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Bom dia, começamos aqui este Sobre Escuta hoje com Francisco Salgado Zinha, vice-presidente do Sporting para a área financeira, administrador da SAD e sócio, o que o faz também, imagino, duplamente feliz nesta altura, seja pela vertente desportiva, seja vertente financeira. O Sporting acaba de ganhar ao Dortmund, provavelmente a melhor receita de bilheteira da época, 12,3 milhões de euros a mais, portanto, da vitória e do apuramento para os oitavos. Pergunto: este valor já estava orçamentado e, por outro lado, já tem destino também para ele?

Em primeiro lugar, obrigado. Sim, de facto, foi uma grande vitória. Estamos muito satisfeitos. E a resposta é não. Tínhamos, naturalmente, orçamentado a passagem. Naturalmente não que não confiássemos, mas também é importante dizer uma coisa: normalmente, a área financeira é um bocadinho mais conservadora do que a área desportiva. Assim tem que ser. Não deixa naturalmente de confiar e sempre tivemos essa confiança que poderíamos passar, que acabou por se confirmar e sendo naturalmente excelente para aquilo que são os nossos objetivos desportivos, mas também financeiros.

Portanto, naqueles últimos minutos, antes se calhar até do Dortmund marcar aquele 3 x 1, não lhe passou pela cabeça para onde é que já estava a ir este dinheiro?

Nós aplicamos sempre o dinheiro muito bem. Aquilo que eu posso dizer é que nós não desviamos. Não é por termos uma receita extraordinária que vamos desviar daquilo que é a nossa estratégia base. E, portanto, passa por aplicar naquilo que são as nossas necessidades, em primeiro lugar, porque são sempre importantes para financiar a nossa atividade corrente, mas também, não negamos, obviamente, para investimento, que é isso que temos vindo a fazer nos últimos anos e queremos manter. Não lhe vou dizer já, até porque isso, naturalmente, ainda passa aqui por uma avaliação do conselho de administração, mas naturalmente que é um valor que é bem-vindo e que será muito bem aplicado.

E não vai destinar nada à conta reserva para a compra das SMOC? Não é obrigado a destinar parte para as contas reserva?

Não, aquilo que nós temos na situação com os bancos, e é isso que para nós é importante, é há uma situação, e aliás, está referido no prospecto até do obrigacionista, de negociação com os bancos, em que os bancos têm a possibilidade ou de vender a posição deles ou de renegociar.

Já lá vamos mais em concreto às SMOC, mas eu pergunto-lhe se parte do encaixe de dinheiro da Champions não tem que ir obrigatoriamente para a conta reserva.

Não, desta passagem não tem obrigatoriamente que ir para a conta reserva.

Somando já estes valores todos de Liga dos Campeões, olhando para um orçamento à volta de 60 milhões, 75% do orçamento já está coberto só com receitas de Liga dos Campeões, mais coisa, menos coisa. E depois ainda virá o market pool e eventualmente até uma passagem aos quartos de final. Pergunto-lhe se este era o ano que o Sporting precisava para começar a estabilizar as contas financeiramente e a partir daí começar, por um lado, a apresentar sempre resultados positivos e, por outro, ter alguma almofada para também fazer alguns investimentos ou pagar algumas coisas que vão ficando para trás.

Na verdade, o ano para isso até era 2021. Nós, 19/20, tivemos um ano excelente do ponto de vista de resultados. Aliás, até um bocadinho contra a corrente, porque muitos clubes europeus sofreram já com o princípio do Covid, o Sporting também sofreu e ainda assim teve lucro no exercício 19/20. O que não foi possível, de facto, foi no ano 2020/21, com a pandemia, termos já dado continuidade a esse caminho. E, portanto, na verdade, o que aconteceu foi que houve, de facto, um adiamento dessa sequência positiva que começou em 19/20. E agora estamos a voltar a esse caminho, a esse processo, com os resultados positivos. E aí, o que é que foi feito? Foi feito, numa primeira instância, uma redução de custos, um ajustamento da estrutura de custos do Grupo Sporting.

Que é à volta de 60 milhões o orçamento para este ano.

Não, quer dizer, a massa salarial é à volta de 60 milhões de euros. Mas o Sporting, até o próprio clube, também reduziu a massa salarial na mesma proporção, entre os 20 e os 25%, também nos últimos dois anos. Aliás, desde que nós entrámos, desde setembro de 2018, temos feito esse percurso. Isso não significa que vamos manter a cadência de redução de custos, pelo contrário. Significa que tínhamos que fazer, numa primeira instância, essa redução, tínhamos que fazer esse ajustamento. Considerávamos que só assim podíamos trazer o necessário equilíbrio às finanças do Sporting, mas neste momento estamos sobretudo focados com as receitas. E é isso que tem vindo a acontecer do lado, já na parte desportiva, que nos tem ajudado agora com esta passagem da Liga dos Campeões, mas também estamos focados nas outras áreas de negócio, com aquilo que tem vindo a ser feito já há Do ponto de vista de marketing, que é visível e que se tem refletido também obviamente com os resultados desportivos positivos. Já nas outras áreas de negócio, como o merchandising, tivemos um aumento de 20% neste primeiro trimestre, em termos homólogos, comparado com um ano normal de 2019. Não estou a comparar com o ano passado.

Portanto, já não estão a sentir nenhum efeito da pandemia nesta época?

Estamos a sentir efeito da pandemia, mas mesmo assim, nalgumas linhas de negócio, estamos a conseguir exceder. O exemplo merchandising, que eu estava a dizer, que aumentámos 20% quando comparado com o primeiro trimestre de 2019, 2020, que não havia pandemia ainda. Aumentámos 20%. O que isto quer dizer? Quer dizer que, em termos relativos, este aumento deveria ser ainda maior, porque não nos podemos esquecer que no primeiro trimestre deste ano tivemos, por exemplo, apenas 50% do estádio aberto. Atenção que os 100% do estádio só começaram no segundo trimestre, que ainda não tem reflexo nas contas do primeiro trimestre. O que isto quer dizer? E outro ponto importante, grande parte da receita, por exemplo, do merchandising do Sporting, vem do dia de jogo. As pessoas vão ao estádio, consomem no dia de jogo. O que isso significa? Que obviamente este aumento podia ter sido ainda maior. O que isso significa? Que ainda podemos potenciar mais as receitas. Estamos a tomar medidas para isso. Sabemos que é por aí que podemos crescer. E algumas das medidas que ainda vamos anunciar vão ajudar a melhorar a performance dessas receitas. Ainda vamos anunciar. Havemos de anunciar.

Mas do lado dos custos?

Não, do lado das receitas, sobretudo, aquilo que procuramos fazer é melhorar cada vez mais a experiência do sócio e do adepto e melhorar e otimizar cada vez mais o lado das receitas daquilo que nós chamamos o negócio, que não está diretamente ligado com o futebol. O que é o futebol? É as vendas de jogadores e aquilo que se passa dentro de campo. E, portanto, aqui, voltando um pouquinho atrás, aquilo que eu dividiria era nós termos duas áreas essenciais de negócio. Temos uma área de negócio que é ligada ao futebol, que passa pela venda de jogadores e que é o modelo que está implementado em Portugal e num país como Portugal. E eu também já explico o porquê. E depois temos o outro lado, que é, se quisermos, o negócio extra futebol, que está naturalmente indiretamente associado à performance desportiva e ao futebol, mas que são as outras linhas de negócio, comercial, merchandising, a própria bilhética, de certa maneira.

