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Olá, bem-vindos a mais um episódio de "Terapia de Casal". O meu nome é Rita da Nova e estou aqui junto ao meu grande amor, Guinness. Que nem sequer está aqui.
Bem que viaja. Está ali.
Está ali ao fundo.
Todos os nossos gatos estão à nossa volta, porque nós estamos a gravar isto a uma hora onde costumamos dar latinha.
Estás-te a sentir observado.
E então a pressão está inacreditável.
A pressão está alta nesta casa. Como é que vocês estão? Passaram uma boa semana?
Eu acho que passaram.
Achas que passaram?
Acho que as pessoas passaram uma boa semana.
Achas que passaram uma boa semana. Antes de irmos ao que nos traz cá hoje, que ainda não sabemos o que é.
Eu sei, eu tenho temas.
Eu também tenho temas, calma.
Pronto.
"Eu tenho temas, porque eu sou o melhor aluno, porque eu vou preparando os meus temas."
Como é que tu foste essa pessoa na escola a vida toda e agora criticas os outros por serem?
É porque agora eu percebo o quão irritante eu era, porque te tenho a ti.
Pronto, ok.
Porque eu tenho temas, professor, eu apontei, eu apontei aqui. Eu sou o melhor aluno.
Eu só discordo com o "era", mas sim, continua.
Sabias, passo atrás. Gostas do Nemo, do filme?
Gosto, acho um filme divertido.
Eu também gosto muito, acho muito fofo.
E o segundo com a Dory?
Eu não vi esse.
Estás a falar sério?
Estou.
É giro também.
Sim, porque é sobre a memória, não é? Esse segundo.
Não é, é só um peixe, mas sim, ela tem uma cena com a memória.
Sim, o Rei Leão também é só sobre leões.
É.
Não é sobre um casal gay que toma conta de um filho adotivo.
Quase tivemos problemas por causa dessa piada.
Pois foi.
Mas o que eu ia dizer?
Sabes que o Nemo podia ter tomado um caminho diferente se as pessoas tivessem sido mais fiéis à biologia dos peixes-palhaço.
Então.
Porque supostamente os peixes-palhaço são hermafroditas. Todos nascem machos, mas quando a fêmea dominante do grupo morre, um dos machos transforma-se em fêmea para se chegar à frente e continuar a haver filhotes.
Ok, são trans os peixes-palhaço.
Exatamente. Não são trans, são hermafroditas, literalmente hermafroditas, pessoas em capacidade de ser as duas coisas.
Ok. Tu vais espirrar? Isso é espetacular, falou-se de trans e tu espirras, és mesmo alérgica ao tema.
Claro, exato. Olha ele a tentar.
A nossa J.K. Rowling.
Há uns tempos eu era ciganA, agora sou transfóbica, claro que sim. E então fiquei a pensar nisto e fiquei a pensar no Nemo, porque a mãe do Nemo morre, então o pai não devia ter ficado mãe.
Tens toda a razão. E isso não devia acontecer mais vezes? Quando as mães morrem, os pais não deviam ser mais mães?
Mas às vezes são, e aquele pai até se porta bem, mas biologicamente falando, não era uma boa forma de ensinarmos coisas às nossas crianças.
Eu acho que vai ser um domingo bem passado quando te vir mandar esse e-mail para a Disney. Eu acho que te vais divertir imenso.
Não é a Pixar?
Para a Pixar. A Pixar é Disney.
Sim.
Entretanto, agora já.
Vou mandar: "Boa tarde. Olhe, estive aqui a pensar, está fatualmente incorreto."
Biologicamente, o vosso filme não faz sentido.
Não faz sentido.
O pai do Nemo devia ser a mãe do Nemo.
Embora antes tivesse sido o pai do Nemo, percebem?
Embora tivesse sido o pai do Nemo.
Pronto, tenho estado a pensar sobre isto.
Eu achei isto extremamente interessante.
É, não achaste nada.
Está uma energia esquisita nesta sala e é preciso falar disto.
Então.
Nós fazemos todos os dias de manhã, antes de gravar o nosso episódio de terapia de casal, uma espécie de palavras cruzadas, eu e a Rita. Houve uma altura em que fazíamos o Connection, já falámos aqui do Connection, só que agora fazemos uma coisa que se chama Minute Cryptic, que é uma espécie de um puzzlezinho com palavras que uma pessoa tem que chegar à resposta.
É um game.
Variante das palavras cruzadas, mas tem wordplay, brincadeiras, tens que arrastar palavras, descobrir o sentido da frase, etc.
Sim.
Nós hoje falhámos redondamente.
Errámos muito feio.
