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Eu nem sei como é que hei de dizer isto, mas Luís Castro, treinador português que está a orientar o Grêmio no Brasil, viveu um dia negro.

Claro.

Um dia difícil. Do final do jogo em que o Grêmio perdeu contra o Internacional, Luís Castro usou a expressão para se referir ao dia da equipe como um dia negro, e a internet, as redes sociais caíram lhe em cima.

Pela expressão dia negro?

Pela expressão dia negro. Pois é. Não vamos branquear a situação. Luís Castro pediu desculpas publicamente depois das reações que houve. No Brasil a expressão, de facto, não é utilizada.

E possivelmente foi daquelas coisas que ele disse e às tantas já nem se lembrava que tinha dito. Não sei.

Claro que não disse com nenhuma intenção racista, como é óbvio, como também usamos o Black Friday sem qualquer conotação. Apesar de há uns dois ou três anos ter circulado na internet, a propósito da Black Friday, que associava o dia à escravatura. Não tinha nada a ver, é mais uma daquelas informações falsas em que a internet é pródiga. Mas neste caso, Luís Castro não tinha, obviamente, qualquer intenção.

É uma expressão corrente, de alguma maneira.

Sim, em Portugal, talvez no Brasil menos. Mas em Portugal é uma expressão corriqueira e também não tem qualquer conotação racista, ainda que alguém possa entender assim. As pessoas podem interpretar de muitas maneiras, mas não seria claramente essa a intenção do Luís Castro, até conhecendo o seu comportamento no futebol, não iria usar a expressão com essa conotação. A verdade é que as reações foram muitas e Luís Castro veio pedir desculpa. Ele disse que pedia desculpas pela utilização da expressão no final do jogo. "Não tive a intenção de praticar qualquer ofensa racista, refiri-me unicamente ao contexto do jogo. Reforço a minha posição de defesa da igualdade como valor social, igualdade de oportunidades, raças e religiões. Reafirmo as minhas humildes desculpas." Isto foi intenso. Ele foi obrigado a uma grande justificação por um deslize. Mas claro, sem qualquer intenção ou conotação negativa. A verdade é que é assim, é preciso ter muito cuidado com aquilo que se diz e em determinados ambientes ainda é pior. Ontem falei aqui daquele treinador espanhol que também viveu tempos difíceis.

Claro, imagino.

Dias bastante nublados na Rússia, Roberto Moreno.

Moreno, cuidado aí também.

Roberto com a tese um pouco menos clara. Enfim, o Moreno foi despedido de um clube russo no verão, do Sochi, por utilização excessiva da inteligência artificial, do ChatGPT. Isto foi o que disse, o que alegou.

Isso seria se ele treinasse um clube de futebol também.

Eu acho que todos nós aqui, talvez o Paulo não, porque tem um conhecimento mais pormenorizado.

Não preciso.

Não precisas. Essa foi a acusação, foi a alegação de um ex-diretor desportivo do clube, ou diretor-geral do clube, que disse que o treinador espanhol usava o ChatGPT, a inteligência artificial, para tudo, até para decidir como é que seriam os estágios e a contratação dos jogadores. Roberto Moreno já veio explicar, dar a sua versão da história. Ele diz que isso é opinião de um antigo diretor do clube, que acabou também por sair do clube, e diz que recorria a ferramentas analíticas, aquilo que também tínhamos falado aqui ontem, e que a única utilização que dava ao ChatGPT era para traduzir algumas coisas do espanhol para o russo, por não dominar, obviamente, a língua. E explicou-se, deu a sua justificação. O seu despedimento não teve nada a ver com o uso excessivo, porque, por exemplo, a contratação daquele jogador que depois não marcou gols, teve 10 jogos sem marcar gols.

Muitos, cá por aí.

E não são contratados com recurso à inteligência artificial. Mas ele diz que a contratação desse jogador foi unânime, foi decidida pelo clube, que não teve nada a ver com pedido de conselhos, de aconselhamento ao ChatGPT. Foi uma decisão técnica e diz que as decisões que tomou enquanto treinador do clube foram decisões técnicas, não foram decisões de inteligência artificial. Ficou o esclarecimento do treinador espanhol.

Esta história parecia-me demasiado estranha. No início, quando apareceu a notícia.

Logo quando foi divulgada a notícia, havia esta indicação de que toda a informação era baseada em declarações de um antigo diretor-geral do clube, que também não terá tido um bom relacionamento com o Roberto Moreno. Portanto, ficava sempre uma dúvida em relação à veracidade destas alegações. Agora temos a defesa do treinador espanhol e nós não queremos ser processados por ninguém.

Não.

Não queremos esse tipo de dias na nossa vida. Por último, esta história A Maria João ontem falou da escalada ao edifício em Taiwan, o Taipei 101, que foi escalado por um atleta. Eu não sei se é um atleta, se é um super-herói.

É o Homem-Aranha.

Aquilo é verdadeiramente inacreditável. Já tinha visto o "Free Solo", o documentário que ganhou o Oscar, dele subir a tal parede, o El Capitan, na Califórnia. Faço publicidade e recomendo a quem quiser ficar com as mãos suadas e com o coração a bater mais depressa, vejam as imagens, vejam o especial que está na Netflix sobre a escalada deste edifício. É verdadeiramente impressionante o que aquele homem consegue fazer.

Não sei se quero ver agora com esta descrição.

Há momentos em que tu não percebes bem como é que ele vai subir aquilo. E é verdadeiramente assustador, mas pelos vistos para ele não é assim tão complicado. Ele diz que tinha perfeita consciência do que queria fazer. Estudou as características do edifício para saber como iria escalar o edifício, mas não tinha dúvidas acerca das suas capacidades. É impressionante e a grande questão é saber quanto é que ele ganhou por este feito.

Quanto é que ele ganhou?

Quanto é que ele ganhou? Isso eles perguntaram-lhe e ele disse.

Ganhou a glória.

Ele diz que o faria de borla, ele queria era escalar. Mas a Netflix transmitiu em direto este acontecimento.

Portanto, quanto é que a Netflix ganhou?

Quanto é que a Netflix deve ter ganhado?

E quanto é que partilhou com ele?

Ganhou muito dinheiro e ele deve ter recebido um pouco menos. Ele diz até que é um valor embaraçoso. Por quê?

Embaraçoso de elevado ou de baixo?

De baixo, em comparação com outros atletas. Ele dá o exemplo dos contratos de 170 milhões de dólares, por exemplo, na liga de baseball americana. Ele não divulgou o valor, mas o New York Times fez as contas e diz que terá andado à volta dos 420 mil euros. Não é mau, é verdade. Em comparação com outros desportos, é uma ninharia. E por aquilo que ele conseguiu fazer, eu acho que é mesmo muito pouco. Eu acho que há muito poucas pessoas no mundo que conseguem fazer aquilo.

Claro.

Sim.

Eu não arriscava, digo-vos já. Meio milhão de euros, não é?

Meio milhão de euros.

Para quem dizia que fazia de borla também, parece bem pago.

Ele próprio acaba por se desvalorizar, ou seja, quando tu pões o teu feito, as tuas capacidades nesse patamar, também ninguém te vai pagar assim tanto. Seja como for, vale a pena ver a escalada do edifício de Taiwan por este atleta, que é impressionante.