Web Summit

O “ministro” a quem Paddy se referiu no Panteão será João Vasconcelos, que já não está no Governo

Paddy Cosgrave disse que tinha falado com o "ministro" sobre o Panteão, mas estaria a referir-se a João Vasconcelos, ex-secretário de Estado da Indústria a quem Paddy chama "minister for startups".

João Vasconcelos na sessão de abertura da Web Summit 2016 com Paddy Cosgrave

HUGO AMARAL/OBSERVADOR

O “ministro” a quem Paddy Cosgrave se refere no jantar que abriu o evento exclusivo para empresários no final da Web Summit — o Founders — será João Vasconcelos, ex-secretário de Estado da Indústria e um dos principais rostos do ecossistema de empreendedorismo português, apurou o Observador. No jantar, que decorreu no Panteão Nacional, não estava nenhum membro do Governo, apenas empresários.

O fundador da Web Summit tem por hábito tratar João Vasconcelos por “minister for startups” e era a ele que se referia no discurso que foi divulgado em vídeo no Twitter (apesar de Vasconcelos já não ter ligações ao Governo), explicou ao Observador uma fonte que esteve no jantar do Panteão Nacional e que não quis ser identificada. A frase de Paddy terá decorrido de uma conversa que o responsável pelo evento e o ex-governante tiveram no local sobre a escolha do sítio.

A surpresa do ex-secretário de Estado com a escolha do sítio, já no local, terá levado Paddy Cosgrave a dizer que aquela era a primeira vez que decorria um jantar no Panteão, mas tal, descobriu-se mais tarde, não era verdade. De acordo com o que o Público noticiou na segunda-feira, já se realizaram 10 jantares semelhantes no sítio onde estão sepultadas Sophia de Mello Breyner, Amália Rodrigues ou Eusébio.

O Observador foi recuperar a transmissão em vídeo da abertura da Web Summit no ano passado e encontrou o momento em que Paddy Cosgrave apresentou João Vasconcelos ao então Meo Arena. A partir de 1h23 do vídeo abaixo, pode ver o momento em que o irlandês diz: “Antes de apresentar o homem a quem chamo ministro das startups, queria fazer algo (e andei a pressionar a minha equipa durante duas ou três semanas com isto) até que eles concordaram e, mesmo que não concordassem, não me iam conseguir parar. O futuro de Portugal não se trata apenas de dois empreendedores e startups, são dezenas e centenas de empreendedores e startups. E gostava que os que estivessem aqui se levantassem e que lhes dessem uma salva de palmas”.

Mais tarde, João Vasconcelos até brinca, quando Paddy volta a tratá-lo por secretário de Estado em palco, perguntando “Agora sou secretário outra vez?”

João Vasconcelos — que depois de ter saído do Governo, na sequência do Galpgate, começou a trabalhar na empresa privada ClearWater International — era um dos convidados do Founders e esteve presente no jantar de sexta-feira no Panteão Nacional. Foi também uma presença assídua na Web Summit.

O Founders, por sua vez, é um evento de três dias que começa no final da Web Summit, dedicado em exclusivo a empresários (em português, founders quer dizer fundadores), e é fechado à comunicação social. Entretanto, a imagem de João Vasconcelos no evento já tinha circulado nas redes sociais.

João Vasconcelos Founders

Quem é o “ministro” a que Paddy se refere no vídeo é uma das oito questões que os sociais-democratas enviaram a António Costa sobre o jantar que decorreu no Panteão. Para o PSD, a atitude do Governo foi “lastimável” e a decisão da Direção-Geral do Património foi “indigna e inaceitável”. Querem saber também, entre outras coisas, se é verdade que o programa do Founders foi enviado por e-mail a membros do Governo e distribuído em alguns dos eventos nos quais participaram membros do Executivo.

Na manhã de segunda-feira, o Eco noticiava que a agenda do evento incluía, desde o início, a localização do jantar de sexta-feira, que esta terá sido enviado a membros do governo e entregue em mão em conferências onde estavam governantes. Depois de a localização do jantar se ter tornado de conhecimento público, António Costa enviou uma nota às redações na qual classificava o jantar no Panteão Nacional “ofensiva”.

Para o primeiro-ministro, tratou-se de uma utilização “absolutamente indigna do respeito devido à memória dos que aí honramos”. António Costa explicou ainda que o facto de haver um enquadramento legal que permite este tipo de eventos no Panteão se deve a um “despacho proferido pelo anterior Governo”, de Pedro Passos Coelho.

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