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Olá, bem-vindos à Vixi Suave, nesta semana em que se ficou a conhecer o novo governo de António Costa e se fizeram finalmente as contas aos deputados que vão tomar posse em breve na Assembleia da República. Nós estamos desejosos que isso aconteça, porque é nos corredores do Parlamento que costumam estar os ingredientes mais frescos para alimentar estas nossas conversas semanais. Na ausência do Parlamento, por enquanto, há outros corredores do poder que têm alimentado conversas e muitas fotografias nas redes sociais. Esta letra obviamente não foi escrita pelo Presidente da República, que não sendo ele próprio frequentador das redes sociais, levou as redes sociais a frequentar o Palácio de Belém. Portanto, Marcelo Rebelo de Sousa está atento ao Instagram e nós também. Pode seguir a página da Vixi Suave no Facebook e também no Instagram em @obsvixisuave. Eu sou o Pedro Benevides, editor da Política do Observador e aqui ao lado está, como sempre, o João Alexandre, editor da rádio, e nesta edição, os jornalistas Rita Tavares e também o José Pedro Mozos. Vamos então começar a distribuir as habituais sopas do costume e eu se calhar começaria primeiro pelo João Alexandre, que costuma sempre ficar relegado aqui para o fim das nossas conversas.

Isso é porque eu sou muito sucinto.

É verdade.

Mas hoje está aqui uma pessoa montada numa geringonça, que é o José Pedro Mozos, cheio de muletas.

É verdade. Hoje apareceu aqui de muletas.

Muletas ucranianas. Muletas.

Ok.

Muletas é mais giro assim, não é?

É apropriado, que eu acho que vamos conversar sobre isso na segunda parte com a nossa convidada. Mas pra já vamos servir uma sopa requentada. João Alexandre, qual é a tua aposta?

Tenho sopa requentada, espero que não seja muito repetitiva e que vá ao encontro também das vossas, mas em princípio irá. É o novo governo de António Costa. Eu não sei se o assunto é ou não incontornável, mas um governo onde saem três ministros e onde se mantêm uns quantos, em que há promoções, mudanças de hierarquia, mas onde praticamente fica tudo na mesma, eu penso que é sopa requentada. António Costa falou dessa necessidade de continuar o projeto que tinha, até porque temos de nos lembrar que António Costa tinha essa designação que era a agenda para a década. Ou seja, há aqui todo um projeto de António Costa há vários anos e parece que é para a década e que vai ser também com as mesmas pessoas. Se bem que há algumas alterações de pormenor, a questão dos ministros que passam a ministros de Estado. Há também aqui um reforço das áreas, por exemplo, da coesão territorial, a questão da administração pública com Alexandra Leitão, essas novas designações de ministérios, também a questão do Ministério da Ação Climática, que primeiro passou a Ministério do Ambiente, depois passou a Ministério do Ambiente e da Transição Energética. Entretanto, a economia agora tem a pasta da transição digital, o da Ministério do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, agora tem essa designação da ação climática, que já vimos também que os próprios ambientalistas têm muitas dúvidas em relação à designação. Ou seja, ninguém acredita muito que não passe disso mesmo, de um nome pomposo pra atribuir a um ministério. Mas no fundo é isso, é essa continuidade que até parece algo excessiva da parte de António Costa. Se bem que como já ouvimos também, não sei se, Pedro, tu próprio já tinhas também esse tipo de análise, não sei se foste tu ou não, mas que não é propriamente fácil.

Se for brilhante, provavelmente fui eu.

Sim. Vamos ver se é brilhante ou não. Mas é o facto de não ser também propriamente fácil, nos dias de hoje, construir um governo novo, de raiz, com muitas caras novas. Porque tendo em conta até o lado remuneratório, ou seja, aquilo que se ganha quando se vai pra ministro, tendo em conta aquilo que se paga no privado, não é o sonho de uma vida, muitas vezes para algumas personalidades que vão ocupando a vida política.

É uma boa análise, mas não diria que é brilhante, portanto não fui eu que disse isso, de facto.

Então não foste tu, não era a tua opinião.

A minha opinião é que este governo foi construído, pra já foi começado a construir já há um ano, quando houve uma remodelação governamental.

Não devemos esquecer dessas remodelações também.

Em fevereiro, exatamente. Portanto, acho que António Costa já estava a jogar nesses dois tabuleiros, o pré e o pós-legislativas, e acho que ele está também a pensar noutro tabuleiro, que é quando acabar a presidência da União Europeia, quando acabar o mandato de Mário Centeno no Eurogrupo.

Já vi que também é a tua sopa requentada, esta.

Era claramente a minha sopa requentada. Esta sopa não foi escolhida pela sua genialidade e surpresa. E acho que ele estará a preparar já eventualmente outro elenco governativo depois quando se preparar pras autárquicas, mas é óbvio que isto é apenas especulação. Rita Tavares, qual é a tua sopa requentada?

Pois, é a mesma. Bem, não era propriamente sopa requentada que nós estávamos a comer na terça-feira quando começou este rebuliço todo, porque estava a secção de política.

Agora conta como é que foi.

O que é que estavam a comer?

