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Olá, sejam muito bem-vindos a mais um episódio de "Terapia de Casal". O meu nome continua a ser Guilherme Fonseca e comigo está a minha mais que querida, a espetacular.

Mais que querida?

A lindíssima, a perfeita, a popozuda, Rita da Nova.

Achei que ias dizer bagueira.

Pois, também está aqui bagueira.

O que foram estes elogios todos?

Não sei.

Olha, vou só fechar a porta.

Não tem mal, fala com as pessoas. Não sou eu que tenho que dizer tudo sobre ti.

Exatamente.

Comigo está a minha mulher, Rita da Nova, pessoa que no final do segundo espetáculo de Lisboa, porque nós fizemos quatro terapias de casal ao vivo em dois dias, segunda e terça da semana passada, dois em Leiria, dois em Lisboa.

E ainda fizemos Faro, que neste momento ainda não fizemos porque não há bilhetes.

Não ia por aí, mas na semana passada estes quatro foram de seguida. Por quê? Porque tu no fim da segunda, de terça-feira, às 21:00, entramos os dois no carro, espapaçados depois de assinar livros e de fazer os dois terapia de casal ao vivo, e tu viras para mim e dizes assim: "Eu hoje estava engraçada".

É, por acaso achei. Achei que estava. Achei que sobretudo a sessão das 21:00 que estava especialmente inspirada.

Olha, não sei o que te deu, mas de facto deves ter enganado em alguma coisa. Tu estavas muito engraçada.

E não bebi.

E não bebeste.

Não bebi, estava séria, no sentido de sóbria.

Sim.

Mas eu não sei, deu-me uma inspiração qualquer.

Deu-te para ali, às vezes tens graça e eu fiquei muito contente com os nossos convidados até agora, mas desta última fornada, que nós ainda não tínhamos falado aqui no podcast, tivemos Ricardo Maria em Leiria, e o Ricardo Maria é um labrador.

Adorei tê-lo como convidado, foi muito divertido.

Eu gosto muito dele.

Ele não tem problema nenhum em embaraçar-se.

Sim, ele falou de coisas, eu espero que as pessoas ouçam isto depois no Patreon, porque o Ricardo falou de coisas e ainda para mais, foi muito giro ele dizer o que lhe aconteceu fisicamente com o livro e depois tu perguntares: "Mas que livro?" E quando ele diz o livro, a tua reação, impagável.

E porque ainda por cima eu já tinha lido o livro.

Pois claro. E depois, em Lisboa, não fizemos o mesmo convidado duas vezes, como fizemos em Leiria com o Ricardo, tivemos duas convidadas. Às 19:00 tivemos Luana do Bem e às 21:00 tivemos Joana Marques. E tu disseste às 19:00: "Aqui está a minha humorista favorita em Portugal".

Comediante favorita.

A minha comediante favorita. E não disseste isso da Joana. E eu não sei se tu criaste um bife.

Não criei.

Tu neste momento a Joana está a ouvir o "Livra-te" para fazer um comentário desagradável sobre ti.

E faça, pode ser que eu tenha mais ouvintes no "Livra-te" também. Olha, por acaso a Joana era muito boa convidada para falar do livro da Maria Vieira.

Pois é.

Porque ela leu.

Que ela falou lá, não é? Que ela disse que estava a ler.

Ela está a ler.

Exatamente.

Era muito boa convidada do "Livra-te" para falar sobre biografias inusitadas, vamos dizer assim, autobiografias inusitadas.

Acho que pode ser divertido. Mas pronto, tem corrido bastante bem. Entretanto, vocês estão a ouvir isto e já aconteceu Faro, mas nós, por motivos de agenda, estamos a gravar antes, porque não dava para gravar depois, não íamos ter uma janelinha para gravar. Portanto, se tudo correr bem, o Dário no Faro.

No Faro. O Dário no Faro.

Não, o Dário no Faro, coitados, isso é um humorista em cima do outro. Não, o Dário em Faro também foi muito giro.

Pois, eu acho que vai ser.

E à data que estamos a gravar isto, faltam oito bilhetes para esgotar Faro, grande Faro. Obrigado e espero que se divirtam.

Espero que, entretanto, esses oito também tenham ido à vida e que as pessoas se divirtam e que tenha sido giro.

Sim, não vamos fazer aquela coisa de atuar para sete cadeiras vazias ou seis cadeiras vazias, isso não se faz. Senta-se lá, vamos buscar pessoas à rua e sentamos, ou não?

Pomos os gatos, os capelins dos gatos.

Sim, mas acho que tem corrido bem, estou contente. Já só faltam três datas. Estamos assim. Não, faltam quatro datas. Cinco espetáculos.

Não.

Falta Viseu, Braga.

Lisboa.

Lisboa duas vezes. Faltam três datas, quatro espetáculos. Exatamente.

Vai ser muito giro. E temos bons convidados para o resto das datas. Ainda há bilhetes, portanto, podem ir.

Sim, senhora. Mas também vou já dizer mais uma coisa. E apareceu aqui um tribunal da relação.

Apareceu um tribunal da relação.

As pessoas em Lisboa: "Então isto não tem tribunal da relação". Voltamos a dizer, vocês estão fartos de me ouvir, consigo ouvir, vai, todos comigo ao mesmo tempo, vai, tipo coro. Só há tribunal da relação quando há voluntários.

As pessoas fizeram assim porque não sabiam o que tu ias dizer.

Portanto, se não houver tribunal da relação na sessão que vocês vão ver ao vivo, já sabem por que é. Nós não vamos obrigar absolutamente ninguém a ir a palco que não queira.

