Logo Observador
Futuro da Grécia

Maria Luís Albuquerque: “Estamos numa situação nunca vivida antes”

No final da reunião do Eurogrupo sem a presença da Grécia, Maria Luís Albuquerque referiu que a saída da Grécia do euro não foi discutida, mas admite que tenha de haver um controlo de capitais.

VALDA KALNINA/EPA

A ministra das Finanças admitiu que pode haver “alguma perturbação nos mercados” face à rutura nas negociações com a Grécia, pois é uma “situação que nunca foi vivida antes”, mas considerou que Portugal está muito mais bem preparado.

Falando após uma reunião de 18 ministros das Finanças da zona euro – já sem a delegação grega presente na sala -, Maria Luís Albuquerque afirmou que “não houve particular preocupação com Portugal” com eventuais efeitos de contágio, e reiterou que o país dispõe hoje de “uma reserva financeira muito confortável”, para “vários meses”, que lhe permite fazer face mesmo a um cenário de acesso mais difícil aos mercados.

A ministra insistiu que a atual crise prende-se apenas com o facto de o programa de assistência à Grécia expirar na próxima terça-feira sem que tenha sido possível um acordo – “porque as autoridades gregas interromperam unilateralmente as negociações” – e garantiu que “não se discutiu o cenário de saída (da Grécia) da área do euro”, sublinhando que “o Eurogrupo continua a ter 19 Estados-membros” e a Grécia continua a fazer parte do euro, apesar de a reunião desta tarde tenha sido apenas a 18.

“Reafirmamos, naturalmente, que a Grécia é um membro da área do euro e que estamos plenamente do lado do povo grego e que continuaremos a trabalhar com eles e com as instituições, no sentido de garantir que todo este processo tenha um desfecho tão positivo quanto possível”, disse.

Relativamente a receios de um eventual contágio da previsível turbulência nos mercados face ao insucesso nas negociações entre a Grécia e os seus credores, Maria Luís Albuquerque indicou que houve na reunião de hoje à tarde, sobretudo, “uma recordatória de tudo aquilo que já foram progressos feitos” desde a crise e que reforçaram a resiliência da zona euro, mas admitiu que o Eurogrupo está preparado para entrar em ação se e quando tal for necessário.

“Nós estamos numa situação que nunca foi vivida antes, e, portanto, será de esperar que haja aqui alguma perturbação nos mercados. E aquilo que ficou acordado é que haverá uma monitorização permanente e que, a qualquer altura que seja necessário, o Eurogrupo voltará a reunir-se para discutir o que estiver em cima da mesa, para tomar as decisões que tiverem que ser tomadas. Digamos que estamos todos um bocadinho de prevenção para o que for necessário, mas não há nada de imediato marcado para qualquer dos próximos dias”, indicou.

Quanto a Portugal, insistiu que não foi referida qualquer preocupação específica, nem tão pouco o Governo está preocupado a nível de financiamento do Estado.

“Nós temos uma reserva financeira muito confortável que nos dá para vários meses e, portanto, em termos de acesso ao mercado, mesmo que houvesse alguma perturbação, isso não teria qualquer consequência para o financiamento do Estado português, porque temos esta ‘almofada’ e esta reserva”, indicou.

“Em qualquer caso, aquilo que é importante é o reiterar da quantidade de instrumentos que existem e que estão disponíveis, e o reiterar da disponibilidade dos Estados-membros e das instituições para usar esses instrumentos se a situação globalmente o justificar”, completou.

Sem a saída do euro em cima da mesa das conversações desta tarde, Maria Luís Albuquerque sugeriu porém que as autoridades gregas terão de avançar com controlos de capitais.

“Em termos da situação do sistema bancário na Grécia, há um conjunto de medidas que terão que, eventualmente, as próprias autoridades gregas tomar, para evitar que haja uma situação de descontrolo financeiro e é um conjunto de medidas que só as próprias autoridades poderão tomar, como aliás já houve exemplos noutros países”, afirmou Maria Luís Albuquerque em Bruxelas.

O Chipre foi o único país da zona euro que já impôs controlos de capitais. Duraram cerca de dois anos e foram impostos quando o Chipre pediu ajuda financeira e antes de conseguir o acordo com os credores internacionais.

Só o Governo grego pode decidir avançar com controlos de capitais. A lei grega diz que o governador do banco central da Grécia pode fazer o pedido, mas só avança se o Governo assinar nesse mesmo dia a proposta.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt
Terrorismo

Barcelona: o terror desceu às Ramblas

José Pinto

A explicação para o sucedido em Barcelona está na certeza terrorista de que com um fraco investimento existe elevada probabilidade de sucesso desde que se reunam algumas condições fáceis de alcançar.

Incêndios

Eu vivi um fogo. E vi quem são os heróis

Fernando Leal da Costa

Foi então que os vi. Os populares, como se lhes chama tantas vezes, montados em tratores e pick-ups equipados com depósitos e mangueiras. Chegam e, sem medo, atiram-se ao monstro que crepita fagulhas.