Autárquicas 2017

Chiça, porra! Que o José Cid entra na campanha com um hino. Mais chouriços pelo correio e outras pérolas

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Palavras proibidas em cartazes, fotografias de fino recorte, vídeos bizarros e mailings ultra-criativos. Isto é o melhor que a campanha autárquica nos dá. José Cid canta o hino do PSD de Porto de Mós.

Artigo parcialmente publicado em julho, que ficará em atualização até às eleições autárquicas.

Campanhas eleitorais autárquicas são, regra geral, sinónimo de trocadilhos com graça ou episódios caricatos. As deste ano não são exceção. Entre polémicas mais sérias, como a muito mediática campanha em Loures, a disputas peculiares de tão caricatas que são, como é o caso da guerra aberta entre dinossauros autárquicos em Oeiras, há pelo país fora cartazes de candidatos a câmaras, juntas de freguesia ou assembleias municipais com gaffes, gralhas, slogans mais ou menos inspirados, ou apenas photoshop mal aplicado. Recolhemos aqui alguns dos mais emblemáticos (na galeria a cima).

Há excesso de criatividade e de outras vezes a utilização de artistas célebres, com canções que fizeram sucesso. Por exemplo, o hino da candidatura de Jorge Vala (PSD) à câmara de Porto de Mós tem voz do próprio José Cid, com a música do tema “Grande, Grande Amor” — a canção que foi à Eurovisão. A letra é digna de um comício. “Navegar num mar de projetos que não tem fim”, ou a referência ao “progresso de que todos irão desfrutar” ou o refrão: “Porto de Mós com o Vala a ganhar e cá estaremos todos a apoiar”. Mas o melhor é ver aqui, “com o Vala a vencer o caminho é crescer”. A melhor parte é quando aparece uma voz-off do próprio Vala.

Mas não só de hinos e cartazes vive a alegria da campanha eleitoral autárquica. No período do anúncio das candidaturas houve já muitos episódios caricatos. Um deles foi o da apresentação da candidatura de Fernando Seara a Odivelas, com Pedro Passos Coelho na primeira fila. Quem conhece o ex-autarca de Sintra não se admiraria com o estilo, mas os gestos largos, falsetes e piadas utilizadas surpreenderam a maior parte da assistência — e da internet.

A forma bizarra como Fernando Seara se apresentou em Odivelas

Os concelhos são 308. As Freguesias são 3.092. Portanto, há muito por onde escolher em termos de “tesourinhos”, porque os partidos têm tantos candidatos para lançar que naturalmente por vezes acertam nas figuras mais excêntricas. No meio de tanta gente, o difícil seria não encontrar um cantor “pimba”. Ficou já célebre a candidatura da cantora Ágata à vice-presidência da câmara de Castanheira de Pêra, integrando uma lista independente apoiada pelo CDS. A cantora fez o anunciou no Facebook e partilhou uma fotografia ao lado da presidente do CDS, Assunção Cristas, que apelidou de “uma simpatia de mulher”. Ágata assumiu logo que podia “não perceber muito (ou nada) de política”, mas garantiu ser “uma mulher do povo” e com isso poder lutar por mais “conforto, esperança e alegria” para a população. Dias depois partilharia outra publicação no Facebook, com fotografias suas, acompanhadas da legenda: “As prioridades são a minha preocupação”. Resta saber que prioridades a preocupam, sendo verdade que se há coisa com que os políticos se preocupam são as prioridades.

Comunicado (Todos Por Castanheira)Queridos amigos (as) fui convidada a fazer parte de uma lista independente apoiada…

Posted by ÁgataOficial on Sunday, August 13, 2017

Num registo mais sério, a campanha eleitoral agitou as águas em Loures quando o candidato do PSD (que começou por ter também o apoio do CDS) começou a dar entrevistas e a fazer-se notar. André Ventura, que era mais conhecido por ser comentador do Benfica na CMTV do que propriamente um social-democrata da concelhia de Loures, já se tinha destacado por protagonizar episódios caricatos a defender o Benfica na televisão, mas o caso mudou de figura quando levou o estilo disruptivo para a política. Numa entrevista ao jornal i, começou por acusar a comunidade cigana de viver de subsídios. As declarações caíram que nem terramoto, o PSD manteve o apoio no candidato mas o CDS saltou fora.

E as declarações polémicas continuaram. No programa SOS 24 da TVI 24, o candidato do PSD a Loures voltou a chocar quando defendeu o regresso à pena de morte em Portugal, como sentença para terroristas, pedófilos e homicidas. “Choca-me que terroristas e pedófilos homicidas sejam executados? Eu digo honestamente: não me choca”.

André Ventura na tv: o melão, o chapéu e o caixote

Oeiras é outro concelho vizinho de Lisboa que tem dado que falar. Com o histórico autarca Isaltino Morais a voltar à corrida, depois de ter cumprido quase dois anos de prisão, disputando o lugar com o seu antigo delfim e atual presidente da câmara Paulo Vistas, a campanha em Oeiras começou a todo o gás, com o tribunal a declarar inválida a candidatura de Isaltino. Tudo se resolveu (para Isaltino) no recurso, mas o despique e a “animação” continuou. Animação, sim, literalmente.

Em pelo menos duas rotundas/cruzamentos do concelho de Oeiras é possível ver a seguinte disposição dos cartazes dos dois candidatos: “Olhar em frente”, lema de Paulo Vista, a apontar literalmente para o outdoor de… Isaltino Morais.

E como não falta animação em Oeiras, há mesmo um boneco de desenho animado. Ou pelo menos houve. Na primeira fase da pré-campanha, o candidato apoiado pelo PSD/CDS a Oeiras, Ângelo Pereira, optou por fazer-se notar ao esconder-se dos cartazes e outdoors. No seu lugar optou por colocar um boneco tipo Lego, com um cartaz muito dúbio do ponto de vista da comunicação: demasiado texto, ilegível para quem passa de carro, e com o nome dos partidos que o apoiam num canto escondido. Só mais recentemente, na reta final de campanha, o rosto de Ângelo Pereira, que é atualmente parte integrante do executivo de Paulo Vistas, passou a figurar nos cartazes.

Os “tesouros” de Oeiras ganharam mais um prémio quando o atual presidente da câmara, e candidato, Paulo Vistas, foi captado pelas câmaras que filmavam a cerimónia de entrega dos prémios da 35ª Edição do Troféu da Corrida das Localidades, no Taguspark, a… dançar. A dança “sexy” foi apresentada ao mundo pela revista Visão, e pode ver aqui.

Muito mais para cima, em Trás-os-Montes, não ficámos indiferentes ao hino oficial da candidatura de José Carlos Rendeiro à Câmara de Vila Pouca de Aguiar, com o apoio da PS. O candidato lançou o hino em junho, mas ainda não saiu do top das ideias mais originais da campanha autárquica deste ano. Lembra-se?

Despacito? Deixem de ser burros."Jo-Sé-CarLos"PS de Vila Pouca de Aguiar a arriscar entrada directa nos tops!

Posted by Tesourinhos das Autárquicas 2017 on Thursday, June 8, 2017

Nos cartazes destas autárquicas, há candidatos que sabem voar, outros sem pernas e alguns de cabeça para baixo. Há erros gramaticais que não sabemos se foram propositados ou não, fotografias de tronco nu e escolhas muito infelizes de posicionamento. O Observador andou pelo Facebook dos Tesourinhos das Autárquicas e encontrou alguns dos cartazes mais peculiares. Veja-os na fotogaleria e visite a página aqui. Vamos manter este artigo em contínua atualização até ao dia das eleições.

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