Errámos feíssimo, não percebemos a resposta, era mais simples do que nos parecia e eu fiquei-
Irritado.
Com uma energia de: "Eu perdi e eu não queria ter perdido."
Ainda por cima, era bastante fácil. Não era bastante fácil?
E eu tinha dito que o right era R.
Desculpa, quem disse que o right era R fui eu.
Mas eu depois disse: "Não, é R, temos que tirar o R."
Nós estávamos tão chateados que há tanto já estávamos só a pedir pistas, que era as letras.
Para chegar ao fim, para perceber qual era a resposta, porque não há nenhum sítio lá no Minute Cryptic que uma pessoa possa carregar e dizer: "Olha, desisto, mostra-me a resposta. É o quê? Não sei".
Pronto, então estamos assim um bocadinho irritados, não um com o outro, conosco mesmos.
Ya. Estamos naquela fase em que a equipa vai para o balneário e estamos a avaliar o que é que correu mal para termos perdido o jogo.
Mas não apetece avaliar sequer.
Não, mas olhares à volta do balneário e dizer: "Não, aquela bola passou por ti, mas tudo bem, somos uma equipa, mas aquela bola passou por ti".
Mas por que estás a pôr isso para mim? Eu, que sou sempre a melhor no Minute Cryptic.
Porque eu disse que o R era um R e era preciso arranjar uma letra para time.
Sim, mas depois e daí? Era RT, a resposta?
Não, mas devíamos ter chegado lá.
Pronto. Devíamos ter chegado lá, mas eu acho também uma coisa. Nós andamos desconcentrados no Minute Cryptic.
Completamente.
Não andamos a levar isso a sério.
Nós temos que nos focar os dois, sentar, olhar, telefones no silêncio e resolver o Minute Cryptic como se fosse o quê? Não tenho um comparativo. Qual é uma coisa muito importante? Como se fossem os códigos nucleares antes de uma guerra.
É isso.
É como o PUC, é a terceira vez que estamos a pôr o PUC.
Exatamente.
Cheguei a uma comparação. É a terceira vez que estamos a pôr o PUC, se nós não pusermos bem, vai bloquear o nosso telefone.
Eu acho que essa referência vão perceber as pessoas Eventualmente, alguém vai perceber a referência do pufe.
É a terceira vez que estamos a pôr o PIN ou temos que ficar não sei quantos minutos a mexer no cartão.
É a terceira vez que estás a pôr o código no cartão Multibanco.
Ou vai engolir o cartão.
Exatamente.
Vão comer é uma boa maneira de passar.
Se bem que agora é tudo contactless. Enfim, não interessa. Eu acho que mais do que este jogo em particular, Guilherme, eu acho que nós enquanto equipa estamos desconcentrados.
Ya.
Não sei o que se passa. Eu, particularmente, tive uma semana de merda, não vou entrar por aí.
Não vale a pena entrarmos em pormenores.
Particularmente, tive uma semana de merda e sinto-me desconcentrada. Porque o meu default é: "Eu não sei, mas eu vou saber". Eu não estou a perceber, mas eu vou perceber e isso está-me a dar pica. Não perceber dá-me pica para perceber.
É exatamente o sentimento que nós temos no Minute Cryptic.
Exatamente. Esta semana, a cena foi: "Eu não estou a perceber. Não consigo sair do 'eu não estou a perceber'".
Ya, estás a correr atrás de um prejuízo e não estás em controlo.
Portanto, eu peço desculpa pela minha prestação esta semana.
Ainda por cima, isto é diário. Foi uma semana de más prestações.
Eu quero pedir desculpa à minha equipa pela minha prestação esta semana. Eu deixei que a minha vida pessoal interferisse.
Afetasse a tua performance em jogo.
Exatamente, a minha performance.
Isso sem dúvida.
E, portanto, eu peço desculpa, até houve dias em que não fizemos sequer.
Pois houve.
Também não deu para dar aquele alento de conseguirmos entender alguns e, portanto, se calhar, o cómputo geral desta semana teria sido mais positivo. Eu peço desculpa à minha equipa. Eu a partir da próxima semana, ou seja, hoje, vou estar mais concentrada.
Sim, senhora.
Tens nada a dizer à tua equipa?
Eu tenho estado...
Fiz uma admissão de culpa.
Eu tenho estado bem. Eu estou dedicado, estou focado nos objetivos.
Mentira.
Eu tenho estado presente todos os dias. Eu não sinto necessidade de pedir desculpa, também é essa.
Não achas que nós, enquanto casal, devíamos todas as semanas olhar para a nossa prestação no casal assim?
Bem, autoavaliação semanal?
Não, mas a gozar. Eu peço desculpa à equipa.
Podemos fazer aqui no podcast.
