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Olá, bem-vindos à segunda parte da Vixi Suave. Temos conosco Pedro Pinto, líder parlamentar do Chega. Bem-vindo a esta Vixi Suave.

Olá, boa tarde, obrigado pelo convite.

Temos de falar sobre o processo da reforma laboral, do voto contra do Chega. Já muito foi dito, mas é importante esclarecermos alguns pontos ainda. No dia antes de o Chega votar contra a reforma laboral proposta pelo governo, André Ventura tinha falado em vitórias e tinha mesmo dito que foi o Chega que conseguiu esta vitória, referindo-se a determinadas propostas que constavam do acordo ou do suposto acordo entre o Chega e o governo. André Ventura já explicou, no essencial, aquilo que levou à mudança de opinião do Chega. A pergunta é, e queria que nos ajudasse a perceber isto, de que forma é que o Chega está ou não a dar um sinal de que é um partido confiável quando muda de posição em 24 horas?

Nós estudamos isso. O Chega não mudou de posição. O Chega nunca disse que ia votar a favor. Tínhamos conseguido até ali, até à hora do debate, 24 horas antes da votação da reforma laboral, tínhamos conseguido diversas vitórias, como foi assinalado pelo presidente André Ventura. Diversas vitórias, no caso, por exemplo, dos trabalhadores por turnos, em várias situações, que nós tínhamos conseguido dar passos com o governo. No caso dos dias de férias, das pessoas terem mais três dias de férias, tínhamos dado esses passos com o governo. Mas havia uma linha que nós não podíamos abdicar e que sempre dissemos ao governo que não abdicávamos, que era o facto da baixa da idade da reforma. E aquilo que houve foi uma tentativa do PSD de nos enganar. Queriam criar uma comissão para estudarmos a viabilidade da idade da reforma, mas que terminaria no dia 27 de dezembro, e significaria que depois em janeiro, a idade da reforma voltaria a aumentar. Nós não estamos cá para enganar os portugueses, nós estamos cá para falar a verdade e nós não nos vendemos. E se o PSD está mal habituado com outros partidos que se vendem à primeira, então habituou-se mal com o Chega. Houve uma negociação credível e séria com dois partidos políticos, entre o PSD e o Chega, entre inclusive o presidente do Chega, André Ventura, e o primeiro-ministro Luís Montenegro, que inclusive naquela meia hora que nós pedimos, também na altura das votações, houve um contato entre André Ventura e Luís Montenegro, onde Luís Montenegro disse claramente que não conseguia baixar a idade da reforma, nem se conseguia comprometer. Ora, se era uma das nossas propostas, se era uma das coisas que nós tínhamos feito como mais-valia para a população portuguesa, que era pelo menos estancar e não subir a idade da reforma no próximo ano, se isso não foi permitido pelo PSD e pelo governo, então não poderiam ter o nosso voto a favor. Portanto, aqui não houve nenhum passo atrás, não houve essa história que gostam de dizer que o Chega não é um parceiro confiável. O Chega desde a primeira hora que apresentou as suas propostas. Havia uma coisa que nós não abdicávamos, e não abdicamos. E chegamos ao fim, não abdicamos, votamos contra.

Então quer dizer que o Chega não sofreu um dano reputacional. Haverá muitos eleitores do partido que não terão gostado.

Num partido político, é perfeitamente normal que haja pessoas que gostem e outras pessoas que não gostem. É assim a democracia. Por isso é que nós somos um partido democrático e vivemos num sistema democrático. Há pessoas que ao princípio não gostaram, mas o que eles alegam? "O Chega votou ao lado da extrema-esquerda." Não, votamos ao lado da extrema-esquerda não, nós votamos ao lado dos trabalhadores portugueses, que é importante nós votarmos também ao lado dos trabalhadores portugueses e ao lado dos empresários, porque esta lei laboral, que era feita pelo governo, começou mal desde o princípio. Foi mal explicada desde o princípio, desde agosto do ano passado que foi mal explicada, particularmente naquela questão que tinha sobre cortar os direitos às mães da amamentação. Ou seja, foi uma lei que começou mal. O que nós estávamos a conseguir? Que essa lei chegasse aos trabalhadores e às empresas um pouco melhor. Mas não era uma lei perfeita, nem há leis perfeitas, e esta também não era uma lei perfeita. Agora, havia uma coisa que nós desde a primeira hora dissemos que não abdicaríamos. Houve uma tentativa do líder parlamentar do PSD, também no discurso da véspera, de encostar o Chega à parede, dizer assim que chegamos a um acordo. Não, não chegamos a acordo. Ninguém que viu o debate de véspera pode ter dito que alguém do Chega disse que chegaram a um acordo. Dissemos sim que havia vitórias, que havia passos que tinham sido dados, mas no dia seguinte faltava o passo essencial, faltava o passo final.