Porém...

Se não há, não há.

Até ver, dia 1 de dezembro, haverá nas duas sessões. O Guilherme não quer que eu diga isto, mas eu já disse.

Uma está esgotada, podes dizer ou deixar de dizer. A outra parece sempre que estamos a dizer de propósito só para vender mais bilhetes.

Não, caso as pessoas queiram.

E aí podem vir. Mas também vou-te já dizer uma coisa, Rita.

Várias pessoas que saíram da sessão dia 18 a dizer: "Compramos agora para dia 1".

Pois, é que nós ainda por cima fazemos tudo diferente. As pessoas, se gostam de nós, podem comprar. Ou então podem guardar o dinheiro e comprar o nosso...

O Patreon.

O Patreon, sim, o Patreon é muito importante.

Olha, podes ir abrir a porta à gata, que ela quer entrar na cozinha.

Eu ia fazer autopromoção, Guilherme.

Não, faz lá autopromoção, vá. Sempre aqui também, em cima das minhas costas, a fazer a sua autopromoção, a esgotar solos com a minha autopromoção.

Não, isso não é agora, é para a semana. Mas pronto, ia só dizer para estarem atentos esta semana às redes sociais e às coisas. A porta estava aberta, eles estão só a arranhar a porta para te irritar.

A era?

Sim. A porta está aberta. Olha, ela vai outra vez arranhar. Só para o pessoal ficar a saber que os gatos estão a castigar-nos de não estarmos em casa.

A nossa ausência. Estás bem?

Eu estou ótimo.

Tens mais coisas para dizer?

Não, para já não tenho. Até porque nós, à semelhança do que fizemos nas outras semanas, vamos responder a mensagens que ficaram no nosso mural, vou dizer assim, no nosso Slido dos espetáculos ao vivo. As pessoas mandaram perguntas, algumas nós respondemos com as nossas convidadas e convidados, porque o Ricardo Maria também respondeu algumas. Outras nós não tivemos oportunidade porque é muita gente a escrever lá e então vamos responder agora. E acho que podemos ir direto, ou tens algum tema para esta semana?

Não, podemos ir diretos. Vamos começar com Lídia: "O meu namorado não quer fazer a árvore de Natal antes do dia 8 de dezembro."

Ok.

É uma queixa que temos aqui no Slido. E é assim, eu estou do lado deste namorado.

Em que dia é que é?

Acho que a tradição é fazer-se a 8 de dezembro.

8 de dezembro, por quê?

Hoje estou em modo, estou com o iPad numa mão, telemóvel aqui.

Tu estás third screening. O que eu sei é que é no Dia de Reis que normalmente se tira a decoração.

Exatamente.

E há pessoas que normalmente fazem a árvore de Natal no primeiro fim de semana de dezembro, não é? Ou seja, as pessoas aproveitam o primeiro fim de semana em dezembro para em família decorar a casa. Isso do 8 de dezembro eu não conhecia.

Dia 8 de dezembro é uma data tradicional para montar a árvore de Natal em Portugal e Itália. São os dois países que partilham esta-

Os dois países que dividem a tua personalidade.

Exatamente. Coincidindo com o feriado da Imaculada Conceição.

Ah!

Um marco para iniciar as decorações natalícias e reunir a família.

Ok, então é por ser feriado que as pessoas aproveitam e como não vão trabalhar ou não vão pra escola, etc., aproveitam e decoram a casa.

Exatamente, o 1º de dezembro também costuma ser feriado, mas este é o feriado religioso.

Pois, ok, já percebi. A Imaculada Conceição e a imaculada decoração.

Exatamente.

São as duas coisas que eu confundi.

Embora outras culturas tenham datas diferentes, como o Dia de Ação de Graças nos Estados Unidos ou o primeiro domingo do Advento no Brasil. Ou seja, em Portugal e em Itália é exatamente porque é o feriado que celebra a conceção de Maria sem pecado.

Pois, porque a pombinha pousou e ela por Wi-Fi.

Mas foi uma gestação muito curta. Então se ela concebe dia 8 de dezembro...

Pois é. A 8 de dezembro e depois a 25 vai logo parir?

O quê?

Não, espera aí. Imaculada Conceição não é no próprio mês?

A conceção de Maria sem pecado.

A 8 de dezembro? E depois nasce a 25?

Espera aí, vou perguntar aqui ao Google. Espera aí.

Não, deixa estar.

Não, eu preciso saber isto agora.

Então enquanto a Rita pesquisa, só dizer-

Desculpa.

Não, faz a tua pesquisa em voz alta. Dá-lhe.

A conceção foi a 8 de dezembro. Como é que Jesus Cristo nasceu a 25?

Sabes, tecnicamente, Jesus não nasceu na altura de dezembro que nós estamos a dizer. Eles juntaram o Natal a um... Tu não estás a ouvir nada que eu estou a dizer, estás a ler. Ya, ok. Então eu fico aqui no meu canto.

Ah, não. Desculpa. Foi em que a Maria foi concebida.

A própria mãe?

É a festa da conceção de Maria, a Virgem Maria, que a Igreja Católica celebra como tendo sido concebida sem pecado original.

Ah, então à semelhança de Jesus, Maria também foi concebida sem pecado.

Maria foi concebida milagrosamente.

E aí imensas conceções por bulice.

É de família, é genético.

Pronto, ok, faz sentido. Mas sabes que originalmente o nascimento de Jesus-

Também não é no dia 25.

