Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Olá, bem-vindos a mais um podcast da JLL. O meu nome é Patrícia Barão e eu sou diretora do departamento residencial da JLL em Portugal. E hoje tenho aqui comigo uma pessoa com quem eu também trabalho, que tem mais de 20 anos de experiência de imobiliário, é o Paulo Caiado, o presidente da APEMIP. Olá, Paulo, bem-vindo ao nosso podcast. Muito obrigada por teres aceite o nosso desafio. E começo por te perguntar que balanço é que tu fazes deste teu ano e meio como presidente da APEMIP.
Olá, muito obrigado pelo convite. O balanço é um balanço muito positivo, mas eu diria que mais do que positivo, é um balanço de um projeto extremamente desafiante, em especial pela relevância que o tema imobiliário tem tido de uma forma crescente na nossa sociedade. Hoje em dia, falar de imobiliário e tudo o que está associado ao imobiliário é um tema muito presente e de forma muito transversal na nossa sociedade e portanto, é efetivamente desafiante, sobre múltiplas perspectivas. Há muito por fazer, há muito por conquistar e, portanto, eu diria que o balanço é claro que é positivo, mas ele é acima de tudo desafiante perante as conquistas que temos pela frente.
Nem mais. A APEMIP é uma associação, que no fundo é a associação dos profissionais e das empresas de mediação em Portugal. É a maior associação neste campo e tem, como tu dizes, e bem, uma série de desafios. Na tua opinião, quais é que são as principais bandeiras da APEMIP? Onde é que, para quem nos está a ouvir, a APEMIP vai pôr toda a sua energia agora neste mandato?
Eu diria que temos aqui desafios com características distintas. Um deles, e muito relevante, prende-se com a notoriedade, com o prestígio, com a profissionalização, com tudo aquilo que está intrinsecamente ligado à atividade de mediação imobiliária, com um espaço muito grande para crescer, para profissionalizar, para melhorar. E, portanto, um dos principais objetivos estratégicos da APEMIP, nesse sentido, é o de poder estar mais próximo dos seus associados, de sermos capazes de fazer com que este tema do movimento associativo não seja uma coisa de mera retórica, mas para que possa efetivamente passar pela vida das empresas e para que as empresas de mediação imobiliária possam, de fato, interessar-se pela vida associativa, é crítico que a associação tenha a capacidade de ser a voz, de uma forma geral, daquilo que caracteriza a mediação imobiliária. E nesse sentido, o facto de estarmos numa atividade que é uma atividade de livre acesso, é uma atividade onde para além da estrutura empresarial, depois naquilo que tem a ver com aqueles que colaboram com as empresas de mediação imobiliária, a realidade é que qualquer um o pode fazer, e muito bem, e creio que coabitamos muito bem com isso. No entanto, não vamos ficar à espera de nenhuma legislação que, por via da força da lei, nos dê algum estatuto diferenciado. Temos nós próprios, com as empresas, de ser capazes de encontrar caminhos que vão na direção dessa diferenciação, da profissionalização, da garantia de que qualquer pessoa quando lida com mediação imobiliária, está a lidar com pessoas que estão preparadas, com pessoas que conhecem as práticas adequadas, com pessoas que tiveram preparação, tiveram formação, e com isso possam, por um lado, as pessoas ter muito mais segurança e confiança com os seus interlocutores e aqueles que estão cá na atividade também sintam, de facto, que é necessário estar preparados para poderem ser merecedores desse nível de diferenciação que esperamos e que vamos trabalhar para alcançar. Nesse sentido, um dos principais objetivos que temos passa por implementarmos, neste ano de 2023, uma formação para agentes imobiliários, para mediadores imobiliários, e que esta formação possa conferir uma determinada referência, uma determinada chancela, um determinado símbolo, e que por sua vez esse símbolo possa vir a representar para as pessoas um sinônimo de garantia, um sinônimo de segurança, um sinônimo de confiança de que aquelas pessoas, independentemente do que as diferencia.
As diferentes marcas.
Sejam diferentes modelos. A mediação é caracterizada por grande heterogeneidade, diferentes modelos de negócio com diferentes características, mas que haja aqui uma plataforma transversal de conhecimento, de práticas, de segurança, de confiança, em que seguramente todos teremos a ganhar com isso. E esse é um dos grandes objetivos.