Estávamos a almoçar. Não podemos dizer que fazemos publicidade, mas era aqui no restaurante Na Zona, em Alvalade.

Era um bom bife.

E nós estávamos todos a almoçar, estávamos a fazer um almoço de secção, quando começamos ali a receber informações sobre o que é que podia acontecer essa tarde: a constituição do novo governo. Percebemos que António Costa ia a Belém, a coisa ainda não era conhecida. Escrevemos o texto à mesa no telemóvel pra poder publicá-lo rapidamente.

E já com algumas novidades também sobre ministros.

Nessa altura ainda não.

Na hora do almoço ainda não.

Nessa altura ainda não tínhamos a certeza absoluta.

A novidade era que Costa ia a Belém.

Era que ia haver uma reunião. Nem sequer tivemos a certeza absoluta que ele levaria a lista. Só tivemos depois, quando já estávamos aqui na redação, e então aquilo foi o bife a arrefecer, e nós ali a fazer as notícias à mesa e viemos pra redação e depois a coisa começou a correr com mais velocidade e soubemos que António Costa levava mesmo o governo ao presidente da República e lá entrou ele em Belém, passado um bocadinho, com a pastinha debaixo do braço, mesmo a fazer aquele número típico de quem leva ali alguma coisa pra apresentar. O presidente da República viabilizou o tal governo, que eu acho que sim, que é requentado. Dos 17 ministros anteriores ficam 14. Saíram três: Ana Paula Vitorino, Capoulas Santos e Vieira da Silva. Duas baixas por causa disso.

Confirmando uma notícia do Observador de sexta-feira

A passada, há uma semana, onde dávamos já conta de que não iria haver relações familiares no elenco governativo que Costa iria escolher.

Pelo menos entre membros do governo. Duas baixas do Family Gate, curiosamente com António Costa a mostrar que afinal era um problema aquilo que ele dizia e que sempre disse que não era um problema. E vimos também esta semana que a questão nem sequer foi propriamente pacífica e não era pacífica dentro do Conselho de Ministros, porque António Costa resolveu acabar com essas relações familiares dentro do Conselho de Ministros e depois veio Ana Paula Vitorino fazer declarações ao Diário de Notícias mostrando desagrado por ter sido afastada da pasta do Ministério do Mar, pelo menos por essa razão, e Duarte Cabrita também a partilhar ali uma crítica. Tenho aqui uma coisa só a dizer sobre isto: é que fala-se muito no reforço do núcleo político, nas pessoas que pensam a estratégia do governo, e eu gostava de dizer aqui uma coisa: eu não me parece que haja muito grande reforço aí. Esse núcleo mantém-se completamente intocável. Só sai mesmo Vieira da Silva, se nós olharmos e compararmos com o governo anterior. Mantém-se Pedro Nuno Santos, mantém-se Mariana Vieira da Silva, Siza Vieira, mantém-se Duarte Cabrita, mantém-se Augusto Santos Silva. Alguns deles agora também são ministros de Estado e isso é importante, sim senhora, porque funcionam como vice-primeiros-ministros, que podem substituir o primeiro-ministro nas suas ausências, para assegurar plenamente a condução da presidência portuguesa da União Europeia, foi a justificação do gabinete do primeiro-ministro. Mas se alguém pensa que isto é António Costa a delegar, eu acho que se pode desenganar, porque basta olhar para quem são os ministros de Estado. Para já, são os mesmos do núcleo político de António Costa. E depois são pessoas que nem sequer têm um grande pendor político. O que eles são? São mais funcionais dentro do governo e muito próximos de António Costa. Caso de Siza Vieira e de Mariana Vieira da Silva. Não os vemos propriamente por aí no mundo político a levantar congressos e comícios. Não é essa a função deles. A função deles é de lealdade a António Costa e é de grande influência por causa dessa lealdade que mantêm com António Costa e é isso que lhes dá autoridade, é essa proximidade do primeiro-ministro. E isto é um governo, mais uma vez, com António Costa por todo o lado, como já era o governo anterior. Portanto, aqui o reforço político é mesmo de António Costa, quanto a mim.

E deixa-me só acrescentar uma coisa.

Também era a tua.

Também era essa.

Fomos muito originais hoje.

Aliás, são duas coisas. A primeira é que eu não percebo, de facto, o que é que a presidência rotativa da União Europeia tem assim tanto peso naquilo que é a gestão corrente do governo. Não sei mesmo.

Em 2007 não me lembro de José Sócrates, então primeiro-ministro da presidência portuguesa da União Europeia, ter feito isso.

É um argumento que é utilizado, mas que eu não sei se na prática vai ter assim tanta importância como aquilo que o PS está a tentar fazer passar. É uma dúvida que deixo, porque não sei mesmo que peso prático é que depois isso terá na gestão corrente do governo.

António Costa anda a fazer um road show dele mesmo entre as instituições europeias. Isso é já no futuro.

Até porque se fala da tal futura carreira no exterior. Não sei se isto não será já uma preparação para isso. E mesmo para terminar, além de ser um governo que é na sua essência muito semelhante ao anterior, também me espantaram algumas reações de surpresa para com isto, porque António Costa já tinha avisado que este governo ia ser basicamente de continuidade, que não haveria muitas alterações e, portanto, espantaram-me algumas reações de espanto.