Não era giro?
Eu acho que isso era giro fazermos aqui no podcast.
Calculei era a gozar, não estou numa de fazer isto a sério.
Não, mas agora vou fazer. Eu, enquanto marido esta semana, sinto que estive bem dentro das minhas possibilidades, porque no turbilhão de merda que foi a semana, eu tentei dar o amparo que consegui, mas é uma posição ingrata, porque não há muitas coisas que eu possa resolver, porque não me diz diretamente nada a mim. Portanto, a única coisa que eu pude fazer foi ser um amparo necessário na medida necessária. Se eu podia ter ido mais longe, se eu podia ter ido menos, foi uma situação atípica e, portanto, eu vou dar a mim próprio, como marido esta semana, um 6,5 em 10. Talvez arredondasse para sete. É a tua avaliação?
Eu concordo com 6,5 em 10.
Agora tu.
Eu sinto que esta semana, enquanto pessoa.
Eu adoro que nós estamos mesmo a fazer uma autoavaliação semanal verdadeira.
O meu papel enquanto pessoa do casal foi relegado para segundo plano, ou seja, eu sinto que deixei muitas coisas da nossa vida de casal de parte, nomeadamente o Minute Cryptic, porque estava desconcentrada, mas na verdade, como tu dizes, foi uma situação tão atípica que também não me dizia particularmente respeito a mim, mas acabou por me afetar a mim.
Claro.
Eu dou um cinco em 10 a mim.
Cinco?
Sim.
Cinco com fraturas.
Mentirosa és tu.
Epa!
Tu dizes que mereces um 6,5, mas eu acho que é cinco.
Esse teu cinco é um 4,5 que arredondou.
Não, é um cinco.
Eu acho que é um 4,5.
Não é. É um cinco porque eu estive sólida dentro do que podia ter estado.
Ok. Então, primeira semana de avaliação e quem é que esteve melhor?
Estiveste melhor porque não tiveste que fazer nada. É esta.
Quem é que esteve melhor?
Tendo em conta o meu cinco, tu podias ter sido um 10.
Não sei.
E vou deixar assim.
Não sei.
Bom, seguinte.
Não sei. Ia fazer uma piada e não posso. Vamos avançar. Primeiro, quem tem estado muito bem são as pessoas que nos ouvem, porque não só os bilhetes continuam, estamos oficialmente a uma semana da estreia. Neste momento.
Não.
Estamos. Porque outubro tem cinco semanas e nós estamos a entrar na semana de...
Não, Zequinha. O que está a passar?
Faz lá as contas, meu amor. Quantas semanas são?
Hoje é dia seis e não é na semana de 13, nem na de 20, é na de 27.
Então é quanto tempo? Três semanas.
Três semanas.
Mais dois dias.
Três semanas e dois dias. Onde é que isso é uma semana?
Uma semana.
Tu disseste: "Estamos oficialmente a uma semana".
Não, estamos a um mês, foi o que eu disse.
Não, tu disseste uma semana, Guilherme. Estás a brincar?
Eu te enganei, deste a minha nota para 6,7. Eu queria dizer um mês e disse uma semana.
Como é que eu dei a tua nota de 6,7? Se tu tinhas 6,5, o que está a passar?
Não, eu tinha um sete, porque era 6,5.
É mais 4,5, Anabela.
Vamos com calma. Vamos focar-nos. Nós não estamos a fazer o Minute Cryptic, está tudo bem. Não só os bilhetes continuam a sair, e bem. Continuam a sair, e bem. Há algumas salas. Eu continuo a achar que nós talvez não iremos esgotar o Sá da Bandeira, como eu disse desde o início, mas está muito perto. Estamos a ir bem.
É assim, é a vida. Pode ser que mais perto as pessoas decidam.
Começamos a pensar em convidados para as datas e há outra coisa muito importante, é que nós já temos três confirmações de Tribunal da Relação. Portanto, vocês podem continuar a enviar para terapiadecasalpodcast@gmail.com as vossas candidaturas para Tribunais da Relação.
Se não sabem do que estamos a falar, ouçam o episódio 287.
Exatamente, porque lá nós explicamos exatamente o que é o Tribunal da Relação, mas é uma coisa em que implica vocês irem a palco conosco no "Terapia de Casal ao Vivo" e um de nós vai ser o advogado de acusação, o outro de defesa, e o nosso convidado dessa data vai ser o juiz e nós vamos resolver uma teima vossa em palco. E vocês propõem-se, porque nós não queremos que ninguém vá a palco contrariado ou desconfortável.
E até tem de haver uma lógica de uma pequenina preparação, nós conhecermo-nos antes, etc. Pronto.
