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Secretário-geral da UGT. “Governo tem de se sentar connosco, porque se não, vai ter guerra sem tréguas”

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Secretário-geral da UGT diz que vai estar ao lado da CGTP no protesto marcado pela Fenprof. Carlos Silva ameaça com "guerra sem tréguas" se Governo não se sentar à mesa para negociar com professores.

ESTELA SILVA/LUSA

O secretário-geral da União Geral de Trabalhadores (UGT) vai estar na manifestação dos professores ao lado da CGTP. Carlos Silva disse este sábado que a “UGT não aceita que qualquer Governo, socialista, social-democrata ou outro qualquer” feche a porta a um pedido da central para reunir.

“Não reunir, não discutir com os sindicatos é pôr em causa do diálogo sindical, é pôr em causa a diplomacia sindical. É dizer que a UGT não está cá a fazer nada”, afirmou Carlos Silva no encerramento do III Congresso da UTG/Coimbra. Só assim se entende, acrescentou, a convergência sindical e o facto de os estados-gerais da UGT e da CGTP estarem juntos na rua na manifestação convocada pela Fenprof (Federação Nacional de Professores).

Fenprof entregou pré-aviso de greve para 15 de novembro

Para Carlos Silva, a atitude do Governo está unir as duas sindicais e a “mandar-nos todos para a rua. Não compreendo que o primeiro-ministro não chame os sindicatos da educação até ao dia 15 de novembro. O Governo tem de sentar connosco, não pode voltar as costas. Porque se não, vai ter uma guerra sem tréguas, na rua, no trabalho, nas empresas, porque eu não tenho medo”. Uma das principais razões para este protesto são as condições de descongelamento das carreiras.

O secretário-geral da UGT lembra que é socialista, “mas isso não significa que traia dos trabalhadores da UGT”.

Ainda durante este encontro, Carlos Silva defendeu o aumento do salário dos trabalhadores portugueses para níveis europeus, dentro das possibilidades nacionais.

“Nós subscrevemos, em termos mentais e práticos, a necessidade de se aumentar o salário mínimo nacional”, disse o dirigente sindical aos jornalistas, salientando que foi aquela estrutura sindical a espoletar o processo de aumento em 2014 e 2015.

Falando aos jornalistas à margem do III Congresso da UGT/Coimbra, Carlos Silva referiu que, se houver condições [orçamentais], o aumento decretado pelo Governo para 2018 deve ir “mais além” dos 580 euros. O secretário-geral defendeu que temos necessidade de alcançar médias europeias, que “até ultrapassamos em determinadas matérias: na educação, mundo académico, na ciência e na investigação”.

Os salários dos banqueiros “são iguais ou até superiores à generalidade europeia, porque é que os salários dos trabalhadores não hão de sofrer um avanço em termos também europeus”.

“As empresas também têm de fazer um esforço para acomodar os aumentos salariais para lhes dar um patamar de salário de dignidade, que, em Portugal, está perto da mediana”, referiu Carlos Silva.

Para o líder da UGT, a culpa de existir em Portugal um salário mediano próximo do salário mínimo é dos empresários, que “não permitem que a negociação coletiva evolua e o salário mínimo empurre os salários médios”.

“Temos de fazer um esforço no sentido do salário mínimo nacional continuar a evoluir e, portanto, entendemos que em 2018 e 2019 deverá haver uma aproximação à posições do que tem sido defendido pela generalidade dos partidos que apoiam o Governo e também pelas centrais sindicais”, disse.

O dirigente sindical disse ainda que o Governo está a cometer uma “imprudência, para não dizer uma grande injustiça” ao congelar a suspensão das progressões da carreira de milhares de professores “em cerca de nove anos e meio”, defendendo que deve haver um entendimento com “o primeiro-ministro no sentido destes trabalhadores não ficaram de fora”.

“Se não houver a contagem para os professores deste tempo na carreira, que é a mesma coisa que aconteceu, em termos análogos, na Carris e no Metro [de Lisboa], em que o Governo desbloqueou essa matéria por uma questão de justiça, então também por uma questão de justiça deve naturalmente negociar [com os docentes] para não criar uma desigualdade entre trabalhadores da administração pública”, sublinhou.

A Confederação Europeia de Sindicatos (CES) considerou, na quarta-feira, que o salário mínimo em Portugal, embora possa parecer estatisticamente elevado, é ainda “muito baixo” em termos absolutos e insuficiente “para que os trabalhadores vivam com o que ganham”.

A conclusão integra um estudo da CES intitulado “os salários mínimos não devem ser salários pobres”, distribuído à imprensa pela UGT.

De acordo com o documento, 10 dos 19 países da União Europeia analisados têm um salário mínimo nacional cujo valor fica 50% abaixo do salário mediano (valor que fica no centro entre o mínimo e o máximo) e todos ficam abaixo do salário médio nacional.

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