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Angola

‘Know-how’ português leva primeiro centro de produção por hidroponia a Angola

O Governo angolano saudou o primeiro projeto de produção agrícola à base de água, de 'know-how' português, numa altura em que Angola está sem divisas para a importação de insumos agrícolas.

O projeto implicou um investimento de 176 milhões de kwanzas (94,5 mil euros)

LUÍS FORRA/LUSA

Autor
  • Agência Lusa

O Governo angolano saudou esta quarta-feira o primeiro projeto de produção agrícola à base de água, de ‘know-how’ português, numa altura em que Angola está sem divisas para a importação de insumos agrícolas devido à crise financeira que enfrenta.

O projeto, um investimento de 176 milhões de kwanzas (94,5 mil euros), localizado em Luanda, na zona do Kikuxi, foi esta quarta-feira inaugurado pelo secretário de Estado da Agricultura para o setor empresarial, Carlos Pinto. A hidroponia é uma técnica de produção agrícola que consiste no cultivo sem necessidade de solo, já que as raízes – mergulhadas em água – recebem dessa forma uma solução nutritiva balanceada que todos os nutrientes necessários. O investimento luso-angolano denominado Hidrobem, a mais recente empresa do grupo Kibabo, um conceito de negócios criado em Portugal e presente em Angola há mais de cinco anos, permitiu criar, para já, 25 postos de trabalho diretos.

Em declarações à imprensa, a diretora da Hidrobem, Carla Paulino, referiu que é utilizado o sistema “NTF” (Nutrient Film Technique) e “Sacos Gota-a-Gota”, para a produção, nesta primeira fase, de alfaces, tomate, salsa, manjericão, hortelã, cebolinho, coentro e agrião. A unidade tem ainda capacidade para produzir rúcula, poejo, orégãos, pimento, pepino e fisálias. “Todas as semanas tiramos meia tonelada de alface e meia tonelada de ervas aromáticas e uma tonelada de tomate para salada”, disse Carla Paulino, referindo-se à produção implantada numa propriedade de dois hectares, com uma exploração de 2.000 metros quadrados de estufas.

Segundo a responsável, a empresa tem capacidade técnica para avançar com este projeto para qualquer parte do país, sendo este que esta quarta-feira arrancou uma espécie de “boutique”. O retorno do investimento por agora feito deverá acontecer em três anos, segundo Carla Paulino, salientando que a segunda fase arrancará no fim do primeiro semestre deste ano, com mais 6000 metros quadrados de estufas, uma escola de formação e um polo de água indústria de processamento de quarta gama, onde se pretende proporcionar ao cliente produtos frescos prontos a confecionar.

Na sua intervenção, o secretário de Estado da Agricultura para o setor empresarial disse que o desenvolvimento do setor agrícola define-se esta quarta-feira como uma aposta principal para a diversificação da economia angolana, a geração de emprego, o combate à fome e à pobreza no seio familiar. Para o governante, Iniciativas desta natureza representam uma mais-valia para o processo produtivo que Angola tem vindo a implementar.

“O Ministério da Agricultura garante o seu incondicional apoio às iniciativas do grupo Kibabo, através da empresa Hidrobem, numa fase de crise económica bastante acentuada, na obtenção de recursos financeiros em divisas para a importação dos insumos agrícolas e outras matérias-primas para a dinamização da nossa produção agrícola”, frisou. Carlos Pinto sublinhou a importância do projeto pela sua técnica, que não está dependente da qualidade e correção de solo, nem de fertilizantes e pesticidas, proporcionando uma produção durante o ano e em contraciclo, por não depender do clima.

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