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Espetáculos

Teatro, dança, música, cinema e debates. O que ver no Teatro Municipal do Porto até dezembro

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Entre setembro e dezembro há mais de 50 espetáculos nacionais e internacionais, alguns em estreia absoluta. A programação foi revelada esta terça-feira. A fachada do Rivoli fica em obras até novembro.

"Uníssono", a nova composição para cinco bailarinos que Víctor Hugo Pontes vai apresentar no Rivoli e no S. Luiz, em Lisboa

© José Caldeira / Divulgação

Mais de 50 espetáculos, sete dos quais internacionais, uma nova coreografia de Víctor Hugo Pontes, a segunda edição do festival Queer Porto, o regresso do Fórum do Futuro e do festival de cinema Porto/Post/Doc são alguns dos pontos altos da programação que o Teatro Municipal do Porto (TMP) apresentou esta terça-feira, no Rivoli.

Antes do futuro, o passado, já que a apresentação à imprensa começou com um balanço de Rui Moreira, presidente da Câmara Municipal do Porto e, em simultâneo, vereador da Cultura desde a morte de Paulo Cunha e Silva. Entre janeiro e julho deste ano, o Teatro Municipal do Porto acolheu mais de 100 espetáculos, 19 dos quais internacionais. 59 companhias e estruturas da cidade do Porto foram incluídas na programação, que custou 581 mil euros, disse Rui Moreira. Juntando agora o fim do ano, ao todo, o orçamento para os 12 meses do ano foi de 900 mil euros. Um valor que está “perfeitamente dentro daquilo que é a capacidade do município”, garantiu.

A fachada do teatro Rivoli está em obras e assim deverá ficar até novembro, disse ao Observador Tiago Guedes. O diretor do TMP assumiu que a intervenção, que passará pela pintura da fachada frontal e lateral, bem como o arranjo de rachas, infiltrações e até do ar condicionado, já devia ter começado em junho, mas a obra sofreu atrasos.

O que não sofre atrasos é a delineação dos últimos quatro meses de programação, que se iniciam a 16 de setembro com uma estreia absoluta da companhia Mala Voadora. Eis alguns destaques da programação, divididos por meses:

Setembro

Os três elementos mais antigos da Mala Voadora nasceram em Moçambique, entre os quais Jorge Andrade, que escreveu o texto e dirige a peça de teatro “Moçambique“. Tiago Guedes explicou que o criador vai imaginar que rumo teria tido a sua vida se nunca tivesse deixado a ex-colónia portuguesa. O “teatro documental” sobe ao Grande Auditório do Rivoli no fim de semana de 16 e 17 de setembro.

A parceria com a promotora Lovers & Lollypops mantém-se e próximo concerto do ciclo Understage, que tem lugar no sub-palco do Teatro Rivoli, será com os norte-americanos Pop. 1280, na noite de 16 de setembro, após o espetáculo “Moçambique”.

O espetáculo que abre a temporada de dança é “Gold“, do coreógrafo israelita Emanuel Gat. “Gold” vai trazer os sons de Bach ao Rivoli no dia 24 de setembro, bem como questões familiares e a “natureza complexa das relações humanas”.

Entre as várias coproduções que o TMP apresenta surge “Zululuzu“, estreada em junho em Istambul, na Turquia. Nos dias 30 de setembro e 1 de outubro, o Teatro Praga mostra pela primeira vez no Porto esta peça centrada num episódio da vida de Fernando Pessoa: a sua chegada à África do Sul, onde passou os primeiros anos de vida.

Outubro

O mês do outono traz com ele vários festivais, como a Mostra Internacional de Cinema Anti-Racista, o Festival Internacional de Marionetas do Porto (FIMP) e a Festa do Cinema Francês. Tiago Guedes destaca a segunda edição do Queer Porto, o festival de cinema gay e lésbico que começou em Lisboa e que o diretor do TMP sublinha não ser, na Invicta, “um extensão”, mas sim um festival próprio, com filmes na sua maior parte diferentes. O ano passado “foi um sucesso”. Filmes como “Mala Noche”, de Gus Van Sant, e “Poison”, de Todd Haynes, passam no Rivoli entre 5 e 9 de outubro, com bilhetes a 3,50€.