Espantaram-te algumas reações de espanto é uma boa expressão para terminarmos esta sopa. Vamos ver se ainda temos tempo para mais algumas. Muito rapidamente, uma sopa da moda. Mosos, tu que estás espantado com o espanto destas coisas, ficaste espantado por ver, eu vou revelar aqui qual é que era a minha ideia, o presidente da República.

És tão previsível!

Eu não sou previsível, mas eu convosco não quero arriscar muito.

A minha sopa da moda não é essa, curiosamente.

Pronto, mas a minha pergunta é sobre isso. É sobre se ficaste espantado por ver influencers e instagramers no Palácio de Belém.

Sim, eu acho que são sinais dos tempos, tanto do presidente da República que temos, como das redes sociais que temos. Mas como não me preparei muito sobre esse assunto, fico-me por esse parco comentário e vou passar para a minha sopa da moda.

Que é?

Que eu tentei fugir precisamente já suspeitando que vocês iam cair para isso.

Então, pequeno génio, conta lá qual é a tua sopa da moda.

A sopa da moda que eu escolhi foi fazer tabu. Ou seja, se nós olharmos para os partidos que estão em baixa, seja o CDS, o PSD e o PCP, e já vamos ao PCP, vemos que parece que está na moda é fazer tabu sobre quem é que é candidato ou não. Mesmo no CDS, em que até agora nenhum protocandidato assumiu que quer ser candidato, a não ser Abel Matias Santos, da Tendências para esse movimento. Ninguém assumiu se é candidato ou não e isto é algo bizarro, sobretudo num partido em que já se sabe que a líder vai sair, ou seja, essa via está aberta. E ontem no Conselho Nacional, Ana Coreta Correia fez uma intervenção em que diz que não se pode passar a ideia de que ninguém quer pegar no partido. E isso pode ser uma consequência desta mania de fazer tabu, que também se vê no PSD, onde até agora só Luís Montenegro e Miguel Pinto Luz assumiram ser candidatos, mas não se sabe nem o que o próprio líder fará. Não se sabe se Rui Rio vai ser candidato, não se sabe se Miguel Morgado avança, não se sabe se Paulo Rangel avança, se Moreira da Silva avança. Portanto, continua a haver tabu. E também no PCP. João Oliveira ontem numa entrevista à Rádio Renascença e ao Público Dizia que segundo os estatutos até pode nem haver secretário-geral, que isso está previsto nos estatutos. Ele põe de parte a sua candidatura, mas mantém um tabu enorme até sobre a existência do cargo em si.

Eu já agora para passar também digo já que a minha sopa da moda também vai pelo mesmo caminho que a do Moses.

Dois génios.

Que é esta moda de fugir a essas questões sobre a liderança. Até tinha visto aqui uma frase que costuma ser muitas vezes usada. Ontem foi Francisco Rodrigues dos Santos, à entrada para o Conselho Nacional do CDS, que disse: "Estou como sempre estive ao lado do partido, estou disponível para aquilo que os militantes entenderem que eu possa ser mais útil, etc."

É aquela frase que não quer dizer nada para não apertar um carinho.

Estarei disponível para aquilo que o partido quiser e entender.

Eu por acaso não tenho essa sopa da moda.

Mas reconheço que é uma boa sopa.

É uma boa sopa. Eu percebi que tu querias ir para os influencers, mas é coisa que não me convence, embora Marcelo, que seja um especialista de selfies e de afeto, já percebeu que isso convence muita gente. A minha sopa da moda é que a moda hoje em dia parece ter um lugar no Parlamento, uma cadeirinha. E a dança das cadeiras que se prepara no Parlamento promete. Esta semana distribuíram-se os lugares para a primeira sessão. A iniciativa liberal que se debateu pelo fim da direita e da esquerda não quer ficar à direita. O CHEGA não se importa com essa parte de ficar à direita, mas quer um lugar na primeira fila. É importante referir que estes lugares foram atribuídos pelo Presidente da Assembleia da República apenas para a primeira sessão, porque ainda não tomou posse o Parlamento, portanto, eles ainda não podem discutir essa distribuição de lugares formalmente, mas é de antecipar que esse próximo capítulo promete muita discussão sobre cadeirinhas no Parlamento.

É apenas um aperitivo daquilo que aí vem nesta nova configuração parlamentar que teremos a partir, presumo eu, já da próxima semana, quando os deputados tomarem posse. Mas eu não vou deixar o assunto que eu quis levantar aqui morrer assim na praia.

Quiseram fugir todos e não falou eu.

Eu acho que, de facto, esta questão do tabu faz sentido essa análise, embora eu tinha escolhido aqui outra sopa, que é a sopa que não está no menu, que é os candidatos que na verdade não aparecem. E hoje Miguel Pinto Luz apareceu e, portanto, também de certa forma boicotou aqui esta minha ideia.

Mas olha que eu tive a mesma ideia que tu.

Também pensaste a mesma coisa?

Sim, pensei.