Exatamente. Continuem a comprar bilhetes porque vocês estão muito bem, vocês nunca estiveram tão bem, estão excelentes.
Vocês nunca erraram.
Continuem a propor-se para Tribunal da Relação, que já temos três fechados, o que me deixa muito contente. E agora eu queria falar de coisas positivas desta semana, porque não é todas as semanas que a tua artista favorita lança um álbum.
É verdade.
E nós falamos aqui de como é que ia ser a preparação. Quando eu acordei...
Eu já tinha ouvido duas vezes.
Já tinhas ouvido o álbum duas vezes. E pra mim o mais engraçado foi que tu vieste a correr sentar-te ao meu lado, quando eu já estava a tomar o meu pequeno-almoço e olhaste pra mim com os olhos a iluminar e disseste assim: "Queres ouvir o álbum comigo?" E eu disse assim: "Claro que sim, eu gostava de ouvir o álbum. Tu queres ouvir sozinha, eu não posso ouvir sozinho, tenho que ouvir contigo". E depois, foste uma espécie de tour de museu, porque música a música tu dizias-me assim: "Esta música..." Sabes aqueles TikToks de "o meu marido não consegue ver um filme sem parar o filme e explicar-me"?
Sim, exatamente. Fui eu.
Tu foste isso com o álbum da Taylor. Quer dizer: "Esta música é uma resposta ao Charli XCX, porque se tu reparares, ela diz aqui não sei o quê. Esta música é sobre o Travis, porque ela diz New Heights e não sei o quê."
Sim, mas eu não disse isso assim. Eu nunca quero que este episódio fique sério sobre isto.
Mas eu acho que é um tema excelente, porque eu quero falar disso, de expectativas, de opiniões, porque é uma coisa que eu falo muitas vezes com o Pedro no "Private Joke", e eu acho que é um tema interessante.
Eu estou oficialmente cansada da internet.
Ok, chegou o dia.
Chegou o dia. E chegou e eu não esperava que chegasse, tendo em conta, quer dizer, faria sentido chegar em relação à Taylor Swift.
E porque é um fenómeno como a Marvel ou como o Trump. São coisas que toda a gente tem uma opinião.
Porque eu não amei o álbum, mas gostei.
Eu acho que gostei mais deste do que tu.
Pois, é isso. Não, mas no sentido de, se me perguntarem: "Rita, é o teu álbum favorito da Taylor Swift?" Não, mas também não houve espaço sequer para ser.
Sim, mas e quando sai um álbum tem que ser o favorito?
Exato. É um álbum pop. Já ouvi pessoas a dizer que é o "Midnights" 2.0. Enfim, já vi 1001 coisas das pessoas e é ok nós não amarmos as coisas à primeira. Raros são os álbuns da Taylor Swift que eu ouvi uma primeira vez e disse: "Eu amo isto". Acho que só me aconteceu com o "Folkloric" e o "Evermore". Acho que foi assim. A única vez que eu senti: todas as músicas fazem muito sentido pra mim enquanto pessoa, dizem-me qualquer coisa muito impactante. Concordo com a maioria das pessoas que dizem que o marketing que ela fez para promover o álbum não corresponde àquilo que é o álbum em si.
À sonoridade que ela.
Exatamente. Concordo 100%. Acho que a imagem que ela usou de cabaré, showgirl, etc, não se reflete no álbum. Acho que o marketing que ela fez de ter associado isto a "Reputation" e a "1989", por causa dos produtores com quem colaborou no álbum, não foram boas formas de marketing, porque puseram as expectativas das pessoas lá em cima. Agora, as expectativas das pessoas estavam lá em cima porque as pessoas quiseram.
Era aí que eu queria chegar. Eu quero contar esta história que aconteceu no "Private Joke" comigo e com o Pedro. É outro podcast que eu tenho, é ligeiramente menos ouvido do que este. E o que é que se passa? O Pedro foi ver o novo filme do Paul Thomas Anderson, o "One Battle After Another", com o Leonardo DiCaprio, Benicio del Toro, Sean Penn, etc. O filme está agora no cinema e está toda a gente a falar do filme. E o Pedro disse o seguinte no podcast: "Gostei muito da realização, gostei do guião, acho que os atores estão todos excelentes. Gostei muito do filme. Agora, eu ia com a expectativa que ia ser o meu filme favorito das últimas décadas, porque toda a gente estava a dizer que era como ver o Pulp Fiction outra vez no cinema. Estávamos nesse gênero de canon event. E eu não achei isso". E eu olhei pra ele, fiz uma pausa de dois segundos e disse assim: "Então, só tu é que prejudicaste a tua experiência de veres o filme". E ele disse: "Pois, é verdade. A única coisa negativa aqui fui eu próprio que impus a mim próprio".
