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Está no ar o Três Toques com notícias do desporto e também com essa pergunta do dia. Perguntou Bruno Vieira Amaral: quem é o melhor marcador da história da seleção do Brasil? Há palpites?

Pelé.

Diria Pelé.

Pelé, todos.

Acho que sim.

Ninguém tem outra hipótese.

Sei lá. Ronaldo.

Ronaldo. Um Ronaldo.

Um Ronaldo.

Em tempos só havia um Sócrates lá.

Havia um Sócrates.

Era mais meio-campo, não era?

Era.

Sócrates era meio-campista.

Era ala-esquerda, tens razão.

Eu sei que tu estás a perceber o losango do jogo.

Pronto, então Pelé. Para vocês é o Pelé.

Para mim é o Pelé, mas vamos ter a resposta no final deste Três Toques.

Já sei que não é o Pelé, depois desta conversa do Bruno.

Bruno, estamos a falar de abandonos, de reformas. Há mais uma reforma antecipada no desporto.

É verdade. E como diz o povo: "Reforma antecipada, reforma abençoada". Não é o que o povo diz?

O povo diz isso?

Não diz? Devia dizer. Se dissesse, diria bem. Esta aqui é mesmo abençoada.

Deixa eu acrescentar.

Esta aqui é muito abençoada, porque acontece por motivos religiosos. Não é a primeira. Lembram-se de falarmos daquele jogador da NBA que desistiu do basquetebol para ser pastor evangélico? Foi aqui há umas semanas. Um jogador ainda muito jovem e que se questionou muito por que ele estava a abandonar. Falou-se até, possivelmente, de problemas de saúde mental, mas não, ele enveredou por outra carreira, uma carreira religiosa. Este caso agora é diferente, mas tem algumas semelhanças. Silvan Wallner, um internacional suíço de futebol sub-21, que jogava no clube austríaco Blau-Weiss Linz, anunciou que vai abandonar o futebol por não querer jogar aos sábados. O jogador de 22 anos disse que é um cristão devoto e lê a Bíblia, quer seguir Jesus Cristo e o dia de descanso, que segundo a Bíblia é o sábado, é muito importante para ele. Como não pode jogar aos sábados e aos sábados, já sabemos, joga-se muito, as jornadas disputam-se ao fim de semana, normalmente, Wallner não esteve com meias medidas e decidiu pôr um ponto final na carreira. Olhe, eu diria, e fez muito bem, se está de acordo com a consciência dele.

Sem dúvida, uma opção esclarecida.

É abençoada.

É abençoada. E felicidades para o Wallner e para a sua nova carreira, qualquer que ela seja.

Claro, e fez muito bem, disseste tu. Outros dirão que é um desperdício. Não sei se ele era assim tão talentoso. Mas o maior desperdício da história do futebol está longe de ser este.

Não é. Segundo o antigo jogador brasileiro, Adriano, o avançado que jogou, por exemplo, no Inter de Milão.

O Imperador.

O Imperador.

Conhecido como o Imperador.

É verdade. O maior desperdício da história do futebol é ele próprio. Foi ele que disse, não fui eu.

Diz muito sobre ele.

Diz, e também desta capacidade de olhar para trás, e apesar de ainda estar ali a viver alguma turbulência, de olhar para trás e perceber que, de facto, tinha muito talento e que não soube aproveitar. Ele disse isto num artigo publicado no Players Tribune, em que o chamado Imperador fez um balanço da carreira, que ficou muito aquém do que poderia ter sido, e ele identificou a morte do pai, que foi assassinado em 2004, como a raiz da maior parte dos seus problemas. Contou como mesmo hoje passa os dias a beber, um hábito que já tinha quando jogava. Ele conta esta história também, no primeiro Natal que ele passou em Itália sozinho, diz que falou ao telefone com a mãe e no final bebeu uma garrafa de vodca inteira depois de chorar muito. Ou seja, havia aqui algumas fragilidades emocionais que impediram depois que ele em campo tivesse o rendimento à altura do seu talento. Ele teve problemas de dependências, teve problemas de saúde mental e nem mesmo com a ajuda de presidentes de clubes e treinadores como José Mourinho, foi possível regressar à forma que o catapultou para a fama e que dava a entender que estaria ali um possível futuro melhor jogador do mundo. Afinal, como o próprio diz, aquilo que acabou por acontecer é que ele se transformou naquelas histórias exemplares, no mau sentido, o que não fazer para não chegar às coisas do futebol.

O que nós vemos do Adriano é que ele se sente bem também naquele ambiente de favela. Ele gosta de viver no bairro, no Brasil.

E ele conta também uma história interessante de quando ainda jogava, que a dada altura ele voltou ao Brasil durante um período de férias e escondeu-se na favela. E até falavam, diziam que ele poderia ter sido raptado, as autoridades estavam à procura dele. E ele disse que não, foi ele que se escondeu na favela. E ele disse: "Bem, ali não havia hipótese, porque ninguém me iria denunciar". Não havia hipótese de alguém na favela o denunciar.

Há uma foto espectacular dele numa casa tipicamente de favela, com muitos troféus, taças e prêmios que ganhou ao longo da vida, mas a janela atrás é a vista da favela, ele está na favela.

E é ali que ele se sente bem. A verdade é essa e isso explica muito do que foi o percurso dele no futebol.

Por falar em sentir-se bem, a vida corre lindamente a Bruno Fernandes.

A Bruno Fernandes, as coisas estão quase no oposto de Adriano. Talvez seja a chegada de Rúben Amorim a Inglaterra, vai ser orientado por um treinador português. Ontem dissemos aqui que Bruno Fernandes é o jogador português com melhor taxa de conversão de grandes penalidades. O site Mais Futebol revelou que na jornada de 8 a 11 de novembro, o médio do Manchester United foi o melhor jogador português a atuar no estrangeiro. E como se tudo isso não bastasse, agora, até fora de serviço, o homem é um herói. Por quê? Porque num voo entre Manchester e Lisboa, ajudou um passageiro que se sentiu mal. Segurou o senhor que parecia estar a desmaiar, chamou a tripulação e depois ficou junto do passageiro até ele se recompor e no final ainda tirou uma selfie com outros passageiros que lhe pediram. Reconheceram-no e defenderam, disseram que ele não fez nada para se destacar, para usar a sua fama e que foi muito simpático. Eu diria que só lhe faltou mesmo pilotar o avião para ser uma semana perfeita.

Como não era o plano.

A segurar, imagina que dava qualquer coisa ao piloto, aos dois, e chamavam o Bruno Fernandes. Eu acredito que ele neste momento, eu acho que sim.

Em segurança.

Vamos lá à pergunta do dia: quem é, afinal, o melhor marcador da história da seleção do Brasil? Não é Pelé? Vais dizer que não é Pelé.

Não é o Pelé e também não é o Adriano. Marcou alguns gols, mas não foi o suficiente para chegar ao topo da lista. No topo da lista está Neymar Júnior.

A sério? Mas ele está sempre lesionado.

Está sempre lesionado.

Mas é o marcador.

Com 79 gols, mais dois do que Pelé. Pelé foi ultrapassado e agora está no topo da lista. Adriano, eu por acaso não confirmei, mas ainda marcou alguns gols. Lembro-me de uma Taça das Confederações, em que ele brilhou por aí em 2005, portanto, antes do mundial de 2006, em que ele brilhou a grande altura.

Muito bem, está feito o Três Toques com o Bruno Vieira Amaral. As notícias do desporto sempre no Jornal das oito.