Mas não acha, por exemplo, que o Sporting sempre teve um gap demasiado grande em relação ao Benfica e ao Porto a nível de receitas? Porque eles conseguem gerar volumes de receitas superiores a 200 milhões e o Sporting sempre teve dificuldades, sobretudo na parte da receita, a não ser os encaixes pela venda de ativos.

Eu acho que se olharmos para as contas, e eu não quero estar aqui demasiado a comparar com A e B, mas se olharmos para as contas dos três grandes, a maior diferença nos últimos anos e nos anos em que uns clubes estavam na Champions League e o Sporting não, passa exatamente por isso, competições europeias. O caso do Porto é paradigmático, portanto a grande diferença passava por aí. Mas eu também acho que o modelo de negócio dos clubes portugueses, e na minha opinião, do Sporting, não pode estar assente na participação na Liga dos Campeões. Nós temos que ter capacidade para flexibilizar em função de estarmos ou não estarmos. E foi isso que nós também fizemos a nível de custos. Nós hoje, a nível de custos, estamos preparados para estar em ambas as competições, querendo estar sempre na Liga dos Campeões. Se por acaso não estivermos, temos hoje uma estrutura flexível e preparada para não estar e ajustar caso não estejamos. E eu acho que esse deve ser o modelo. Esse, para mim, é o modelo certo e é o modelo que mais se ajusta àquilo que é o futebol português, porque, na verdade, em termos de acesso à Liga dos Campeões, temos apenas, agora que estamos no sexto lugar do ranking, dois lugares diretos.

Portanto, garante que este ano desportivo e este ano fiscal vosso vai ter resultados positivos e o que nos está a dizer é que acredita que para a frente também terão, mesmo sem Champions ou League Europe.

Acredito, sim. Acredito que mesmo sem Champions League, o Sporting tem que ser capaz de gerar lucro. Mas isso não significa, e isso é que para mim é crítico, e eu também já explico, que se perca a competitividade. E nós provámos isto.

Com venda de jogadores, é o que me está a dizer.

Provámos isto nos últimos anos. Ou seja, nós fizemos ajustamentos na estrutura de custos, concretamente reduzimos massa salarial e não deixámos de ser competitivos por isso. Aliás, tivemos um ano excelente no ano passado, não só a nível de futebol, mas também a nível de modalidades. Isto significa que, repito, vamos continuar? Não, não vamos, mas sabemos que aquele ajuste não ia afetar a competitividade desportiva das modalidades e do futebol. Por quê? Porque não é necessariamente por termos mais atletas a ganhar mais que a equipa vai ser mais competitiva. Temos é que conseguir arranjar o equilíbrio, que é crítico para a nossa equipa, mas também para a competitividade no mercado, nas competições portuguesas e também a nível internacional. E acho que este ano, de novo, agora, neste caso, a nível europeu, está-se a provar que conseguimos ser competitivos Com o orçamento que temos.

E conseguiu também recuperar a questão da formação e aproveitar a formação também na equipe principal. Temos o caso do Nuno Mendes, que já rendeu 7 milhões pelo empréstimo. Perguntava se os 40 milhões, se é uma obrigação contratual ou se é uma convicção da parte das pessoas do Sporting de que o Paris Saint-Germain, no final da época, vai bater essa cláusula dos 40 milhões, o que será também mais um jackpot para reforçar a nível de receitas do clube.

Sim. Aquilo que há é uma opção por parte do Paris Saint-Germain.

Não é obrigatório o Paris Saint-Germain.

Tem a opção de exercer ou não essa cláusula. Agora, em primeiro lugar, o negócio do Nuno Mendes é um negócio sempre interessante para nós, porque emprestar um jogador por sete milhões de euros não é necessariamente um mau negócio para o Sporting. Mas eu queria voltar um bocadinho atrás à questão que o Bruno levantou do modelo de negócio e da venda de jogadores. Há uma coisa que é preciso perceber. Se olharmos pro ranking das ligas a nível europeu, portanto, ranking UEFA, nos últimos cinco anos houve oito competições, oito ligas que ocuparam os sete primeiros lugares. Os top cinco, temos Inglaterra, Espanha, Alemanha, Itália e França. E depois, há cinco anos estava a Rússia em sexto, Portugal em sétimo e a Holanda, que estava mais abaixo há cinco anos, agora ocupa o sétimo lugar e está próximo de Portugal. Portanto, destes oito países, os outros sete, que não Portugal, ocupam os sete primeiros lugares do ranking europeu em termos económicos, PIB nominal. E Portugal ocupa o 20º. Isto segundo os dados da OCDE. O que isto significa? Por que Portugal se intromete entre os países mais ricos? E aqui vem aquilo que nós acreditamos que é um modelo certo para Portugal. Por quê? Porque Portugal tem, de facto, culturalmente, uma capacidade de desenvolver jogadores que outros países não têm. Tem uma capacidade, tem uma formação que tem vindo a desenvolver ao longo dos últimos anos, que muitos outros países ainda não conseguiram atingir e desenvolver. E também, obviamente, é um país que permite uma adaptação mais fácil a muitos jogadores, sobretudo também que vêm de mercados, nomeadamente da América do Sul, e que lhes permite depois fazer a ponte, inclusivamente para clubes mais ricos e contratos mais generosos. E Portugal posiciona-se como um país plataforma e um mercado plataforma. E nós temos consciência disso e temos que perceber também que aquilo que nos permite ser competitivos, a nível europeu, é exatamente sermos esse tipo de mercado. Temos outra forma de também mantermos lá em cima, e é isso que estamos a tentar, inclusivamente com a centralização dos direitos televisivos, é tornar o produto português, a liga portuguesa, mais forte, cada vez mais interessante e gerar esse próprio interesse aqui dentro. Mas não é fácil, e isso é um caminho que ainda vai demorar e que não nos dá garantias que por si só nos permita ser competitivos. Portanto, o nosso modelo tem que continuar a passar por aí.

Por vender jogadores.

Vender jogadores, não há dúvida nenhuma.

Preferência formação?

Como?

Preferência formação, imagino.

Mas temos uma coisa que estamos a fazer cada vez mais, e o Sporting está a conseguir cada vez mais, é mitigar a dependência de venda de jogadores. Como? Reduzindo cada vez mais o déficit operacional sem venda de jogadores. Aliás, arrisco-me a dizer que com esta participação na Liga dos Campeões, nós provavelmente acabamos este ano com o lucro operacional, sem venda de jogadores. Esse é o caminho que nós temos que trilhar, sabendo que a venda de jogadores permite-nos sempre, curiosamente, e até parece contraditório, mas não é, ser mais competitivos. Por quê? Porque nós podemos vender um ou dois jogadores, mas somos capazes de gerar jogadores, se calhar, com potencial tão grande como aqueles que vendemos e, além disso, fazemos retorno financeiro. E voltando aos jogadores de formação, que é a pergunta que o Bruno ia fazer, para lhe dar o número, e acho que isso é autoexplicativo, nos últimos 10 anos, o Sporting fez 50% das vendas de jogadores, em jogadores de formação. Portanto, obviamente que temos consciência que os jogadores de formação são aquilo que nós mais capacidade temos de criar valor. E para nós, isso é óbvio, também são os jogadores da formação que nos permite manter a nossa identidade.

