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"Tratar da Saúde" é o novo programa da Rádio Observador. Eu sou a Maria João Simões, comigo está a doutora Vanessa Mendes, diretora clínica dos Centros de Saúde CUF. Bom dia, doutora.

Bom dia.

Neste Dia Mundial da Obesidade, dedicamo-nos a uma das perguntas mais feitas nos últimos tempos: "Tenho 5 kg a mais, posso tomar Ozempic?" A resposta, doutora, é assim tão simples?

Não é simples e é importante esclarecer. Em Portugal, o Ozempic, que é o nome comercial do semaglutido, um medicamento indicado e comparticipado para o tratamento da diabetes tipo 2, em contextos muito específicos, nomeadamente quando existe obesidade ou risco cardiovascular elevado. Pertence a uma classe chamada agonista do recetor da GLP-1, que atua no controle da glicemia, no apetite e na saciedade. Ou seja, a indicação oficial do Ozempic é para a diabetes, não para a perda de peso isolada.

Mas então por que toda a gente fala nele para emagrecer?

É verdade. Porque o semaglutido também está aprovado para tratamento da obesidade, mas em doses mais elevadas e aqui sem comparticipação. Ou seja, estamos a falar da mesma molécula, mas com indicações e doses diferentes.

Doutora, importa então explicar quem é que pode usar estes medicamentos para emagrecer.

As recomendações são claras e definem aqui alguns critérios, nomeadamente o índice de massa corporal igual ou superior a 30, ou então o índice de massa corporal igual ou superior a 27, mas em pessoas que apresentem outras comorbidades, nomeadamente hipertensão, diabetes, como já falámos, colesterol elevado, apneia do sono. Não estão, por isso, indicados para quem tem apenas alguns quilos acima do desejado por razões estéticas.

Que conselhos tem para quem procura aquelas soluções fáceis, rápidas, milagrosas e que pensa que os efeitos secundários são só em caso de muito azar, só acontece aos outros?

Certo. A verdade é que não existem soluções milagrosas. Isso todos sabemos. E estes são medicamentos que efetivamente são muito eficazes na perda de peso. Contudo, e como todos os fármacos, podem ter efeitos secundários. Neste caso, os efeitos gastrointestinais, que são muito comuns. E por isso exigem um acompanhamento clínico multidisciplinar estruturado, onde se podem incluir, por exemplo, médicos, nutricionistas, psicólogos e até fisiologistas do exercício.

Portanto, doutora, voltando à pergunta inicial, se alguém disser: "Tenho 5 kg a mais, posso tomar Ozempic?" A resposta é um redondo não.

A resposta é provavelmente não. Se existir obesidade com critérios clínicos definidos, pode fazer sentido iniciar este tipo de fármacos. Se falamos de poucos quilos, a medicação não é provavelmente a primeira opção e há que efetivamente fazer mudanças no estilo de vida.

Isto é tema, com certeza, para outros episódios.

É verdade.

Obrigada pelos esclarecimentos. Também pode fazer parte do nosso programa. Envie-nos as suas dúvidas por e-mail para tratardasaúde@observador.pt ou então por WhatsApp 910024185.