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Que ele estaria tendencialmente mais próximo de vetá-la do que propriamente em promulgá-la se fosse presidente da República.

Inês André Figueiredo, André Ventura não tem tido debates, tem andado naturalmente mais discreto. Há outro candidato à direita do PSD que esteve particularmente ativo, João Cotrim Figueiredo, que teve um debate não muito famoso com Luís Marques Mendes. As contas à direita começam a ficar mais claras. Achas que este debate, em particular entre João Cotrim Figueiredo e Luís Marques Mendes, pode ter reduzido a luta à direita a três candidatos, se é que Henrique Vieira Melo ainda pode ser considerado de direita?

Mas são três. Podemos dizer que os dois estavam à procura de roubar eleitorado ao adversário. Na verdade, João Cotrim Figueiredo, 10 anos tinha tido uma boa prestação frente a Catarina Martins, a procurar desconstruir muito as ideias da adversária, até porque estão bastante distantes e com algum sucesso, mas no debate com Marques Mendes não conseguiu fazer isso, principalmente porque a estratégia de Luís Marques Mendes foi bem colocada em prática. No fundo, tocou num ponto sensível de João Cotrim Figueiredo, que tinha feito uma semana antes aquela acusação de que tinha sofrido pressões para desistir, e João Cotrim Figueiredo, na verdade, devia estar ciente de que estas acusações podiam funcionar como ricochete e de que seria encostado à parede, até porque ainda ia ter esse debate com Luís Marques Mendes. Cotrim ainda procurou usar a justificação da educação, do não se apresentam nomes em público, não vou fazer isso, mas percebeu-se que acabou por ser completamente insuficiente. E Marques Mendes tinha essa missão difícil de cancelar Cotrim, de o reduzir e cancelar um adversário que é bom nos debates e que tem sido bom em termos retóricos, que funciona no palco televisivo. E, na verdade, Marques Mendes fez isso, tentou reduzi-lo à iniciativa liberal e acabou até por colá-lo a André Ventura, dizendo que estava a usar o tom de André Ventura, a forma de André Ventura funcionar.

Uma André Ventura envergonhado.

Exatamente. Portanto, acabou por mostrar a todos os indecisos que entre ambos é o único capaz de chegar a Belém e o melhor posicionado para conseguir esse voto útil que lhe dava tanto jeito, porque, na verdade, e pelas sondagens que conhecemos, Marques Mendes está muito longe do eleitorado total da AD, pelo menos em comparação com aquilo que foram as eleições legislativas.

Tem um problema muito parecido com o de Seguro do outro lado.

Exatamente. E o próprio João Cotrim Figueiredo, não o próprio, mas a campanha já assumiu em ONG e aqui no artigo do Observador que queria ir buscar essa metade do eleitorado que alegadamente falta a Luís Marques Mendes.

Aliás, parte do marketing político da iniciativa liberal tem passado por apresentar pessoas que votaram na AD e agora querem votar em Cotrim Figueiredo.

E continuam a fazê-lo.

Aparentemente, Cotrim Figueiredo no debate não foi assim tão bem-sucedido em provar que era melhor que Luís Marques Mendes. É da vida, há debates que correm melhores e pior, mas tenho uma segunda sopa para vos servir, uma sopa geral para falar sobre esta greve e agora sim sobre André Ventura, Inês André Figueiredo. O governo não conseguiu impedir esta greve, as negociações em sede de concertação social prosseguem, há promessas de voltar à mesa e reunir de novo com o UGT, mas no final do dia esta reforma laboral terá sempre de passar pelo Parlamento, onde contará com a oposição da esquerda e com uma grande incógnita chamada Chega e André Ventura. André Ventura esta semana já prestou declarações menos ambíguas, disse que se fosse com ele esta greve nunca teria acontecido. No passado muito recente, já defendeu a reforma do mercado laboral, pondo-se ao lado do governo. Que André Ventura será o dos próximos meses? Teremos um André Ventura mais liberal ou um André Ventura mais socialista?

É sempre uma incógnita. Mas, na verdade, André Ventura tinha dito no último debate com o primeiro-ministro que talvez não haja motivos para uma greve geral, mas há motivos para um descontentamento geral. E agora disse numa entrevista que a greve é legítima porque há razões para um descontentamento generalizado e que os grevistas têm razão. Mas a questão está naquilo que dizia, está no pacote laboral, porque o Chega nisso tem sido dúbio, e já disse que era necessário mexer em alguns pontos, mas está principalmente focado, e nessa mesma entrevista que eu citava há pouco, disse que o governo foi casmurro e teimoso e quis desrespeitar quem trabalha. Portanto, André Ventura está claramente a tentar utilizar a estratégia que vem a usar há muito tempo, que é de se colocar ao lado dos trabalhadores, daqueles que trabalham, daqueles que, como costuma dizer, levam o país às costas. Mas a verdade é que foi sublinhando alguns pontos mais polêmicos, principalmente a questão da amamentação, que era um dos temas que estava no primeiro pacote apresentado

E esses pontos têm lhe dado para se colocar mais longe do governo.