E é, sem dúvida, um objetivo muito importante, porque efetivamente cada marca, cada agência, cada consultora, tem ou não os seus planos de formação, e sendo uma profissão que facilmente se tem acesso Muitas vezes nós sofremos na pele, nós que somos pessoas que temos o cuidado com a ética, com a qualidade do serviço, com o profissionalismo, sofremos na pele, às vezes, a conotação mais negativa que é dada a um consultor imobiliário. E isso é claramente uma bandeira importante que a APEMIP tem e que vai, com certeza, trazer grandes melhorias. Para além deste tema da profissionalização do setor, há também o tema do portal, ou seja, um portal que seja gerido e detido pelos profissionais da mediação. Queres nos contar um pouco sobre isso?
Sim, claro. Nestes últimos anos, em diversos países e em diversos mercados, os portais imobiliários surgiram como plataformas informáticas que são, eu diria, um modelo de negócio um pouco peculiar, na medida em que, por um lado, eles são alimentados essencialmente pela mediação imobiliária, ou seja, é a mediação imobiliária que alimenta estas plataformas com conteúdos de informação que, posteriormente, as mesmas vão revendê-los àqueles que fornecem a informação. Portanto, é um modelo de negócio que nós respeitamos, que nós compreendemos. Ele está associado ao conforto da informação, porque, no fundo, um portal mais não é do que o conforto de num determinado espaço, eu poder ter o conjunto de informações que necessito, em vez de estar no motor de busca a pesquisar informação, como normalmente fazemos, eu possa ter o conforto de, num determinado espaço virtual, eu ter ali congregada, agregada, informação de determinado domínio. A realidade é que quando uma empresa de mediação imobiliária, seja qual for, que angaria um imóvel, que disponibiliza essa informação publicamente, por trás dessa figura de disponibilizar informação, houve um conjunto de recursos que tiveram de ser implementados, como aquele imóvel que teve de ser fotografado. Foi necessário recolher a informação documental sobre aquele imóvel. Foi necessário aferir sobre a fiabilidade daquela informação. Foi necessário identificar qual o valor mais adequado para associar àquela angariação. E portanto, estamos referindo-se a um conjunto de informações que exigem recursos e que custam dinheiro. E portanto, temos aqui uma distorção muito grande no modelo de negócio, em que, por um lado, temos a mediação a investir na preparação desta informação, para seguidamente poder colocar nos portais, e os portais, seguidamente, revenderem à mediação a possibilidade de lá estar. E portanto, com respeito absoluto pelos portais, e pelo seu negócio, a verdade é que, tendo nós conhecimento das particularidades e das características, obviamente, chegou a hora de a APEMIP ser capaz de ter um portal imobiliário dos profissionais, das empresas de mediação, onde está unicamente informação de profissionais de mediação imobiliária e com esse facto, quem acede ao portal ter a segurança, a garantia de que aquela informação é uma informação fiável, é a informação que foi previamente analisada, filtrada, esclarecida para ali poder estar e permitir que, no fundo, as empresas, por um lado, possam agilizar a concretização de negócios, porque o CasaES será um back office, que de alguma forma vem agilizar a partilha de negócio entre empresas de mediação imobiliária, uma prática cada vez mais frequente, cada vez mais comum, das empresas de mediação partilharem entre si, como entendem, 50%, digamos, a figura mais comum de poderem partilhar negócios imobiliários entre si. E portanto, ele vem também agilizar essa parte e simultaneamente darmos aos nossos associados a possibilidade de serem acionistas desta empresa que será o CasaES SA, e portanto, terem também um interesse direto na capitalização deste novo patrimônio digital que esperemos que seja o CasaES.
E este portal CasaES, a ideia é que todas as agências, todas as consultoras detentoras de licença AMI, que sabemos à data de hoje que são mais de 8 mil empresas com licença AMI, possam então colocar os seus imóveis nesta plataforma, certo?