Sim, era isso, mas Miguel Pinto Luz, de facto, veio aqui complicar os planos. Em todo o caso, a questão dos influencers de Marcelo Rebelo de Sousa, eu acho que aquilo tem uma leitura política um pouquinho mais profunda, eventualmente, do que aquela que tem sido feita.

Aquilo é até um projeto a médio, longo prazo.

Aparentemente, há qualquer coisa que vai nascer dali, pelo menos os Instagramers têm todos escrito sobre isso. Houve até reações algumas de desconforto dos média, editoriais e tudo dizendo que o presidente estava a banalizar uma casa tão importante como o Palácio de Belém, mas eu acho que isto, por um lado, há uma coisa que faz sentido, que é se o presidente quer chegar a determinadas gerações que eventualmente possam estar mais afastadas do discurso político, faz sentido que ele traga as pessoas que são ouvidas por essa geração para dentro das instituições políticas. Por outro lado, eu acho que isto não deixa de ser um sinal de que Marcelo Rebelo de Sousa está a querer eventualmente alargar a sua base de fãs a uma geração mais nova que eventualmente não está tão atenta àquilo que se passa na presidência e às eleições presidenciais que aí vêm. E isto, se juntarmos a entrevista que deu ao programa Alta Definição da SIC, eu acho que Marcelo Rebelo de Sousa está aqui a criar as condições para, se entender avançar, ter aqui uma base de apoio bastante forte e bastante funda.

Só lhe falta ir ao programa da Cristina.

Vamos ver, já telefonou para lá, aparentemente. Pode ser que ainda vá, mas isso quando chegar a campanha eleitoral, há tempo para tudo. Bom, o que não há tempo é para continuarmos esta primeira parte da Vixi Suave. Teremos uma segunda, onde já teremos a nossa convidada à mesa, é Mariana Mortágua, deputada do Bloco de Esquerda e dirigente do partido, que virá falar conosco sobre o estado da geringonça, não a geringonça onde está apoiado neste momento o José Pedro Mosos, mas a geringonça política. Até já. Bem-vindos à segunda parte da Vixi Suave. Temos a mesa posta e temos convidada à mesa Mariana Mortágua. Olá, bem-vinda. Obrigado por ter aceitado o nosso convite para se juntar a nós nesta hora de almoço de sexta-feira. Mariana, temos que começar a conversa por lhe perguntar se a geringonça afinal acabou ou não acabou.

Bom, há quem defenda hoje em dia que a geringonça é mais um estado de espírito do que propriamente uma condição material da política.

Mas o Bloco de Esquerda queria um acordo escrito, portanto era pela formalidade.

A geringonça quando foi feita, e nós sabemos isso, em 2015, ela foi feita com condições muito específicas, em um momento que toda a gente sabia que dificilmente seria repetível, por causa da pressão da direita, pela própria configuração do Parlamento. Também é verdade que o Bloco, sabendo que o PS não tinha ou não teria maioria absoluta, se disponibilizou desde o início, e fomos claros nisso, para fazer um acordo que pudesse ser um acordo de legislatura, um acordo que criasse uma maioria parlamentar. A geringonça foi isso, foi uma maioria parlamentar com crítica, com negociação orçamento a orçamento, mas que conferiu alguma estabilidade à anterior legislatura. Foi por isso que nós nos disponibilizamos. Essa maioria parlamentar não foi constituída a partir do momento em que o Partido Socialista rejeitou a hipótese de fazer um acordo escrito para a legislatura, claro, e começar essas negociações.

E por que o Partido Socialista não quis fazer isso, do vosso ponto de vista?

Isso, para começar, é o Partido Socialista que terá de responder.

Mas eu estou a perguntar ao Bloco, que era uma das partes interessadas e que terá feito uma leitura, naturalmente, sobre esta atitude do PS.

Esse processo também é claro. E eu acho que essa foi uma das vantagens de todo este tempo e da geringonça também, essa transparência, essa clareza na forma como cada partido se coloca em cima da mesa. O Bloco de Esquerda diz: estamos disponíveis para fazer um acordo escrito, estável, legislatura Há uma base de negociação, que é a retirada da lei do trabalho de três medidas que foram impostas pela troica e contra as quais o PS até votou. Portanto, o PS votou contra essas medidas. Se elas fossem retiradas do código laboral, o que iria acontecer era o código laboral voltava à lei de Vieira da Silva.

Mas há muito pouco tempo o PS não quis negociar essas medidas no código laboral. Portanto, vocês já sabiam que essas medidas eram impossíveis de o PS aceitar nesta altura.

Não espero que sejam impossíveis. A questão é: se eu vou fazer um acordo para a legislatura, eu não vou negociar com o PS coisas em que já estamos de acordo, porque senão não faz sentido ter um acordo. Um acordo faz-se quando cada partido tem de ceder posições.

Mas também não é possível fazer um acordo quando se põe em cima da mesa coisas que já se sabe que a outra parte não aceitou há três meses.

Mas lá há uma razão para a outra parte não aceitar.

Isso é uma coisa, outra coisa é saber que eles não aceitam.