Exato, é lá pra primavera. Eles é que puxaram pra aqui por causa do solstício.

Do solstício. Mas mesmo sendo a primavera, não batia certo.

Pois não, não dava. Mas agora já sabemos que é outra conceção. O que é que eu ia dizer depois deste tema que nós abrimos e já fechamos? Este ano, o melhor dia pra fazer a árvore de Natal é 30 de novembro, porque é o domingo antes de começar dezembro. Portanto, 30 de novembro é o dia em que eu acho que é normal, ou vá, expectável, ou ok, fazer-se a árvore de Natal.

Ou 1 de dezembro, que é feriado. Ou 8, que é a tradição.

Não, mas 30, depois 1 está bem. 1 também dá, porque é uma segunda-feira, mas é feriado.

Eu sou toda a favor de as decorações de Natal estarem durante o mês de dezembro e acabou-se.

Eu também. Mas espera, mas essa pessoa o que nos escreveu foi que o namorado só quer fazer a partir do dia 8.

Exatamente, e ela deve querer fazer antes.

Percebo.

Mas eu acho que não se deve.

Mas quanto antes? Ela quer pôr como a cidade de Lisboa e o Colombo, que estão com decoração de Natal desde o dia 1 de novembro?

Pois.

É que há aqui uma janela. Olha, até te falhou a voz, estás a ficar comovida com o Colombo.

Ai, meu Deus.

Eu falei-

Não, é que eu acho um exagero e acho que também tu antecipares muito a decoração de Natal da casa e não sei o quê, tira um bocadinho a magia do Natal.

Completamente. No TikTok há imenso gozo. Há o Halloween, as pessoas estão mascaradas de zumbi, de vampiro, não sei o quê, uma bruxa. Acaba o Halloween, 1 de novembro, pau, Natal. E eu acho que se diz isso. Deixa novembro pra novembro e pra outono e está tudo bem.

Exatamente. E pra termos uma pausa também e um descanso.

Sem dúvida nenhuma. Portanto, respondendo à vossa pergunta, decoração de Natal tem que ser feita, posta, entre, este ano 2025, 30 de novembro e 8 de dezembro. É nessa janela, é essa semana.

É isso. E depois, para mim, sabes como é que eu sou, dia 2 de janeiro já está a sair.

Não, Dia de Reis. Eu percebo o Dia de Reis, a cena também, já que estamos colados com a Itália no dia 8, também temos que colar com a Espanha no dia 6? 5. Quando é que é o Dia de Reis?

6 de janeiro.

Portanto, eu acho que eu colava com a Espanha e é dia 6. Os reis vêm, dão as prendas para eles, chegam atrasados, vão apanhar o Uber.

Dia 2 vais chegar a casa e eu já desmontei tudo.

Fá por mim.

Muito bem. As minhas amigas imprimem bilhetes, cartões de embarque e receitas de bolos. Como trazê-las para o século XXI e deixarem de ser avózinhas?

Mas eu percebo

Tu percebes imprimir um bilhete de um avião?

Não, mas há coisas importantes que eu prefiro imprimir. Por exemplo, no meu último solo, eu escrevi o texto todo a computador e em vez de andar com o iPad, eu imprimia e depois usava a caneta para rescrever diretamente na folha.

Isso é muito diferente do que estamos aqui a falar, Guilherme.

Então.

Isso é uma coisa que eu considero importante, de trabalho e na qual tu precisas trabalhar.

Mas eu podia escrever no computador também.

Certo, mas dá-te mais jeito, até por uma questão de comparação, o que é que tinhas antes, o que é que tens agora.

Exato. Eu prefiro às vezes coisas no papel.

Certo, mas imprimir cartões de embarque em pleno 2025, quase 2026?

Cartões de embarque não faz sentido, mas depois tens o problema de isso ficares sem bateria. Já me aconteceu quase no aeroporto estar ali nos 7%, à rasca, como é que eu passo a segurança?

Pedes lá para te imprimirem.

Mas isso era lá para trás. É onde deixas a mala, não dá para imprimir na porta.

Sim, mas então sabes que vais viajar, não ficas com 7% de bateria.

Isso é muito fácil de dizer aqui de barriguinha cheia em casa, não é? Com um carregador ali ao metro.

Olha, não, por acaso até tenho.

Quanto é que tens?

24%. Não podia ir apanhar um voo agora. Se calhar até podia.

Eu nem te digo, porque eu já sei o que eu vou ouvir, mas eu às vezes até mando para ti no WhatsApp, ficas lá com o bilhete e eu digo: "Olha, se eu ficar sem bateria, uso o teu". Já me aconteceu para aí duas ou três vezes contigo.

Pois, e sou sempre eu a safar essa situação, porque eu é que tenho sempre bateria, sou muito regrada.

Eu chego lá com uns 2%.

Sou muito regrada. Aliás, no episódio com a Joana Marques, comparámos os nossos tempos de ecrã.

Os nossos screen time. Bem, e aconteceu uma coisa inesperada em relação aos nossos screen time.

Você não vai acreditar.

Fique para ouvir até ao fim.

Sim. Eu acho que é assim, é explicar-lhes o impacto ambiental que está a ter e também a chatice que elas estão a ter, porque elas vão ter de estar a imprimir coisas, tipo bilhetes para concertos, cartões de embarque.

É a parecer uma avó. Vão ao teatro ou vão ver um espetáculo de comédia e têm que desembrulhar uma folha.

E as avós e as mães que levam dentro de uma mica?

