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É loucura.

É o auge.

É a loucura, o auge da loucura.

Qual foi o auge? Desculpa.

Nada, o início. Anos 90 pra 2000. 2000. Ali a passagem. Foi o bug. É o bug.

O bug do milênio, do século, da história toda da humanidade.

Acho que o mundo acabasse foi aproveitar.

Houve ali algumas situações muito interessantes.

Experiências, como se diz agora.

Exatamente, foi uma verdadeira experiência. Não foi mal.

Experiências transas.

Vamos falar de despedimentos e contratações, como habitualmente fazemos aqui no Três Toques. Desta vez, no Real Madrid. Florentino Pérez tem mais um treinador no seu currículo de presidente do maior clube do mundo.

Já vão quantos?

Já vão 15. São 15. Sendo que houve dois que repetiram. Ele gostou tanto, disse: "Anda cá outra vez".

Anda cá outra vez pra eu te poder despedir outra vez.

É verdade. Não se estava à espera que Xabi Alonso, que chegou a Madrid como salvador, porque tinha feito um excelente trabalho no Bayer Leverkusen, é um ex-jogador do Real Madrid, uma figura consensual no universo madridista. Não se estava à espera que ao fim de seis meses de temporada fosse despedido, mas a derrota contra o Barcelona na Supertaça levou Florentino Pérez a dizer adeus. Basta, chega.

Carlos é que sabe. És o mais fraco.

Fala aí espanhol, Carlos. Disse adeus a Xabi Alonso, mas já tem novo treinador. É Álvaro Arbeloa, é o 15º treinador da era Florentino Pérez, uma era dividida em dois períodos. No início do século, naquela transição, Florentino Pérez chegou ao Real Madrid pela primeira vez. Foi quando contratou o Luís Figo, que o anúncio dessa contratação ajudou a conquistar a presidência. Na altura, ele encontrou no banco do clube Vicente del Bosque. Esse foi o primeiro treinador. Não foi o primeiro treinador escolhido por ele, porque já estava lá. O primeiro treinador escolhido por Florentino quem é que foi? Carlos Queiroz. Exatamente, que era adjunto de Alex Ferguson no Manchester United.

Quem foi tu, Carlos Queiroz?

Olha, não sei.

Está nas Arábias.

Não sei. Andam todos nas Arábias. Há um jogador, já vamos falar dele, que está nas Arábias, mas há muitos treinadores. Eu não sei se ele não está numa seleção qualquer agora. Acho que o último trabalho dele foi numa seleção. Carlos Queiroz também não durou muito tempo.

Selecionador de Omã.

Omã.

Será? 2012.

Então aí está, Arábias. Pronto, lá está. Vão lá todos dar.

Acho que o Carlos Queiroz foi muito feliz nas Arábias.

Muito feliz nas Arábias. No Real Madrid é que não foi.

Pois não.

Não foi muito feliz. Esteve lá pouco tempo. Foi substituído por outro nosso conhecido. Maria João, José António Camacho. Também não esteve muito tempo. Depois veio García Remón, pouco tempo também. O brasileiro, o único brasileiro durante a presidência de Florentino Pérez foi Vanderlei Luxemburgo, também não teve muito sucesso, Lopes Caro. E numa segunda fase, então Manuel Pellegrini, o chileno, foi o primeiro treinador de Florentino Pérez nesta segunda fase. E depois o segundo português à frente do Real Madrid, José Mourinho, com algum sucesso, um campeonato, uma taça, uma Supertaça, três meias-finais da Liga dos Campeões. Aqui é que as coisas ficaram ali.

As meias-finais.

Quase nas meias. E acho que foram três consecutivas. Quando o Mourinho chegou ao Real Madrid, o Real Madrid já não chegava aos oitavos de final ou aos quartos de final já há algum tempo, mas também não conseguiu voltar das meias. Chumbou sempre nas meias, o que não aconteceu com o Carlo Ancelotti, que foi o treinador seguinte e conquistou uma Liga dos Campeões na altura. Depois veio Rafa Benítez, depois Zidane, que conseguiu aquelas três Ligas dos Campeões consecutivas, que deu muito brilho à sua primeira passagem pelo Real Madrid. Depois Julen Lopetegui, outro conhecido do futebol português, o Lotopeyi, como dizia Jorge Jesus, também não durou muito. Aquilo não correu nada bem. Santiago Solari. Zidane voltou ao lugar onde foi feliz e já não foi tão feliz. Ancelotti voltou, mas aí até foi bastante feliz.

E agora?

E agora foi o Xabi Alonso.

Tanto treinador.