Em 2015, o PS não aceitava um acordo estável para aumentar o salário mínimo, não aceitava descongelar as pensões. Foi obrigado a fazê-lo porque precisava de um acordo e quis fazer um acordo. O acordo é isso. O acordo é quando cada partido parte da posição de partida que tinha, de rejeição, e aceita negociar, faz contrapropostas, encontra meios caminhos.

Mas o Bloco de Esquerda não sabia que, à partida, esse era um caderno de encargos bastante difícil de passar ali no crivo do Largo do Rato?

Vamos ver. Se o Bloco de Esquerda fosse negociar com medidas que estão no programa do PS, então não está a fazer nenhum bem ao país, nem a respeitar os seus eleitores. O Bloco de Esquerda tem um programa eleitoral. Quando vai negociar um acordo, tem a obrigação de respeitar as suas próprias medidas, as suas próprias ideias.

Mas sabia que era difícil.

Sabendo que não se pode levar todo o seu programa. Aquilo que o Bloco de Esquerda levou como base para começar negociações foram três medidas sobre o código laboral que foram impostas pela troica, contra as quais o PS votou e que implicavam voltar à lei laboral de Vieira da Silva, que é o ministro do Trabalho do Partido Socialista. E portanto, parece-me que isto é o mínimo de convergência que tem que haver para se poder começar umas negociações à esquerda. Eu relembro que isto são negociações à esquerda e é por isso que a lei laboral é tão importante.

Relembra a quem? Ao PS?

Não, eu relembro.

É preciso o PS ser relembrado disso?

Não, não acho que seja o PS. O PS fez a sua escolha. Entendeu que não queria negociar.

À esquerda?

Se entendeu que não queria fazer um acordo com o Bloco de Esquerda, entendeu que não quis esse acordo à esquerda para a legislatura. E disse-o muito claramente. O que não quer dizer que essas negociações não possam existir, caso a caso, orçamento a orçamento, lei a lei. Mas essa ideia de ter um acordo para a legislatura que formasse uma maioria, não acontece.

Qual é que é a vossa base de expectativa neste momento? Não havendo um acordo escrito, partem com a exata expectativa que tiveram nos últimos anos e nos últimos orçamentos, ou acham que a dinâmica vai ser diferente? Os sinais que estão dados e a composição do Parlamento indicia que as negociações vão decorrer de forma bastante diferente.

Um acordo escrito no início da legislatura conferia estabilidade do ponto de vista da forma como a política se gere e da legislação e da legislatura, e estabelecia ganhos à partida, que obviamente são à esquerda, e portanto, medidas laborais, de recuperação de rendimentos, recuperação de direitos, que ficariam estabelecidas à partida e no início da legislatura. Teria ainda a vantagem de ter um outro conjunto de condições que já ficaram nos acordos de 2015 e que seriam repetíveis, ou seja, condição de não haver mais privatizações, não haver aumento de impostos sobre bens essenciais, não haver medidas de cortes de rendimentos, de aumento da TSU, aquelas condições básicas do acordo. É óbvio que isso confere estabilidade à legislatura. Não havendo isso, há uma negociação, orçamento a orçamento, lei a lei. E eu aqui posso apenas falar pelo Bloco. Nós vamos negociar cada lei e cada orçamento com o mesmo empenho que negociamos o acordo em 2015 e cada lei e cada orçamento desde 2015. A Lei de Bases da Saúde, que foi tão importante para nós, é extra acordo, não sai do acordo. E ainda assim, foi um processo de negociação muito duro, em que acho que houve avanços possíveis e importantes para o país. Portanto, é um exemplo de como é possível haver negociações, e é possível haver resultados, não havendo acordo, embora, não escondemos, preferíamos essa condição de estabilidade.

Mariana, logo na noite eleitoral, o Bloco de Esquerda tinha sido o partido que se mostrava relativamente mais aberto a uma repetição da geringonça e até estava disponível para duas soluções diferentes. Não teme que essa atitude tenha sido também encarada quase como desespero por ter um bocadinho que fosse de poder? Não teme que seja assim também encarado pelo eleitorado?

Não, não acho que se trate disso. Para já, qualquer partido que vá a eleições quer poder, e o poder é poder levar as suas medidas avante. Esse é o poder dos partidos, é o poder de aprovar leis, é o poder de levar as suas ideias mais à frente. E é lógico que o Bloco tem um programa no qual acredita e que quer batalhar por ele. Se fazer um acordo significasse alterar as leis laborais que têm contribuído para baixar os salários, se fazer um acordo significasse combater a precariedade, se fazer um acordo significasse mais investimento público na saúde, então esse acordo não teria valido a pena? Eu acho que teria, para o Bloco e para o país.

Mas essa questão da lei laboral, por exemplo, à partida já seria muito complicado. Podemos lembrar-nos do final da sessão legislativa e aquilo que tinha sido o posicionamento do Partido Socialista. O Bloco de Esquerda não pensou que à partida isso seria um ponto pelo qual não valia a pena pegar?

Já respondimos. Nós temos que levar as negociações e os acordos a sério. Eu não vou negociar com medidas que eu sei que o PS vai aceitar à partida, porque para isso não preciso negociar. Para que serve um acordo se os partidos não saem dos seus pontos de partida e não negoceiam coisas de outra forma? O acordo é o que faz o impossível acontecer. O acordo é o que faz um partido mudar a sua posição em prol de chegar a um consenso com outro partido.