Claro.
Na verdade, foi ele que boicotou a sua própria experiência. Mas ele disse: "Por um lado, é um bocado impossível uma pessoa não ser minimamente afetada por expectativa, porque ouve as outras pessoas a falar". E eu concordo 100%. O que eu acho é duas coisas. Primeiro, nós temos que parar de comparar tudo o que nós vamos ver com o que nós já conhecemos desse artista ou com outras coisas.
Sempre.
Nós estamos constantemente a fazer comparações.
Até porque deixa-me dizer-te só uma coisa em relação a essas comparações, porque faz sentido dizer aqui, que é: eu sou fã de Taylor Swift desde o "Speak Now". Há muitos anos. E eu estou habituada a este discurso, que é: eu não acho que nós temos de gostar de tudo aquilo que os nossos artistas favoritos fazem. Não temos. E temos que ser críticos e está ótimo.
Isto não é sobre defender a Taylor, nós estamos a falar de primeiras impressões e de opiniões.
Exatamente. Mas o que eu sinto que acontece sempre com os álbuns da Taylor é: quando ela lançou, por exemplo, o "Red", as pessoas disseram: "O quê? Mas sonoridade pop? Mas ela é country. O que ela está a fazer numa sonoridade pop?" Ela lança o "1989", as pessoas dizem: "Pop, que horror, que cringe, shake it off, haters gonna hate, mas o que é isto? Este videoclipe horrível em que ela nem sabe dançar". Ou seja, todo o discurso dos álbuns é sempre em comparação com o álbum anterior. E isto é especialmente injusto para artistas, não estou a falar só da Taylor, estou a falar de vários artistas. Por exemplo, a mim aconteceu-me recentemente com o Conan Gray, que é um artista musical que eu adoro, e o álbum antes deste último, foi um álbum em que ele tentou ir pra uma sonoridade mais rock dos anos 80. E a minha reação visceral foi: "Tu não és isto. Por que estás a fazer isto? Para.
Que estranho.
Para, volta ao que tu eras". Mas isso é tão errado do nosso ponto de vista, porque ou nós queremos artistas como a Lee Noover e a Frieda McFaden, que escrevem o mesmo livro.
É uma fábrica e é o mesmo livro, só muda. É um bocadinho Stephen King, que é mais ou menos sempre a mesma coisa, sendo que o Stephen King ainda arrisca pelo meio, porque faz dramas e coisas do gênero.
Mas sim, ou nós queremos artistas pastilha elástica, que fazem sempre a mesma coisa, só muda a roupagem Ou nós queremos que os artistas que nós gostamos, sejam eles quais forem, tenham a capacidade de experimentar. E depois, às vezes, essa experimentação pode resultar para nós ou não. Mas eu sinto que somos particularmente injustos para artistas que tentam sempre fazer ligeiramente diferente.
Exatamente.
Ou que não querem ficar, mesmo que não seja ligeiramente diferente, sempre qualquer coisa diferente, que não queira ficar sempre no mesmo registo. E quem é fã Taylor Swift sabe que ela alterna uma coisa mais deep folk torturada, lírica, com pop pastilha elástica. And that's okay.
Exatamente. E voltando à segunda coisa que eu queria dizer, que era: eu acho que nós pomos, e eu disse isto no áudio esta semana e parecia que estava a responder diretamente à pessoa que tinha falado, mas na verdade, eu acho que é geral, não é especificamente da pessoa a quem eu disse isto no áudio. Eu acho que nós estamos a romantizar, enquanto sociedade, primeiras impressões. Eu acho que a cena de amor à primeira vista, "não curti da vibe daquela pessoa". O nosso attention span já afetou a maneira como nós queremos que as coisas nos impressionem imediatamente e colem imediatamente.
100%.
E eu vou voltar outra vez às séries por causa do private joke. Acontece imensas vezes, pessoas que dizem assim: "Vi o primeiro episódio daquela série, não gostei nada". Eu não consigo julgar uma série pelo piloto, pelo primeiro episódio, porque não dá. Não dá para ficar com uma impressão. Tu não consegues perceber um livro pelo primeiro capítulo. Não consegues perceber um álbum pela primeira vez que ouves ou pela primeira música. Há tanto conteúdo. Tu neste momento podes ouvir 700 álbuns novos que saíram esta semana. Podes ver 800 filmes, podes ver 1 milhão de séries e as pessoas se não colam imediatamente, ainda para mais com o jogo todo das expectativas que nós já falamos aqui de "está toda a gente a adorar". Esta frase faz com que metade das pessoas passem instantaneamente a odiar e nem sequer viram. A frase de "está toda a gente a ver" ou "está toda a gente a adorar", faz com que metade das pessoas que vão ver, partam de pé atrás e com vontade de odiar. E eu acho que nós estamos a romantizar primeiras impressões, porque artisticamente nós achamos que temos de colar imediatamente nas coisas e adorar. E por oposição, também há pessoas que independentemente do que estão a ouvir, vão adorar porque sentem necessidade de defender artistas que gostam. E eu acho que está tudo a acontecer a uma velocidade nos media e na cultura com a qual eu não me identifico.