O objetivo estratégico é efetivamente de que o portal CasaES seja o portal da mediação. E que isso signifique que o maior número possível de empresas de mediação esteja presente com as suas soluções no portal CasaES. Que ele seja um portal ao qual qualquer cidadão pode aceder, pode consultar informação, pode interagir com a imobiliária responsável pela informação, mas que, naquilo que tem a ver com a alocação de informação, que ela seja unicamente da mediação imobiliária. E de que, simultaneamente, ele tenha também a particularidade de ser um tipo de representatividade de confiança para as empresas, e isto porque as empresas de mediação, para estarem presentes no CasaES, vão ter de Aceitar subscrever o código de ética da APEMIP, vão ter de aceitar aquilo que será o manual de boas práticas que estará agregado ao KAS, com o objetivo de que as empresas sintam no portal o elo de confiança para, não se conhecendo, poderem interagir numa partilha de negócio, porque o portal é também um agregador de confiança e esse é um dos importantes objetivos que temos.
Muito bem, eu acho que é um desafio incrível e que de alguma forma vai mudar o panorama atual daquilo que são os agregadores e os portais existentes a esta data. Olhando para o nosso mercado da mediação, mais nesta componente residencial, há alguma coisa que te preocupe quando olhas para o futuro? Alguma preocupação que tu tenhas de algum tipo de tecnologia que seja de alguma forma disruptiva e que possa pôr em risco aquilo que é o papel que hoje as mediadoras têm no mercado? Como é que tu olhas para o futuro da mediação? Como é que tu vês isto?
O futuro da mediação não irá, em momento algum, dissociar-se do futuro da nossa sociedade. Aquilo que serão as características da nossa sociedade amanhã, a mediação estará lá ao lado, no que quer que seja que essas características possam representar. Obviamente que, tratando-se de uma atividade que tem sido, ao longo das últimas décadas, caracterizada essencialmente e principalmente pelo relacionamento humano, pela capacidade humana, como o próprio nome diz, mediação no sentido de apaziguar, tranquilizar, fazer com que partes que não se conhecem em algo tão relevante como é uma transação imobiliária, com a importância que tem para a generalidade das famílias, possa ocorrer de uma forma tranquila, de uma forma segura, de uma forma confiante e achamos que o papel das pessoas e o papel humano tem aqui, nesta especificidade que é esta atividade, uma relevância muito grande. Não podemos, no entanto, deixar de olhar aquilo que é o papel da tecnologia nas nossas vidas, aquilo que tem sido e que é neste momento a inteligência artificial a conhecer hábitos, a conhecer práticas, a identificar aspectos das nossas vidas que até aqui estavam entregues ao relacionamento e que hoje começamos a ouvir falar de tecnologia que tem a capacidade de saber qual é o local onde tu gostas de passar férias, qual é a tua marca ou quais são as tuas marcas preferidas, quais são as tuas preferências em múltiplos domínios da tua vida. E começamos a ouvir dizer que a tecnologia o faz muito bem. Eu diria que não se trata de nos colocarmos a competir com a tecnologia, eu diria que trata-se principalmente em assumirmos o nosso papel e assumirmos a relevância que deve ter o papel humano no âmbito da mediação imobiliária. E perceber que temos como nunca que o assumir e que o acarinhar, porque é ele que poderá permitir que por muitos e muitos anos, que as pessoas prefiram falar com outra pessoa igual a elas, e não com qualquer computador, sobre a sua preferência, sobre a sua decisão, sobre a sua escolha. E o que eu espero é que todos sejamos capazes de não nos acomodarmos, mas pelo contrário, de termos a capacidade de utilizar o que a tecnologia tem de bom para nos dar, no domínio da comunicação, no domínio da apresentação, no domínio da exposição, mas não nos resguardarmos dela, termos a capacidade de a utilizar, mas nunca como um resguardo, mas sim como auxílio, onde considero indispensável que o ator principal sejamos nós, e seja cada pessoa na sua relação com as suas pessoas.