Mas há aqui também um movimento novo, que já explicou que teve impacto nulo nas contas, que é a transação do Rodrigo Fernandes para o Porto e da chegada do Marco Cruz. Cada um custou 11 milhões de euros. Na verdade, o Marco Cruz fica como a terceira maior compra de sempre da SAD. Aquilo que eu perguntava é: tem impacto nulo nas contas do Sporting, perguntava se também tem impacto nulo nas contas do Futebol Clube do Porto, porque por norma poder-se-á fazer um movimento onde aquilo que se compra é diluído pelos anos de contrato e aquilo que se recebe entra num só exercício. O Sporting já percebi que não fez isso, ao dizer que teve impacto zero. Pergunto se é possível os outros clubes também fazerem isso E o que acha sobre isso?

Bruno, isso terá que perguntar ao Floco do Porto.

Mas não acha que é um caminho perigoso, de estar a empurrar problemas para frente?

A nossa gestão e a nossa forma de trabalhar é tentar fazer aquilo que consideramos o mais acertado do ponto de vista financeiro e, neste caso, contabilístico. Por quê? Porque aquilo que tem sido e vai continuar a ser nossa bandeira é transparência, é credibilidade e é que o reporte financeiro seja o mais preciso e realístico possível. Portanto, é assim que trabalhamos e temos sempre o cuidado de, como foi o caso, eu vou lhe dar o exemplo. Nós reportamos as contas trimestrais, que não são auditadas, mas fizemos questão de rever as contas com o nosso auditor e dos temas que eventualmente possam ser mais sensíveis ou mais suscetíveis de haver interpretações diferentes, garantimos que elas são coincidentes. E estamos completamente confortáveis, inclusivamente, para efeitos do empréstimo obrigacionista, fizemos uma revisão limitada com o auditor, e portanto, assim fizemos. E aquilo que fizemos no caso do Marco Cruz e do Rodrigo Fernandes é o mais prudente possível. Ou seja, não existe mais prudente, porque o impacto nos resultados foi literalmente zero. E agora o Bruno pergunta: "Mas por que-"

Mas falo só da parte do Sporting.

Eu não sei da parte, até porque julgo que não apresentaram contas. Não é possível dizer hoje, pelo menos que eu tenha conhecimento, publicamente, não sei qual é que foi o reconhecimento em termos contabilísticos ou registo em termos contabilísticos da parte do Foco do Porto. Da parte do Sporting foi este e estamos confortáveis com o que fizemos. Posso explicar também por que avaliamos em 11 milhões de euros, que acho que também é relevante.

Sim, gostava de perguntar se o Jovane tivesse sido vendido no último dia de mercado, se esta operação se fazia na mesma.

Uma coisa não tem a ver com a outra. Eu diria convitamente que se faria na mesma. Esta decisão acabou por ser uma decisão essencialmente desportiva. Ou seja, houve uma decisão técnica e desportiva.

Mas o negócio foi apresentado ou foi o Sporting que foi à procura do negócio?

Não, a mim foi-me apresentado pela estrutura de futebol e, como é habitual, em termos de procedimentos internos, acabamos por validar essa operação, que fazia sentido com suporte na informação que tínhamos e no parecer que tínhamos da estrutura de futebol. E portanto, confiamos, como confiamos, e que acreditamos hoje ainda. Ainda hoje acreditamos isso, que o ativo que recebemos, o jogador que recebemos, é mais interessante para nós do que aquele que cedemos. E isso é que foi crítico nesta decisão. Acabamos por ter um jogador mais novo, que tinha capitão de equipe dos escalões de formação do Floco do Porto, e que tinha um perfil, que não compete a mim comentar, mas que nós validamos com a informação que retivemos, que de fato se enquadrava melhor naquilo que nós procurávamos do que o jogador que saiu, que acho que já estava à vista, já não estava, não estava a conseguir adaptar àquilo que procurava o treinador, provavelmente, e portanto a decisão acabou por ser essa. E isso fez com que tomássemos essa decisão e fez com que, independentemente, de não levarmos a resultados, tivéssemos que fazer uma avaliação ao jogador. E eu digo sempre isto, e acho que também isso é percetível. Quer dizer, obviamente, nós não damos um jogador como o Rodrigo Fernandes. Eu não dou um jogador como o Rodrigo Fernandes e portanto eu tenho que o avaliar. E aqui entra, obviamente, a necessidade de fazer uma avaliação no ativo. E com isso trabalhamos em comparáveis, trabalhamos naquilo que já fizemos internamente, em históricos, em opções que já trabalhamos a ter o mesmo jogador no passado e que tivemos no passado, inclusivamente em avaliações que já tínhamos feito anteriormente deste jogador. Aliás, nós não somos minimamente influenciados por avaliações veiculadas na comunicação social, mas até houve um órgão de comunicação social que há um ano avaliou o jogador, curiosamente, dizia que havia interessado nestes valores. E portanto, aquilo que nós temos que garantir é quando fazemos uma avaliação, que temos substância para avaliar. E tentamos avaliar naquilo que consideramos razoável e que obviamente nos faz sentido avaliar. Sendo que, neste caso, esta avaliação, como disse, não tem impacto nenhum do ponto de vista de resultados, portanto, até nesse caso é inócua. Mas temos que o fazer e tentamos fazê-la da melhor maneira possível.

E em relação a Ruban Amorim, depois dos atrasos que existiram no pagamento, está tudo sanado e por quanto é que afinal ficou o Ruban Amorim ao Sporting?

O Ruban Amorim está tudo sanado. Eu não vou entrar em detalhes de valores, até porque isso é informação que tem que ficar entre o Sporting e o Braga. É aquilo que posso dizer é que eu-

Mas não tem que ser público esse valor? Dado que é um valor-

O que é público é o que está nas contas. E, portanto, aquilo que eu não quero é estar a remexer num tema, porque eu já ouvi disparates completos que vem a informação. Acho que isso é uma informação que, apesar de tudo, entre o Sporting e o Sporting Braga, é E acho que deve ficar dessa maneira. Posso resumir, foi uma operação feita por € 10 milhões, como é conhecido, e depois houve uma negociação com o Sporting Braga, que implicou um pagamento de juros na altura, muito razoável, que acabou por ser interessante também para nós, senão não teríamos feito, por pagarmos juros muito na linha daquilo, ou até inferiores àquilo que teríamos pago no mercado financeiro. E, portanto, foi uma operação que nos permitiu, num momento muitíssimo difícil, eu insisto nisso, porque acho que fez-se muito ruído à volta disso. Mas o conselho de administração, e eu falo por mim, estou muito confortável com a decisão que tomamos. Houve a decisão, naquele momento, de suspender o pagamento, porque entramos num choque econômico e numa pandemia, em que estávamos completamente no escuro. E quando a situação é essa, que eu relembro hoje, se calhar já não nos lembramos, mas na altura, e nós vivemos esse momento, eu lembro-me bem, o Sporting ficou sem receitas nenhumas. Até os direitos de televisão foram suspensos naquela altura. As operadoras deixaram de pagar. Portanto, foi zero.

O Sporting e os outros todos também.