Mas eu gosto. A minha mãe, quando nós íamos viajar, punha todos os documentos da viagem impressos. Bilhetes, itinerários, moradas, reservas de hotel, numa mica. Era a mica da viagem.

Mas não te esqueças que nessa altura não havia o acesso à internet que há agora.

Mas estava tudo impresso. Sendo que estas amigas se querem imprimir merdas, então quando vão viajar também não podem usar Waze, deviam usar mapas à antiga, aqueles de abrir no capô do carro, na bomba de gasolina, e ver o caminho. Já que estão com essa atitude, deviam imprimir tudo.

Vamos passar para a próxima.

Já estamos em Lisboa ou ainda estamos em Leiria?

Ainda estamos em Leiria.

Muito bem.

Quando passarmos para Lisboa eu aviso, está bem?

Ok, obrigado.

"A minha namorada tem o attention span de um peixe dourado e quando estou a contar coisas que se passaram, tenho de repetir duas, três, quatro vezes a mesma coisa. Como prosseguir?"

Esse é mais para ti. Sendo que eu não sou exatamente um peixe dourado.

Não, às vezes é muito cansativo.

Eu vou te explicar uma coisa e espero que tu sejas compreensiva. Há coisas que são mais difíceis para mim de decorar do que outras. O que é que foi?

Ok, sou compreensiva.

Percebes isso ou não?

Percebes isso ou não, Carolina?

Tu percebes que há coisas que são mais difíceis de decorar do que outras?

Percebo.

Pronto.

Por exemplo, tabela periódica, difícil de decorar.

É dificílimo de decorar. Agora, números é uma coisa que eu confundo com mais datas.

Mas ninguém está a falar de números.

Temperaturas de máquina, horas. Eu aponto essas merdas todas, porque números eu confundo mais e é mais complicado decorar.

Mas não é disso que estamos a falar.

Estou só a dizer o meu ponto de vista.

Não é disso que estamos a falar.

Estou-me a desculpar e estou a tentar ter empatia pelas pessoas que falam nas mensagens.

Não, tu estás a tentar que eu te perdoe por teres lavado a roupa a 60 graus quando era a 30.

Também há essa.

É isso que tu estás a querer.

Sim, exatamente.

Estás a querer que eu te perdoe aqui em direto. Estás a querer meter esse pedido de desculpas aqui que temos ouvintes, que é para a coisa ser mais suave.

Não é nenhum pedido de desculpas, eu fiz uma máquina de lavar a roupa interior. Alguma coisa está estragada?

Não sei, ainda não vi.

Então vai ver e depois diz-me se está estragado.

Pronto.

Tudo lavado, dobradinho, pronto para arrumar. Está aqui o marido impecável.

Olha, quantas vezes não faço eu. Mas acho que não é isso. Acho que tem mais que ver com: estou a contar coisas e tu não estás a tomar atenção. Basicamente, é isto. Ou seja, estou a contar coisas do meu dia e tenho que repetir duas, três, quatro vezes porque tu meio perdes a atenção.

Mas sabes que tu também às vezes estás a olhar para o teu telefone.

Eu estou a dizer tu ou outra pessoa, não estou a dizer tu.

Não, estás a dizer eu. Tu às vezes estás a olhar para o teu telefone e eu estou a falar contigo e eu fico à espera de uma resposta, digo-te qualquer coisa.

Diz.

E tu continuas a olhar para o telefone e não me respondes imediatamente. Eu fico assim 10 segundos de silêncio comigo a olhar para ti e eu digo assim: "Ok, caguei", encolho os ombros e vou-me embora.

Mas eu ouço tudo o que tu dizes.

Tu ouviste, mas não respondeste. O que é que é pior? Uma pessoa que responde mas não ouviu, ou uma pessoa que ouviu mas não responde?

Uma pessoa que ouviu mas não responde, porque a atenção está lá.

Não. É melhor uma pessoa que quando tens a atenção, tens 100% da atenção.

Não. Guilherme, tu acabaste de dar duas opções que não são essa.

Tu fazes second screening na nossa relação.

Guilherme, tu acabaste de me dar duas opções. A opção era: uma pessoa que não ouve, mas responde.

Não foi nada disso que eu disse.

Foi. Eu não estava a ouvir.

Tu não estavas a ouvir. Outra vez, tu não estavas a ouvir. O que é que é pior?

Eu acho que tu estás-me a fazer gaslighting. Eu acho que foi isso que tu disseste. Que era uma pessoa que não está propriamente com atenção.

Mas que para o que está a fazer e pede para tu repetires? Ou uma pessoa que...

Exatamente, uma pessoa que não está a ouvir, mas responde, no sentido de dar-te algum tipo de resposta.

Ok, certo.

Gaslighter. Tu estavas me a manipular emocionalmente, pá, isto é impressionante.

Ou uma pessoa como tu, que ouve, regista e ignora que a outra pessoa está a olhar.

Eu acho que isso é preferível.

É pá, é que...

Umas coisas também não merecem resposta.

É uma falta de respeito. A quantidade de vezes que eu te digo uma coisa e tu continuas a olhar para o telefone, e eu: "Rita", e tu dizes assim: "Eu ouvi, o que tu disseste foi bá bá bá bá bá", e eu: "Está bem, mas responde".

O que é que queres que eu te diga?

Então eu também vou passar a registar e a deixar de responder, e a deixar de atender.

Olha como é que ajudamos esta pessoa.

Podes repetir que eu já não me lembro do que está aí.

"A minha namorada tem o attention span do Guilherme Fonseca e quando estou a contar coisas que se passaram, tenho que repetir duas, três, quatro vezes a mesma coisa".

