O escândalo da venda ilegal de bilhetes para o Campeonato do Mundo tem novos desenvolvimentos. Raymond Whelan, o CEO da Match, uma empresa com direitos exclusivos sobre a venda de bilhetes da FIFA, entregou-se esta segunda-feira à Justiça brasileira, avança a imprensa daquele país. O inglês era procurado pela polícia desde quinta-feira passada, altura em que lhe foi decretada prisão preventiva, mas, segundo o jornal Globo, conseguiu escapar a tempo do Copacabana Palace, onde estava hospedado juntamente com a delegação da FIFA.

O britânico até já tinha sido detido (7 de julho), mas conseguiria a libertação depois de apresentar um pedido de habeas corpus. Desde dia 10 é dado como fugitivo. Whelan era o único da lista de 12 envolvidos no esquema que ainda não estava detido. Segundo uma nota da sua defesa, no momento em que se entregou às autoridades, terá dito que agora poderá iniciar a sua defesa criminal.

O nome de Whelan surgiu na investigação depois da detenção de Mohamed Lamíne Fofana, um argelino que está a ser conotado como o operador do sistema. O seu telefone continha registos de 900 telefonemas e mensagens para um tal de “Ray Brazil”. Esta operação, que ainda vai a meio caminho, está a vasculhar cerca de 50 mil registos.

O esquema era simples. Havia empresas de turismo que faziam a ponte com as agências de viagens, que por sua vez levavam turistas para o Brasil para lhes serem vendidos bilhetes para a Copa acima do preço. Os ingressos para a final do Maracanã, por exemplo, foram vendidos por quase 12 mil euros, o que se traduziu em qualquer coisa como 330 mil euros para a Match.

A polícia revelou ainda que Fofana, o tal argelino que terá coordenado o esquema, conseguiu também entradas vendidas pelos agentes oficiais da categoria “hospitalidade”, pacotes de luxo, que eram controlados pela Match Hospitality. Fábio Barucke, o delegado responsável pela investigação, informou que os detidos já atuaram noutros três Campeonatos do Mundo, sendo que se estima que o esquema tenha movimentado cerca de 65 milhões de euros por edição — 260 milhões no total.

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