O Sporting e os outros todos. Portanto, aquilo que aconteceu, e foi comum no mercado europeu, foi que começou a haver suspensão de pagamentos. Por uma parte, nós também tivemos clubes que nos deixaram de pagar, porque ficou tudo agarrado às almofadas de liquidez que tinha, até perceber o que ia acontecer. E, portanto, houve uma alteração de circunstâncias brutal e foi a decisão na altura, mas rapidamente, assim que houve visibilidade, houve logo, e houve sempre, até nessa altura, conversas regulares com o Sporting Braga. Não houve propriamente uma ausência de comunicação, pelo contrário, e foi sempre no sentido de sanar esse tema. E acabou por se sanar e resolver e está hoje totalmente pago. Portanto, como se veio a confirmar.

Só para acabar esta última parte, umas respostas curtas. Esta semana a imprensa italiana dava conta de que a Sampdoria terá ganho o processo apresentado na FIFA pela questão do Bruno Fernandes. Perguntava se o Sporting já foi notificado de alguma coisa, nomeadamente aqueles € 5,5 milhões, que já é falado em quatro prestações. Se o Sporting foi notificado de alguma coisa.

Isso é uma coisa que já vem de trás. É um tema que ainda está a ser discutido.

Portanto, ainda não há uma decisão final sobre isso.

Ainda está a ser discutido. Há apenas uma decisão parcial, nem sequer é total. É um tema que está a ser discutido. De qualquer maneira, até aproveito para dizer já aqui, independentemente do resultado que venha a sair daí, está totalmente provisionado. Portanto, isso tem impacto zero nas contas. Zero. Independentemente do resultado.

Em relação ao contrato, também falámos há bocado dos patrocinadores, mas eu gostava de ir aqui um bocadinho ao contrato com a Optano. O Sporting quanto é que recebeu adicionalmente deste contrato de patrocínio?

Isso é informação confidencial, eu não vou partilhar, mas posso dizer que o contrato com a Optano vem por via da NOS. No fundo, houve uma substituição de um patrocínio por outro.

Sim, mas não é um valor material que tenham que revelar?

Não, não é um valor material e é um acordo que é feito com a NOS.

E houve contratos de patrocínios renegociados por causa da pandemia?

Não. Em geral, houve obviamente situações, sobretudo ligadas a camarotes e, portanto, serviços que o Sporting tinha que prestar e que, naturalmente, por causa da pandemia, não foi possível prestar e, portanto, teve que renegociar esses contratos e situações muito específicas como essas, e que acabou por correr bastante bem. Aliás, nós até durante o ano 2020/21, tivemos, a nível de publicidade e patrocínios, um valor muito idêntico a um ano normal, porque aí, sim, conseguimos manter mais ou menos o mesmo nível de receitas, porque conseguimos aproveitar o facto de o estádio estar fechado para ter mais spots publicitários disponíveis. Portanto, até foi das linhas que conseguimos manter mais constante durante o ano de pandemia. As dificuldades que tivemos foi naturalmente nos camarotes, em que muitos dos nossos sponsors também têm direito e, portanto, aí houve necessidade de renegociar, mas foi essencialmente isso.

O Sporting teve um ligeiro acréscimo a nível de dívidas a fornecedores. Pergunto se é estruturalmente um mau pagador ou conjunturalmente um mau pagador.

Eu não considero o Sporting um mau pagador. Acho que o Sporting passou por um momento difícil em 2018, que é de conhecimento público, e desde aí tem feito um esforço muito significativo e hoje apresenta-se numa situação saudável. Ou seja, tem cumprido com todos os pagamentos com os clubes, tem renegociado pagamentos e trabalhado bem com os fornecedores. Tem naturalmente picos em função daquilo que foi a pandemia e num ano em que o Sporting perdeu € 30 milhões. Num ano não, mas num período durante a pandemia, perdeu € 30 milhões e, portanto, foi isso que nós trabalhamos também durante este período, foi renegociação de pagamentos. Mas diria que o aumento dos fornecedores foi muito ligeiro para um ano em que foi essencialmente um ano, como eu disse, em que procurámos renegociar pagamentos pelas dificuldades Que tivemos a nível de receitas, e mesmo assim conseguimos aumentar muito pouco. O que isso significa? Significa que nos próximos anos, e quando eu digo próximos anos, incluo este ano, a tendência será garantidamente ver reduzido o passivo com os fornecedores, dado que agora estamos a normalizar também do lado das receitas.

E temos também aqui um novo tema que está a marcar a semana, que é a Operação Fora de Jogo. O Sporting está fora deste âmbito, que já apanhou quase metade dos clubes da Primeira Liga. Perguntava se é uma questão que está a preocupar o Sporting no sentido de liga, ou seja, campeonato, e o impacto que poderá ter. E pergunto também se acha normal isso estar a acontecer nesta altura e, sobretudo, estar a mexer-se tanto nos circuitos de dinheiro, até mais do que se calhar do dinheiro que o futebol vem movimentando.

Em primeiro lugar, acho que é importante salientar que o Sporting está fora desse jogo.

Garantidamente? Pode assegurar que está fora?

Do nosso lado, estou completamente confortável para dizer que estamos fora desse jogo. Aliás, uma das coisas que nós temos incentivado, e eu não estou aqui a acusar ninguém, pelo contrário, o que é importante para mim é que não haja impunidade no futebol. Ou seja, o pior que há é haver uma sensação de que o setor do futebol é um setor diferente, à parte, e que reputacionalmente diferente para pior de outros setores. Isso não pode ser. Portanto, aquilo que nós temos que garantir é que as pessoas olham para o setor do futebol como um outro setor qualquer. Setor importante para a economia portuguesa, um setor importante para a cultura portuguesa também, para todos os efeitos, o desporto é fundamental para a sociedade portuguesa e, portanto, não queremos que o futebol seja visto pelo lado negativo, mas pelo lado positivo. Se for necessário haver este tipo de intervenções e garantir que com isto haja uma limpeza, e uma limpeza até pode significar que nada aconteça a ninguém ou a nenhum clube. O que temos que garantir é que colaboramos, obviamente, todos com a justiça e que o futebol colabora com a justiça e que o futebol está aberto a receber a justiça e a fazer o melhor para limpar a imagem do futebol. Isso já foi feito noutras jurisdições, noutros países, noutras organizações como a FIFA e a UEFA, como é sabido. E, portanto, Portugal não é diferente, está a fazer o seu caminho. Aquilo que nós queremos é que daqui para frente seja cada vez melhor. E aquilo que pedimos é que a justiça seja célere.

Porque também tem impacto, por exemplo, na capacidade de atrair novos investimentos? Sente isso quando fala com os parceiros, que o facto de haver mais justiça dentro do futebol, depois também acaba por poder minar, digamos assim, a confiança que existe em possíveis sponsors para o futebol?

Não, por acaso, aquilo que eu sinto é que é o seguinte: obviamente que estas notícias não são positivas no imediato, mas quem tem visão e quem tem uma preocupação em estar no futebol no médio e longo prazo, vê que estas situações acabam por ser positivas. Por quê? Porque acabam justamente por fazer isso. Acabam por garantir que não há impunidade no setor e, neste caso, no mercado português, e que depois deste tipo de operações, que há maior transparência e há maior credibilidade no próprio futebol português. Portanto, é isso que tem que se procurar. Por isso é que eu digo, o que eu acho que é verdadeiramente importante aqui é que a justiça seja célere, que faça as intervenções que tem que fazer, mas que seja célere, que é para depois darmos o passo seguinte e entrarmos já num período de estabilidade do setor, que isso é fundamental para nós e é fundamental até, como disse, na credibilidade dos nossos parceiros, nomeadamente internacionais, relativamente ao nosso mercado.

