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Nostalgia

7 coisas que aprendemos a cantar com a Rua Sésamo

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Para festejar os 26 anos da estreia da Rua Sésamo em Portugal, recordamos a pedagogia bem disposta da série que, além de ensinar os números e o alfabeto, também nos deixou algumas lições para a vida.

A Glória tinha orgulho em ser uma vaca e o Gualter mandava-nos ginasticar

Richard Termine

A Rua Sésamo estreou na RTP a 6 de novembro de 1989 e esteve no ar até 1996. Nas cenas originais gravadas em estúdio, os bonecos Poupas e Ferrão contracenavam com um elenco de carne e osso, onde se destacavam Alexandra Lencastre, Vítor Norte e Fernando Gomes. Havia também sketches com as personagens da série original americana, como o Egas e o Becas, o Conde de Contar ou o João Esquecido. Pelo meio, havia ainda segmentos de animação, onde se ensinavam as letras e a matemática elementar, e pequenos documentários sobre o funcionamento das coisas e os costumes nas regiões de Portugal e nos PALOP.

Mas o que colou no mais fundo da nossa memória foram as canções que transmitiam pequenas ou grandes lições, sempre com humor, como hoje a RTP nos lembrou. Certamente que muitos leitores ainda saberão de cor as letras dos vídeos abaixo.

E o que aprendemos nós com as músicas da Rua Sésamo?

1. Que devemos gostar de nós tal como somos

Na canção mais popular de todas, a vaca Glória (voz de Cláudia Cadima) pensa em todos os animais que poderia ter sido («Poderia ser uma borboleta / Elas são bonitas»), mas acaba sempre por concluir que não há nada melhor do que estar na sua própria pele («Estou contente por dizer “Muuuh!” e não “Miaaauu!”»). O coro de vaquinhas no refrão é um mimo.

2. Que o exercício físico faz bem

Na senda dos vídeos de aeróbica protagonizados por Jane Fonda na década de 80, o peludo e azul Gualter (com voz de José Jorge “Lecas” Duarte) dá o corpo ao manifesto na promoção do exercício físico que «dá mais força ao coração». «É bom ginasticar, vamos lá praticar!»

3. Que devemos processar os sentimentos pela nossa própria cabeça

Um boneco anónimo, com voz de José Raposo, aconselha as crianças a perscrutar os seus sentimentos menos claros, porque nem a mãe, nem um amigo o saberão fazer melhor. «Só tu vais decidir o que estás agora a sentir, mais ninguém te vai dizer, tens de te conhecer.»

4. Que há muitos tipos de campainhas

Outro boneco faz a lista das várias campainhas que o acompanham ao longo do dia: o despertador, o telefone («vou atender, vou saber quem me quer falar», diz outra canção), o toque da escola, a porta de casa. «Ringalim, ringalim, todos vão ouvir as campainhas.»

5. Que temos de cortar o cabelo de vez em quando

Num registo mais surreal, um boneco que já não corta o cabelo desde 1962 («Senhor barbeiro, sinto falta de mim») vai ao barbeiro e, tesourada após tesourada, fica feliz ao redescobrir o seu corpo. O final do vídeo é delicioso.

6. Que uma banana nunca cresce só

Disputa com a canção da vaca e o sketch da pesca o top 3 dos melhores momentos da Rua Sésamo. Serve para explicar que, tal como as bananas crescem juntas, nós também nascemos para viver em cacho, aliás, em sociedade.

7. Que comer bolachas tem arte

O Monstro das Bolachas (voz de Manuel Cavaco) disserta sobre a sua paixão pelo calórico objeto de desejo («quero… com toda a arte mastigar-te»), num fundo soul da “Orquestra das Migalhas”. Mais do que pela música, vale pela coreografia do trio de coristas.

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