Nem mais. Nós já trabalhamos em imobiliário há muitos anos e temos assistido exatamente a algumas inovações que têm acontecido ao longo destes anos e que têm sido ótimas, e que têm permitido o trabalho da consultoria imobiliária realmente evoluir e que nós consigamos prestar cada vez mais um bom serviço, porque é isso, efetivamente, que um mediador faz, é prestar um serviço que seja um serviço que vá ao encontro daquele match que nós queremos todos realizar entre quem tem um imóvel ou um ativo para vender e quem está do outro lado à procura de um ativo com as mesmas características e fazer esta magia acontecer. Para quem nos ouve, há sempre uma pergunta que é: a APEMIP é uma associação, já para esclarecer, é uma associação sem fins lucrativos, é uma associação que vive daquilo que são, no fundo, as cotas dos seus associados e que obviamente depois vai tendo os seus patrocínios para desenvolver algumas atividades, mas é uma associação que está presente no país todo. Isto por quê? Para tentares também aqui desmistificar o tema de que a associação se move ou que faz as suas atividades muito concentradas em Lisboa ou no Porto. Fala-nos um pouco desta nossa associação.
A mediação imobiliária é caracterizada em Portugal por uma heterogeneidade muito grande. As empresas são muito diversificadas. Em Portugal, temos um conjunto de consultoras internacionais Temos modelos de negócio associados às chamadas redes imobiliárias que há uns anos vieram para Portugal. No entanto, aquilo que é o tecido mais representativo do que é mediação, são pequenas empresas que estão espalhadas do norte a sul do país, com uma cobertura geográfica imensa e com estruturas que cada vez mais precisam de ajuda. Não no sentido de que são coitadinhos, ajuda no sentido de suportes, de recursos para serem competitivos. E de facto aquilo que é também muito importante verificar é o interesse dos milhares de pequenas empresas, extremamente motivadas, interessadas em formação, em conhecer práticas, em conhecer suportes, em conhecer recursos tecnológicos. E, portanto, aquilo que a APEMIP procura fazer é ser um elo agregador e transversal, no sentido de disponibilizarmos meios para que a generalidade das empresas, e aqui obviamente que as empresas que estão em situações de maior interiorização naquilo que à geografia diz respeito, possam, de forma alguma ser penalizadas por esse fato, mas pelo contrário, que possam viver a sua plenitude de competitividade empresarial. E um dos papéis da APEMIP é ajudar as empresas, estar disponível para as empresas, para que a sua competitividade, independentemente da sua dimensão, do seu modelo, da sua especificidade, possa estar presente. Aquilo que nós pretendemos enquanto associação é muito simples, é incrivelmente básico, e que é que as boas práticas estejam presentes, que os bons princípios em termos de procedimentos deontológicos estejam presentes, e isso é aquilo que é relevante.
Se tu tivesses aqui uma mensagem para deixar a quem nos ouve e a profissionais do setor, o que é que tu lhes dizias para se tornarem associados da APEMIP? Que apelo é que tu poderias fazer para que estas organizações se juntassem à APEMIP?
Eu diria que o corporativismo é importante e é muito relevante. Eu devo confessar-te que ao longo da minha vida profissional, eu nunca tive grande proximidade com o tema do corporativismo, mas reconheço que ele tem grande relevância. Quanto maior for a proximidade entre as empresas de mediação imobiliária, mais protegido estará globalmente o nosso modelo de negócio. É claro que as empresas são concorrentes, é claro que as empresas concorrem entre si, é claro que concorremos pelos mesmos clientes. No entanto, esta atividade tem também a particularidade de percebermos que temos cada vez mais, em determinados momentos, ser parceiros, de partilhar negócios, de estarmos próximos, de nos sentirmos confiantes em fazê-lo. E, portanto, se por um lado competimos naquilo que deve ser uma salutar competitividade comercial, temos que ter a capacidade de perceber que existe um conjunto de aspetos que são transversais e que não têm nada a ver com competitividade, têm a ver com o interesse comum de qualquer empresa de mediação. E para que esse interesse comum se possa materializar em resultados de facto, o corporativismo é indispensável. E quanto mais concentrado, unificado ele estiver, maior é a sua voz, mais forte é a sua voz. Necessário será que a sua voz consiga simultaneamente ser o mais representativo possível do todo e não a minha, a tua ou de quem quer que seja.
Muito bem. Muito obrigada, Paulo Caiado, por esta entrevista, este momento. Muito obrigada também a quem nos esteve a assistir e quem nos ouviu. Eu espero que tenham ficado com uma ideia muito clara daquilo que são os objetivos e a missão da APEMIP. Muito obrigada e até à próxima, ao próximo podcast da JLial.