Desde 2018, apenas e só as autoridades foram uma vez fazer buscas a Alvalade, que foi relacionado com o caso da Oldimo. Pergunto se o Sporting chegou a ser ouvido de alguma forma nessa investigação e se se constituiu assistente nesse processo.

Não. O Sporting não foi ouvido e que eu saiba, que eu tenha conhecimento, não houve mais evolução desde aí. De qualquer maneira, o Sporting não é arguido nem tem nada que ver com esse processo. O que aconteceu, daquilo que sabemos, é tudo o que se passa à volta do Grupo Espírito Santo, que teve envolvimento com uma série de empresas em todos os setores de atividade e, portanto, o Sporting também colaborou com a Justiça na informação que foi pedida pelas autoridades e nada mais do que isso. Estamos confortáveis que colaborámos em tudo e que prestámos toda a informação e até agora não tivemos mais nenhuma.

Mas é um acionista interventivo ou não?

Quem? Desculpa.

A Oldimo.

Não, não é um acionista interventivo. O Sporting Clube Portugal tem a maioria do capital da SAD E portanto acaba por tomar todas as decisões. Aliás, como é sabido, a comissão executiva é composta totalmente por membros do conselho diretivo do clube. E portanto, eu diria que a resposta direta é não.

Vamos então ao tema que há bocado já furamos um bocadinho, que é as VMOC, os veículos mobiliários obrigatoriamente convertíveis. Gostava de lhe perguntar como é que estão as negociações em concreto com os bancos em relação às VMOC.

As negociações continuam a decorrer, não há ainda nenhuma conclusão. Aquilo que para nós é fundamental é que o grupo Sporting tem a possibilidade de recomprar os VMOC até dezembro de 2026. Isso para nós é muito importante e é o foco deste conselho diretivo, garantir que isso acontece dentro deste prazo.

Mas e a conta reserva não está a ser depositada nos valores que era suposto. Como é que vão resolver o caso a partir de 31 de dezembro de 2021?

Sim, a conta reserva não foi depositada durante o período de Covid.

E por isso tiveram uma moratória até 31 de dezembro de 21.

Sim.

Mas estão a negociar uma nova moratória com os bancos? Estão a negociar a compra deste monte?

Neste momento eu não posso entrar em detalhes daquilo que está a ser negociado, até porque ainda não está minidamente concluído. Obviamente, com uma moratória acabada de 31 de dezembro, tem que se tomar uma decisão em conjunto com os bancos do que se vai fazer no momento subsequente. O conforto que temos, e acho que isso temos transmitido, é que temos uma excelente relação com os bancos, tem sido muitíssimo construtiva sempre. Inclusivamente os bancos, ambos, tanto o BCP como o Novo Banco, através do Banco Best, têm estado a participar na colocação do nosso empréstimo obrigacionista. Isso é um sinal de que a nossa colaboração continua e que há vontade de tomar uma decisão.

O Novo Banco não é colocador da emissão.

Através do Banco Best.

Sim, mas o Banco Best tem gestão autónoma, não é? Portanto, não é bem o Novo Banco que é o colocador.

Não, não estou a dizer que o Novo Banco é.

Portanto, as coisas estão mais difíceis com o Novo Banco do que com o BCP?

Não, não necessariamente. Julgo que a decisão do Novo Banco tem a ver que o Novo Banco também não participou nas outras emissões dos outros clubes de futebol. É uma decisão apenas estratégica. O meu ponto é que, e aliás, se não estou em erro, são 10 bancos a colocar este empréstimo obrigacionista. Aquilo que é importante é: as moratórias foram muito comuns e são muito comuns, como é amplamente sabido, num período difícil como foi este. O Sporting tem, desde a reestruturação de 2014, sido feito um esforço muito grande e amortizou uma parte significativa da dívida. Aquilo que eu posso dizer, e acho que estou confortável para dizer, é que aquela reestruturação de 2014 foi bem-sucedida. Obviamente que ainda tem, e sobretudo é um acordo que já está bastante desatualizado, e por isso é que até cria estas moratórias, porque de facto é um acordo que está assente em mecanismos que já não fazem especial sentido. O tal chest de venda de passes, que era o momento em que o futebol, e sobretudo o volume de transferências do futebol, tinha valores completamente diferentes daqueles que tem hoje, porque houve uma inflação brutal no mundo do futebol, sobretudo em 2017 com a venda do Neymar, em que houve um crescimento do volume de transferências a nível mundial de 40% sensivelmente. É óbvio que esse acordo, nalguns mecanismos, está desatualizado. Nós temos vindo a atualizar, já fizemos uma atualização em 2019. Ainda assim, aquilo que vamos procurando é sempre ir fazendo mais ajustamentos para ir corrigindo sobretudo algumas das cláusulas e de alguns dos mecanismos que estão mais desajustados. Mas em termos genéricos, foi um acordo que teve bastante sucesso dentro daquilo que foi possível naquele momento. E esse é, no fundo, o desafio que ainda temos. E por isso é que estamos numa situação em que pedimos uma moratória, estamos numa situação em que estamos a renegociar com os bancos. Mas em termos essenciais, eu julgo que as conversas com os bancos, e eu julgo que posso dizer desde 2014, apesar de nós só termos entrado desde 2018, foram sendo construtivas ao longo destes anos, e sempre no sentido de ir ao encontro daquilo que era bom para ambas as partes. E acho que sinceramente tem acontecido.

Era importante recomprar as VMOC até o final do mandato?

Nós não estamos-

Em termos de projeto de mandato, digamos assim. Ou seja, em março, abril vai haver eleições. Era uma bandeira importante ou acham que não é um assunto necessariamente vital?

Nós não nos movemos por razões políticas. Ou seja, nós movemos para tentar fazer o melhor para o Sporting. E o melhor para o Sporting é comprar os VMOC. E quanto mais depressa, melhor. Nós temos consciência disso. Nós queremos ter uma maior participação no capital da SAD, nós clube, o mais depressa possível. Nisso estamos todos de acordo. Agora, temos que fazê-lo dentro das nossas possibilidades e sem pôr em causa Tudo o resto, nós temos que ter cuidado para não pôr em causa, por exemplo, o projeto, a estratégia que estamos a definir para o grupo Sporting, a nível financeiro, de continuidade desportiva, que por sua vez, pois é um ciclo vicioso, vai permitir melhores resultados financeiros, porque há uma decisão ou porque queremos comprar. E temos que ter essa capacidade. E para ter essa capacidade, temos que criar condições para a ter. E obviamente, isso é óbvio, durante a pandemia, não vos foi possível comprar os SMOCS. Isso não foi.

Mas como é que vão conseguir esse dinheiro para comprar SMOCS? E faço uma pergunta subsequente a esta, que é: os 30 cêntimos que estão acordados podem baixar?

Tudo pode baixar, se for negociado, isso não há dúvida nenhuma.

Mas é esse o ponto de negociação com o Sporting, é tentar abaixar os 30 cêntimos?

