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Vamos começar com uma notícia de última hora. Foi conhecida há poucos minutos, a morte de Franco Baresi, lenda do AC Milan e da seleção italiana. Morreu aos 66 anos. Aquele que foi talvez o maior ou um dos maiores símbolos da equipe milanesa, a par de Paolo Maldini. Aliás, Franco Baresi só fica atrás de Paolo Maldini no número de jogos disputados pelo Milan: 902 para Paolo Maldini e 719 para Franco Baresi. Foi jogador do Milan durante 20 anos, entre 1977 e 1997, quando se retirou. Não jogou por outro clube, portanto vestiu duas camisolas, a do Milan e a da seleção italiana. Na seleção italiana tem uma história agridoce. Ele foi convocado para o Mundial de 1982 por Enzo Bearzot, que era o selecionador. Tinha 22 anos na altura, Baresi. Não jogou nenhum jogo, mas como fazia parte da equipe, foi campeão do mundo em 1982. Em 1986, Enzo Bearzot não o convocou para o mundial, porque achava que ele tinha mais características que se destacavam mais no seu papel de médio. Jogou sim no Mundial de 1990, em Itália, em casa, em que chegou às meias-finais, onde a Itália foi eliminada pela Argentina nos pênaltis, e voltou a ser convocado e a ser titular e capitão da seleção em 1994, no Mundial dos Estados Unidos, apesar de ter tido logo uma lesão no início e ter ficado afastado praticamente até ao último jogo, a final, onde jogou. Foi o empate.

O Baggio a falhar o pênalti.

E o Baresi também. O Baggio falha o último pênalti.

O decisivo.

O decisivo, mas Baresi tinha falhado o pênalti.

Lembramo-nos sempre só do Baggio.

Do Baggio.

É injusto para ele.

Porque foi aquele que decidiu, ditou o resultado e a vitória.

Sabes que quando vejo o Franco Baresi, tem muitas parecenças físicas com o Jaime Magalhães.

Com o Jaime Magalhães. Fisionômicas.

Fisionomia, meio-campo, são muito parecidos.

Ele que era muito comparado a Franz Beckenbauer. Aliás, diziam que uma das alcunhas era o Kaiser Franz para o Franco Baresi. O Kaiser era, claro, Franz Beckenbauer, mas também lhe chamavam o Pequenino, por ser um jogador para central, não ser assim tão alto, mas ele compensava isso, de facto, com outras qualidades, a capacidade de sair a jogar, a capacidade também de organizar, de coordenar a linha defensiva do Milan, que era muito importante na época do Arrigo Sacchi, treinador com o qual o Milan ganhou duas Taças dos Campeões Europeus. E dizia-se uma coisa sobre o Baresi, que também se dizia sobre o Humberto Coelho no Benfica, que era ele que levantava o braço para assinalar o fora de jogo, para dar a indicação.

O árbitro respeitava.

Respeitava a opinião do Baresi.

Era o VAR da altura.

Era mais ou menos o VAR.

Era o Varesi da altura.

Era exatamente o Varesi. Estás muito forte.

É o único contributo que eu consigo dar.

É muito válido.

Eu não sei, presumo, não vi. Se quiserem falar do Marco Baldini, também. Ele terá morrido de doença, porque ontem chegou a circular notícias da morte de Baresi, que depois foram desmentidas. Há até uma publicação do Matteo Salvini num elogio fúnebre manifestamente exagerado, porque o Baresi acho que só morreria hoje ou nas últimas horas.

Foi confirmado. Sim, ele tinha um cancro.

Sim.

Tinha um cancro do pulmão e tinha sido operado, creio que já este ano. E então não terá sido uma surpresa esta morte de Baresi, que, lembremos, ganhou uma Taça dos Campeões ao Benfica em 1990. Era capitão.

Quem não? Quem é que não ganhou uma competição contra o Benfica?

Vários clubes ganharam. O Milan ganhou duas vezes.

Que desagradável. Que desagradável, não foi?

Foi um dos maiores feitos da carreira do Baresi.

Posso ser mais desagradável só um pouquinho. Eu costumava às vezes ir a um restaurante que tem muitos galhardetes. Aquelas bandeirinhas que os jogadores trocam no início de jogo e tem umas quantas que são de finais do Benfica.

São várias.

São várias e nenhuma é ganha pelo Benfica.

Só da Taça dos Campeões são cinco. E duas contra o Milan, precisamente. Uma contra o Milan de Baresi. Baresi que foi três vezes campeão da Europa, em 1989 contra o Steaua, em 1990 contra o Benfica nessa final em Viena e em 1994, na célebre final contra o Barcelona, que o Milan ganhou 4 x 0 e em que o Baresi não participou por estar suspenso. Tinha visto um cartão amarelo nas meias-finais contra o Mônaco em 1994 e então não disputou essa final. Tem essa curiosidade nesse ano, ter chegado a duas finais, conseguiu disputar a do Campeonato do Mundo, mas perdeu aquela que o seu clube ganhou, ele não disputou porque estava suspenso. Então fica esta memória de Franco Baresi Um dos jogadores mais míticos do futebol italiano e do Milan, em particular. O número 6 que ele utilizava foi retirado. Há dois números retirados do Milan, o 3, que foi de Cesare e de Paolo Maldini, e o de Franco Baresi, o 6. E fica aqui também a nossa homenagem a este extraordinário jogador que ajudou a revolucionar o futebol com Arrigo Sacchi, o treinador, e também a posição de libero, que já vinha de Franz Beckenbauer. Mas se associamos alguém ao papel de libero, é também a Franco Baresi. Vamos falar de competições europeias. Benfica e Braga.

