A ofensiva militar terrestre israelita na faixa de Gaza começou no dia 17, como parte da operação “Margem Protetora”, após dez dias de bombardeamentos aéreos.

O número de palestinianos mortos desde o início do conflito a 8 de julho subiu esta sexta-feira para 265, sendo que cerca de 80% deste numero são civis, e 1920 foram feridos. O lado israelita apenas regista apenas dois mortos devido ao confronto, um civil, a 15 de julho, e um militar, na ofensiva terrestre de dia 17.

Foram intercetados 311 ‘rockets’ palestinianos de um total de 1150, fazendo apenas uma vítima israelita. Na faixa de Gaza, além do elevado número de mortos, apenas 20% da população ainda tem eletricidade, devido aos bombardeamentos israelitas.

Cronologia dos principais acontecimentos das últimas semanas:

12 de junho – Três jovens israelitas foram sequestrados na Cisjordânia, o que as autoridades israelitas atribuíram ao movimento islâmico Hamas.

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Um dia depois, as forças de segurança israelitas prenderam mais de 300 pessoas, na maioria membros do Hamas.

19 de junho – O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, pediu ao líder palestiniano Mahmud Abbas que renuncie ao Governo de reconciliação palestiniano, formado no início do mês com o Hamas, considerando-o “uma organização terrorista que sequestra jovens e apela à destruição do Estado de Israel”.

A Organização de Libertação da Palestina (OLP), dirigida por Abbas, assinou a 23 de abril um acordo de reconciliação com o Hamas que resultou, a 02 de junho, na formação de um governo de consenso composto por personalidades independentes.

30 de junho – O exército israelita encontra os corpos dos três jovens sequestrados na Cisjordânia, na sequência de uma operação de busca. O ministro da Defesa israelita, Danny Danon, promete erradicar o Hamas.

Em resposta, o Hamas advertiu Israel de que “qualquer escalada (da violência) ou guerra vai abrir as portas do inferno”.

3 de julho – O corpo carbonizado de palestiniano Mohammed Abu Khdeir, de 16 anos, é encontrado perto de uma floresta na parte oeste de Jerusalém Oriental, um dia depois de ter sido sequestrado.

Três dias depois, a polícia israelita prendeu um grupo de judeus extremistas por envolvimento no rapto e assassínio do adolescente.

8 de julho – Início da operação “Margem Protetora” em resposta ao disparos de foguetes e granadas de morteiro, lançados a partir da Faixa de Gaza por combatentes do Hamas e do aliado Jihad islâmica contra Israel.

9 de julho – O Conselho de Segurança anuncia a realização de uma sessão de emergência para analisar a situação em Gaza. A reunião tem início previsto às 10:00 locais (15:00 em Lisboa), começando com uma apresentação da situação pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon. Em seguida, os 15 países-membros prosseguem os trabalhos à porta fechada.

10 de julho – Ao todo, mais de 200 projéteis atingiram território israelita. O Hamas reivindicou os tiros contra Telavive, Jerusalém e Haifa (norte de Israel), a uma distância recorde de mais de 160 quilómetros de Gaza, e contra a central nuclear de Dimona, no sul.

O exército israelita bombardeou “mais de 320 alvos” do Hamas, elevando para 750 o número dos ataques desde o ínicio da operação “Margem Protetora”.

11 de julho – Aviação israelita lança mais de 210 raides no espaço de 24 horas em Gaza, estando entre os alvos 81 bases de lançamento de ‘rockets’, tuneis e postos de controlo e comando do Hamas, assim como escritórios de instituições governamentais do movimento responsável pelos serviços de segurança em Gaza.

Do lado palestiniano foram disparados 194 ‘rockets’ contra Israel, sendo que 43 foram intercetados pelo sistema antimisseis “Iron Dome”.

12 de julho – O número de mortos no conflito sobe para 135 palestinianos, enquanto nenhum israelita foi morto pelos bombardeamentos palestinianos.

O Conselho de Segurança das Nações Unidas pediu a Israel e ao Hamas um cessar-fogo, apelando ao respeito pelas leis humanitárias internacionais.

13 de julho – Foi realizada a primeira operação terrestre israelita no norte da Faixa de Gaza com a duração de meia hora, tendo como alvo uma base de lançamento de ‘rockets’, levando a uma troca de tiros entre as forças militares israelitas e o Hamas. Quatro soldados israelitas ficaram feridos no decorrer da missão.

Mahmud Abbas, o presidente da Autoridade Palestiniana, pediu à ONU, numa carta endereçada ao secretário-geral, Ban Ki-moon, para colocar o Estado da Palestina sobre proteção internacional devido à deterioração da situação na Faixa de Gaza.

Ban Ki-moon pediu o fim dos conflitos e avisou que uma incursão terrestre israelita apenas iria piorar a situação.

14 de julho – O governo egípcio propôs uma iniciativa de cessar-fogo que deveria começar a partir das 07:00 horas (horas de Lisboa) de dia 15. A proposta foi apresentada na véspera da chegada de John Kerry, o secretário de estado norte-americano, ao Cairo, que tem tentado relançar negociações bilaterais entre a Palestina e Israel.

A operação israelita salda-se por 184 mortos e 1287 feridos desde o início, ultrapassando o número de baixas da última ofensiva em novembro de 2012, sendo que um quarto das vítimas são crianças.

15 de julho – O gabinete de segurança israelita aceitou a proposta egípcia de um cessar fogo. No entanto o Hamas afirmou rejeitar a proposta sem um acordo completo sobre o conflito na Faixa de Gaza, levando Israel a ameaçar o Hamas com uma escalada do conflito se eles não aceitarem o cessar-fogo.

Após a observação de seis horas do cessar-fogo, durante as quais o Hamas não parou de disparar mísseis, Israel retomou o bombardeamento aéreo da Faixa de Gaza, subindo o número de mortos palestinianos para perto de 200, na maioria civis.

Israel sofreu a sua primeira baixa, um civil, vítima de um rocket disparado da Faixa de Gaza, sendo que até ao momento os ataques palestinianos tinham provocado apenas danos materiais e cerca de uma dezena de feridos.

16 de julho – O exército israelita lançou milhares de folhetos sobre o norte da Faixa de Gaza, advertindo os cerca de 100 mil moradores a abandonarem as suas casas devido ao conflito. Outros moradores afirmaram ter recebido gravações de voz e mensagens de texto nos telemóveis avisando-os do mesmo.

Durante o bombardeamento de uma praia que visava militantes do Hamas, quatro crianças morreram e várias outras foram feridas, levando o exército israelita a classificar a situação como “trágica”.

17 de julho – Israel e o Hamas aceitaram o pedido da ONU de um cessar-fogo por razões humanitárias que durou cinco horas. Começa a ofensiva terrestre israelita na faixa de Gaza.