Vou insistir, não posso, nem vou entrar em detalhes de negociações, até porque não é o momento para isso. Aquilo que posso dizer é que sempre deste acordo, tanto em negociações passadas e as conversas que vamos mantendo, a ideia é sempre arranjar uma forma que seja interessante para ambas as partes, em tudo. Ou seja, que os bancos obviamente tenham o reembolso o mais depressa possível e o máximo possível, e o Sporting tenha as condições para continuar a desenvolver a sua atividade com a maior capacidade possível. E é um bocadinho isso que estamos a entrar. Eu não quero ser demasiado ambíguo ou vago nesta resposta, mas de facto, este é um tema que eu não posso entrar em mais detalhe. Aliás, nós já comunicámos isso no prospeto. Terá que acontecer alguma coisa, naturalmente, até dezembro. Procuraremos resolver isso até dezembro, naturalmente. Já aconteceu no passado de não se resolver. Se for o caso, pode haver e poderemos ter extensões de moratórias.

Mas está mesmo convencido que consegue uma extensão de moratória, é isso? Ou seja, que não vai aqui entrar em nenhum tipo de incumprimento.

Obviamente que estou convencido que não vai haver, mas no entanto, não quer dizer que eu não consigo, e isso eu tenho que deixar aqui, ter cuidado. Os riscos, eu não posso até nesta fase entrar em mais detalhe do que isto, os riscos estão explicados no prospeto. A moratória acaba de facto dia 31 de dezembro. Agora, obviamente que se nós não tivéssemos convicção de que isso tudo se resolveria até lá, provavelmente não estaríamos a emitir um empréstimo obrigacionista. Portanto, é óbvio que temos essa convicção, é óbvio que estamos convencidos que podemos consegui-lo nos prazos previstos e num cenário que, por alguma razão, possa demorar algum bocadinho mais, que há sensibilidade, como houve no passado, por parte dos bancos, numa lógica sempre construtiva de dar mais tempo para se chegar a um entendimento.

Já foram noticiadas várias vezes a possibilidade de haver um acordo de financiamento com a Apollo. Eu gostava de perceber o que é que está em concreto a ser negociado com a Apollo, se a Apollo pode ser um financiador do Sporting para comprar, nomeadamente, as SMOCA.

Como sabe, nós temos uma titularização feita em 2019. A nossa ideia, e esse é que é o grande objetivo, até com os bancos, e é isso que falamos regularmente com os bancos, é: os parceiros que nós trabalhamos, sobretudo os parceiros financeiros, interessa-nos que sejam parceiros dinâmicos. Não é parceiros fechados, independentemente da razão, e portanto, os bancos já manifestaram até publicamente que querem sair do setor do futebol, nomeadamente o BCP já o disse publicamente. E portanto, obviamente, é difícil, não funciona, não é aquilo que nós procuramos do ponto de vista de qualquer empresa, não falo só do Sporting, ter um credor que está fechado à possibilidade de continuar a trabalhar com a empresa, neste caso, com o Sporting. E portanto, obviamente, preferimos trabalhar com uma instituição de crédito, neste caso, um investidor, como foi o caso de quem fez a titularização de 2019, do que com alguém que depois não quer dar seguimento. E obviamente, há a possibilidade, numa situação dessas, de podermos utilizar um parceiro que já trabalha connosco ou uma alternativa, mas obviamente conhecemos os parceiros de trabalho e temos tipicamente preferência, para poder ser mais ativo connosco, sempre numa lógica de ser financiador e não mais do que isso, só para deixar claro. Até porque já vi em notícias que podia haver interesse. Isso é sempre numa lógica de crédito.

E em que montantes é que a Apollo poderia entrar agora?

Isso depende de muita coisa, depende das nossas necessidades, isso não está definido.

Recordo-me, tinha acabado de chegar ainda a Madeira, ainda não era vice-presidente do Sporting, ainda não tinham saído as eleições, e numa entrevista falava que a hipótese de algum dia o Sporting perder a maioria do capital social da SAD estava completamente posto de parte por uma questão clubística, digamos assim, ou seja, as pessoas não estavam preparadas para perder a maioria. Pergunto se depois de quase um mandato inteiro, do ponto de vista financeiro e até do ponto de vista mais institucional, sente que estão criadas condições para se pensar de outra maneira em relação a algum dia poder haver um acionista maioritário que não o Sporting?

Acho que o crítico, e é nisso que nós estamos focados, é recomprar os VMOCs. Acho que nem nós, conselho de administração, nem o conselho diretivo, nem os sócios estariam à espera de outra coisa. A partir do momento em que o clube compra os VMOCs, o clube fica com uma participação muito grande, muito significativa, estamos a falar de cerca de 90%, próximo de 90%, no capital da SAD. E terá que tomar decisões. Não está nenhuma decisão tomada, isto é uma coisa que terá que ser falada com os sócios. Aquilo que é o nosso entendimento é que manterá sempre a maioria do capital da SAD, mas que pode haver a possibilidade, caso faça sentido e caso os sócios queiram, isso será sempre uma decisão dos sócios, de poder vender uma parte minoritária, caso isso permita e se traduza em maior capacidade de investimento, por exemplo, por parte do clube. E que isso, no fundo, gere valor para o clube.

Quase até 40%, ficando sempre com os 50 mais um. Os 50 mais um é uma coisa que nunca muda. Depois até aos 40%, eventualmente poderá...

Eu acho que, obviamente, não será o conselho diretivo, muito menos eu, que vão decidir aquilo que os sócios querem. Os sócios é que tomarão a decisão. A convicção que nós temos é que os sócios podem estar dispostos, como estiveram no passado, a vender uma minoria do capital da SAD. Caso contrário, acho que nem este conselho diretivo fará qualquer proposta nesse sentido. Se isso permitir, de facto, uma maior capacidade de investimento e se tiver um propósito que é óbvio de criação de valor para o clube. Isso é óbvio.

Mas podem comprar as VMOC só de um banco, por exemplo, e o outro não, e o outro exercer?

Isso é um tema que julgo que é possível comprar parte dos VMOCs. Portanto, diria que sim, mas é possível comprar parte dos VMOCs. O Sporting não é obrigado.

Não estão os dois ligados.

Não está prevista a compra na totalidade dos VMOCs ao mesmo tempo. Portanto, os VMOCs podem ser comprados de forma gradual, parcial. E essa hipótese obviamente existe.

Daquilo que temos estado a falar, está já a falar muito de um médio prazo também. Imagino que não me vá aqui confirmar uma candidatura à presidência, ainda não foi feito por ninguém, mas existe de facto esse projeto. Olhando agora para o curto prazo, esta emissão obrigacionista, como é que está a correr e se pensa que poderá chegar aos 50 milhões que foi aprovado na Assembleia Geral da SAD?

Em primeiro lugar, só dar aqui uma nota. A convicção, obviamente, é que vai correr bem. Se não tivesse essa convicção-

Era para mim dar a nota sobre a candidatura.

Essa eu vou saltar por razões óbvias. Em relação ao OPS, à obrigação que estamos agora a comercializar, é óbvio que a nossa convicção é que vai correr bem. Acho que a convicção também é dos bancos, porque senão não emitiriam.

Correr bem é dar a SAD para os 50.

Sinceramente, quem emitiu há três anos, nas condições que emitimos, e levantámos € 26 milhões.

Pois, não conseguir os 30 milhões.

