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E arranca agora mais um "Três Toques" e hoje com uma presença muito especial. Hoje recebemos aqui em estúdio o troféu da Liga Portugal. E também o jornalista André Maia.

Mas o troféu é muito mais importante. Olá, bom dia.

Bom dia. Finalmente alguma coisa que brilha mais do que o André. É verdade. Estás bem acompanhado.

Normalmente é raro, obrigado.

Estás bem ombreado.

Eu estou muito bem. Literalmente, até tenho medo de mexer aqui um bocadinho.

Já tocaste no troféu?

Não. É proibido tocar no troféu. É impensável. Há uma lei dentro do futebol. Toda a gente sabe, dá azar tocar nos troféus.

É verdade?

É verdade.

Por isso é que o senhor que veio aqui o colocar veio com luvinhas brancas.

Com luvas, ora bem. Eu não tenho luvas, portanto não vou tocar. Mas há muitos casos de jogadores que, normalmente quando há finais, o troféu fica à saída do túnel e os jogadores passam ao lado. E já houve jogadores que tocaram no troféu e a coisa correu mal.

Deve acontecer só com os jogadores, porque isto já me aconteceu e não correu mal.

Não? Ganhaste depois a competição?

Então vai lá tocar, Carla. Vens do clube que eu gosto, vá lá. Toca, beija.

Ela está sempre a ganhar, não é preciso embanelar o jogo. Mas eu gosto de seguir o exemplo dos maiores, como o Cristiano Ronaldo.

Não era o teu turno.

Não, é, mas daqui a uns segundos. Porque o Cristiano Ronaldo deu-nos uma lição há uns anos sobre aquilo que se deve fazer com o troféu. Agora sim, vamos ouvir. Eu nunca toco, nunca toco nos troféus, nunca, porque dá mala sorte. Agora eu não vou pegar. Nunca se sabe. Isto era um som de 2017, só que entretanto o Ronaldo envelheceu, já fez 40 anos, e eu gostava de vos ler o título de uma notícia de agosto do ano passado, que diz o seguinte: "Cristiano Ronaldo toca na taça e acaba amaldiçoado. Português teve este gesto na entrada das equipas para o relevado. Mais tarde perdeu, abandonou o estádio na cerimónia de vencedores e não recebeu sequer a medalha de prata do Supertaça." Portanto, aqui está a prova. A primeira prova de que não se deve tocar na taça.

A primeira. Então quer dizer que há mais provas?

Há mais provas, Carla. A segunda prova sou eu. Eu próprio auto me amaldiçoei. Quando estávamos em 2014, a final da Liga dos Campeões foi cá em Portugal, foi no Estádio da Luz, e havia uma pequena tour com o troféu, num autocarro que passava por vários pontos de Lisboa. E eu fui lá com a minha família e na altura a pessoa que estava a guardar o troféu disse: "Não podem tocar no troféu." Mas eu pensei para mim: "Está bem."

"Vou desperdiçar esta oportunidade."

"Quantas mais vezes é que eu vou ver o troféu da Liga dos Campeões?" E toquei no troféu e cá está, nunca ganhei uma Liga dos Campeões.

Mas tu era novo.

Estava no Porto, não era?

E em 2014 eras menor, de certeza. Eras inconsciente.

Não vou dizer a minha idade para não ficarem surpreendidos, mas, por exemplo, já tivemos cá a Premier League. Dessa vez não toquei no troféu e mantenho a esperança de ganhar ainda a Premier League.

Mas há mais alguma prova, de facto, de que essa relação é mesmo assim, existe mesmo tocar no troféu e a coisa correr mal.

O Paulo é um cartesiano.

Quero a ciência a funcionar.

Essa prova é Luís Vaz de Camões.

Porquê? Tocou no troféu?

Não tocou no troféu, até porque ele jogava na terceira divisão. Não tocou no troféu, mas ele tem um poema inscrito aqui no troféu, eu agora não consigo ver, mas acho que é na parte de trás. E há uma frase que diz: "Se me vem tanta glória, só de olhar-te." Ou seja, de olhar-te, não é de tocar-te.