Correu bem para as equipas portuguesas.

Ótimo.

Benfica vai encontrar o Hearts.

Hearts, de Cláudio Braga, na próxima semana. É já na próxima semana. E o Braga também continua no acesso à Liga Conferência, à fase de grupos da Liga Conferência, e eliminou o Željezničar.

Carla Jorge Carvalho diz brilhantemente o nome, eu não consigo.

Deve dizer com sotaque sérvio.

É, sérvio de baixo.

Mas agora tens um mais fácil, que é o Dinamo de Minsk, o clube bielorrusso que o Braga vai enfrentar na terceira pré-eliminatória da competição.

Quando se fala do Hearts, desculpa fugir um pouquinho o assunto, lembra-me sempre aquela cena do "Succession" em que o filho tenta comprar um clube para oferecer ao pai, porque ele é escocês. "Eu vou comprar um clube na Escócia para te oferecer", e compra-lhe o Hearts, e o pai diz: "Não, mas eu sou do Hibernian, por que compraste o Hearts?" Conhecia tão bem o pai que nem sabia o clube de qual era adepto.

Isso é uma piada muito escocesa e que reflete mesmo a origem da personagem. Mas pronto, correu ontem muito bem, 5 x 0, o Benfica, contra o St. Gallen.

E com boas exibições. O jogador polaco que vinha sendo criticado jogou bem, faz ali umas tabelinhas.

Começou um bocado mal.

Não está convencido ainda.

Na primeira parte, a equipa também não jogou assim tão bem.

O Kandinski.

O Kaminski, o Kandinski. Depois, sim, teve uns lances, incluindo uma assistência.

Mostrando mais de "physicality".

Mas houve uns lances na primeira parte.

O Langlet também marca um bom gol.

Um bom gol, que é para isso que ele foi contratado, como central, é para marcar gols. Enfim, correu bem, o Braga ganhou 4 x 0, já tinha ganhado 1 x 0 na primeira mão, e assim as duas equipas avançam neste trajeto, neste caminho tortuoso até às fases de grupos.

Despedida de António Silva.

E despedida de António Silva, que irá para o Bournemouth, em princípio. O treinador do Benfica.

Um pouco injustiçado, António Silva, no Benfica. E a imprensa.

É esta coisa curiosa com os jogadores da formação, que os adeptos gostam muito deles, mas também eu acho que são muito mais exigentes com eles quando não brilham logo, quando não se destacam logo.

Eu vi o Otamendi a meter grandes casas naquela época, mas quando era António Silva, a imprensa caía-lhe sempre muito mais em cima.

Eu acho que há aí uma questão de uma exigência maior em relação aos jogadores da formação.

Aliás, exatamente lá no novo clube, voltou a dar uma grande casa.

Não, e também aconteceu no Benfica, aliás, logo nos primeiros tempos, o Otamendi com vários erros, mas há, de fato, aqui uma exigência especial. É verdade que também há uma preferência e um afeto especiais pelos jogadores vindos da formação, mas quando as coisas não correm muito bem, parece que há uma cobrança maior em relação a esses jogadores. Ontem até fez uma grande exibição, despedindo-se e mostrando que o Benfica vai ficar a precisar de mais jogadores para a posição de central. Por último, deixem-me ir só aqui a uma notícia de um clube peruano que estava com dificuldades financeiras, o Deportivo Municipal, e como é que arranjou aqui maneira de resolver este problema, e fica aqui uma dica, uma sugestão para clubes que enfrentem dificuldades financeiras. Então este clube pretende subir de escalão. O Deportivo Municipal está neste momento no terceiro escalão do futebol peruano, e então para ajudar o clube, as finanças, lançou uma campanha dos mil patrocinadores do Muni, como é conhecido de municipal. Mil patrocinadores, mas são mil patrocinadores na camisola.

Ficam os quadradinhos. Fui ver a fotografia, é incrível.

Eles conseguiram arranjar espaço.

Não tem leitura nenhuma.

Isso agora com uma lupa. Tens que comprar e ficar obsesso.

Fazes com os dois dedos, aumentas a camisola e pronto.

Bem, e apesar destes mil novos quadradinhos, o clube conseguiu manter alguns dos elementos originais.

Eu acho que eles vão fazer mais dinheiro a vender esta camisola.

Para todo o mundo.

Do que propriamente com os patrocinadores.

Lembra-se daqui a uns anos, e por falar em quadradinhos, da camisola do Boavista, que ficou muito famosa.

Eram os quadradinhos, não era?

Exatamente. Brilhou nas competições europeias e em Itália achavam muita piada à camisola do Boavista. E isso também ajudou que o clube alcançasse aqui uma projeção mundial.

Infelizmente não foi suficiente para o salvar.

Não foi. Poderia ter, se tivesse seguido aqui o exemplo do Deportivo Municipal, poderia ter conseguido pelo menos aguentar mais uns tempos. Eu acredito que o Boavista ainda vai regressar aqui numa outra encarnação e provavelmente com uma camisola, não com os quadradinhos do Boavista, mas com os mil quadradinhos para novos patrocinadores do clube. Fica aqui a sugestão. Clubes em dificuldades financeiras, já sabem, copiem o que se faz no Peru.

"Três Toques" com Bruno Vieira Amaral. Está feita a edição desta sexta-feira.