Mas aparentemente, pelo menos ao que parece, o PSD foi manifestamente apanhado de surpresa e isso refletiu-se nas declarações de várias figuras do partido e do governo, que acusaram o Chega de não ser de confiança. É possível, depois disto, retomar a relação com o PSD, depois de tudo o que foi dito sobre o Chega?

Eu acho piada quando o PSD diz que o Chega não é de confiança. O PSD tentou fazer um consenso, o Chega também esteve disponível a esse consenso. Mostrámos ambos os partidos responsabilidade política, é isso que temos dito. Agora, nós não podemos falhar com as promessas que fazemos. O PSD e o PS estão muito habituados, em 50 anos de sistema político, a falhar a quem votou neles, a falhar às suas promessas eleitorais, a falhar com a palavra. Nós não estamos habituados a isso. E aquilo que o presidente disse, que nós não nos vendemos, é a verdade. Nós não nos vendemos. Não é por termos dado alguns passos, que nós iríamos abdicar da principal proposta. Isso era perder a cara. O Chega não está cá para perder a cara. O Chega está cá para dizer a verdade aos portugueses. E foi isso que nós tentámos fazer. Tentámos uma criação de um mecanismo para que se estudasse, inclusive cedemos ao PSD quando o PSD dizia que queria estudar a baixa da idade da reforma. Era um bom sinal, queria estudar, mas não é querer estudar, é enganar as pessoas. Ou seja, nós para estudar tínhamos que estancar a idade da reforma. Para 2027, não subiria a idade da reforma. E depois, progressivamente, começaríamos a baixar a idade da reforma. Esta é a nossa ideia. Que ninguém pense que nós de um dia para o outro vamos conseguir meter a reforma aos 65 anos. É impossível. Agora, temos que dar passos nesse sentido.

Como as coisas estão neste momento num clima de desconfiança e de grande crispação entre os três partidos Entende que existem condições para que a legislatura chegue ao fim?

Há que ser muitas coisas. Nós não estamos a pensar em eleições. A verdade é esta. Era importante para o nosso país que as legislaturas cheguem ao fim, cheguem a 2029. Mas a verdade também é que nós não podemos ceder nas bandeiras. O PSD tem que pensar assim, o PSD e o CDS não têm maioria absoluta no Parlamento e têm que fazer pontos, têm que escolher parceiros preferenciais. Um dos parceiros pode ser o Chega, o outro foi o Partido Socialista, como na PSU se viu, e o PSD e o Partido Socialista venderam-se um ao outro na PSU, que aprovaram uma PSU que não corta com os subsídios, como deviam cortar a determinadas pessoas que não trabalham, mas que querem continuar em casa a receber subsídios. E quer o PS, quer o PSD chegaram a um acordo. Um acordo que não é bom para os portugueses. Mas isso foi uma opção que eles tomaram. E quando não há uma maioria absoluta, os partidos políticos podem tomar opções. Foi isso que o PSD fez, tomou uma opção de falar com o Partido Socialista quando percebeu que nós não iríamos abdicar das nossas bandeiras, porque estão muito mal habituados. Quando pensam que chegam ao pé de um partido político e dizem assim: "Olha, isso tem que ser assim e o partido tem que abdicar de tudo aquilo que é seu." Não, nós não abdicaremos dessas bandeiras, nós não nos vendemos e nem nos venderemos. Agora, vem um orçamento de Estado em outubro, o Chega irá certamente apresentar propostas, irá apresentar propostas para melhorar a vida das pessoas e depois o PSD vai dizer se quer estar ao lado das pessoas e se quer estar ao lado do Chega ou se quer estar ao lado do Partido Socialista, com a mão do Partido Socialista. Isso é um problema que é o PSD que tem que resolver, não é o Chega.