Sim, mas emitimos quase € 26 milhões numa situação em que não sei se recordam, mas no dia em que começámos a comercializar, o ex-presidente foi constituído arguido. Depois do cenário que tinha acontecido naquele verão. O contexto da altura, comparado com o contexto de hoje, é completamente oposto. E, portanto, obviamente que a nossa convicção é que este corre mais, corre muito melhor. Agora, voltando aos 50 milhões, não vou atravessar porque é cedo, porque ainda não temos que tomar essa decisão, mas diria que os 50 milhões foi apenas uma deliberação numa assembleia geral que dá flexibilidade ao conselho de administração de emitir até esse valor num ou mais empréstimos obrigacionistas durante o exercício inteiro. Isso é sempre um valor que nós procuramos para nos dar aqui alguma almofada para o fazer. A probabilidade de o fazermos é muito baixa, não porque não achamos que vai correr bem, porque achamos que vai correr bem e que possivelmente até podemos vir a conseguir esse valor, mas simplesmente porque, à partida, não necessitamos de fazer esse valor. Eu diria mais do que não necessitar, também não queremos fazer esse valor, porque nós queremos manter-nos no mercado obrigacionista, mas não queremos estar excessivamente dependentes do mercado obrigacionista. E portanto, queremos ter apenas uma emissão viva. Não pretendemos fazer mais do que uma. E a emissão viva que temos, queremos ter montantes razoáveis, não queremos fazer emissões demasiado grandes.

E se o contexto era diferente, a taxa de juro não podia ter baixado um pouquinho?

Não escondo que foi uma possibilidade de baixar a taxa de juro, até quando olhando para os comparáveis. E tivemos outros clubes rechaçados a emitirem com taxas mais baixas. Não o fizemos porque tivemos a preocupação, aliás, houve várias medidas que tomámos, tivemos a preocupação de dar confiança ao mercado. Depois do adiamento de 2015, quisemos dar credibilidade ao mercado. Fizemos em condições difíceis em 2018 e reembolsamos o anterior, e agora quisemos passar essa mensagem de que vamos reembolsar o anterior sem estarmos dependentes desse dinheiro.

Que é exatamente-

26 de fevereiro, certo?

Já foi reembolsado. Eu já recebi o meu dinheiro na conta.

Já lá está.

Já tenho o dinheiro na conta. Portanto, não estamos dependentes do dinheiro do empréstimo anterior para fazer o novo, provámos isso, e quisemos manter a taxa para dar força e para incentivar o investidor.

Mas isso também não dá a ideia de que há aqui ainda um risco Sporting?

Eu julgo que não. Eu acho que o investidor deve fazer duas coisas. Uma, obviamente, ver o risco do emitente, e temos o prospecto que eu acho que está muitíssimo detalhado relativamente a isso e recomendo sempre que o façam. E deve olhar para aquilo que é a situação financeira da Sporting SAD e, já agora, fazer uma comparação com aquilo que são os nossos concorrentes. E de fato, o Sporting hoje está numa situação, eu acho que estou confortável para dizer isto, em relação a alguns dos concorrentes, muitíssimo boa. E eu acho que a taxa de juro, olhando para aquilo que está a ser praticado no mercado, é um prêmio muito interessante. E a resposta é, eu se calhar mais depressa acho que a taxa devia estar mais baixa do que mais alta, isso tenho poucas dúvidas. Mas quisemos dar a taxa que nos dá conforto de que as pessoas e que o investidor terá mais interesse e gere mais interesse. Aquilo que nós queremos muito é que este empréstimo originista não seja um sucesso, seja um sucesso enorme. Que seja, de fato, um empréstimo que haja muita procura e que nos permita mostrar a força daquilo que é o Sporting hoje, e sobretudo em comparação com aquilo que foi, por exemplo, há três anos.

Mas não indo aos tais 50 milhões, pode ir um bocadinho mais do que os 30, isso seria um sucesso enorme, ou está só a falar da procura?

Não, eu estou sobretudo a falar da procura, pois em função da procura, obviamente, podemos emitir mais ou menos. Menos não vamos emitir, mas podemos emitir mais.

Só se correr mal, não é?

Só se corresse mal, e estou confiante que vai correr bem. Portanto, a minha convicção é que haverá mais procura, muito mais procura do que há três anos, por razões que já disse. Se isso acontecer, e acontecendo, teremos que tomar a decisão se aumentamos ou não. E em função da procura, iremos aumentar ou não. E será claramente em função disso. Ou seja, não vamos aumentar porque sim. Aquilo que procuramos é aumentar em função da procura. Queremos garantir os 30 e aumentar em função da procura.

Queria só passar aqui uma vistoria também pelas contas do clube. Não vi o orçamento a época passada, imagino que deva ter sido gerido por duodécimos. Pergunto se em termos de clube também sente essa solidez que começa a sentir na SAD em termos de contas, ou seja, se poderá continuar a aposta nas modalidades que tem vindo a ser feita.

Sim. Aquilo que nós fizemos no clube nos últimos três anos foi também, e muito na linha daquilo que fizemos com a SAD, foi corrigir alguns desequilíbrios que existiam. Porque apesar do clube ter sucessivamente resultados positivos, até porque isso é estatutário, tinha um déficit de cashflow operacional regularmente desde praticamente 2016, 15, 16. Sobretudo por causa do investimento muito grande que houve nas modalidades. E nós não queremos ter só equilíbrio contabilístico, queremos também ter equilíbrio de caixa, de cashflow. E foi essa a grande preocupação nestes últimos anos. Sobretudo no primeiro ano, infelizmente, não tivemos hipótese nenhuma de intervir, porque grande parte dos gastos do clube vêm dos gastos com pessoal, dos honorários, dos salários que fizemos dos atletas, e tinha havido um investimento brutal ainda durante o ano 2018 para a época 18, 19. E quando nós chegamos, deparamos com uma estrutura de custos enorme, brutal no clube. E foi isso que tentamos fazer, tentamos ir reduzindo os custos, mas outra vez preocupando em aumentar as receitas. Não tivemos capacidade durante o clube, mas agora estamos a fazê-lo. Estamos a seguir um modelo, e que foi muito seguido também pelo João Rocha, que é o nosso foco estar muito também nas inscrições das habilidades, que é uma das linhas de receita que mais potencial tem no clube.

Natação e ginástica.

Nós sabemos que as quotas batermos recorde o ano passado em termos de cashflow, como aliás dissemos no último relatório de contas, cerca de €9 milhões. Estamos hoje Com recorde de sócios pagantes, acima dos 86 mil sócios pagantes. Do ponto de vista de quotas, já estamos a bater recordes, não quer dizer que não consigamos crescer mais. Do ponto de vista de patrocínios e publicidade, estamos em valores muito interessantes, mas temos noção que o futebol atrai mais patrocinadores do que as modalidades. Estamos a trabalhar nesse sentido. Há algum potencial que ainda estamos a desenvolver, mas depois há, sobretudo, as receitas das modalidades. Para um clube da dimensão do Sporting, tem que ambicionar crescer mais do que ter receitas nessa linha superior ao milhão e meio que tem num ano sem Covid. E é muito aí que estamos a focar.

Mas depois também têm infraestruturas para isso?

Estamos a criar infraestruturas. Fizemos, aliás, agora, um investimento importante no multidesportivo. Quem for ao multidesportivo hoje vê condições muito diferentes daquilo que tinha no passado, com a entrada completamente nova, os balneários todos novos. Estamos a fazer investimento aí. Estamos a criar espaços também fora do estádio para poder ter mais oferta. E achamos que com o aumento dessa linha, vamos poder cobrir este gap que tínhamos de cashflow operacional. E eu acho que estamos, neste momento, a atingir, eu diria que no próximo ano, máximo dois anos, conseguimos entrar no break-even para lucro operacional do ponto de vista de caixa também, não só de resultados contabilísticos.

