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Num dia de muito calor, parece não haver dúvidas. Chegamos a casa, abrimos o chuveiro e a vontade é tomar um banho bem gelado, mas será que essa é mesmo a melhor forma de arrefecer o corpo, doutora Vanessa Mendes? Bom dia.
Mania.
Afinal, um banho de água muito fria pode fazer-nos sentir ainda mais calor pouco tempo depois?
Surpreendentemente, pode. É um excelente exemplo de que, em medicina, aquilo que parece mais lógico nem sempre corresponde ao que acontece efetivamente. Parece contraditório, mas um banho d'água muito fria desencadeia uma resposta de defesa do nosso organismo, porque quando a pele é exposta a uma temperatura muito baixa, acaba por acontecer vasoconstrição, ou seja, os vasos sanguíneos da pele contraem-se. E como consequência, chega menos sangue à superfície corporal e diminui temporariamente a libertação de calor para o exterior. Por isso, apesar da sensação inicial de frescura, pouco tempo depois podemos voltar a sentir muito calor.
Então devemos evitar tomar um banho bem frio?
Não necessariamente. Um banho fresco pode ser muito agradável e aliviar o desconforto. O problema é quando a água está demasiado fria. Criando aqui um contraste muito grande com a nossa temperatura corporal. E nessa situação, o organismo tenta conservar o calor em vez de o perder. Por isso, para arrefecer o corpo de forma mais eficaz, o ideal é mesmo um banho com água tépida ou moderadamente fresca e não extremamente gelada.
E além desta sensação de calor de que falávamos, há outros riscos?
Podem existir, sobretudo em pessoas mais vulneráveis. O contacto súbito com água muito fria pode provocar um aumento transitório da pressão arterial e mesmo da frequência cardíaca. Por exemplo, em pessoas com doenças cardiovasculares, hipertensão não controlada ou nos idosos, esta resposta pode representar um esforço adicional para o coração. E é por isso que recomendamos evitar mudanças muito bruscas de temperatura.
Então qual é a melhor estratégia para aliviar o calor?
A abordagem mais eficaz passa por combinar várias medidas. Já falámos aqui várias vezes: manter uma boa hidratação, permanecer em locais frescos ou climatizados, utilizar roupa leve e de cores claras, evitar a exposição solar nas horas de maior calor e se optar por tomar banho, preferir água tépida ou moderadamente fresca, evitando as temperaturas muito extremas. O objetivo é ajudar o organismo a dissipar o calor e não obrigá-lo a desencadear mecanismos de defesa.
E de compensação. Portanto, quando falamos de combater o calor, doutora Vanessa, mais frio nem sempre significa melhor.
É isso mesmo. O nosso organismo regula a temperatura corporal de forma muito eficiente, mas funciona melhor quando não é sujeito a estas mudanças muito bruscas de temperatura. E um banho excessivamente frio pode efetivamente proporcionar uma sensação imediata de frescura, mas não é necessariamente a forma mais eficaz de ajudar o nosso corpo a dissipar o calor. Portanto, em dias de muito calor, o mais aconselhável é efetivamente optar por um banho com água tépida, fresca, manter uma boa hidratação, como já disse, evitar a exposição prolongada às temperaturas mais elevadas, porque a verdade é que no verão, refrescar o corpo não significa submetê-lo a um choque térmico, mas sim ajudá-lo a regular a sua temperatura da forma mais natural e eficiente possível.
Foi mais um Tratado da Saúde, sempre com a doutora Vanessa Mendes, que está de regresso na segunda-feira. Até lá, bom fim de semana.
Obrigada, igualmente.