Mas o Chega nunca viabilizou um orçamento do Estado de Luís Montenegro. Isso pode acontecer agora com este orçamento para 2027? Quais é que serão as contrapartidas exigidas pelo Chega?

Mais uma razão para estarmos perfeitamente à vontade. É que nós nunca viabilizamos nenhum orçamento da AD. Nunca viabilizamos, porque achamos que um orçamento que não baixa impostos, um orçamento que não melhora a vida das pessoas, não é um bom orçamento para os portugueses. Portanto, uma das coisas que nós não podemos abdicar é da baixa de impostos. Nós temos falado isso muitas vezes. Nós temos tentado sensibilizar o governo para isso. E veja-se o que é que se está a passar, por exemplo, com os combustíveis. Os combustíveis em Portugal estão a preços nunca vistos. Continuam em preços extremamente altos, quando o barril de crude, o barril do Brent já está abaixo de $70.

Deixe-me só interrompê-lo. Claro.

Deixe-me só terminar, que é importante as pessoas perceberem isto. Antes de começar esta guerra entre os Estados Unidos e o Irão, o barril estava mais alto do que está aos dias de hoje. E aquilo que nós continuamos a ver é a gasolina e o gasóleo a preços muito superiores ao que estavam nessa altura. Então como é que podemos explicar isto às pessoas? Significa que aquela baixa do ISP que o governo diz fazer não está a ser bom para as pessoas. Têm que baixar mais os impostos aos portugueses. E é isso que nós nunca abdicaremos, que a vida dos portugueses melhore. E é isso que este governo tem que pensar.

Deixe-me só pegar num aspecto importante do que disse. Falou em concreto da redução da carga fiscal, deu o exemplo dos impostos sobre combustível, mas eu queria usar outro exemplo, até porque o governo ao FMI já explicou que não haveria redução de IRS, pelo menos no próximo orçamento de Estado, por não haver, diz o governo, condições para o fazer. Isso será uma contrapartida exigida pelo Chega, ou seja, terá de haver uma redução de IRS?

Parece-me que terá que haver, porque é importante para as pessoas que haja. Agora, eu também queria dizer isto, que me parece importante. Hoje é dia 2 de julho. Estamos ainda a mais de três meses da entrega do orçamento. Vem aí o verão. É importante que o orçamento depois seja apresentado, que seja analisado pelos partidos políticos. Nós não somos aquele partido que gosta de fazer política de terra queimada, tal como o PCP, que antes de saber qual é o orçamento, já avisa que vai votar contra o orçamento. Nós nunca fizemos isso, nem nunca vamos fazer isso. Vamos analisar o orçamento, vamos ver que orçamento é que o PSD e o CDS nos vão apresentar e vão apresentar aos portugueses. E a partir daí, depois dessa análise detalhada que faremos ao orçamento, poderemos tomar uma decisão. Obviamente, que há bandeiras, que há coisas que nós não abdicaremos. Nós não podemos abdicar de variadíssimas coisas, daquelas que é na essência o problema eleitoral do Chega e que ainda o ano passado nós não abdicamos e por isso votamos contra este orçamento do PSD.

Mas admite que o partido possa vir a chumbar o orçamento do Estado e que o país fique...? Isso significaria que o país pudesse ficar em duodécimos, tendo em conta que o presidente da República atual já descartar a dissolução.

O Partido Socialista também já demonstrou abertura ao PSD. Viu-se agora na PSU que o Partido Socialista conseguiu chegar a um consenso com o PSD. Aliás, o PS e o PSD conseguem sempre chegar a muitos consensos quando se trata das suas clientelas políticas e de não melhorar a vida dos portugueses. Portanto, eles já nos habituaram a isso. Portanto, vamos aguardar serenamente. Sinceramente, eu acho que nós nunca podemos falhar é aos portugueses que votaram em nós e que acreditaram neste projeto. Portanto, nós temos mesmo que apresentar as nossas propostas, ver qual é o orçamento, qual é o orçamento que vão apresentar.

