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Teo, Lena, Ben e Nina vivem numa cidade onde não existem alimentos. Estão escondidos em reinos longínquos e guardados por sete mestres da nutrição. Para terem energia, as pessoas consomem Genex-100, um composto calórico produzido na fábrica do terrível Alex Grand, o vilão responsável pela destruição dos vegetais, frutas, peixe ou carne da cidade.

Cabe aos pequenos heróis da história descobrir os super-poderes da roda dos alimentos. Do que falamos? Da Nutri Ventures, a série de animação infantil que levou Michelle Obama a promover a alimentação saudável “em português”.

Em Setembro de 2013, Rodrigo Carvalho e Rui Miranda estiveram na Casa Branca a falar sobre marketing alimentar para crianças. A startup portuguesa, que ambos fundaram em 2011, era a única empresa não norte-americana no encontro que juntou nomes como a Burger King, Coca-Cola ou a Disney. Seis meses depois, a Nutri Ventures assinou um acordo com a Partnership for a Healthier America, organização não-governamental apadrinhada por Michelle Obama, com o objetivo de disponibilizar materiais pedagógicos a 60 mil escolas primárias do sistema público dos Estados Unidos da América (EUA). Objectivo: promover hábitos alimentares mais saudáveis entre as crianças.

O Nutri-Mestres, projeto que já existe em Portugal, vai ser replicado nos EUA este ano. A série começou a passar nos lares norte-americanos em maio, através do YouTube, e conta com cinco milhões de visualizações. “Em janeiro deste ano, fizemos uma parceria com uma plataforma de vídeo on demand que chega, aproximadamente, a 40 milhões de lares norte-americanos e temos estado constantemente no Top 20, com concorrência como a Rua Sésamo ou o Meu Pequeno Pónei.

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O Brasil e os Estados Unidos são os dois maiores mercados da empresa de animação, mas a série que promove a alimentação saudável está presente em 26 países.

A Nutri Ventures arrancou em 2011, tem escritórios no Brasil e nos EUA e a série está a passar em 26 países. O que começou com um investimento inicial de meio milhão de euros chegou aos 10 milhões em 2014 e a empresa ainda pretende levantar mais 1,5 milhões este ano.

Conseguir investimento num ano tão crítico como o de 2011, com a entrada da troika em Portugal, pode não ter sido fácil para os fundadores da empresa, mas a verdade é que conseguiram captar a atenção de duas sociedades de capital de risco, a Espírito Santo Ventures e a Portugal Ventures. Dois anos depois do salto para as televisões portuguesas (a série só começou a passar em setembro de 2012 na RTP 2), a Nutri Ventures procura um investidor internacional oriundo de um dos dois maiores mercados em que a empresa está presente, EUA e Brasil.

“É uma porta aberta para trabalharmos estes mercados de uma forma mais próxima”, explica Sofia Monteiro, responsável de marketing global. A empresa quer continuar a apostar na sua linha de crescimento até 2015 e adianta que a breve trecho espera ter faturação que cubra o investimento. Neste momento, a maior fatia de entrada de dinheiro vem do Brasil, explica Sofia Monteiro.

A Nutri Ventures não é apenas uma série de animação. Está em embalagens de fruta e peixe no supermercado, em formato de jogos de tabuleiro, conteúdos musicais e conteúdos digitais. Meta: promover a alimentação saudável entre as crianças. Mais leite, verduras e frutas e menos açúcar, fritos ou doces para crianças com mais Nutri-Powers.

A ideia dos fundadores é a de ligar a marca aos alimentos saudáveis presentes nas superfícies de retalho. Por enquanto, a empresa estabeleceu parcerias com duas marcas portuguesas, a Fruut e a Gelpeixe, mas espera concretizar outras duas ainda durante 2014.

“A nossa estratégia passa por desenvolver os conteúdos, mas, também, por criar parcerias comerciais, porque não basta conhecer a história: as crianças querem ir ao supermercado e trazer o peluxe do Guga, uma refeição do Teo ou o livro de actividades da Nina”, diz Sofia Monteiro. E, para o Natal, o plano é o de colocar peluches das mascotes Guga nas prateleiras.