Porque é uma velocidade que é incompatível com a arte e que é incompatível com a tua apreciação da arte.
Imagina nós entrarmos num museu e correres e dares em dois segundos a tua impressão sobre um quadro. Tu entras num quadro e dizes assim: "Merda".
"Feio, não é bonito, comprava, tinha".
Nós estamos a fazer à arte o que as pessoas fazem no Tinder às pessoas que aparecem lá.
100%.
Swipe. Não. Sim. Não. Sim.
Tem gancho, não quero.
Calma. E eu não estou a dizer que era o género, não gostaste do álbum. Não vou falar sempre da Taylor Swift para parecer que estamos a defender a Taylor Swift. Não gostaste do filme do Paul Thomas Anderson, então tens que ver mais três vezes, porque só quando vês três vezes. É possível uma pessoa ter visto e ter dito assim: "Olha, não gostei, não é bem o meu tom, não é bem para mim", não sei o quê. Eu acho é que essa capacidade que nós temos de análise, de formular uma opinião, está a ficar completamente condensada em segundos e análises imediatas.
E de interpretar.
Porque tens que ter a tua opinião o mais depressa possível, porque a internet já está a falar. Se tu na sexta-feira, ao meio-dia, não tivesses uma opinião formada sobre o álbum da Taylor Swift, à noite já não interessa, porque as pessoas já discutiram todas o que é que achavam.
Exatamente.
Malta, imensa calma nessa hora.
Eu cada vez mais acho que é 100% isso, eu sinto isso. Irrita-me a internet por causa disso. Eu já tinha mensagens às 10:00 da manhã: "Então, o que é que achaste do álbum?"
Tu passaste o dia todo a responder a pessoas que disseram assim: "Rita, então e o álbum?" Porque tu és a embaixadora.
Eu percebo, mas bora todos agarrar só uma calma e dar-nos tempo também para nos expormos às coisas. Eu não estou a dizer que o expor é tipo, vou vos obrigar a gostar. Não é nada disso. Não gostam, não gostam, sigam em frente. Há tanta coisa para ver e para ouvir e para falar. E eu própria, quando não gosto de uma coisa, não fico parada ali.
Eu já deixei séries a meio. Desisti, já não está para mim, não consigo.
Claro, não está a funcionar.
Olha, uma que o teu irmão adora e que eu estava a ver com ele e que eu disse na terceira temporada assim: "Pai, não consigo ver mais isto, já não é fixe para mim". E ele: " Olha, eu vou ver o resto".
Pronto, é isso. Eu acho é que nós estamos mesmo numa lógica de não só isso que dizes, de romantizar primeiras impressões. E se não me impressionas, nós somos todos o júri do Ídolos.
Sim.
Se tu com 10 segundos de música não me arrepiaste os braços, então olha, tchauzinho, trabalho é dança e cantei.
Mas é que eu acho que também tem a ver com o imediatismo das redes sociais.
Claro.
As pessoas têm que ter muita pressa para ter uma opinião, porque senão o comboio das opiniões, a tua já não interessa. Eu vejo isso no humor, não nas opiniões, mas nas piadas. Se acontece um evento qualquer, o Charlie Kirk leva um tiro ou a Rita Matias tropeça e dá uma cabeçada num cigano. Não sei. Acontece uma coisa qualquer nas notícias.
Será que tropeçou?
Quase dar uma cabeçada num cigano. Mas acontece uma coisa nas notícias e se tu fores o primeiro a fazer uma piada, por muito medíocre que seja.
Foste o primeiro.
Foste o primeiro a fazer uma piada e essa fica muito mais viral e é muito mais falada e é muito mais partilhada do que se demorares quatro horas a fazer uma excelente piada. A excelente piada que vem quatro horas depois.
Já não vai contar tanto.
Já não conta tanto, porque na internet as coisas funcionam no imediato. E eu acho que vou respeitar mais pessoas que na sexta-feira seguinte ou 15 dias depois dizem assim: "Olhem, estive a pensar e o que eu acho do álbum da Taylor Swift é isto. Não gostei por causa disto, disto e disto. Estive a pensar e acho que é um bocado isto", porque as pessoas que foram a correr para uma opinião, eu acho que até pode ser a opinião final, mas está assim tão fundamentado ou estás a correr atrás do imediatismo da internet?
