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Com a coisa assim, mais vale ficar a ler Saramago: a crónica da primeira derrota do Sporting na pré-época com o Valencia

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Se dissessem que era a mesma equipa que ganhou ontem ao Fenerbahçe, ninguém acreditava: Sporting perde particular com o Valencia por 3-0, num particular onde tudo o que podia correr mal, correu pior.

Jorge Jesus tem ainda muito trabalho na pré-época, visando a Primeira Liga e o playoff da Champions

ANTÓNIO COTRIM/LUSA

Quando se está em estágio no estrangeiro e se tem dois jogos em dias consecutivos, não há tempo para quase nada. Vejamos: a seguir ao triunfo por 2-1, frente ao Fenerbahçe, os jogadores recolheram aos balneários, tomaram banho, foram para o hotel, jantaram e subiram aos quartos. Hoje de manhã, se tiver sido como costuma ser com Jesus no comando, houve treino com cargas moderadas, dependendo os minutos jogados na véspera. Banho, almoço, descansar um bocado, saída rumo ao estádio para mais um encontro. Não há ciência.

Os poucos tempos livres são aproveitados com o que estiver mais à mão. À chegada ao estádio, Jesus e Mattheus Oliveira estiveram à conversa com Rodrigo, antigo avançado do Valencia; Paulo Oliveira e Bruno Fernandes trocaram palavras com o companheiro de Seleção Sub-21 Rúben Vezo; Matheus ficou entretido com phones a mexer no telemóvel no banco; e Francisco Geraldes aproveitou para ler mais um bocado.

Ficha de jogo

Sporting-Valencia, 0-3

Jogo particular

Stade D’ Octodure, em Martigny (Suíça)

Sporting: Azbe Jug; Piccini (André Geraldes, 57′), Coates (Tobias Figueiredo, 46′), Mathieu (André Pinto, 46′), Fábio Coentão (Jonathan Silva, 46′); Battaglia (Matheus Pereira, 69′), Bruno Fernandes (João Palhinha, 46′); Podence (Bruno César, 57′ e Jovane Cabral, 82′), Iuri Medeiros (Mattheus Oliveira, 46′), Doumbia (Alan Ruíz, 46′) e Bas Dost (Francisco Geraldes, 57′ e Gelson Dala, 82′)

Treinador: Jorge Jesus

Golos: Orellana (23′), Rodrigo (28′) e Nacho (68′)

Ação disciplinar: nada a registar

O Chico, como também é conhecido, está no Sporting como uma espécie de referência: no clube desde pequeno, foi capitão dos vários escalões onde foi passando, saiu por empréstimo na última época para o Moreirense, voltou a Alvalade a meio da época e terminou a temporada na fase final do Campeonato da Europa Sub-21. É um exemplo, como profissional, jogador e pessoa. E tem pormenores engraçados, como regressar a casa a seguir a um jogo, como já aconteceu no último ano, de Metro e a ler um livro (aquele pormenor que nunca lhe falta). Nessa altura, estava nas mãos com “A Denúncia”, do norte-coreano Bandi; na Suíça, lê “O Ensaio sobre a Cegueira”, de José Saramago.

Francisco Geraldes acabou por entrar e sair na segunda parte. Pouco ou nada lhe correu bem. A ele e à equipa. Do primeiro ao último minuto. E o Valencia acabou por vencer com toda a naturalidade por 3-0.

Mas sejamos mais concretos: o que falhou esta noite nesta equipa do Sporting que, em relação ao triunfo frente aos turcos do Fenerbahçe, teve apenas as mesmas camisolas? A defesa, que voltou a ser aquela que Jesus quer começar a sedimentar na equipa (Piccini, Coates, Mathieu e Fábio Coentrão), esteve pior do que ontem, mas foi sobretudo nas más transições defensivas que os leões ficaram completamente expostos ao Valencia, porque, ao contrário do primeiro encontro na Suíça (sobretudo em relação ao português), o meio-campo com Battaglia e Bruno Fernandes não existiu.

Se o Sporting frente ao Fenerbahçe foi bom, deveu-o muito a Bruno Fernandes. Hoje, na mesma a jogar como ‘8’, o internacional Sub-21 estava com as pernas mais pesadas, quando perdia as segundas bolas não tinha a mesma capacidade de reação, perdeu a desenvoltura para as acelerações ofensivas. Saiu ao intervalo, de forma natural. Tal como Doumbia, que rimou pouco ou mal com Dost (o holandês ainda marcou, mas o golo seria bem anulado), ou Iuri Medeiros, que teve menos bola e jogo do que na véspera. Podence teve uns rasgos e pouco mais.

Já depois de um remate ao poste de Eugeni após uma perda de bola na primeira fase de construção (10′), Orellana (23′) e Rodrigo (28′) marcaram os golos que davam vantagem aos espanhóis no final dos primeiros 45 minutos. Na segunda parte, devido às muitas substituições, a intensidade do encontro caiu a pique mas, ainda assim, Nacho conseguiu aumentar o marcador numa jogada onde aproveitou toda a passividade de André Geraldes e Bruno César a defender para fixar o 3-0 final. O Sporting, durante 90′, não fez um remate enquadrado com perigo.

Aos 82 minutos, e depois de terem entrado aos 56′, Bruno César de Francisco Geraldes deram lugar aos miúdos Gelson Dala e Jovane Cabral. Mas o resultado estava feito. Com a coisa assim, mais vale mesmo ficar a ler Saramago, na esperança (verde e branca) de que melhores dias virão.

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