Acho que é mais fácil ser o Partido Socialista a viabilizar o orçamento. É isso ou estou a interpretar mal?

Isso é uma pergunta boa para o PSD. O PSD é que tem que responder a isso. Agora, até tem-se percebido ultimamente que o PSD escolheu mais o Partido Socialista para parceiro preferencial. Finge que quer fazer coisas conosco, no caso da Lei da Nacionalidade. Vou dar um exemplo, a lei das burcas. A lei das burcas está uma discussão tremenda, porque o PSD quer ir totalmente ao contrário do que foi a proposta do Chega da lei das burcas, que foi aprovada. E agora, nesta idades, querem meter coisas totalmente ao contrário. Ou seja, este é o PSD que nós temos hoje. O PSD vai ter de decidir. O PSD, se quiser negociar de forma séria-

Mas entenderam-se na lei dos estrangeiros, entenderam-se até num calendário pra revisão constitucional. Portanto, PSD e Chega também se entendem.

Entendem. E deixe-me que lhe diga que fôssemos nós, quer a lei da nacionalidade, quer a lei de estrangeiros, teria ido muito mais além do que foi esta lei. Foi o mínimo possível que conseguimos, mas lá está. Isso prova o quê? Prova que quando há boa vontade das duas partes, nós conseguimos chegar a entendimentos. Mas também há coisas que nós não podemos ceder. Há pormenores que nós não podemos ceder.

Mas deixe-me só perceber.

E volta à reforma laboral. Deixe-me só dizer isto. Volta à reforma laboral. Havia um pormenor que desde a primeira hora o PSD sabia que nós não iríamos ceder, que foi na baixa da idade da reforma ou pelo menos para estancar a idade da reforma. E nós não iríamos ceder a isso. E nós provámos apenas, depois de negociações sérias, de negociações até altas horas da manhã, entre o governo e entre o Chega. Houve muitas negociações, muitas horas de negociações, muito trabalho de ambas as partes, trabalho árduo, trabalho importante para o país, que depois, infelizmente, não se concretizou, porque o PSD pensou assim: "Bom, isto agora está resolvido, eles agora vão se esquecer disso da idade da reforma e nós vamos à nossa vida." Não, não é assim.

Pedro Pinto, deixe-me só aqui o orçamento do Estado outra vez, só para lhe perguntar uma coisa e para ficar claro. Seria mau para o país entrar em regime duodécimos?

Pode-me fazer as perguntas que quiser, mas eu acho que nós estamos a precipitar uma discussão do orçamento do Estado, que ainda faltam mais de três meses. Eu acho que vai haver meses e meses para discutirmos o orçamento do Estado.

Certo, mas eu estou lhe a falar até pelo perfil do Presidente da República, por aquilo que ele disse na campanha eleitoral relativamente a um eventual chumbo do orçamento do Estado. Era muito prejudicial para o país ficar no regime duodécimos no próximo ano?

Também vou dizer uma coisa, que não era nenhuma tragédia ficar no regime duodécimos. Não seria a primeira vez que isso acontecia no nosso país. Agora, se a pergunta for feita ao contrário, se me disser assim: "Prefere que o país tenha um orçamento disponível para ser investido em 2027?" Claro, sim, é perfeitamente normal. Por isso é que se fazem os orçamentos, por isso é que nós preferimos que os orçamentos sejam aprovados. Agora, se o orçamento não é bom para as pessoas, se o orçamento não melhora a vida das pessoas, então vamos estar a aprovar só por quê? "Ai, que é para não ficarmos em duodécimos." Não, nós temos que é melhorar a vida das pessoas. Nós temos que é baixar os impostos. É isso que é importante, e é isso que não tem, infelizmente, acontecido, ao contrário de toda a propaganda, que quer o PSD, particularmente o PSD tem feito uma propaganda sobre baixa de impostos, mas agora é sair do estúdio, é chegar aí fora da porta do observador, sairmos daqui e perguntarmos assim às pessoas: "Está melhor ou está pior do que estava há dois anos atrás? Estão iguais ou piores?"