Antes da última assembleia geral, foi feito um comunicado que explicava que uma das razões pelas quais os sócios deveriam ir votar o orçamento e os relatórios e contas tinha a ver também com problemas que o Sporting ia encontrando junto das entidades por não ver esses relatórios e contas aprovados, e foram chumbados duas vezes. Pergunto que tipo de problemas é que existiram, tendo em conta que o relatório e contas, chumbado ou aprovado, é sempre a mesma coisa, é daqueles que não mexe, ao contrário do orçamento, que depois de chumbado, eventualmente se pode mexer. Mas que tipo de problemas é que o Sporting foi encontrando junto das entidades por ter esses relatórios e contas chumbados?

Vou lhe dar um exemplo. O acordo com os bancos está previsto que o Sporting apresente relatórios e contas consolidados. Nós não conseguimos apresentar relatório e contas consolidados se há umas contas individuais que não estão aprovadas. Este é um exemplo. Logo com isso, não conseguimos cumprir com a obrigação.

Mas o relatório e contas é sempre o mesmo. Pode não ser aprovado pelos sócios, mas é sempre o mesmo, as contas é aquilo e não mexe.

Não, se não estão aprovadas, nós não podemos aprovar.

Ou seja, é uma parte burocrática, digamos assim.

Sim, é formal.

Mas pelos vistos conseguiram ao mesmo os waivers, portanto, as moratórias. Não houve um problema nesse caso.

Tudo bem, não estou a dizer que neste caso não tínhamos conseguido o waiver e que obviamente não haja flexibilidade. Mas estou a dizer para dar exemplo. Outro exemplo que eu dou é, e é isso que eu acho que é importante e nós temos que transmitir isso aos sócios. Nós não podemos olhar para o Sporting como um partido político. O Sporting trabalha num setor cujos concorrentes são maioritariamente privados. Há poucos clubes europeus hoje em dia que têm formatos de associação como tem o Sporting. E para nós termos sucesso no formato que queremos e temos, temos que adaptar-nos a este mercado. E adaptar-nos a esse mercado não pode ser estar a votar contra um reporte financeiro auditado, porque não gostamos politicamente da direção. Nós temos que perceber que este tipo de decisões, que são decisões dos sócios, dos associados, têm que ser decisões responsáveis, porque nós somos os donos, nós sócios, e eu também sou, somos os donos do clube, e devemos tomar decisões responsáveis relativamente a temas que são de enorme importância. E obviamente, um parceiro lá fora que pode não ter conhecimento exatamente como funciona do ponto de vista de governance. O clube pode não gostar de ver umas contas chumbadas e não percebe porque aí vai-te tirar, porque normalmente quando as contas são chumbadas é porque há irregularidades. E aquilo que nós temos que evitar é criar este ruído que é negativo para o clube. E por isso é que eu digo que, independentemente, e tenho noção do que é ser dirigente de um clube de futebol, e tenho noção até da componente mediática que tem e da componente política. Não estou aqui a querer ser negligente ou blasé desse ponto de vista.

No caso do Sporting sempre foi muito marcada.

Sempre foi, temos consciência disso. O que eu digo é que há momentos para o ser e momentos para não ser. E no momento de reporte de umas contas, e estamos a falar de um reporte, que é uma fotografia daquilo que já se passou, que é auditada, que não tem irregularidades, não é responsável votar contra. Isso eu digo com toda a frontalidade, independentemente, e temos que aceitar que a decisão do sócio tem que ser respeitada. Há a democracia, há o direito de voto e há a orientação de voto que cada um tem o seu direito de exercê-lo e nós respeitamos. Agora, eu não posso concordar com o voto contra um reporte auditado pela Ernst & Young, que não tem qualquer irregularidade e mais, e que tem redução de custos com sucesso desportivo. O que é que se pode conseguir mais? Sinceramente, não posso concordar. E foi isso que nós quisemos transmitir. Nós não podemos deixar que haja uma minoria ou quem quer que seja, que vote contra uma coisa que não tem razão fundamental

Mas essas declarações não são uma espécie de chantagem para os sócios? Aprovem, porque senão há consequências sobre isto.

Não são chantagens nenhum, mas é a realidade. Nós temos é que dizer a realidade. Nós não podemos esconder a realidade. Nós temos que fazer o nosso trabalho e temos que partilhar as nossas preocupações com os sócios, que são quem nos elege e quem é dono e proprietário do clube. E, portanto, as nossas preocupações são: atenção que isto, de facto, não é positivo e que não há razão nenhuma, porque não há irregularidade. Eu acho que é só isso que nós temos que transmitir. Por exemplo, o caso do orçamento. Apesar de estar convencido que o voto do orçamento também é um voto puramente político, o orçamento é, de facto, uma fotografia do que aí vem. E isso é mais objetivo, pode-se estar contra ou a favor. Eu acho que o orçamento que nós apresentámos é um orçamento totalmente realista, saudável e na linha daquilo que tinha sido o sucesso do ano anterior e que ainda por cima não tinha uma coisa que muitas vezes é impopular, que é a redução de custos. Pelo contrário, tinha uma estabilização dos custos, até desse ponto de vista. Ainda não encontrei nenhuma justificação, nem sequer na Assembleia Geral, para se ter votado contra o orçamento. Mas tudo bem, é, de facto, uma proposta de futuro e essa proposta pode ser discutida mais para esquerda, mais para a direita. Agora, reporte do passado, auditado, que não tem irregularidades. Por isso é que eu digo, eu acho que não fez absolutamente sentido nenhum votar contra aquelas contas, nem contra o orçamento, do meu ponto de vista, mas as contas, não vejo justificação nenhuma.

Mesmo para acabar, pensa que é uma situação que já vai deixar de existir nas próximas assembleias gerais?

Eu espero que sim. Nós vamos continuar a trabalhar nesse sentido, naquilo que podemos, que haja cada vez mais participação, uma participação cada vez mais construtiva. Porque, de facto, e eu tenho que ser sincero, acho que muitas das assembleias gerais do clube e quem lá está, não são assembleias gerais. Muitas das coisas, a forma como se discute, até muitas vezes a abordagem que há de alguns sócios com o conselho diretivo e com os órgãos sociais, são completamente absurdas. Eu acho que é a palavra. Eu acho que temos que ser cada vez mais construtivos, temos que procurar ser cada vez mais construtivos também na comunicação. Nós também temos feito esse esforço e vamos fazer sempre o esforço de ser cada vez mais construtivos, passar sempre mais informação. Temos feito esse esforço, eu diria, do ponto de vista financeiro. Temos feito esse esforço de passar cada vez mais informação. Por exemplo, esta parte da caixa, de as pessoas terem mais visibilidade. E temos que tornar estes momentos cada vez mais construtivos e sermos cada vez mais unidos. E é isso que nós vamos procurar. Sabemos que há ideias diferentes, há momentos diferentes, mas nós queremos trabalhar no sentido de ter cada vez mais união. E vamos fazer por isso.

Muito obrigado, Francisco Salgado Zinha. Fica por aqui o "Sob Escuta".

Obrigado.

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