A visão não era o sentido que o Camões tinha mais apurado, como sabemos.

Sim, sem dúvida. Portanto, tirem fotos, mas não toquem no troféu. E ele vai estar aqui conosco até às 20h.

É muito bonito. Quem vai poder tocar no troféu? Se calhar, amanhã, o Benfica ou o Sporting. Estamos a falar aqui de um dos dérbis mais importantes da história do futebol português. E tu, André, vais trazer-nos aqui alguns dados sobre este dérbi histórico. Mas André, antes desses dados históricos, isto quer dizer que o troféu vai estar aqui até às 20h e daqui vai diretamente para o Estádio da Luz? É o último sítio onde vai estar é aqui?

É a última redação do país em que vai estar.

Espera que ele deixa-nos balançar assim. Várias energias por limpinho.

Sim, as energias, o que quiserem.

O Tiago está ali a mexer.

Tiago, tu não estás a ouvir o "Três Toques", pois não? Vai dar azar. Qual é o teu clube? Ainda por cima! Vai-te embora já.

Não sei se os ouvintes ouviram. Ele disse Benfica.

Disse Benfica.

Mas quando entrámos aqui no estúdio, o Tiago virou-se para mim e disse: "Dás-me uma ajuda a mexer o troféu?" E eu disse: "Dou, mas eu só mexo na peça de cartão, tu mexes no troféu."

Mas da forma que ele mexeu, eu acho que já nem é jogo.

Pois, também vai ser cancelado.

Tenho de ler. Mas querem dados sobre o dérbi?

Sim, vamos lá.

Eu estou farto do dérbi, vou ser sincero. Nos últimos dias.

Só estatísticas, números.

Sim. Então o que é que eu vos trouxe? Trouxe aqui um bocadinho de dados do dérbi, do Benfica-Sporting, mas não do Benfica-Sporting que vocês estão a pensar, é do Benfica de Castelo Branco-Sporting da Covilhã.

Ora muito bem.

Que é também ele um dérbi. É o dérbi das Beiras. E quantas vezes é que acham que se defrontaram?

E mais uma contrapergunta. A Carla acerta sempre.

A Carla acerta sempre.

Queres arriscar o número?

Não, dá-me uma margem de erro.

É menos de 50.

É menos de 50. 37.

Não, 49. É menos de 50, eu disse. 49. Ou seja, nestes 49 jogos, vantagem para o Sporting da Covilhã. Venceu 34 vezes, ou seja, 69% dos dérbis. O Benfica de Cristal Branco só ganhou sete, ou seja, 14%.

Olha, com estes números também podias ir dar ali uma volta.

Sim, é uma vida grande, não é como se não dizer.

Palco aqui este Pombal.

O Benfica de Castelo Branco não ganha o Sporting da Covilhã desde 1994. Estamos a falar há 30 jogos.

1994. Não é assim tão frequente, o encontro entre os dois.

É verdade. Têm andado assim meio afastados. Este ano já houve um regresso do dérbi. Estes dois clubes não jogavam contra o outro desde 2008. Este ano houve aqui um duelo no Torneio de Esperanças da Associação de Futebol de Castelo Branco. Vitória para o Sporting da Covilhã por 1 x 0. Sporting da Covilhã que está na Liga 3, a terceira divisão, e o Benfica de Castelo Branco no Campeonato Portugal, que é a quarta.

André, eu acho que devíamos fazer um relato um dia destes aqui de um Sporting da Covilhã-Benfica de Castelo Branco.

Eu também acho que sim, eu alinho. Mas primeiro fazemos o relato deste, até porque tem dado algum trabalho. Mas eu trouxe aqui uma prenda, por falar em relatos. Sim, porque vocês sabem quantos relatos é que se fez aqui na Rádio Observador de Benfica-Sporting? Ou Sporting-Benfica?

Quantos já se fizeram?

Então temos quase seis anos.

Seis vezes dois, 12.

Não começámos agora a fazer relatos.

Mas eu diria 14.

10.

14, 10?

16.

16? 16.

16? Muito bem.

Já pode sacar um tejo.

Já podemos aqui a vitória.