Deixe-me insistir aqui na questão dos duodécimos, mas não por via do orçamento, por outra questão. O António José Seguro já fez saber que não vai dissolver a Assembleia da República se houver um chumbo orçamental, mas existindo esse chumbo, a verdade é que o ambiente político se deteriora e o calendário acaba por acelerar. E o Chega está pronto para ir a votos?

O Chega não está nada para votos. Volto a dizer, nós não estamos nada preocupados com ir a votos ou não ir a votos. E estamos sempre preparados, como se provou que quando António Costa quis ir embora, quando aconteceu aqueles problemas todos e ele quis se ir embora, foi ao Conselho Europeu, porque até agora é a única prova que nós temos, foi que ele se quis ir embora para o Conselho Europeu, que infelizmente não apareceu mais nada. O Chega esteve pronto para ir a votos. Quando Luís Montenegro apresentou uma moção de confiança ao Parlamento que sabia que ia chumbar e sabia que ia a eleições, o Chega esteve pronto para ir a votos. Portanto, o Chega está pronto para ir a votos. No próximo ano, daqui a dois anos, daqui a três, daqui a 10, o Chega está sempre pronto para ir a votos, porque nós andamos sempre na rua e os portugueses falam conosco todos os dias.

E com que objetivo? É derrotar o PSD nas próximas legislativas?

Não, o nosso objetivo é governar Portugal, que é sempre o objetivo que temos tido desde o princípio, que é levar André Ventura a primeiro-ministro, fazermos a mudança radical que o nosso país precisa. Eu creio que todos os portugueses pensam e veem que Portugal tem mesmo que mudar, tem que haver uma mudança radical no nosso país. Nós temos uma imigração descontrolada que continua descontrolada. Ainda agora saíram dados na passada semana que temos 1 milhão e 600 mil imigrantes no nosso país, ou seja, aquilo que o PSD andou a dizer que era diferente do PS, que ia fechar as portas do nosso país, que ia controlar mais, ao fim e ao cabo, não controlou nada mais, continua tudo igual. Os subsídios continuam a ser distribuídos pelos mesmos. O que é que o PSD foi fazendo? Foi metendo os seus, aqueles que deixavam de ser autarcas nos cargos políticos, nos cargos de eleição. Foi isso que o PSD foi fazendo. Portanto, diferenças entre o PSD e o PS, não há muitas. As pessoas querem realmente uma mudança em Portugal, querem a reforma da Justiça. A reforma da Justiça que infelizmente tem vindo a ser adiada. Repare bem que o PSD nunca mais falou na reforma da Justiça, nunca mais tocou na conversa da reforma da Justiça. E nós continuamos a ter, olhe, por exemplo, um ex-primeiro-ministro a ser julgado por corrupção e a gozar com os portugueses. Ainda agora saiu a notícia esta semana, vamos ter que indenizar José Sócrates. Como é que isto é possível? Em que país é que isto pode acontecer? Isto acontece em Portugal. Olhe, vamos aqui ao lado da Espanha, onde um ex-ministro deste governo espanhol levou 24 anos de cadeia e o processo foi em um ano e meio, dois anos, creio eu. Não passou disso. E nós andamos há 14 ou 15 anos a levar com o processo José Sócrates. É isso que é a justiça em Portugal? É assim que a justiça funciona em Portugal? Não, não é assim que a justiça pode funcionar. É essa reforma da justiça que tem que ser feita e que não está a ser feita por este governo. A reforma da saúde tem que ser feita e não está a ser feita por este governo. Todas as reformas que eles dizem que querem fazer, é tudo uma propaganda barata que este governo tem feito, não tem passado disso.

Pedro Pinto, estamos a gravar esta nossa entrevista no dia 2 de julho, quinta-feira, dia em que o governo redobrou as medidas de preparação para combate a incêndios. Antecipamos todos uma época muito difícil. Acontece que no mesmo dia em que o governo faz isso, Luís Montenegro viajou para Toronto para assistir ao jogo da seleção futebol. É um bom princípio? Parece-lhe um bom sinal?