Já tiveram algumas reuniões para preparar o próximo orçamento do Estado? Alguma reunião técnica?

Não

E ainda ambicionam ter no programa do governo medidas do Bloco de Esquerda?

Eu penso que a possibilidade de ter no programa do governo medidas do Bloco de Esquerda era o acordo.

Só isso? Acha que ainda não podem ser surpreendidos pelo Partido Socialista com alguma coisa?

Eu não posso impedir o Partido Socialista de incluir medidas no programa de forma autónoma e voluntária, mas a negociação para que no programa de governo já estivessem incluídas um conjunto de medidas que partissem do Bloco, isso era a solução do acordo. O acordo é isso, é o acordo escrito em que se inscreve no governo para a legislatura um conjunto de medidas.

Mas foi o Bloco de Esquerda que disse que não aceitava negociar sem um esboço orçamental.

Não, calma. Acho que há alguma confusão. Houve uma reunião, que foi pública, como todos sabem, para a possibilidade de um acordo. O Bloco colocou em cima da mesa uma metodologia para podermos negociar e as bases dessa negociação, que são as questões laborais. Passado dois dias, fomos informados que o PS não teria interesse nesse caminho, não apresentou qualquer contraproposta, nem uma contraproposta que mitigasse essas bases, não houve qualquer contraproposta, não tinha interesse, preferia negociar caso a caso. Muito bem, negociaremos caso a caso.

Acha que foi sempre essa a postura do PS desde o início, negociar caso a caso, e a ambição, o objetivo do António Costa?

Não se trata de eu ter lido ou não ter lido. As palavras de António Costa nos vários momentos a seguir às eleições foram sempre de disponibilidade para negociar qualquer um dos modelos e que iria aferir junto dos partidos.

Estou a falar mesmo da conversa que teve com o Bloco.

Mas acho que não temos que dramatizar muito. O PS foi claro, não quer mudar a lei laboral e achou que isso não valia um acordo.

E com toda essa intransigência do Partido Socialista aos olhos do Bloco de Esquerda, isso pode significar que vamos ver ao longo de quatro anos um Bloco de Esquerda a fazer muito mais oposição ao Partido Socialista?

Eu gosto de pensar que muitas vezes o Bloco de Esquerda, nos últimos quatro anos, fez maioria parlamentar, mas também fez boa oposição ao governo do Partido Socialista.

Estando a fazer mais nesta legislatura?

Sempre que houver pontos de convergência e capacidade de trabalho em comum, é isso que acontecerá. Sempre que houver medidas que atacam os direitos laborais, que aumentam a precariedade, que desinvestem nos serviços públicos, então sim, é a oposição que existirá. Mas isso tem a ver com o conteúdo das políticas.

Mas antes havia posições conjuntas e agora não há. Isso também não deixa o Bloco um bocado mais livre?

Isso é uma evidência. Não haver acordo é não haver maioria parlamentar. Não é uma questão de opinião, é um facto.

Portanto, o Bloco não se sente obrigado a nada.

Não há nenhum documento escrito. Nós teríamos preferido que tivesse sido possível haver uma convergência grande com medidas, com propostas, com avanços, tal como foi possível em 2015. Esse não foi o caminho. Agora vamos ver como é que, lei a lei, orçamento a orçamento, será possível negociar. Mas a ideia de que a maioria parlamentar, que no fundo é aquilo a que se chamou a geringonça, que foi mediada por acordos, por posições conjuntas ou acordos escritos, não havendo acordo escrito para a legislatura que balize esse campo político e o terreno das políticas, essa maioria não tem existência prática e, portanto, é normal que os partidos vão sentir-se mais livres para negociar caso a caso, lei a lei.

E acredita que o PS vai virar-se mais para a direita neste cenário?

Eu não faço futurologia.

Então não fazendo futurologia, deixe-me perguntar-lhe pelo presente. O novo governo já é conhecido, qual é que é a leitura que faz dos nomes que lá estão?

Não faço nem futurologia, nem comentário político. Ou seja, eu acho que o mais importante são as políticas do governo, o mais importante é a linha política do governo, e que eu espero que seja uma linha que prossiga um processo de recuperação de rendimentos, valorização de serviços públicos e que vá mais além, porque há sinais preocupantes que já vinham da anterior legislatura, o facto de o investimento público ter sido muito baixo, vergonhoso até, e a própria execução do investimento público, a falta de investimento em alguns serviços que tinha sido reforçada, os transportes, enfim, há uma série de lacunas na anterior legislatura que era necessário que fossem reforçadas.

Qual é o nome que dizia que a preocupa?

Trabalho. O nome apontado...

Ana Mendes Godinho?

Ana Mendes Godinho para o Trabalho.

Por quê?

Teve um conjunto de posições enquanto a responsável pelo Turismo, algumas frases polêmicas.

A UGT já veio deixar alguns elogios à futura secretária de Estado do Turismo.

Acho que isso não quer dizer nada.