E deixa-me dizer outra coisa em relação a isso, que era o que eu ia dizer, que é: além disso, tendemos todos a opiniões extremadas Porque o prémio é mais imediato.
Exatamente.
Como tens de ser imediato, ou amas ou odeias. E se calhar, às vezes, é só ok.
É indiferente, é médio.
Ou é bom, ou é fixe. Gostei, mas não amei. Pronto.
Mas da mesma maneira como as coisas se promovem a si próprias, as opiniões é ou amas ou odeias, é a melhor cena dos outros. As pessoas que estão a dizer: "O novo filme do Paul Thomas Anderson mudou o cinema, é como ver o Pulp Fiction no cinema outra vez, é o melhor filme das décadas", é o mesmo hype das pessoas que dizem: "A Taylor Swift está uma merda."
Exato. "Acabou a carreira dela aqui."
É o mesmo nível de tu para ser ouvido, tens que exagerar a tua opinião.
Tens de aumentar o teu som. Tens de aumentar a tua voz.
Tens que exagerar a tua opinião, porque senão não és ouvido.
E deixa-me só dizer uma coisa em relação a isto também, e está provado, vou continuar em Taylor Swift, porque é a realidade que eu conheço melhor. Agora, as pessoas que odiaram o Tortured Poets Department quando ele saiu ano passado e disseram: "Álbum tão mal editado, tem músicas a mais, ela só quer mostrar que sabe escrever, as músicas são todas iguais, que merda", são as pessoas que agora estão a dizer: "Mas o Life of a Showgirl não é nada um Tortured Poets, o Tortured Poets é que era bom". Isto prova uma coisa que é essencial para tu avaliares arte e para tu poderes dizer que o novo filme do Paul Thomas Anderson mudou o cinema, que é tempo. Tu só consegues dizer que uma coisa mudou o cinema, que uma coisa é boa, com comparação e com a passagem do tempo.
Sim.
Tu só consegues dizer que uma coisa é clássica, porque ela é antiga e porque ela moldou um período da história, mas esse período da história tem de passar para tu conseguires olhar para trás e pensar.
Sim, para dizeres uma coisa desse género, claro.
Claro. Mas isto só prova que a apreciação da arte, a apreciação da cultura, do entretenimento, precisa de tempo, de maturação, das pessoas lá estar, não estarem tipo: "Ouvi uma vez, já não quero ouvir mais, porque já não gostei". Ok, se calhar não gostaste mesmo, mas se calhar é do gênero: "Não me puxou, não vou ouvir mais, nem quero saber, nem quero perceber as letras, nem quero perceber o contexto deste álbum" ou "Ouvi o primeiro episódio do piloto, achei seca, já não quero".
Sim, pois. Mas porque também acontece de tu teres tanta coisa para ouvir, há tanta coisa para ver, há tantos filmes que tu podes ir nas plataformas escolher e ver um. Há tantos jogos que tu podes ir jogar.
Tantas playlists no Spotify.
Há tanta coisa que a velocidade a que tu saltas para outra, não gostando desta, tu não deixas amadurecer.
Exato.
Eu acho que é a mesma coisa que está a acontecer, e atenção que isto vem de um cara que está numa relação há uma década, mas eu acho que é a mesma coisa que acontece nas relações. Tu também saltas mais depressa numa relação ao mínimo problema, porque sabes que podes ir para o Tinder e encontrar outra pessoa. Por oposição, não tens que ficar num casamento mau só porque não tens outras opções.
Claro.
Eu acho que as pessoas estão a tornar-se pequenos ditadores romanos que baixam o polegarzinho para cima e para baixo, rápido, para: "Andar. Há outras coisas que eu quero fazer, eu não tenho paciência para esta merda".
Exatamente. Somos todos ditadores romanos.
E também me chateia a cena das comparações. As pessoas estão constantemente a comparar a maneira como o álbum da Taylor Swift foi vendido ou como se está a falar agora do filme do Paul Thomas Anderson com o Pulp Fiction. Para quê?
Ya.
"Este filme ou este livro é uma mistura deste e deste". E pois nunca é.
Eu falo muitas vezes disso no "Livra-te".
Nunca é.
Livros que me desiludem, culpa minha, pela forma como estão marquetizados, que é: "Isto é um Normal People com Daisy Jones & the Six", e depois eu vou ler e não é nada.
