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Nós não gostamos mesmo das coisas fáceis. Aquela velha história da máquina de calcular para os apuramentos. Neste momento, é quase impossível, mesmo que Portugal se esforçasse muito, não irmos ao Mundial. Mas nós estamos a fazer tudo para adiar.

Para tornar emocionante.

Ontem, Portugal, como se sabe, perdeu na Irlanda, onde nunca ganhou. Há uma espécie de maldição, deve ser dos duendes. Não encontrámos o nosso triplo.

Aquilo não correu nada bem. Nem para o Ronaldo.

Ronaldo foi expulso pela primeira vez ao serviço da seleção portuguesa. Eu acho que foi a primeira vez.

Olha, é um recorde.

Eles perseguem. E depois ainda houve ali umas cenas. Não foi muito bonito. Gestos para a bancada. Portugal agora no domingo vai jogar contra a Arménia, vai jogar em casa, tem tudo para ganhar e em princípio vai ganhar.

Em princípio.

Em princípio, porque acontecem às vezes coisas estranhas. Mas mesmo que não consiga o apuramento no jogo contra a Arménia, ainda tem a possibilidade de ir a um playoff porque ganhou a Liga das Nações. É mesmo quase impossível não ir. Mas Portugal está a esforçar-se.

Tens uma teoria?

Tenho uma teoria. Acho que ontem nós não quisemos o apuramento para guardar a festa para casa.

Para ser em casa, sim.

É a melhor maneira de pensar nisto.

Sim. Está a Glória a ir embora e a Glória a voltar.

Ora aí está.

Não é a Glória, é a Cláudia.

Cláudia.

Já estou a misturar. Fica aí nos momentos Glória.

É a Glória que vem aí. Não é uma grande glória ganhar à Arménia em casa.

Pois não é.

São os mínimos.

Eu não me decepciono. Isso já estava calculado.

Os mínimos dos mínimos, mas isto tem sido muito enervante os últimos jogos, porque Portugal: "Ah, pode-se apurar agora, é hoje". E depois, durante o jogo, começamos a ver aquilo a empastelar um bocadinho e começamos a ver: "Ainda não é desta". Mas pronto, vamos ver. É domingo. Acho que é desta. Vamos ver. Tem camisolas de futebol? Já falámos aqui de camisolas de futebol noutras ocasiões. Mas tens quantas, sabes, Maria João?

Umas três. Quantas?

Três.

Eu tenho um total de zero.

Zero. Ora zero multiplicado por três.

E todas autografadas, não é, Paulo?

Todas.

Zero multiplicado por três. Mais do que eu não tens.

Parece algumas contas eleitorais.

Parece. Eu aqui há uns anos tinha uma, era a minha preferida, era do Liverpool dos anos 90.

Eu só tenho do Benfica.

Eu tenho uma do Benfica, também me foi oferecida. Do Casino Estoril, ainda. É desses tempos. Gostava muito de ter uma da Shell, mas não tenho. Mas só tenho uma do Benfica e tinha aquela do Liverpool. Uma vez foi à máquina, foi para o estendal.

E virou porta-chaves.

Não! Foi ali penduradinha.

O vento. Leva, ao vento leva.

E alguém a levou e olha que lhe tenha feito bom proveito. De qualquer das maneiras, eu só tenho duas ou três e nunca teria tantas como Julien.

O António Bruno esta hora anda com uma T-shirt a dizer Bruno Vieira Amaral.

Julien Buron.

O que é que tem o Julien Buron?

O Julien Buron é recordista do mundo. Isto é daquelas coisas, recordes. É recordista do mundo de camisolas colecionadas, camisolas do mesmo clube. Ele é adepto do Mónaco e agora imaginem quantas camisolas é que ele tem do Mónaco.

100.

1146.

Eu achava que era um exagero 100.

Não.

Viste, Carlos?

1146. É verdade. São autênticas peças de museu. Ele tem camisolas que algumas datam de 1950, da década de 1950. Ele diz que se tornou fã adepto em 2000 e a partir daí começou a colecionar camisolas, incluindo uma de João Moutinho, do jogador português, mas tem outras estrelas que passaram.

Bruno, mas tu que percebes dessas coisas, não há terapia para essas pessoas?

