O candidato à liderança do PSD Santana Lopes assume que “o melhor para o país é a clareza”, razão pela qual exclui por completo qualquer possibilidade de fazer parte de um Bloco Central. Em entrevista ao semanário Expresso (link disponível para assinantes), publicada este sábado, o candidato deixa claro que não faz “tenções de fazer acordos com o PS” e sublinha as diferenças que tem com o primeiro-ministro: “Estou desejando travar um debate com António Costa!”, diz.
A tentativa de cavar a distância entre a sua candidatura e as ideias dos socialistas surge a par e passo com a tentativa de colar o adversário, Rui Rio, à esquerda. “Rui Rio tem essa mania de citar expressões do PS. Na apresentação de candidatura era ‘palavra dada, palavra honrada’, agora é ‘Jamais’. Cada um tem os seus autores de inspiração”, declarou Santana.
A entrevista decorreu um dia depois do debate que colocou os dois candidatos frente a frente — e que mostrou um Santana Lopes mais combativo –, do qual Santana diz ter saído “bem disposto”. E, na conversa com o Expresso, mantém o tom de ataque: “O que me faz confusão”, disse, “é o país passar a vida a encantar-se com pessoas que desconhece e com mitos que se constróem”, declarou sobre Rui Rio. “De tempos a tempos as pessoas encantam-se. Nem preciso de falar do encantamento de 2005… O encantamento coletivo, o menino de oiro, lembram-se? Depois foi o que foi”, acrescentou Santana, numa referência a José Sócrates.
A tentativa de marcar a diferença face ao adversário passou pela distinção sobre quem é mais capaz de “fazer obra”. “Eu pratico, eu não falo”, disse Santana Lopes, dando como exemplos a criação do departamento de investigação da Santa Casa da Misericórdia ou a construção do Túnel do Marquês quando estava à frente da Câmara Municipal de Lisboa. Mas passou também pela visão que os dois candidatos têm para o país, classificando a de Rio como “limitada” e “paroquial”, e por algumas alfinetadas, como a crítica a Rio por não ter ido visitar as regiões afetadas pelos incêndios de 2017 — “só se [lá] foi de noite”, disse.
Sobre os apoios que ambos os candidatos reúnem dentro do partido, Santana considerou o encontro entre Rui Rio e Cavaco Silva “muito relevante” e recusou a ideia de que Marcelo Rebelo de Sousa e Pedro Passos Coelho estão oficialmente do seu lado. Por outro lado, deixou claro que mantém o seu apoio a Marcelo caso ele queira recandidatar-se ao cargo de Presidente da República. E não excluiu a hipótese de ele próprio se candidatar à presidência depois de Marcelo: “Talvez aos 80. Até lá acho que vou ser primeiro-ministro.”