Não era Guilherme Fonseca, era o Peixinho não sei o quê. Eu decorei.

Olha um vômito de gato. Olha em cima da minha mala, não!

A gata vomitou, eu vou apanhar.

É para a cagar no lixo.

Esta gatinha agora está pachocha.

Está em cima da minha mala.

Não foi. Estava ao lado da mala, não está em cima da tua mala, está tudo bem. Eu acho que este namorado ou namorada, por acaso não sei se é.

Não, diz só a minha namorada.

Pronto. Não sei se esta pessoa está a conquistar ou a chamar a atenção da maneira certa. Tem que ser mais folclórico. Tem que haver um bocadinho mais de pazês.

Ele está todo nu ou nua.

Ou nua, tem que haver uma teta na boca, tem que haver um helicóptero, tem que haver umas palmas, tem que haver uma música, tem que haver um "oi, oi, oi", como fez o Pedro Pinto lá na assembleia, o do Chega, a estalar os dedos. Tens que captar a atenção de uma forma mais efusiva.

Tem de haver um show de cor e de alegria. Tem de haver um carnaval. No fundo, é isto que o Guilherme quer. E por fim, temos ainda uma pergunta que pessoalmente me irritaria muito estar numa relação com esta pessoa, que é: "O meu namorado nunca tem uma opinião. Ele é #TeamSuíça. Ele não gosta de se meter em polémicas, vai muito no 'é-me igual, está tudo bem, tranquilo, help'". Ou seja, é uma pessoa que não tem qualquer opinião, não sente necessidade de dar opinião e não contribui para nada. O que tu achas sobre isto, Guilherme?

Entretanto, eu com um papel com vômito de gato na mão, mas eu acho que é das coisas mais irritantes do mundo. É que uma coisa é tu dizeres assim: "Olha, esse tema é pesado, eu não tenho bem uma opinião, mas acho isto, mas também acho isto". Outra é uma pessoa amorfa. É como ter um cão.

Sim.

Ou ter um robô. "O que tu achas disto? O que te apetece?" "Não sei." "Queres ver o quê?" "Não sei." Qual é o interesse desta pessoa? Esta pessoa puxa a tua vida criativamente, artisticamente e opinativamente para onde? Isto é uma mala que tu andas a arrastar, isto não é uma pessoa.

Mas eu acho que ela devia fazer a mesma coisa que ele, de estar. Ele dizia: "O que vamos jantar?" E ela respondia: "Não sei". "O que queres de prenda de Natal?" "É-me indiferente". Ela devia começar a responder-lhe na mesma moeda.

Que era o que eu te fazia com o jantar, quando tu dizias: "Eu não sei". Nós já falámos aqui, não vale a pena estar a repetir, mas o que eu dizia? "Eu também não sei".

Pois.

É stalemate, é como se chama no xadrez. É pronto, ninguém ganha, ficamos aqui. O tabuleiro está parado.

Nesse caso, eu safava-me muito melhor, porque eu consigo passar horas sem comer e tu não.

Pois, eu não, eu tinha que ir tratar de mim. Mas eu acho estas pessoas muito irritantes.

Eu também acho.

Uma coisa é, tu não tens de ter uma opinião ou apetecer-te sempre qualquer coisa.

Sim, claro.

Às vezes pode não te apetecer uma comida específica. Eu percebo isso 100%.

Não só sobre comida, sobre tudo. Pode não te apetecer estar a dar opinião sobre o tema quente da semana. Tudo certo.

Como é óbvio. Mas aqui é: "Apetece-te ir ver esse concerto? Que música é que eu ponho aqui no rádio? Queres ir por que caminho? O que te apetece vestir? Que cor é que eu ponho?" Se esta pessoa nunca tem opinião e nunca consegue escolher um, se a pessoa me estiver a ouvir, escolhe um ao calhas. Diz um ao calhas.

Se não tens opinião, então escolhe um aos calhas.

Diz qualquer coisa, mesmo que seja muito estúpida e que seja o contrário do que a outra pessoa quer. Vamos fazer este exercício. Pergunta-me o que queres jantar.

O que queres jantar?

Pizza.

Pronto.

Eu dei uma opinião.

Sim. Apetece-te pizza? Não.

Não, mas foi a primeira coisa que me veio à cabeça. Até podem fazer o jogo da letra. Como faz o César Mourão.

Sim, dá-me um A.

A? Vamos jantar ananás.

Ok. Dá-me um C.

Vamos jantar cominhos.

Dá-me um F.

Vamos foder, só, não vamos jantar.

Peço desculpa a quem está a ouvir isto no carro com crianças. Como sempre, eu tento que haja um pouco mais.

Tentativi de fornicar.

Eu tento que haja sempre um pouco.

Furunfunfar.

Furunfunfar é uma palavra muito gira. Bem, eu tento que haja aqui um pouco de decência neste podcast, mas é muito raro.

Boas perguntas das pessoas. Segue.

Boas perguntas das pessoas de Leiria. Vamos agora passar então, Guilherme, para as pessoas de Lisboa.

Isto vai sobrar para a semana, aviso já.

Não vai, não. A gente vai dar conta disto.

É?

É.

Então vá.

"A minha namorada acha que devo responder..." Esta foi uma pergunta que apareceu aqui, dentro deste género, muitas vezes em Lisboa.

Ok, muita gente fez a mesma pergunta?

