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"Tratar da Saúde" com a doutora Vanessa Mendes, diretora clínica dos Centros de Saúde CUF. Doutora, bom dia.
Bom dia.
No fim de semana muda a hora, os relógios atrasam uma hora, dormimos menos, acordamos mais cedo e de repente parece que o corpo fica completamente desregulado. Doutora Vanessa, por que uma simples mudança de horário mexe tanto conosco?
É verdade. O nosso corpo funciona como um relógio biológico interno, chamado ritmo circadiano. Esse ritmo regula funções essenciais como o sono, a energia, a temperatura corporal e até mesmo a produção de hormonas. Está muito também dependente da luz, sobretudo da luz natural.
Então o que acontece quando muda a hora?
Na prática, estamos a forçar o corpo a adaptar-se a um novo horário de forma abrupta.
Sim.
E no caso da mudança para o horário de verão, perdemos uma hora de sono e isso pode causar um verdadeiro mini jet lag.
E isso explica aquele cansaço que muitas pessoas sentem, não é?
Sim. A verdade é que nos dias seguintes é comum surgir, por exemplo, dificuldade em adormecer, um cansaço ao acordar, menor concentração, até alguma irritabilidade e também uma sensação de quebra de energia ao longo do dia. Sendo que em algumas pessoas este impacto pode durar até vários dias.
E há pessoas mais sensíveis do que outras a esta mudança?
Sim, existem. Por exemplo, pessoas com rotinas mais exigentes, pessoas que já tenham distúrbios do sono e também, por exemplo, as crianças e os idosos são grupos que sentem mais estas mudanças.
Então e o que se pode fazer para minimizar este impacto?
Há, efetivamente, algumas estratégias simples mas que são muito eficazes. Nomeadamente, ajustar gradualmente a hora que nos deitamos nos dias anteriores.
Isso é que íamos falar sobre. Sobre este tema hoje.
Exatamente, para termos tempo para nos prepararmos. Depois também garantir exposição à luz natural de manhã, por causa da parte do controle do cortisol, melatonina, etc. Evitar ecrãs e luz intensa à noite, manter horários regulares de sono e também evitar, por exemplo, refeições muito pesadas ou estimulantes à noite.
Claro que sim.
São pequenos ajustes, mas que ajudam o nosso corpo a adaptar-se de forma mais natural.
Ou seja, não é só uma hora.
Não.
Não devemos olhar para isto como: "É só uma hora".
Não, de todo. É efetivamente uma alteração do nosso ritmo biológico e o nosso corpo precisa de tempo para se reajustar. A melhor forma de se adaptar a esta mudança é, sem dúvida, respeitar o sono, mantendo as rotinas, dar sinais consistentes ao organismo e permitir esta adaptação gradual. Porque dormir, a verdade é que não é um luxo. É uma necessidade biológica e uma base essencial para a nossa saúde.
Mesmo. Foi mais um "Tratar da Saúde". Regressamos amanhã, à mesma hora, e contamos consigo, doutora Vanessa. Até amanhã.
Até amanhã. Obrigada.