Bom, a verdade é que são previstas temperaturas muito altas, que o ministro da Administração Interna vi há pouco também já disse que estes dias vão ser terríveis, segundo ele, vão ser dias preocupantes. Bom, a verdade é que existe também um governo. Existe um governo que continua em funções. O primeiro-ministro vai em representação do Estado português também. Isto é uma coisa. Se perguntar se o primeiro-ministro, se fosse André Ventura, iria nesta altura ver a seleção nacional. Se calhar não, e com todo o sentido. Eu acho que o primeiro-ministro deve estar onde tem que estar. Se se preveem realmente este aumento de Tráfego de temperaturas, como querem alertar tão as pessoas. Ou então, se calhar não é tão dramático como querem pintar e como nós temos visto. Não é tão dramático o Ministério da Administração Interna vir para as televisões dizer aquilo que disse. Portanto, aqui das duas, uma: se é um cenário dramático, se não é um cenário de grande preocupação e que pode ser um cenário trágico, o primeiro-ministro devia ter ficado em Portugal e ficar em Portugal. Agora, se o cenário não é assim tão apocalítico como dizem, então ali o senhor primeiro-ministro pode continuar a fazer a sua agenda.

Pedro Pinto, o Chega teve recentemente eleições internas. Três deputados em funções não foram reeleitos e das 12 estruturas que foram a votos, só quatro mantiveram o mesmo líder. O Pedro Pinto é secretário-geral do partido. Estas eleições internas são um cartão amarelo à forma como o partido tem sido liderado?

Não, bem pelo contrário. Uma coisa são as eleições nas distritais, outra coisa é a liderança de André Ventura. A liderança de André Ventura não se mistura com as lideranças distritais. Isso só prova uma coisa: só prova que nós temos um partido aberto, um partido democrático. Houve distritais onde houve quase quatro listas. Isso significa que existe pluralidade das opiniões e que é importante haver essas opiniões diferentes dentro do partido. Eu creio que ninguém neste partido estará contra o líder do partido André Ventura. Um líder que em 2019 consegue eleger um deputado, depois em 2022 passa para 12, depois passa para 50 e agora para 60 e é a segunda força política em Portugal. Eu acho que quem contestar a liderança de André Ventura, ou terá que ser internado, não deve estar muito bom da cabeça, porque é um líder político que tem todas estas vitórias que tem tido nas eleições, que tem feito um partido crescer da maneira que cresceu. Dizerem que poderá ser contra a liderança de André Ventura. Não, claro que não.

Dentro do partido estão todos bons da cabeça. Ninguém coloca em causa essa liderança.

Foi uma expressão que eu utilizei, porque ao fim ao cabo é a expressão que é verdadeira. Porque repare, se um partido que tem este crescimento, então o que estaríamos nós a dizer, por exemplo, do Bloco de Esquerda, que é derrota atrás de derrota. O que estaríamos nós a dizer do PCP? Então o Paulo Raimundo já tinha sido ignorado. O PCP não é o partido mais democrático que existe, mas já tinha que ter desaparecido. O que é do Partido Socialista? O que é até do Luís Montenegro? Ou seja, vamos lá ver, vamos ter sérios e corretos nesta discussão. Eu não ouvi ninguém perguntar, por exemplo, ao Luís Montenegro, quando em Braga, o Hugo Soares, que era o grande apoiante do candidato à distrital de Braga, perdeu as eleições em Braga. Eu não ouvi ninguém fazer drama com isso. Não existem dramas, não há dramas. Há eleições distritais onde se escolhem estruturas distritais. Aliás, se viu a campanha interna do partido.

Mas a direção coloca-se de parte para não sofrer derrotas neste sentido?

Não. Oiça, se alguém não tem medo é André Ventura e a direção nacional. O André Ventura não tem medo de nada disso e muito menos ter medo de derrotas. A verdade é esta: todas as campanhas foram feitas da mesma maneira. Queremos levar André Ventura a primeiro-ministro. Todos eles. Aliás, e deixe-me dizer uma coisa. Vai haver um congresso do Chega em outubro ou novembro. Eu até fazia aqui um desafio. Eu gostava que se existia alguém que conteste a liderança de André Ventura, e volto a dizer que num partido democrático é normal que isso aconteça, tem que ter as suas razões para isso, mas se existe alguém que contesta a liderança de André Ventura, só tem uma coisa a fazer: é candidatar-se a líder do partido no próximo congresso. É isso que se tem a fazer. Eu prefiro pessoas diretas do que andem escondidos, alguns através de perfis falsos, atentado desestabilizar, que não há desestabilização nenhuma, estamos todos muito tranquilos, e que cheguem à frente e digam assim: "Eu sou candidato contra André Ventura no próximo congresso." Isso é que é bonito em democracia.