Muita gente fez uma pergunta semelhante. "A minha namorada acha que devo responder a todos os reels que ela me envia, 10 por dia, em média. Eu gosto de ver, mas acho que responder é demasiado. O que faço?" Também havia pessoas a dizer: "Mando reels ou TikToks para as pessoas que eu gosto, elas não ligam nenhuma e depois acabam elas a mandar para os grupos coisas que eu já lhes tinha mandado e elas não viram". Ou seja, houve aqui em Lisboa os dois lados da mesma moeda.

Há aqui uma etiqueta de TikToks que é: se a pessoa te mandou um batch de TikToks ou de reels, pode ser reels se vocês tiverem mais de 40 anos e é reels que vocês veem. Se te mandaram um batchzinho de TikToks, responde a um, diz qualquer coisa no fim, diz "boa seleção".

Põe um like.

Não, likes eu acho que é mesmo o mínimo, mas pronto, ao menos estás a mostrar que viste.

Sim, é isso, dá um likezinho num, outro noutro, um "ahaha" num.

Exatamente. Agora, responder a todos, quem é que tu és, maluco?

A todos, não.

Tu às vezes mandas-me 15 TikToks. Imagina responder a um.

Não.

Ainda por cima é uma chatice responder no TikTok.

Pois é.

Porque tu respondes ao terceiro TikTok de 15 e vens cá para baixo e depois queres voltar para o terceiro TikTok para continuar a ver e voltas para cima e tens que ir à procura do TikTok. E no Instagram ainda é pior. Eu odeio os reels do Instagram. É mesmo uma cena que eu faço por motivos profissionais, porque eu não vejo reels no Instagram. Por quê? Porque tu mandaste-me três Eu faço como faço no TikTok, que é abrir o primeiro e depois ando para baixo para ir para o seguinte.

Não, e ele não faz isso.

Estou noutro sítio.

Ele está noutro sítio.

São umas gajas com os seios de fora, mas debaixo de uma camisa, uma blusa muito fininha, ou são gajos a jogar basquetebol. Isto não foi o que a Rita me mandou, o que está aqui a acontecer? Se eu andei para baixo, eu quero ver o seguinte.

Exato. Olha, podes só ir ali fechar a janela.

O que está a acontecer?

Não sei o que está a acontecer.

É a sétima vez que me estou a levantar neste episódio.

Olha, então vou passar para a próxima, diz: "Ela perguntou-me se eu a achava a rapariga mais bonita do mundo. Eu disse que não e ela ficou muito chateada. Fiz merda?" É assim, também se era para mentir...

Há maneiras e maneiras de responder a isso. Tu não és a mulher mais bonita do mundo, no sentido prático e objetivo da coisa. Tu não estás na capa de revistas.

Não estou.

Eu não sou o homem mais bonito do mundo.

Pois não.

Se genuinamente esta pessoa estava à espera que a resposta fosse: "És objetivamente a mulher mais bonita do mundo".

Alba Baptista, chega-te para o lado, mulher.

Desculpem lá, estamos malucos, estamos bêbados, somos o quê? Inseguros? Vamos aqui tratar disso. Se a resposta era suposto ser a verdadeira.

Mas também há formas de dizer não és.

Exatamente. A questão é esta.

A forma podia ter sido: "Para mim és".

A questão é, isto é uma insegura e um brutamontes. E alguns aqui no meio, havia maneiras certas de perguntar e de responder. E a insegura e o brutamontes, que é o nome do meu próximo livro que eu vou lançar. Alguns aqui no meio, falhou aqui a comunicação.

Falhou.

Porque nem ela é a pessoa mais bonita do mundo, nem ele tem que dizer não. Há 1753 mais bonitas só aqui neste bairro. Não é assim que responde às merdas, não é.

Não, mas é isso, podes dizer: "Olha, és para mim".

Sim, até porque se essa pergunta foi feita em mimo/insegurança, não há nenhuma resposta que vá satisfazer quem fez a pergunta.

Não há nenhuma resposta certa.

A não ser, sim, és.

Nenhuma resposta certa.

Sim.

Porque mesmo sim, és, a pessoa vai dizer: "Não sou nada, estás a mentir".

"Tu sabes que há outras mais bonitas". E ali responde: "Ya".

Ya, pois é. Menti. Olha, no fim de semana contaram-me uma história muito engraçada de uma senhora que muito orgulhosamente disse, tinha as duas filhas ao pé dela e muito orgulhosamente disse: "Eu fui mesmo abençoada. Tenho uma filha bonita e outra inteligente".

Vai ser giro.

E parece um bocado...

Ya.

Porque a senhora não achou que estava a ser indelicada.

Sim, mas para as filhas, uma acabou de ser chamada de burra e a outra de feia.

Ya, mas é giro isto.

Pois, é muito delicado. Mais vale ser como o outro, não ter opiniões.

Exatamente, olha, estamos a cumprir.

Ela é a mulher mais bonita. Não sei.

Não me importa.

Não tenho opiniões.

"Ele fala muito alto, principalmente quando está entusiasmado com a conversa, mas fica chateado quando o chamo a atenção. O que faço?"

Eu sofro disto.

Tu sofres muito disso.

Eu às vezes estou entusiasmado com a conversa e a Rita vem e diz-me assim: "Estás a falar muito alto". É sempre desta maneira que tu dizes. "Estás a falar muito alto. Guilherme, amorzinho, está muito alto. Estás a falar muito alto." Parece sempre a Simone de Oliveira numa entrevista. "Guilherme, estás a falar muito alto." E é superirritante, porque eu estou entusiasmado com a conversa, eu deixo-me levar.

Também é irritante para quem te está a ouvir.