Essa GTP foi um pouco diferente.

Vamos ver. É muito cedo para avaliações.

Mas o que é que a preocupa relativamente à...

Espere aí. Há declarações polêmicas da atual ministra do Trabalho, dizendo a empresas chinesas: "Venham para Portugal e façam de nós cobaia, nós somos a prova para vocês poderem entrar para a Europa." E portanto, quem à partida tem esse tipo de posições, que são questionáveis quando se tem um cargo de promoção de investimento ou de promoção de turismo, são questionáveis, porque essa é a mesma lógica que levou, por exemplo, aos vistos gold, que é também uma medida vergonhosa que este governo ainda não acabou. Quando pensamos nesta lógica aplicada ao trabalho, é uma lógica perigosa, e por isso preocupa-me. Vamos ver como é que as políticas do trabalho prosseguem. Mas é uma área muito sensível, é uma área onde há muito para fazer e há uma grande preocupação. O PS tem-me dito Sobre os salários médios, eu concordo, há dois problemas em Portugal. Há tantos problemas em Portugal nos salários, mas há duas evidências. Uma é o salário baixo é muito baixo e, por isso, o salário mínimo deveria continuar a aumentar, mas o salário médio está se aproximando do mínimo, porque não aumenta. E uma das formas de aumentar o salário médio é mudar as leis laborais, é dar mais condições de negociação aos trabalhadores, é combater a precariedade, os recibos verdes, a chantagem permanente. E por isso era preciso mudar a lei laboral e era preciso ter um combate sério à precariedade. E eu espero que esse combate não fique posto em causa com as novas escolhas para o trabalho.

E se neste governo voltarem a ser todos Centeno, o Bloco de Esquerda pode cortar o apoio ao PS?

Neste momento, não há um acordo. E portanto, em vez de um apoio ou não apoio, há uma abertura para trabalhar caso a caso. E por isso vai depender das medidas caso a caso. Não há nada que eu possa dizer além disso. Ou seja, governar, ainda mais quando não há uma maioria absoluta, é sempre um exercício de negociação e de convergência, e é um exercício de posições em confronto. O Bloco de Esquerda tem a sua posição e já a tinha na anterior legislatura. Achamos que as escolhas do ponto de vista das finanças e da gestão financeira foram muito além daquilo que era necessário. Está-se a gerir com uma política de excedente, quando, na verdade, há outras prioridades de investimento que se acumulam e que mais tarde vão sair mais caras ao país. Para além de depois também um processo de falta de autonomia dos próprios ministérios de tomada de decisão.

Mas Presidente, agora tivemos um aumento da pasta da Economia na hierarquia do governo, ou seja, Pedro Siza Vieira passa para número dois e Mário Centeno desce. Isso é positivo para o Bloco de Esquerda ou não?

Depende das políticas do Ministério da Economia. Se isso quer dizer que vai haver mais investimento público, todo o nosso apoio. O que é importante são as políticas. Houve um reconhecimento, parece-me, de que há um problema de investimento público em Portugal. Não se compreende como é que nos últimos quatro anos, tendo as verbas sido aprovadas em orçamento, havendo condições para fazer o investimento público, ele não tenha sido feito. Essa é uma das grandes prioridades desta legislatura. Agora veremos como é que esse processo vai decorrer. Uma hipótese de influenciar esse processo à partida e definir metas de investimento, definir reforço nos transportes, na EMEF, etc, era um acordo. Não tendo havido, essa disputa terá que acontecer orçamento a orçamento, lei a lei, e é exatamente esse trabalho que nós iremos fazer.

Deixe-me perguntar-lhe, até porque o nosso tempo está a chegar ao fim. O Bloco de Esquerda tem, desde há muito, feito alertas sobre a chegada da extrema-direita e o risco dos populismos, etc. E eu queria perguntar-lhe, sendo que um deputado foi eleito, André Ventura do Chega, para o Parlamento e é identificado como pertencendo a essa extrema-direita, quem é que acha que foi o responsável pela chegada de um partido destes ao Parlamento?

É óbvio que estes partidos que agora são eleitos, populismo reacionários, ultraliberais, em particular o André Ventura, são eleitos num cenário de alguma desestruturação da direita tradicional. Essa desestruturação existe porque o programa político de alguma forma faliu. Ou seja, estes são os partidos políticos que defenderam a austeridade, que defenderam a troika, que defenderam as inevitabilidades, a partir do momento em que se prova que afinal não era assim tão inevitável e que também começamos a perceber que as privatizações e a liberalização da economia nos anos 90 produziram BES, e produziram as falências da banca e produziram uma economia com problemas estruturais de corrupção, de foco em setores pouco produtivos, eu penso que essa direita ficou com um projeto político um pouquinho difícil de demonstrar, de desenvolver.

Esses são os órfãos da direita tradicional.

E estes partidos surgem vindos dessa direita, renovando-se e vestindo uma outra roupa, no caso do André Ventura, uma roupa populista, xenófoba, reacionária, racista, homofóbica, não quero continuar. Mas se formos ver, o programa do Chega é um programa ultraliberal. É um programa que não se distingue muito do que é uma ultratroika. É acabar com o SNS, é plafonar a Segurança Social. Aliás, André Ventura foi afilhado político do Passos Coelho, foi do PSD até anteontem. Não é um homem fora do sistema, é um homem que aproveitou uma oportunidade política para aparecer.

