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Anda mais cansado do que é habitual, tem dores de cabeça frequentes, dificuldade em concentrar-se ou sente-se mais embaixo sem perceber bem o porquê? A maioria de nós culpa o estresse, o excesso de trabalho ou as poucas horas de sono, mas será que em alguns casos o organismo está simplesmente a dizer-nos que lhe falta algum nutriente essencial? Dra. Vanessa Mendes, bom dia. Bem-vinda.

Bom dia. Obrigada.

Será que algum destes sintomas podem esconder défices nutricionais?

Sim, pode acontecer. O nosso organismo comunica conosco através de sintomas e por vezes um cansaço persistente, alterações do humor ou até dores de cabeça podem refletir défices de vitaminas ou minerais essenciais. Naturalmente, estes sintomas têm muitas outras causas e não devem ser automaticamente atribuídos a carências nutricionais, mas quando persistem, merecem efetivamente uma avaliação clínica.

Comecemos pelo cansaço, que já aqui falámos e que é uma das queixas mais frequentes nas consultas, não é, doutora?

É verdade. Nem sempre o cansaço resulta apenas do excesso de trabalho ou dormir poucas horas. Por exemplo, um déficit de ferro, sobretudo quando existe diminuição das reservas de ferritina, pode comprometer o transporte de oxigênio para os tecidos, provocando cansaço, menor tolerância ao esforço e até redução da capacidade física. Também, por exemplo, o déficit de vitamina D pode associar-se à fadiga e este cansaço, a dores musculares e diminuição também da força muscular em algumas pessoas.

E aquela sensação de falta de energia mental, dificuldade em concentrar-se ou até algum desânimo?

Que é tão comum. E que também merece a nossa atenção. Nem toda a tristeza corresponde a uma depressão. E em algumas situações, por exemplo, um déficit de vitamina B12, pode comprometer o funcionamento do sistema nervoso. Pode manifestar-se por dificuldade de concentração, alterações da memória, irritabilidade, sensação de menor clareza mental e até desânimo. São sintomas muito inespecíficos, mas que fazem parte das manifestações clínicas deste déficit.

E as dores de cabeça ou um sono pouco reparador também podem estar relacionados com isto?

Podem, embora nem sempre seja essa a causa. Por exemplo, o magnésio desempenha um papel importante na função neuromuscular e no funcionamento do nosso sistema nervoso. E em pessoas com déficit, pode existir maior predisposição para tensão muscular, alterações do sono e, em alguns casos, cefaleias, até dores de cabeça, particularmente em pessoas com enxaqueca. Mas importa reforçar que as dores de cabeça têm múltiplas causas e devem ser avaliadas no seu contexto clínico.

E perante estes sintomas, doutora, faz sentido começar logo a tomar suplementos?

Não, de todo. Tal como já dissemos aqui várias vezes, a suplementação não deve ser iniciada apenas porque temos um sintoma. O primeiro passo é perceber a sua causa. Nem todo o cansaço resulta de falta de ferro, nem toda a tristeza significa déficit de vitamina B12 e nem todas as dores de cabeça melhoram com magnésio.

Verdade.

E é por isso que a decisão de suplementar deve ser sempre individualizada e idealmente baseada numa avaliação médica e, quando indicado, em exames laboratoriais.

Portanto, doutora, como tantas vezes já aqui falámos, quando o corpo insiste em dar sinais, é melhor parar e ouvir.

Sem dúvida alguma.

Ouvir o que ele diz.

O cansaço persistente, as alterações do humor e as dores de cabeça não devem ser automaticamente atribuídos ao estresse, à idade ou até ao nosso ritmo de vida. Podem ter muitas explicações e algumas são simples de identificar e até de tratar. A mensagem mais importante é esta: não devemos tomar suplementos apenas porque ouvimos falar deles ou porque alguém lhe disse que resultaram. Perceber a origem dos sintomas é sempre o primeiro passo para escolher o tratamento certo, porque na medicina não tratamos apenas análises ou défices nutricionais, tratamos sempre pessoas.

Sempre pessoas. Foi mais um Tratado da Saúde com a doutora Vanessa Mendes. Doutora, até amanhã.

Até amanhã. Obrigada.