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“Embora se espere que Portugal consiga evitar uma espiral de deflação, este continua a ser um dos principais riscos enfrentados pela economia”. Esta é uma das conclusões da análise que consta do EY Eurozone Forecast, relatório trimestral que é divulgado nesta quinta-feira e que faz a previsão de evolução das economias dos países da zona euro, elaborado pela consultora EY e pela Oxford Economics.

O documento refere que há um risco “significativo” de deflação em Portugal, em resultado “de uma elevada capacidade ociosa na economia e de factores como um euro mais forte e preços mais baixos de energia”, e antevê que a variação dos preços seja negativa em 0,1% em 2014.  Ainda assim, o comportamento da atividade económica recebe um sinal positivo. “Após três anos consecutivos de recessão, o PIB deverá crescer 1,1% em 2014” e 1,4% no ano seguinte.

Sobre o acesso a financiamento e as respetivas condições, o EY Eurozone Forecast diz que as perspetivas “melhoraram consideravelmente”. Para fundamentar esta análise, o relatório assinala que os juros da dívida de longo prazo se encontram “em níveis recorde” e que o Estado português emitiu obrigações a 10 anos “pela primeira vez desde 2011”.

Na análise ao processo iniciado há três anos, o documento destaca o “enorme ajustamento externo” que permitiu a Portugal passar de um défice “de quase 13% do PIB em 2008, para um pequeno excedente em 2013” e adianta: “As reformas do mercado de trabalho e a estabilidade dos salários reais estão a resultar na recuperação de competitividade das empresas, com os volumes de exportação a subirem mais de 6% em 2013 e com um crescimento estimado de 4,1% em 2014 e de cerca de 4% ao ano” no período situado entre 2015 e 2018.

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Apesar disto, o EY Eurozone Forecast deixa alguns avisos. “A procura doméstica continua deprimida, com o desemprego a manter-se nos 15,2%, após uma queda de cerca de dois pontos percentuais” em 2013. “O endividamento das empresas continua a ser elevado e as taxas de juro dos novos empréstimos estão entre as mais altas” no conjunto dos países da periferia da zona euro, apesar da “melhoria” que considera ter-se verificado nos meses mais recentes.

O documento antecipa um crescimento do investimento “de cerca 2,5% ao ano” de 2014 a 2018, “ou seja, Portugal vai divergir da maioria dos seus pares da zona do euro”, e verificar-se-á “um crescimento do consumo de apenas cerca de 1% ao ano”.

Em relação à zona euro, o EY Eurozone Forecast refere haver “sinais encorajadores para as exportações e para as famílias” da região da moeda única, mas, tal como sucede em Portugal, “a ameaça de deflação continua presente”. O crescimento de 1,1% que é previsto para este ano e de 1,5% em 2015 vai basear-se em exportações “mais fortes” e na “melhoria gradual da procura interna”.

Quanto ao rumo do euro nos mercados cambiais, o relatório afirma que “irá enfraquecer em resultado de medidas de política monetária que visam combater a ameaça de deflação”, enquanto a taxa de desemprego “permanece perto do seu nível mais alto, apenas ligeiramente abaixo de 12%”.