Como é que um partido que pensa que pode ter uma base de apoio com pessoas que estão completamente insatisfeitas com o desgaste do atual sistema político se apoia numa personagem que vem, ele próprio, da vida partidária e política desde muito cedo?

Todas as sociedades estão permeáveis a oportunismos políticos e a populismos quando há problemas sociais sérios e problemas estruturais sérios. No pós-Segunda Guerra, aquilo que salvou a Europa da extrema-direita foi o Estado Social, foi a legitimação política da democracia, foi o sentimento de que havia uma igualdade intrínseca entre as pessoas e que toda gente poderia aceder em pé de igualdade a serviços públicos, à educação, à saúde, o Estado Social. A resposta na habitação, na política de rendimentos, na igualdade, na seriedade do cumprimento do serviço público, tudo isso que são heranças do pós-guerra e que estão em desmantelamento ou estiveram em desmantelamento ao longo dos últimos 20 anos Eu creio e acho, e estou certa, é o que nos vai proteger da extrema-direita. E é por isso que é tão importante hoje investirmos na saúde, na educação, nos transportes, acho sinceramente que é isso que vai proteger as nossas sociedades.

Mariana Mortágua, terminamos esta parte, a Vixi Suave propriamente dita. Vamos prosseguir com o nosso menu, ainda por cima com uma atividade que eu sei que gosta muito e que é um dos seus jogos preferidos, que é escolher uma das hipóteses e aplicar isso à vida política. Portanto, vamos convidá-la a jogar conosco ao Carne ou Peixe. Portanto, a Mariana Mortágua conhece este jogo como o Preferias, tem dito muito bem dele publicamente.

Se eles não ouvirem, aproveitam de sair da sala a correr.

Nós chamamos de Carne ou Peixe. É fácil, é escolher uma das hipóteses que lhe damos à escolha neste menu. Tem muito pouco tempo, vamos começar então a Carne ou Peixe. Mariana Mortágua, quem é que preferia desafiar para um duelo de kickboxing? Ricardo Salgado ou Joe Berardo? O tempo está a contar.

Acho que não seria justo para nenhum dos dois.

Mas tem que escolher um. Qual é que lhe daria mais prazer derrotar num duelo?

A minha mãe sempre me ensinou que não se bate em pessoas e, portanto, acho mesmo que não seria justo para nenhum dos dois. Por uma questão de justiça, escolheria aquele que achasse que tivesse em melhores condições.

Tem direito a um passe, este é o passe, já o gastou. Vamos às próximas, tem de responder às próximas.

Preferia ser líder do Bloco coligado com o governo PS ou ser secretária de Estado de Mário Centeno? Bloco coligado a um governo PS, secretária de Estado de Mário Centeno.

Se o Bloco estivesse em maioria nessa coligação?

Então é a resposta A, muito bem. Mosos.

Preferia ser taxada com o imposto Mortágua ou com a taxa Robles?

Em qualquer um dos dois implicava um património que eu não tenho. Portanto, acho difícil, mas acho que se isso quisesse dizer que a taxa sobre mais-valias imobiliárias tinha ido para frente, acho que era um bom sinal.

Tem de taxa Robles.

Preferia jantar uma cataplana de peixe com António Costa ou um arroz de atum com Assunção Cristas?

É difícil esta pergunta.

Posso-lhes dizer que não gosto de peixe?

Não.

Não, não dá.

Neste momento gosto de cataplana de frango.

Imaginemos que a Assunção Cristas fazia então um arroz de salsichas.

Não gosto nada de arroz de salsichas.

Então com quem é que preferia jantar?

Eu concedo a cataplana de peixe.

António Costa seria a sua escolha. Pronto.

Em nome dos quatro anos de legislatura passada.

Mariana Mortágua, eu acho que quem esteve a ouvir esta parte do nosso menu sentiu o seu sofrimento a jogar este jogo. Já percebemos claramente que não é das suas atividades preferidas.

De todos. E odeio-vos por me terem feito passar por isto.

Qual é a sobremesa que nos trouxe para hoje?

Florence and the Machine. Tenho andado a ouvir em repeat um concerto ao vivo com uma orquestra e portanto é isso que vos trago para hoje.

Esta música...

Esta música chama-se "The Dog Days Are Over". E o que é que isso quer dizer politicamente?

Nada.

Por favor.

Não tem nenhuma leitura política?

Por favor, vamos fazer aqui...

Consideramos a possibilidade de ter que ver com a última legislatura.

Tudo aquilo que se passou a partir do momento que eu deixei de falar de política, ou seja, em que começámos o Preferias, não tem qualquer significado político, não pode ser interpretado como tal. E eu quero fazer essa declaração aqui. "The Dog Days Are Over" é só uma música que é boa para dar energia.

Os dias de cão acabaram, a escolha da dirigente do Bloco de Esquerda no final desta Vixi Suave, sem qualquer leitura política, nós regressamos para a semana.

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