A dificuldade em avaliar André Ventura é que o líder do Chega, em novembro, acusou a UGT de estar fortemente manipulada pelo Partido Socialista. Não sabemos exactamente o que defende André Ventura.

Claro, as declarações são sempre muito dúbias relativamente a todos os temas. E a verdade é que o governo precisa do Chega para aprovar este pacote. Eu acredito que se o governo tiver a capacidade de conseguir negociar pontos fulcrais neste pacote que André Ventura foi criticando e que dê oportunidade ao Chega de conseguir cantar algumas vitórias, esta negociação pode chegar a bom porto. Agora, é preciso André Ventura querer e é preciso colocá-lo em prática, porque de facto este pacote só passa com o Chega.

E perceber para onde é que sopra o vento nessa altura em que a reforma laboral chegar ao Parlamento. Rita Tavares, a esquerda como um todo, mas o Partido Socialista tem-se empenhado muito no combate a esta proposta de reforma laboral. Isto é um balão de oxigénio para José Luís Carneiro. É através desta luta que o PS vai encontrar uma forma de ganhar alguma autonomia na oposição?

Parece que é um pouco uma tábua de salvação do PS, que vem muito, já sabemos, martirizado das legislativas e, portanto, a tentar reconquistar espaço na esquerda. A Inês estava aqui a falar neste posicionamento de André Ventura e na possibilidade de poder haver cedências da parte do governo a algumas das reivindicações do Chega. Se isso acontecer, isso vai dar mais espaço à esquerda, evidentemente, porque o Chega tem feito muito essa avaliação de qual é que é a posição do PS em determinadas matérias, por exemplo, no orçamento do Estado. Se o PS se abstém, o Chega não tem necessidade de se abster e, portanto, faz essa medição e tenta com que o PS fique isolado ao lado do governo em determinados momentos, noutros há de ter que ser o Chega. Enquanto não houver a noção de que pode ganhar eleições ou de que pode crescer para cima do PSD, André Ventura vai andando a fazer esta gestão. E enquanto ele faz essa gestão, sempre que o PS consegue também do seu lado não estar ao lado do governo, e com uma questão como a revisão laboral em cima da mesa, que desencadeou uma greve geral, é evidente que não estar ao lado do governo nesta hipótese faz do PS mais alternativa do que o Chega e que consegue dar esta força à esquerda. Agora, a gestão de Luís Montenegro há de ser precisamente essa, ao lado de quem é que quer ir para esta guerra, e isso vai criar uma trincheira para o outro lado, sendo certo que esta questão da revisão laboral não se encerra com esta greve geral. Isto é um assunto que vai estar em cima da mesa nos próximos tempos e do ponto de vista do Partido Socialista, isso acaba também por ser vantajoso, porque vai contribuir naturalmente para um desgaste de quem está no poder, e sobretudo Luís Montenegro, que também já se pôs à frente quando veio tentar de alguma forma liderar as negociações com o GT, nomeadamente. E portanto, qualquer problema relativo à revisão laboral está neste momento mais em cima de Luís Montenegro do que propriamente da Ministra do Trabalho, a partir do momento em que ele próprio conduz negociações. E por isso, nessa competição direta com Luís Montenegro e com quem está no governo, o PS pode ganhar com o desgaste e com a postura de Luís Montenegro, que tem sido muito agarrada a estratégias, lançamento de estratégias para criar percepções. A ideia de que há uma divisão entre as pessoas que são trabalhadoras e as que não gostam de trabalhar.

Função pública, função privada, jovens, menos jovens.

E os privados, os jovens e os menos jovens, da direita e da esquerda também.

Há uma segmentação eleitoral na própria resposta à greve.

Exatamente. No Parlamento, na semana passada, no debate quinzenal, eu e a Inês estávamos lá, o Luís Montenegro disse inclusivamente que isto era uma questão política, reduziu a greve a uma questão meramente política, em que a CGTP está a liderar e que houve outro sindicato, não nomeia a UGT, mas no fundo está a falar da UGT, que caiu na armadilha, a expressão que utilizou foi esta. E também a questão salarial, quando vem de repente falar dos 1600 € como nova meta, quando no calendário que definiu há oito, nove meses, eram 1100 € para a legislatura. Ainda não calendarizou esta sua nova ideia, mas o que Luís Montenegro está a fazer não é mais do que atirar estratégia para cima da mesa e isto aqui há de resultar até uma determinada altura. Se não resultar, resulta no desgaste do governo.

Que é um governo, nunca é demais lembrar, minoritário. A primeira parte da "Vixi Suave" fica por aqui. Voltamos dentro de momentos com uma entrevista a Álvaro Belleza.