Eu li aquele livro de terror que se chama "Diábola" e dizia: "É White Lotus, mas com terror". Eu li a puta do livro, e a única coisa que tem a ver com White Lotus é porque é sobre uma família que vai de férias para Itália. Há uma família americana que aluga uma casa em Itália e vão de férias para uma casa em Itália. Isto é White Lotus? É que estão a impor ali de propósito para chamar a atenção, mas depois tu já tens a referência, depois não cola nada com o que tu leste.
Exatamente.
Para quê?
Eu acho que temos de ser todos consumidores mais lentos, mais ponderados de entretenimento, de arte e de cultura.
E às vezes-
Não é preciso ter uma opinião.
Não é preciso ter uma opinião.
Maldas vezes não é preciso ter uma opinião.
Eu vou dizer esta frase outra vez, que eu gosto desta frase: às vezes não é preciso ter uma opinião. Não tem mal nenhum as pessoas estarem todas a falar do álbum da Taylor Swift e vocês dizerem assim: "Eu já ouvi, eu não sei o que eu acho."
Ou, também tem esta, vê lá o que tu achas. Também é possível ter uma opinião e não estar a partilhar nas redes sociais.
Pois, mas aí perdes o comboio e as pessoas e depois não estás dentro do tema.
Dito isto, boas músicas para dançar, digo-te já.
Olha, isso vou te dizer. Eu estava a ouvir o álbum a primeira vez e estava a bater o pezinho no chão. Também te quer dizer outra coisa sobre música, porque houve pessoas, tu és a representante de Taylor Swift.
Da Taylor Swift Portugal.
Eu sou dos Buraka Som Sistema. Há pessoas que sabem que eu adoro Buraka. O que aconteceu? Eu e os meus irmãos comprámos há uns meses bilhetes para ver My Chemical Romance, porque foi uma banda que nós os três ouvimos e gostamos muito, e vamos a Londres ver para o ano. O que acontece? É na puta da data dos Buraka Som Sistema no Alive.
Eu senti por ti, desculpa.
Portanto, eu que queria voltar a ver Buraka Som Sistema, que até te vou dizer assim, deram, acho eu, o meu concerto favorito da minha vida. Foi no Coliseu e depois no Lux. Eu nunca mais me esqueço dessa noite. Foram dois concertos deles, um de DJ set, o outro normal, e foi das noites em que eu me diverti mais na vida. E tenho muita pena de ter acontecido este double booking de bandas da minha, não vou dizer infância, mas-
Sim, mas nostálgicas para ti
...bandas nostálgicas.
Bandas formativas.
Eu gostava de pedir diretamente aos Buraka Som Sistema para que se divirtam muito no Alive
Que gostem tanto
Que gostem tanto que precisam de dar mais concertos e que percebam que podem fazer muitos milhões com concertos, porque eu quero contribuir para esses milhões. Portanto, Buraka Son System, não se fiquem pelo Alive, porque eu no Alive não vos posso ver, porque vou estar a ver góticos de 40 anos.
Não são góticos, são emos.
Emos de 40 anos que agora escrevem bandas desenhadas, que dão séries medíocres e que vão voltar com as suas bandas que eu ouvia com os meus irmãos, que eu vou ouvir em Londres. Buraka Son System, por favor, não deem só este concerto, deem mais.
Ok, muito bem. Queremos ir a e-mails ou já estamos-
Nós não temos
Não temos tempo para e-mails.
Este episódio foi um episódio de opiniões.
Cagando a seco, maninho. Se eu fosse ouvinte disto, nunca mais ouvia. Nunca mais. Eu ficava mesmo: "Não, Rita e Guilherme, nunca mais. O melhor episódio deles foi na pandemia". Comecei por dizer isto, o melhor episódio do Gui e da Rita foi na pandemia, a partir daí foi só descer. Qual é esta-
O que é esta merda da Rádio Radar e da Blitz, que eles estão para aqui a falar de música e dão opiniões?
Eu sempre soube que estes gajos, desde que são parceiros do Observador, iam dar asneira.
Mas isso é uma opinião ponderada ou isso é uma opinião que estás a dar para ir atrás de um comboio de hate ou de amor?
Não, eu vou começar o comboio de hate ao "Terapia de Casal". Isto já não é o que era. Vocês estão a ouvir isto e vocês vão pagar para ver estes gajos ao vivo? Vocês estão a acabar este episódio e vão ir à Ticketline comprar bilhetes para "Terapia de Casal" ao vivo?
E a mandar para o "Terapia de Casal" podcast os vossos problemas, as vossas questões, para eles responderem no e-mail e para se candidatarem ao tribunal da relação no espetáculo a que vocês vão.
Para carneiros. Até para a semana, porque eu acho que isto ainda assim vai continuar.
Acho que sim. Até para a semana.