Muitos treinadores, alguns com muito sucesso, outros que já ninguém se lembrava praticamente. Eu estava a pensar aqui no García Remón, no Lopes Caro, também estiveram pouco tempo. E Xabi Alonso, vamos ver pra onde é que ele vai agora. Olha, Ruben Amorim, Xabi Alonso, estão aí no mercado, disponíveis. Quem já não está no mercado é Mario Balotelli. Lembram-se do Balotelli? Balotelli, jogador italiano que na sua passagem pelo Manchester City, onde esteve e foi decisivo Para a conquista do campeonato da Liga Inglesa em 2012, usava aquela camisola por baixo a dizer: "Why always me?" Por que sempre eu? Um jogador fantástico, mas que lhe faltava cabecinha. Aliás, como o José Mourinho se fartou de dizer. Dava-lhe muito na cabeça e o Mourinho conta histórias sobre a relação dele com o Balotelli, que era uma relação quase paternal, mas conta histórias engraçadíssimas, porque o Balotelli tinha tudo menos a cabeça no lugar, mas muito talento. E agora onde é que anda o Balotelli? Mais um que foi parar às Arábias. Ele estava sem clube, tinha passado pelo Gênova, de Itália, e agora está no Al Ittifaq, da segunda divisão dos Emirados Árabes Unidos. Deve ser um campeonato interessantíssimo. E o presidente do clube, Pietro Laterza, como o nome indica, não deverá ser árabe, deverá ser italiano.

Pois diria que não.

Parece que é mais italiano. E contou os pormenores desta contratação. Hoje passa tudo pela internet e o presidente do clube descobriu que o Balotelli estava disponível no site do Transfermarkt. Ele fez uma pesquisa por jogadores livres.

Está disponível, procura.

Olha aqui o Balotelli.

Pode ser. O que é feito dele?

Exatamente.

De certeza ligou-lhe.

Ligou a gente. Ele disse: "Olha, está livre, vamos lá ver." Ele contou que foi assim mesmo e disse que precisávamos de um avançado pronto para marcar e para o Mario Balotelli, o Dubai é o lugar certo para recomeçar. Pelo menos em termos financeiros, deve ser ótimo. Balotelli, é bom lembrar, passou por clubes como o Manchester City, já disse, mas também o Inter, o Milan, o Liverpool. Tem uma carreira recheada de bons clubes. Os grandes momentos são menos. É um daqueles jogadores que passaram ao lado de uma grande carreira. Agora pode ser que se reencontre. Quem sabe? Ninguém sabe o que pode acontecer. Por último, Jamie Vardy, avançado inglês, que tem também uma história curiosa. Este é o contrário daquelas promessas eternamente adiadas. São aqueles jogadores que despontam já numa fase em que os outros estão às vezes a acabar a carreira. O Jamie Vardy passou pelas divisões inferiores da Liga de Inglaterra. Depois brilhou no Leicester, que conquistou o Campeonato Inglês em 2016. Conquistou também um lugar na seleção inglesa.

Parece que eu te ia perguntar que idade é que ele tem.

Ele agora tem 39 e continua a jogar. Está em Itália, na Cremonese, e está explicado o segredo da longevidade do Vardy. Isto dito por um dos companheiros de equipa, o Romano Floriani, que disse que temos um frigorífico do tamanho de uma pessoa, recheado de Red Bull. É aquela bebida que dá asas, aquela bebida energética que dá asas. Jamie Vardy tem 39 anos, sempre foi conhecido, ele próprio fez questão de divulgar essa informação, por consumir grandes quantidades de bebidas energéticas.

A fazer um bem ao coração.

Não se sabe.

Eu também não gosto. Não sou fã. Eu acho que nunca provei. Eu já provei e não gostei.

Nunca provaste?

Acho que não.

Eu já, e mesmo com o intuito de, por exemplo-

Deixa cá ver se isto dá.

Aguentar as voadas.

Deixa ver se eu consigo voar depois disto.

Pelo menos manter-me acordado na secretária a trabalhar.

Não aconteceu?

Funciona. Dá ali um bocadinho de boost. Mas se tomares 30 cafés, também.

Mas não experimentaste isso a jogar futebol? A questão é saber se isso funciona a jogar futebol.

Se calhar ainda vou a tempo, depende da quantidade que beber. Se beber muito, se calhar ainda consigo ir brilhar para os Emirados Árabes Unidos.

Queria. Vais é voar.

Vou voar. E é uma questão de pôr o meu perfil no Transfermarkt.

Disponível.

Isto acontece. Contei-vos no outro dia.

Vamos pôr o perfil do Bruno sem ele saber. Ver se o teu telefone toca. E se tocar?

Eu vou! Qual é o problema? No outro dia falei-vos da jogadora egípcia que conseguiu o wild card para o torneio.

No ténis.

No ténis. Eu digo que eu conseguia servir melhor do que ela, depois no jogo, não sei.

Não sabes.

Tu também gostas de ténis.

Conseguimos pôr a bola do outro lado. Vamos pôr.

É isso.

Os dois.

Os dois. Vamos embora.