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Nas manhãs 360 olhamos agora de perto o mundo, no Zoom. Começamos com uma notícia surpreendente, Judite.

Com o "El País" a olhar para Portugal e a escrever que ninguém podia calcular, e passo a citar, "que a terra do fado era também a que tem mais mulheres cientistas ou mais mulheres a estudar na área da ciência". Segundo um estudo, 57% dos portugueses estudam ciência, tecnologia, engenharia ou matemática. É a percentagem mais elevada do mundo. Diz o jornal que consegue romper com todos os estereótipos, 17 pontos percentuais acima dos Estados Unidos, 22 de Espanha ou Dinamarca e mais do dobro que o Japão.

É bom ouvir estas coisas. O jornal espanhol diz também que tantas mulheres nestas carreiras científicas, isto não é um resultado necessariamente do financiamento estatal. Tem mais a ver com a opção das próprias, antes de mais, das mulheres portuguesas. E eles destacam mesmo o caso de Elvira Fortunato, um dos nomes maiores das mulheres da ciência em Portugal, da Universidade Nova de Lisboa, e da investigação que ela tem feito. No fundo, desenvolver chips em papel, isto é, folhas de papel que são condutoras eletrónicas, o que lhe valeu, há umas semanas, um apoio, uma subvenção de 3,5 milhões de euros do Conselho Europeu de Investigação para projetos tecnológicos que sejam amigos do ambiente. Este estudo, que foi feito pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, contabiliza também o número de cientistas portuguesas que estão espalhadas pelo mundo, a diáspora científica. E mais uma vez, cita o "El País", isso certifica e comprova a supremacia feminina. Desde há anos que esta diáspora científica portuguesa está presente em 50 países e que tem uma maioria feminina. E cá está daquelas coisas que nós, por vezes, ignoramos, desprezamos ou não valorizamos de alguma maneira.

De um bom exemplo, passamos para um mau exemplo, mas que tem graça, que serve de promoção para a série "Casa de Papel", cuja segunda temporada começa na sexta-feira na Netflix e de que temos falado aqui na nossa rubrica de séries. Calha numa altura em que se conhece a lista dos grandes devedores da banca, mas com o historial dos bancos portugueses, a piada podia ter sido feita há uns anos.

É um grande sentido de oportunidade. Não sabemos se o Banco de Portugal ia de parlamento na divulgação da lista ou se a Netflix ia agendar para agora a terceira temporada. A Netflix está a apostar numa campanha agressiva, curiosa, de cartaz em Lisboa, que dizia qualquer coisa como: "Continua a desaparecer dinheiro dos bancos? Não fomos nós".

Isto com a cara daquela máscara.

A máscara de Dali. Já agora, só para dar algum contexto, a série "Casa de Papel" conta-nos um assalto em Espanha, fictício, obviamente, um assalto à Casa da Moeda, lá do sítio. Portanto, ao sítio onde se imprimem as notas e tem tudo a ver com este tema. Mas há também slogans usados para promover a série que relata a história e há outro que diz: "Sacaram até ser preciso recapitalizar bancos? Não fomos nós".

Esta é uma deixa apropriada para a recapitalização da Caixa Geral de Depósitos. Ora, há ainda outro slogan: "Mais bancos em baixa? Não fomos nós". Portanto, há vários cartazes para todos os gostos, mas sempre com este foco nos problemas bancários que têm afetado Portugal e que fazem notícia nos outros países, como é evidente. De Espanha, vamos dar um salto à França para falar do ministro do Ambiente, François de Rugy, que renunciou ao cargo ontem, depois de ser acusado de utilizar indevidamente dinheiros públicos. Foi acusado de gastar dinheiro em jantares de luxo, lagosta e bom vinho, mas também de fazer remodelações de €63 mil no seu apartamento. 18 mil foi só num closet.

Com dinheiros públicos.

A parte do closet.

Eu quero um closet desses.

Calculei. Estava a olhar pra ti exatamente por isso. Rugy defendeu-se à BFMTV, disse que não gosta sequer de lagosta, tem intolerância a crustáceos, odeia caviar e o champanhe dá-lhe dor de cabeça.

E dor de cabeça a seguir.

Ouvimos Champanhe interpretado por Roberto Carlos como banda sonora para esta polêmica.

François de Rugy nega as acusações, diz ainda que vai processar o site Mediapart, que deu a notícia deste uso indevido de dinheiros públicos. Mas esta demissão do ministro do Ambiente tem outra curiosidade, faz com que o próximo titular da pasta seja o terceiro.

É, o terceiro de Emmanuel Macron. E é uma cadeira que está enguiçada.

Está enguiçada, claramente.

Exatamente. Já em setembro do ano passado, o primeiro titular da pasta, Nicolas Hulot, demitiu-se em divergência com o Macron. Ele é um conhecido ambientalista francês e acusou o governo de não estar verdadeiramente empenhado nas políticas ecológicas que são propaladas nos discursos. E um detalhe muito curioso, a demissão de Hulot foi feita em direto, ele comunicou em direto na France Inter, uma rádio francesa. Portanto, aqui um modo também muito pouco ortodoxo para este anúncio de demissão. E então vamos para o terceiro ministro do Ambiente. Vamos ver se o próximo aguenta o champanhe.

Judite França e o Paulo Ferreira, que amanhã voltam a olhar para o mundo e a partilhar o que merece ser falado neste Zoom do Observador. Ainda falta, mas quero lembrá-lo que depois das 20h30 vamos estar à conversa com o Jaime Carvalho e Silva, professor da Universidade de Coimbra. Em causa está a elaboração urgente de um currículo de matemática para todos os ciclos das claridades. A caminho da hora certa, há notícias quando faltar um quarto para as 20h, mas antes, a música. Esta é de Jamie T.

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