizeram falta, há sempre um protesto. Nada, ele fez a falta e dirigiu-se logo. Percebeu que era pra expulsão. O Sudakov vai embalado, passa a linha de meio-campo, vai rápido, vai em contra-ataque e o Stanic abre a sua perna esquerda para derrubar, rasteirar o jogador do Benfica e livre direto e cartão amarelo, por três motivos: pela entrada negligente, porque a falta em si é durinha, pelo cortar daquilo que é uma jogada de perigo, o chamado ataque promissor, e no fundo, ao destruir a jogada, estamos na falta tática. Era só escolher cartão amarelo e consequente expulsão correta.

Temos depois ao minuto 65, o VAR a reverter o gol que tinha sido anulado ao Benfica. Creio que o árbitro na ascendente terá pensado que a bola teria que transpor totalmente a linha.

Não.

Pedro, explica então. Ficamos com dúvidas neste lance.

Na vertical e depois apontou para a zona de fora de jogo, é essa a diferença. E o árbitro levanta o braço para dar o livre indireto de fora de jogo. Se fosse para assinalar que a bola tinha saído, o assistente levantava a bandeirola e apontava em direção da área e o árbitro apontava para a linha de baliza, para a pequena área, chamemos assim, e ia dar pontapé de baliza. Nunca levantava o braço na vertical. Quando o árbitro levanta na vertical é porque é fora de jogo. E seria uma boa decisão, e percebe-se por que o árbitro assinala o fora de jogo, porque o Ba fica praticamente fora do campo e o Leandro Barreiro numa cana-bola Fica-se com a ideia que o Leandro Barreiro tinha tocado na bola e a bola ia para o Bah, que estava claramente fora de jogo, estava fora do terreno de jogo e esticou a perna para jogar a bola. E aí seria fora de jogo. Só que a questão é que não foi o Leandro Barreiro que tocou na bola, mas sim o adversário que estava por perto, o Frokaj, acho que é assim que se diz, que com o pé esquerdo faz o passe para o Bah. E o que nós sabemos da lei 11, fora de jogo, mais concretamente na página 104, explica bem o motivo quando diz: "Não se considera que um jogador, e entende-se aqui o Bah, tira vantagem da posição de fora de jogo, quando recebe a bola de um adversário, e aqui o adversário é o Frokaj, que a joga deliberadamente". E, portanto, não se trata de cortar a bola, de um passe, nada. É mesmo o jogador que vai lá com o pé para interceptar, para jogar a bola e acaba por ter o azar de jogar a bola em direção do seu adversário. E portanto, bem o vídeo árbitro reverter aquilo que seria um gol anulado e assim validar o terceiro gol do Benfica. Todos os gols são importantes, mas este gol deu o tal descanso ao Benfica, que já estava na frente da eliminatória.

Temos também ao minuto 73, e para fechar a análise aos lances deste encontro, o penalti que trouxe o quarto gol do Benfica ao minuto 73 cometido sobre Richard Rios. Também acredito que uma boa decisão.

Certo, boa decisão, e esta é mesmo fácil. E mais uma vez o Leon Frokaj, com a perna direita, toca e rasteira a perna esquerda do Richard Rios, quando ele já está no interior da área, derruba-o e, portanto, há uma consequência e isto é tudo dentro da área da equipa dos helvéticos, do St. Gallen, e o árbitro assinala o pontapé de penalti. O VAR aqui apenas se limitou a confirmar a decisão, portanto, pontapé de penalti muito bem assinalado.

E para fecharmos este encontro, Pedro Henriques, que nota merece Florian Badstübner, o árbitro do Benfica St. Gallen, e eu não sei se o meu alemão está em dia, mas algum alemão que conheço.

Vou dar nota positiva, vou dar nota seis, porque é lógico que é um penalti que fica por assinalar e é um erro, mas no resultado do que ocorreu no jogo e depois com duas boas decisões da equipa de arbitragem, a expulsão, que é muito importante e se calhar até tem mais impacto no jogo do que tudo o resto, porque acho que a partir daí o Benfica que partiu para aquilo que foi o conforto da eliminatória. E o pontapé de penalti, que também foi o árbitro que assinalou, e o pontapé de penalti assinalado pelo árbitro, e depois se juntarmos a boa intervenção do VAR a reverter o erro inicial de fora de jogo. Temos aqui três boas decisões com impacto no jogo, um penalti bem assinalado, um gol que é revertido e validado e uma expulsão. E portanto, estes três momentos têm que ser valorizados, não obstante haver o penalti, e ainda por cima no resultado tão dilatado, digamos que o penalti acaba por perder esse impacto, que seria diferente se ficasse 2 x 1 ou coisa assim do gênero. Portanto, aquela eliminatória ali por um gol. E portanto, vou dar nota seis, não obstante esse erro, dizendo que o vermelho e o penalti, pelo menos estes dois lances são muito importantes, são decisões corretas. Claro, podíamos juntar naturalmente o gol revertido e por isso acaba por ser uma nota positiva da equipa de arbitragem.

Pedro Henriques, de regresso com o "Sem Falta", à antena da Rádio Observador. Já no próximo domingo, vamos acompanhar aqui a Supertaça entre Futebol Clube do Porto. Aliás, é sábado. Já no próximo sábado. Obrigado pela correção. Pedro Henriques, já no próximo sábado, dia um, vamos encontrar aqui o Pedro Henriques mais uma vez para o "Sem Falta", para essa final da Supertaça entre Futebol Clube do Porto e o surpreendente Torriense. Está feita a análise ao Benfica 5, St. Gallen 0. Nota seis para o árbitro alemão que apitou este encontro. Um grande abraço, Pedro. Bons carros.

Um grande abraço. Obrigado. Até amanhã.