Em maio escreveu o seguinte: "Ao partido e aos militantes cabe ter a maturidade suficiente para apresentar listas, projetos, propostas para o futuro, sem se esquecerem que o combate é ao socialismo, a um governo que afunda os portugueses cada vez mais. Os portugueses estão de olhos postos em nós." José Paulo Sousa, novo líder da distrital do Chega de Faro, diz ter sido agredido presumivelmente por um apoiante do agora ex-presidente daquela distrital e deputado João Graça. Pedro Pinto é eleito por esse círculo eleitoral, foi candidato à Câmara em Faro. Já tentou perceber o que é que se passou?

A única coisa que isso ter acontecido, se a coisa aconteceu mesmo, é lamentar os sucedido, lamentar a situação. Nós não nos revemos nisso. Eu acho que a atitude do partido tem que ser como tem sido sempre até agora, quando temos um problema dentro do partido, é afastar essas pessoas.

Mas que consequência é que pode existir?

Ainda bem que disse aquilo que eu escrevi. Eu escrevi e subscrevo tudo aquilo que escrevi. Eu acho que o partido tem que crescer, tem que ter maturidade política. O Chega em sete anos cresceu como nenhum único partido no país cresceu. Nós crescemos nestes sete anos, crescemos de uma forma brutal e é perfeitamente normal que, por vezes, as próprias bases não tenham acompanhado esse crescimento do partido. Mas isso acontece, isso é perfeitamente normal. Isso é uma coisa. Outra coisa que nós não podemos admitir é que haja este comportamento por parte, seja de militantes, seja de dirigentes do partido.

Este militante vai ser expulso do Chega.

Deixe-me só dizer isto. Não quero meter aqui nada entre o deputado João Graça e o novo presidente da distrital, José Paulo Sousa. São ambos militantes de mérito no partido. O José Paulo Sousa, inclusive, é também é nosso vereador na Câmara Municipal de Silves, tem sido nosso candidato, é alguém que está conosco desde o princípio, tal e qual como o João Graça, fizeram um percurso muito idêntico dentro do partido. Chegaram a uma conclusão que tentaram por um projeto melhor. Foram duas listas de eleições, ganhou uma, outra perdeu, mas no final, o importante é as pessoas perceberem isso. No final, todos eles são militantes do partido e todos eles querem levar André Ventura a primeiro-ministro, que é o mais importante.

Mas este militante que agrediu o outro deve ou não ser expulso?

Será o Conselho de Jurisdição a avaliar isso. Quando existe uma agressão, obviamente que da nossa parte, mas será o Conselho de Jurisdição a decidir. Achamos obviamente que terá que ser expulso.

Muitas vezes fala-se numa luta interna com vários nomes do partido, entre eles o seu vem muitas vezes referido, mas também o do deputado Bruno Nunes. Sente-se de alguma forma derrotado nestas eleições?

Derrotado? Por que eu diria ser derrotado nestas eleições?

Por ter apoiado alguns candidatos que não venceram.

É falso. Primeira coisa, eu não apoiei candidato nenhum. Aliás, foi uma das questões que nós metemos na Direção Nacional, e bem, que nós não tínhamos que apoiar candidatos nenhuns, particularmente por todos eles são militantes do partido, todos eles têm legitimidade para apresentar candidaturas a órgãos nacionais.

De forma oficial a direção não apoia ninguém.

