Eis o primeiro reforço para o centro da defesa. O Porto confirmou esta terça-feira que Bruno Martins Indi assinou um contrato válido para as próximas quatro épocas, a troco de 7,7 milhões de euros pagos ao Feyenoord. O clube holandês, aliás, foi o primeiro a avançar com a transferência — 24 minutos antes de a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) oficializar o negócio, já o clube de Roterdão tinha adiantado que o defesa ia para o Porto. E pensar que tudo começou no Barreiro, há 22 anos.

Na cidade erguida na margem oposta à de Lisboa, nascia Rolando Maximiliano Martins Hindi. Talvez para facilitar, o primeiro nome ficou em Bruno. Mas no Barreiro não permaneceu por muito tempo — aos três meses de idade, Indi emigrou com os pais (um guineense e uma portuguesa) para Roterdão, cidade portuária na Holanda. Foi por lá, em Slinge, um bairro pobre e problemático, que os pontapés na bola começaram a ser o passatempo preferido.

O hobbie cedo destapou o talento para jogar futebol e o Spartaan 20 reparou nisso. Foi no clube amador que a aventura começou. Até entrar na adolescência, Indi foi avançado, o responsável por fazer com que a bola terminasse as suas viagens dentro da baliza adversária. Quando o Feyenoord apareceu, tudo mudou. Em 2005, com 13 anos, foi contratado pelo gigante clube de Roterdão e entrou na mesma equipa que Stefan De Vrij — outro holandês com quem partilhou a defesa da seleção holandesa durante o Mundial.

Sim, a viagem de Indi levou-o até a um Campeonato do Mundo. Isto após cumprir 102 encontros nas últimas quatro temporadas, desde que, em agosto de 2010, se estreou na equipa principal do Feyenoord. Em agosto de 2012, o defesa passou a ser também um dos favoritos de Louis Van Gaal — e chegava à seleção laranja.

Hoje já vai com 22 internacionalizações. Entende-se: Indi dá nas vistas tanto à esquerda como ao centro da defesa. Em 2013/14, na liga holandesa, e segundo estatísticas da Opta, Indi completou 74% dos desarmes que tentou, além de terminar a época com 87% de eficácia no passe.

No último mês, Bruno Martins Indi esteve no Brasil, onde participou em seis dos sete encontros realizados pela Holanda no Mundial (cinco como titular). E tudo graças talvez à primeira impressão que causou em Louis Van Gaal, o seleccionador laranja, como lembrou o The Guardian.

Em 2012, quando foi convocado pela primeira vez, Indi não teve papas na língua. “Tenho muitas perguntas para lhe fazer, Sr. Van Gaal. Quero melhorar muito”, disse, quando conheceu o treinador. “Isso é bom, porque eu posso-te ajudar”, garantiu o técnico, provocando uma reação rápida em Indi — “A sério?!”, perguntou, arrancando de Van Gaal uma resposta pouco usual para quem costuma ostentar uma postura tão assertiva. “Já gosto de ti, Bruno”, admitiria logo o técnico. A afinidade entre ambos, aliás, foi notória, por exemplo, quando a Holanda venceu a Turquia durante a caminhada para a Copa do Mundo do Brasil.

Agora, é com Julen Lopetegui que terá de simpatizar. E nem terá de viajar muito para conhecer o treinador espanhol do Porto — a equipa está a estagiar em Horst, a cerca de 150 quilómetros de Roterdão. Cerca de metade da distância que separa o Porto do Barreiro. A tal cidade onde tudo começou para Bruno Martins Indi.