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Estudo Científico

De onde vem leite com chocolate? De vacas castanhas, dizem 7% dos americanos

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É nisto que acreditam 7% dos americanos, segundo uma sondagem do Innovation Center of U.S. Dairy. Especialistas dizem que o sistema de ensino está a falhar.

PIxabay

Sete por cento dos americanos acredita que o leite achocolatado vem de vacas castanhas, segundo um estudo online encomendado pelo Innovation Center of US Dairy. O que resulta em 16,4 milhões de pessoas mal informadas, o total de pessoas que, por exemplo, vivem na Pensilvânia.

Durante muitas décadas, os observadores da agricultura, nutrição e educação afirmaram que muitos dos americanos eram analfabetos no que dizia respeito à área. Acreditavam que eles não sabiam de onde é que a comida vinha, nem como é que os alimentos chegavam às lojas, o que inclui o leite com chocolate.

Um estudo do Departamento de Agricultura, feito no início dos anos 90, descobriu que quase 1 em cada 5 adultos não sabiam que os hambúrgueres eram feitos de carne bovina.

Os especialistas em agricultura acreditam que não houve muitas mudanças nos anos que se passaram.

Neste momento estamos condicionados a pensar que se temos fome vamos à loja comprar comida. Não há nada que ensine as nossas crianças sobre de onde veem os alimentos“, disse Cecily Upton, co-fundadora da FoodCorps, uma organização sem fins lucrativos, que leva educação agrícola e nutricional para escolas primárias.

Upton e outros investigadores agrícolas alertam para que estes resultados podem não ser aplicados a todos os habitantes dos EUA, já que as pessoas que vivem em zonas mais rurais ou com níveis de educação superiores tendem a saber mais sobre a origem dos alimentos.

O estudo foi baseado em entrevistas feitas na passada quarta, quinta e sexta-feira numa escola urbana da Califórnia. Mais de metade dos alunos ouvidos não sabia que os pepinos eram pepinos ou que as cebolas e as alfaces eram plantas. Quatro em cada 10 não sabiam que os hambúrgueres vinham de vacas e três em cada 10 não sabiam que o queijo era derivado do leite.

Todos os questionados reconheceram o nome dos alimentos e sabiam que eles eram cultivados em quintas ou fazendas, mas não possuíam capacidades para fazer uma articulação das atividades de pós-produção, nem a sua origem agrícola”, concluíram os investigadores.

A escritora e historiadora Ann Vileisis argumentou que se desenvolveu de forma segura de lidar com o sistema alimentar industrial, sendo perfeitamente compreensível esta ignorância.

Vileisis escreve no livro “Alfabetização da Cozinha”, que quando os americanos se começaram a mudar para as áreas urbanas em meados de 1800 haviam menos pessoas a participar na produção e processamento de alimentos. Esta tendência aumentou quando se começou a inovar o setor dos transportes e da fabricação, que possibilitaram a entrega de alimentos de diferentes formas e distâncias.

Em 2016, as estatísticas de obesidade apontavam para que 40% das mulheres e 35% dos homens dos EUA tivessem excesso de peso.

Também as campanhas publicitárias terão contribuído para aumentar a ignorância de muitos americanos, que não conseguiam imaginar as origens dos cereais em caixas ou dos cachorros-quentes.

Atualmente, os americanos só consomem produtos industriais que não se parecem com o animal ou a planta de origem. O USDA diz que o sumo de laranja é a fruta mais popular na América e as batatas processadas (as chamadas ‘chips‘) são as que têm melhor classificação entre os vegetais.

A indiferença sobre as origens da produção de alimentos é uma norma da cultura urbana”, escreveu Vileisis, citada pelo Washington Post.

Nas últimas duas décadas, os EUA viram nascer um movimento para reverter esta falha na sociedade, com a criação de grupos de agricultura e nutrição que se esforçam para recuperar a educação nas salas de aula, como a FoodCorps.

Mas ainda há muitos níveis de ignorância. 30% dos texanos acreditam que o Homem coexistiu com os dinossauros. E 25% dos norte-americanos não sabem que a Terra gira à volta do Sol.

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