Uníssono“, a nova criação de Victor Hugo Pontes, deverá provocar uma corrida à bilheteira do Rivoli, nos dias 7 e 8 de outubro. “Ele trabalha o indivíduo dentro do grupo, as pequenas diferenças que surgem quando se trabalha em conjunto”, explicou Tiago Guedes, sobre esta coreografia para cinco bailarinos, que estreia primeiro no Teatro S. Luiz, em Lisboa.

Gisele Vienne_A Convenção dos Ventríloquos2_Créditos Estelle Hanania

“A Convenção dos Ventríloquos”, um dos espetáculos incluídos na próxima edição do FIMP. © Estelle Hanania / Divulgação

Para terminar outubro, um momento de música metal e outro de dança. O primeiro chama-se Porto Best Of, foi criado por Miguel Guedes dos Blind Zero e por Paulo Cunha e Silva, e a ideia é juntar numa noite uma nova banda da cidade, à qual se segue uma banda emblemática que irá tocar um álbum icónico da sua discografia. Excecionalmente, na noite de 19 de outubro haverá três bandas para ver: Tarantula, um clássico do heavy metal português, Equaleft, entre o groove e o progressivo, e os Redemptus, juntos desde 2014 sob as sonoridades sludge e pós-metal. O segundo momento é dedicado à nova dança portuguesa. Joana Providência apresenta no Rivoli “Inquietações“, uma coreografia criada em torno do tema do limiar da pobreza e de como a sociedade reage à carência e à insegurança do amanhã.

Novembro

Entre 1 e 6 de novembro, vários espaços do Porto voltam a receber o Fórum do Futuro. O programa desta plataforma dedicada ao pensamento contemporâneo ainda não foi divulgado, sabe-se apenas que será em torno do tema das Ligações e do porquê de nos ligamos uns aos outros.

Nos dias 11 e 12, Vera Mantero, “uma das coreógrafas farol da dança portuguesa”, como apresentou Tiago Guedes, leva ao Grande Auditório do Rivoli “O Limpo e o Sujo“, uma coprodução entre o TMP e o Teatro Maria Matos, em Lisboa. Continuando na dança, a 25 de novembro, Lisbeth Gruwez traz da Bélgica, em estreia nacional, “Ha Ha“, um coreografia sobre o riso. A coreógrafa “trabalha a forma como o riso afeta o corpo”, adiantou Tiago Guedes. “É uma peça muito física, que contagia o público.”

No cinema, atenção à terceira edição do Porto/Post/Doc, o festival do documentário contemporâneo que conquistou os portuenses. A programação ainda não foi revelada, mas sabe-se que, entre 26 de novembro e de dezembro, serão exibidos mais de 60 filmes, complementados por debates e masterclasses, concertos e festas

Dezembro

O mês do natal começa com o 7.º Festival Porta Jazz, dedicado ao jazz da cidade, mas cujo cartaz inclui habitualmente músicos de outras cidades e países.

O espetáculo mais original da temporada será, provavelmente, “Manger“, de Boris Charmatz. O diretor do Rennes and Brittany National Choreographic Centre, em França, vai mostrar como se liga a dança ao sistema digestivo humano, numa peça que deambulará pelo terceiro andar do Gabinete do Munícipe, na Avenida dos Aliados. “Aconselho vivamente”, disse Tiago Guedes. O momento está marcado para quarta-feira, dia 7, às 21h30.

Destaque ainda para o concerto “Mão Verde” de Capicua e Pedro Geraldes (Linda Martini), nos dias 9 e 10, e de mais uma edição do Porto Best Of, também no dia 10, com Cru e Expensive Soul. Uma semana depois, a 18 de dezembro, voltaremos a ver Capicua, desta vez acompanhada por André Tentúgal, Gisela Borges e Vasco Mendes, com o regresso do projeto de intervenção social Oupa!.

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