Eu percebo.

Vamos conversar, vamos estar a conversar e eu vou ser o Guilherme.

Espera aí, olha o microfone.

Eu vou me afastar. Vamos falar. Faz-me uma pergunta qualquer.

Qual é o problema de eu ser uma pessoa entusiasmada que fala?

Não, é que é assim, eu estou e pois, estou cá. E eu adoro ser uma pessoa entusiasmada, porque o entusiasmo eu sinto que é o néctar da vida, percebes? E se tu não fores entusiasmado...

Eu alguma vez disse o néctar da vida? Eu acho que nunca disse essas palavras, a não ser para te repetir agora. Eu nunca disse néctar da vida. Que imitação é essa?

Era só o tom, não era a forma.

Ya, eu entusiasmo-me. E às vezes com os copos, jantaradas, estamos a falar de coisas, de temas quentes.

Com os copos então vocês não têm noção.

No outro dia tivemos uma conversa sobre imigrantes, imigração e nem era com pessoas do Chega, estávamos só a falar de imigração e das perceções, vou dizer assim. E eu estava a gostar da conversa, e estava-me a entusiasmar.

Estavas aceso.

Não, porque aceso parece que eu estou aceso é o que se diz quando uma pessoa está de pau feito ou irritado. Eu não estava nem uma coisa nem outra, se calhar um bocadinho ambas, mas eu estava era entusiasmado.

Entusiasmado, sim.

Entusiasmo-me com debate de ideias.

Pronto, mas é assim, então vais para o Parlamento um bocadinho.

E grito lá.

E gritas lá. E depois quando for para falar com as pessoas normais.

Pois.

Moderas o teu tom de voz.

Ya, mas é que depois é um grande corta-tudus, uma pessoa estar entusiasmada em meio de uma conversa.

Eu percebo, mas é que às vezes estás a falar.

Estás a falar muito alto.

É que às vezes estás tão alto.

É que eu acho que é o equivalente para os homens dizerem às mulheres: "Olha, estás a ser um bocado histérica".

Não é. Senão eu posso dizer que estás a ser um bocado histérico.

Não, magoa-me bué.

Vou passar a dizer em vez de falar. Olha, eu queria que esta namorada dissesse isto ao namorado quando ele se falar muito alto da próxima vez. "Olha, estás a ser um bocado histérico".

Eu acho que eles têm que combinar um sinal. Só porque às vezes acontece-nos, tu às vezes estás com as tuas amigas e o volume sobe a uma velocidade muito assustadora, à pica, é mesmo à pica. E não tem mal nenhum, vocês estão entusiasmadas a conversar e o tom vai por aí acima. É preciso arranjar um sinal.

Sabes que eu com a minha família tinha a cena de abrir os olhos. Se a minha avó me abria os olhos, eu já estava a perceber que eu me estava a portar mal ou estava a fazer alguma coisa que eu não devia.

Mas não vamos estar a esbugalhar os olhos uns aos outros.

Acabei de esbugalhar os olhos ao Guilherme.

Não, tem que haver um símbolo qualquer mais discreto.

Faça um sinal.

Não é cortar no entusiasmo, é só cortar no volume. São coisas diferentes, não se pode confundir. Quando ela te diz: "Fala mais baixo", ela não quer que tu pares de falar ou que tu cortes o entusiasmo ou a vontade quando estás a conversar. É só falar um bocadinho mais baixo.

Pronto, então agora esse ensinamento que acabaste de dar para os nossos ouvintes, guarda para ti também.

Mas precisamos de um sinal, porque eu não vou notar.

Não, o meu sinal vai ser estás a ser um bocado histérico. Juro-te que vai ser.

Ok.

Guilherme, não sejas histérico.

Ok.

Vai ser. Em vez de ser, como é que eu digo?

Estás a falar muito alto. Guilherme, estás a falar muito alto.

Isso é mesmo engraçado. Vamos mudar daqui a um mês. É normal que ele não queira mais limpar a casa até lá?

É, 100%. Eu vou mudar de casa.

Mas um mês.

É diferente. Desculpem. Estás a alugar a casa e vais deixar de alugar, estás a sair de um aluguer, lava a casa.

Não é isso. Eu acho que estas pessoas não estão a dizer no final, quando nos mudarmos, vamos deixar a casa limpa.

É até ao fim.

É até ao momento da mudança.

Mas repara, não vais entregar uma casa depois de uma mudança toda cagada porque ao mês não é limpa.

Não é isso que eu estou a dizer. Guilherme, tu não me estás a ouvir. Foi precisamente isso que eu disse. Eles não estão a falar da possibilidade de limpar ou não limpar a casa no final do aluguer, que é óbvio que vão limpar.

É, nos últimos tempos, até ao aluguer.

Nos últimos 30 dias em que lá estão em casa, será que vale a pena limpar?

Repito a minha resposta, que foi inicial, pre meditada.

Aqui nesta assembleia.

E que foi errada ou tu falavas assim. Que foi é.

Eu não acho. Está morar no meio do pó.

Não, morar, o que é isso de morar no meio do pó? Calma, também não é morar no meio do pó. É uma semana, uma semana e meia.

Não é uma semana. Vamos nos mudar daqui a um mês.

Um mês é psilga. Limpem essa merda.

Tu não me estás a ouvir.

Estou a ouvir.

Tu não me estás a ouvir.

Eu só não decorei que era um mês, são números.

Tu não decoraste nada.

Decorei tudo.

Mas sabes que às vezes tu estás muito preso nisso do decorar, mas mais do que decorar é compreender, Guilherme. E tu não compreendes.

