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Mário Soares vê em António Costa o líder do partido socialista e acusa António José Seguro de mal se identificar com o PS. O fundador do PS escreveu esta quinta-feira um artigo de opinião no Público, onde diz que “o povo não pode contar” com “o partido de Seguro”.

O ex-Presidente da República é o mais recente apoio a António Costa, que admitiu esta semana estar disponível para concorrer à liderança do PS. No artigo, Mário Soares critica violentamente o estilo de António José Seguro:

“Faltou, neste caso [eleições europeias], uma corrente de confiança dos eleitores em relação a uma liderança que, ao longo dos tempos, mal se tem identificado com a própria identidade do PS. O excesso de fulanização do candidato a primeiro-ministro não convenceu o eleitorado”.

Se por um lado critica Seguro, por outro considera António Costa “uma nova esperança para todo o povo que tem sofrido tanto com este Governo”. E mais, diz mesmo que Costa representa o que se quer num líder do partido “do punho erguido à esquerda e dos socialistas que não têm medo de ser tratados por ‘camaradas'”. Para o antigo presidente da República a disponibilidade que Costa manifestou em liderar o partido “foi um ato de grande coragem que faz esquecer as hesitações do passado”. E por isso declara o apoio inequívoco ao autarca de Lisboa: “E basta isso [António Costa disponibilizar-se] para que todos nos disponhamos a lutar ao lado dele. É o que farei”.

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Assim, Soares defende a realização “no mais curto prazo” de um congresso extraordinário, para que os militantes se possam “pronunciar de forma aberta e democrática nas escolhas que o partido precisa fazer”. “A natureza livre do PS sempre o levou a nunca resolver os problemas políticos na secretaria”, acrescentou.

A posição de Mário Soares não é no entanto surpreendente. O fundador do partido teve uma desavença pública com António José Seguro durante a campanha eleitoral. O líder do PS apenas convidou Soares a participar na campanha já decorria a última semana e o fundador acabou por rejeitar o convite para estar presente no tradicional almoço na Trindade, que encerra as campanhas do PS. Na mesma tarde, Soares dava provas de estar zangado com a direção socialista e encontrou-se com José Sócrates enquanto Seguro e Assis desciam até à Baixa. Agora, Soares não poupa nas palavras para atacar António José Seguro e dá fôlego às intenções de António Costa.

Sexta-feira será um dia decisivo para o futuro da liderança do PS. De manhã, no parlamento é votada a moção de censura ao Governo e os socialistas vão votar a favor, apesar de poder haver alguns deputados a abster-se, e à tarde Seguro reúne o secretariado nacional – a direção do partido. A reunião antecede o encontro da comissão nacional – órgão máximo entre congressos – no sábado, onde os socialistas vão decidir se há ou não eleições diretas e congresso extraordinário.