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O comissário europeu da Economia, Olli Rehn, abandona esta segunda-feira o cargo para iniciar um outro mandato como eurodeputado e diz-se “tranquilo” em relação ao seu trabalho, mas considera que a União Europeia e o seus líderes “desperdiçaram demasiado tempo para resolver a crise”.

Em entrevista ao The Wall Street Journal, o comissário responsável pela pasta da economia na equipa liderada por Durão Barroso em Bruxelas, afirma que houve três momentos nos últimos quatro anos em que o euro esteve em perigo: em maio de 2010, quando o resgate à Grécia não conseguiu gerar confiança nos mercados, quando Merkel e Sarkozy em novembro de 2010 disseram que os credores deviam ser envolvidos na resolução da dívida pública – fazendo disparar as taxas de juros e acelerando a queda da Irlanda – e em junho de 2012 quando a Grécia atravessou grande instabilidade política e da parte de Merkel ainda não havia certezas sobre o compromisso em manter o país na zona euro.
“Havia o sentimento de de termos atingido o fundo do poço e depois descobríamos que aquilo ainda não era o fundo do poço”, refere Rehn ao jornal americano. Quanto à ação de Merkel e Sarkozy no encontro em Deauville que haveria de “pregar o último prego no caixão da Irlanda”, o comissário diz que foi “uma acordo estúpido”.
Rehn admite agora que preferia que a União Europeia, com o consenso dos seus líderes, tivesse aprovado “uma grande bazuca” de ajudas financeiras sustentadas por garantias de todos os Estados-membros. “Nesse sentido desperdiçámos dois anos no combate à crise e depois o Banco Central teve de intervir porque já não havia qualquer credibilidade financeira”, sublinhou o finlandês.
Rehn abandona a Comissão para assumir esta terça-feira o seu lugar como eurodeputado. Ao The Wall Street Journal, o antigo comissário diz que espera ficar à frente da comissão de Comércio Internacional no Parlamento Europeu. Para os próximos cinco anos, o ex-comissário espera que a UE vire as suas atenções apenas para o que é macro e, quanto a Juncker, diz que é um “construtor de pontes” e que a Europa precisa disso. Sobre o seu tempo na Comissão, Rehn diz: “Tenho algumas feridas na minha alma mas ao mesmo tempo tenho a consciência limpa porque sinto e sei que fiz o que pude dentro das circunstâncias”.

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