Não, pois eu compreender eu não consigo, mas eu ouço, as palavras entraram todas.

Tu sim, és um Nemo.

Vamos à última.

À última? Tenho mais duas. Muito rápido.

Vá.

Como convenço a minha namorada que a escala de 0 a 10 é claramente superior ao 0 a 5 no que toca a classificar filmes. Ela goza comigo e diz que não faz sentido. Eu acho que faz todo o sentido.

Claro que faz todo o sentido. Quanto maior a escala, mais nuance tens. Se for de 0 a 1000 e eu disser que um filme é 843, tu percebes melhor do que se eu te disser que de 0 a 5 o filme é um 4.

Ou um 3.

Porque quando tu dizes assim, um filme é de 0 a 5 e para mim é um 4, estás a dar uma nota entre 70 e 90 na minha cabeça.

Pois.

Porque o 5 é entre 90 e 100 e, portanto, se um 4 estrelas é entre 70 e 90, pode ser um 71 ou um 81.

É um satisfaz, um satisfaz bem, um bom e um muito bom.

É muito diferente. Essa pessoa não percebe de escalas e tem que estar escalada. Não, estou a brincar, era só porque a palavra é escalas. E eu acho que ela tem que ponderar os seus métodos de avaliação, porque mesmo de 0 a 10 para dar a um filme, é melhor.

Mas de 0 a 10, caramba, senão vais usar de quê? Se não deres de 0 a 10, dás o quê?

De 0 a 100.

Guilherme, mas quem é que dá 0 a 100 aos filmes?

Por que na escola é sempre 0 a 100, depois vais pra faculdade é 0 a 20?

Não, na escola não é 0 a 100 nunca. Nas notas é 0 a 5. Depois vais pro secundário que passa a ser 0 a 20.

Os testes 0 a 100.

Porque é percentagem de respostas erradas.

Devia ser sempre percentagem. Devia ser tudo de 0 a 100. A velocidade. Vieste do Porto. Vi a 100 que foi o máximo. Dei tudo. Devia ser tudo de 0 a 100. As horas. Que horas são? São 19h58.

Ele não está bem da cabeça, eu peço desculpa. Eu acho que ele está a ter um meltdown, porque ele está a rir imenso disto.

Eu estou a achar graça. Começaram a usar noutras merdas. Que temperatura é que está hoje? Hoje está 53.

"Fahrenheit", conheço.

Vou levar um casaco. Pronto, estás a ver? Não sabes brincar. Eu acho que devia ser tudo de 0 a 100. Não devia haver outras escalas. Pronto, já disse.

Bom, olha, por falar em velocidade. A minha namorada está constantemente a pressionar o travão imaginário do carro. Pendura. Devo ficar preocupado com a minha condução ou é apenas loucura? Sim, deves ficar preocupado com a tua condução, porque eu sou a pessoa que também pressiona o travão imaginário e ainda bem que eu não sou instrutora de condução do Guilherme, senão estávamos sempre a fazer à Avé-Maria.

Nós nunca falámos disto e eu não sei se não era um bom tema pra levar a um terapia de casal ao vivo.

Então podemos resumir aqui.

Não que nós tenhamos outras coisas pra falar nas cidades, acho que podemos falar aqui. Chateia-me que tu stresses com a minha condução quando vais olhar pro telefone. Se não estás a ver o que eu estou a fazer, tu não podes criticar a minha condução, porque a certa altura eu estou a ver o carro, eu estou a travar, estou há mais do que tempo pra travar, travei e tu. E não é nada, não estavas a olhar, estavas a olhar pro telefone.

A tua condução é muito agressiva.

Não, a tua condução é que é muito agressiva.

Não, não é.

A tua atitude na vida é muito agressiva e eu não estou aqui a carregar no travão. A minha vida segue calmamente. É verdade, tu não estás a olhar, estás a olhar pro telefone, porque tu podes olhar pro telefone que tu vais no lugar do morto.

Não, eu vou no lugar da passenger princess, como disse o nosso querido Ricardo Maria Maia.

Verdade, passenger princess. Tu és a passageira princesa. Estás a olhar pro teu telefone, não estás com atenção à minha condução. Não é porque me sentes a travar que de repente eu estou a travar mal.

Não, mas tu travas mal.

Não, tu não estás a olhar.

Tu travas mal. Guilherme, não preciso olhar pra saber.

Não precisas de olhar pra saber que eu travo mal?

Não preciso olhar pra saber que tu travas mal.

Olha a arrogância da instrutora de condução da escola Rita da Nova.

Basta sentir. Certificada pelas vozes da minha cabeça.

Pois, não, isso pra mim não funciona. Eu quero fontes, quero dados.

ACP.

terapiadecasalpodcast@gmail.com é onde vocês podem enviar as vossas perguntas, dúvidas, questões e as vossas candidaturas. Não me estava a sair a palavra, desculpa. Encravei aqui. Olha, viste, travei e tu não disseste nada.

Porque foi com calma, porque foi suave, porque não puseste ninguém em risco.

Candidaturas para Braga. Braga é o único sítio que ainda não tem dos que se seguem.

É verdade.

Portanto, se querem fazer Tribunal da Relação em Braga, ainda vão a tempo. Se têm só dúvidas, questões e problemas da vossa relação, como estes que nós lemos do nosso slider ou dos nossos terapeutas de casal ao vivo, podem sempre enviar pra terapiadecasalpodcast@gmail.com. Pronto, e é isto.

Até pra semana.