Não, da parte do Pedro Pinto não há o oficioso. Aliás, a Inês conhece-me bem, sabe que comigo não há o oficioso, comigo é o oficial sempre. Não há aqui o off nem o on, é sempre no on. Comigo é sempre assim. Eu se tivesse que apoiar alguém, teria apoiado publicamente e diretamente. Eu sou assim, sempre fui assim na política, sempre fui assim na minha vida e sempre serei. Eu não apoiei nenhum candidato, porque ainda vai haver eleições agora neste fim de semana também. Temos mais oito distritos que vão a eleições. Agora, quando às vezes lançam o nome do Pedro Pinto, é para tentar desestabilizar. Não existe nada entre o Pedro Pinto e o André Ventura. O André Ventura tem as suas pessoas de confiança, eu tenho muito orgulho de estar ao lado dele e é aí que eu me coloco e me colocarei sempre.

Pedro Pinto, vamos avançar com o segundo segmento do nosso programa, o bloco Carne ou Peixe. Só pode escolher uma de duas opções.

É aquela parte difícil.

Tinha a possibilidade de ir ver a final do Campeonato do Mundo, em que Portugal marcaria presença. Preferia ir com Nuno Afonso ou Bruno Nunes?

Ia ir com o Bruno Nunes tranquilamente.

E com quem é que preferia assistir a uma corrida de touros? Pedro Nuno Santos ou José Luís Carneiro?

Com José Luís Carneiro, até porque eu vi assistir a várias corridas de touros em Baião quando fui presidente de câmara. Portanto, iria com José Luís Carneiro.

Com quem aceitaria dividir um camarote no Estádio da Luz? Pedro Passos Coelho ou Luís Montenegro?

Com Pedro Passos Coelho, porque Luís Montenegro sei que é do Porto, seria mais desagradável dividir com ele. Pedro Passos Coelho não tenho a mesma certeza, mas creio que seria esse.

Guardamos a mais difícil para o fim. Estamos a chegar ao verão, com quem passaria uma semana de férias no Algarve? E só poderia escolher essa pessoa para passar essa semana consigo. Fabian Figueiredo ou Mariana Mortágua?

Desagradável. Não seria certamente a semana mais agradável do ano e nós quando vamos de férias temos que ter pelo menos uma semana agradável, coisa que eu também não tive ano passado, que estivemos em eleições autárquicas, portanto não soube o que é isso de férias. Escolhia essa zona do país, acho que é uma boa zona para passar férias, que é o Algarve. Entre Mariana Mortágua e Fabian Figueiredo, Mariana Mortágua será certamente muito mais agradável passar férias do que Fabian Figueiredo.

Muito bem, Pedro Pinto.

Não sendo a companhia ideal.

Nós percebemos, mas louvamos o seu espírito de compromisso em ter de escolher uma de duas opções, mesmo sendo uma escolha difícil. Pedro Pinto, como é hábito no nosso programa, o convidado serve uma sobremesa, no caso uma música. Que música é que nos traz e por quê?

Uma coisa curiosa. Eu quando fui convidado para este programa, creio que a única vez que tinha sido convidado, eu escolhi esta música e hoje vou escolher igual, para provar a coerência que nós sempre temos. Já foi há uns anos. Eu escolhi "O Homem do Leme", dos Xutos & Pontapés, porque eu acredito mesmo que André Ventura é o homem do leme, é o homem ideal para levar este país para frente, para governar este país, para ser primeiro-ministro de Portugal. É o homem que quer fazer as transformações, as mudanças no nosso país e é o homem que tem crescido politicamente. Fez um partido crescer, fez um partido do zero e cresceu com todo o apoio das bases, dos militantes, dos presidentes distritais, e cresceu até aqui e continua a crescer. Portanto, é essa música. Acho que continuará a ser o homem ideal para ser o homem do leme neste país.

Pedro Pinto, muito obrigado por ter vindo a esta "Vicia e Suave". É sempre bem-vindo ao Observador.

Obrigado a vocês.

Os nossos ouvintes já sabem, podem voltar a ouvir esta entrevista nas plataformas habituais e lê-la na íntegra no site do Observador. Até à próxima.

Sozinho na noite. Um barco ruma para onde vai. Uma luz no escuro. Brilha direito, ofusca as demais. E mais que uma onda, mais que uma maré. Tentaram prendê-lo, impor-lhe uma fé. Mas vogando à vontade, rompendo a saudade. Vai quem já nada teme, vai o homem do leme. E uma vontade de rir. Nascendo no fundo do cer. E uma vontade de ir, correr o mundo e partir. A vida é sempre a perder.