Eu não tenho hoje. Não me olhe a perguntar.

Não, 16. Desde que a Rádio Observador começou a relatar o derby, está tudo equilibrado. O Sporting ganhou seis vezes, o Benfica ganhou outras seis, houve quatro empates e tudo começou num jogo mítico, principalmente para os benfiquistas, devem guardar de boa memória, que foi a final da Supertaça Cândido Oliveira 2019, que o Benfica venceu por 5-0.

Sim.

Foi o nosso primeiro relato de sempre.

5-0 é uma caçapada.

Foi uma coisa histórica, sem dúvida. Nós na altura, nesse primeiro relato, tentávamos fazer uma coisa mais híbrida, não relato puro e duro. Portanto, eu trago-vos aqui a minha humilhação pública, porque em termos legais e oficiais, este é o primeiro relato da história da Rádio Observador, o primeiro relato de um golo da história da Rádio Observador, narrado por um miúdo chamado André Maia.

De algum modo.

Que não esta a minha voz. Este é o comentador.

Havia outras pessoas na equipe. Falou-se há bocadinho no Samaris.

É golo do Benfica. É golo do Benfica. Marca Rafa Silva, é o cruzamento. Rafa aparece ao segundo poste e atira de primeira para dentro da baliza do Sporting. Primeiro golo, 1 x 0 com 40 minutos aqui no Estádio do Algarve.

39 minutos.

Isto é o Ricardo Conceição.

Isto é o Ricardo Conceição.

Isto já foi em 2019.

2019. Eu gostava de sublinhar só um pormenor.

As vozes jovens desta gente.

Sim, claramente.

Nós já conhecemos jeito para isto.

Subjetivo. Eu gostava de sublinhar um pormenor que é o relatador diz que é golo e o Ricardo Conceição faz questão de dizer: "Olha, golo do Benfica". Para o caso de as pessoas não terem percebido, fica aqui também sublinhada a polivalência do Ricardo, que ontem esteve na emissão especial do Papa, mas começou por fazer emissões especiais de desporto aqui na Rádio Observador.

Olha, é isto mesmo. Estava aqui mesmo a pensar nisto, como o tempo voa e amanhã também já está quase. Conta-nos o que é que vai acontecer.

Está muito perto de assistirmos este relato e jogo marcante. Acho que podemos ser justos e dizer que é o derby mais importante da história do futebol português.

E vamos ter uma emissão mega especial.

Mega especial. Vamos começar três horas antes do jogo, ou seja, às 15h. O jogo começa às 18h. Vamos ter repórteres em vários-

Nós já estamos cansados quando começar o jogo.

Sim. Vamos estar mais cansados que os jogadores quando acabarem. Vamos estar em vários pontos de reportagem nas academias, na academia do Sporting, em Alcochete, na academia do Benfica, no Seixal, a acompanhar a saída dos autocarros. Vamos ter repórteres, obviamente, no Marquês de Pombal, em vários pontos da cidade. Vamos estar mais cedo também no Estádio da Luz para a chegada dos autocarros, para perceber se tudo corre bem. E só para perceberem também os nossos ouvintes a dificuldade que é preparar um jogo destes, eu posso dizer que nós estamos a trabalhar um bocadinho com ambos os clubes, porque os clubes neste momento já têm de ter um autocarro pronto para a festa.

Mas pode não haver campeão amanhã.

Camisolas. Exatamente, a questão é essa. E eu posso dizer aos nossos ouvintes que nós já temos-

A escapar do diário uma semana.

Sim, nós já temos prontas-

Especiais, não sei quantos especiais.

Sim, nós já temos prontas duas peças. Duas, não. Duas só para o filme da época, mas temos peças prontas para cada um dos protagonistas de cada um dos clubes. Ou seja, é certo que vai haver aqui várias reportagens que nunca vão ser passadas no ar.

Exatamente.

Nós temos uma peça para Benfica campeão e uma peça para o Sporting campeão. Há uma delas que vai ficar na gaveta, há outra que vai ser utilizada.

A partir das 15h é sintonizar a Rádio Observador. André Maia, obrigada por este pré-estádio especial. É sempre um gosto.