Isto eu acho que é a terapia. Eu acho que ele tem outros problemas e colecionar camisolas é uma autêntica terapia. E além disso, Paulo, fala disto na boa moeda, porque isto é também um investimento.

Essas coisas como relíquia valem mais.

Então não vale? Sobretudo, se lhe tiverem sido oferecidas. Imagina que são oferecidas pelos jogadores. E algumas foram, no caso. Outras ele pode ter comprado. Claro. E há camisolas do Falcão, o jogador colombiano que passou pelo Porto, há João Moutinho, que também jogou no Mónaco, aliás, todos estes jogaram no Mónaco, Mbappé, Henry. Portanto, ele neste momento tem uma coleção que não só tem um grande valor sentimental. Estamos a falar de mais de 1000 camisolas.

Onde é que ele as guarda?

Isso é que é uma boa questão.

Tem que me intriga. Tem um closet.

Não sabemos. Deve ter um grande closet, um grande armário, mas sabemos onde é que ele as exibiu. Exibiu as 1146 camisolas num estádio, na relva, e ocupa mais ou menos metade. Todas arrumadinhas, na diagonal. É muita camisola.

E será que em casa estão penduradas em cabides ou dobradas numa gaveta? E são passadas a ferro? E lavadas, serão?

É preciso cuidado a passar a ferro.

Olha o que aconteceu ao Bruno Vieira Amaral, é melhor não lavá-las.

Não, e se estender.

Mas não se podem lavar, senão sai o autógrafo.

O autógrafo, sim.

E todo o resto?

No caso do autógrafo, eu acho que desaparece. É capaz de desaparecer.

Mas por que é que as pessoas não colecionam selos de correio, por exemplo? Não há esses problemas com os selos de correio.

Tu colecionas? Já alguma vez colecionaste?

Ó Paulo, tinhas muitos amigos na escola.

O Paulo inaugurou o clube de filatelia de Viseu. Imagine-se o que era isto na altura.

Como é que lavas os selos, Paulo?

Eu não coleciono selos. Vocês estavam a colocar uma série de questões sobre as camisolas, se passa, se dobra, se não sei o quê. Há outras coisas.

Se elas é mais fácil.

Claro, metes lá numas capinhas.

Mas diz-nos, Paulo. Não tenhas medo e diz-nos aqui, perante o nosso estimado auditório: alguma vez colecionaste selos?

Não, nunca. Nunca tive paciência nem organização suficiente para isso.

Nenhuma coleção?

Zero coleções.

Pronto. Está bem.

Fazer coleção de borrachas.

Acumular jornais antigos não se pode chamar coleção.

Umas revistas, há quem tenha coleções muito valiosas de revistas antigas. Parabéns ao Julian Burnour por este recorde. Só para que saibam, ele bateu o recorde de um adepto suíço do Liverpool. Se calhar é o T. Se calhar é o que tem a minha camisola. Agora que eu pensei, se calhar foi este. Esses suíços é malta de roubar nos estendais. Último toque: lembram-se do Rubiales?

Lembro-me, sim.

Do beijinho roubado.

Eu vi isto esta manhã. Pouco depois de acordar, vi estas imagens.

É uma ótima maneira de se acordar o dia. Vamos ouvir o som.

E depois tu explicas.

Eu depois explico. Não se preocupe, não passa nada. Os espanhóis fazem sempre muito barulho.

O que é que aconteceu?

O Rubiales.

Estava a apresentar um livro.

Estava a apresentar um livro, estava ele e outro senhor ao lado e da plateia alguém se levanta e atira um ovo, que não lhe acerta. Atira um segundo, que eu acho que é tipo "Matrix", o fio raspa. E há um terceiro que lhe acerta mesmo e ele salta, qual Batman. Eu acho que ele ia com a intenção de chegar à roupa interior, mas entretanto-

Lhe dar um selo?

Lhe oferecer um selo. Um selito. Mas não chegou a vir este fato. Vontade não lhe faltou. E ele continua, já depois da polêmica ter passado ou ter amainado um pouco, a ser uma persona non grata em alguns círculos, como se vê, a ponto de motivar alguém a pegar em ovos e ir à apresentação de um livro e atirar ao coitado do Rubiales. Aquele beijinho saiu-lhe caro.