Combater a “ditadura da estética nas frutas e hortaliças” evitando o desperdício devido à aparência é a missão da cooperativa “Fruta Feia“. Isabel Soares, engenheira do ambiente, vivia em Barcelona quando se apercebeu que havia “um grande desperdício alimentar devido à aparência”.

“Isso indignou-me e pensei que não é lógico estar a mandar tantos produtos de qualidade para o lixo, porque simplesmente têm um calibre pequenino ou uma forma estranha”, conta ao Observador.

Isabel Soares decidiu fazer alguma coisa para evitar que cerca de 30% do que é produzido pelos agricultores portugueses fosse para o lixo por não cumprir os padrões exigidos na distribuição.

A vontade de “contrariar essa ditadura da estética nas frutas e hortaliças” coincidiu com o concurso FAZ– Ideias de Origem Portuguesa, promovido pela Fundação Calouste Gulbenkian e pela COTEC. Ficou em segundo lugar. Com o dinheiro do prémio e mais algum angariado em “crowdfunding” conseguiu 20 mil euros e arrancou rumo a Lisboa.

“Fomos para o campo, à procura de agricultores, fomos à procura de espaços que nos deixassem fazer a distribuição semanal das cestas e procurar consumidores. Juntámos estes três elementos- espaço, agricultores e consumidores -, e arrancámos com o projeto”, explica a jovem engenheira do ambiente.

Às segundas e terças, a carrinha vai buscar as frutas e hortaliças frescas diretamente aos 32 produtores que participam no projeto. Em novembro de 2013, nasceu na Casa Independente (Largo do Intendente) a primeira delegação da cooperativa “Fruta Feia”, com 100 consumidores associados. A segunda delegação abriu portas em abril de 2014, no Ateneu Comercial de Lisboa.

É nestes dois espaços que os associados (ver vídeo acima), às segundas ou às terças-feiras, vão recolher as suas cestas de fruta e hortaliça “feia”. Ao todo são já 420 os associados inscritos. Segundo Isabel Soares, “existem 1700 consumidores em lista de espera”. O objetivo é que o projeto cresça e que o conceito seja replicado por todo o país “onde há desperdício devido à aparência”.

A cooperativa “Fruta Feia” já conseguiu evitar o desperdício de mais de 38 toneladas de frutas e hortaliças. Até ao final do ano espera chegar às 120 toneladas.

Como pode associar-se e quanto custa?
Para se associar à “Fruta Feia” basta ir ao site e preencher a ficha de inscrição. Os consumidores associados pagam uma quota anual de cinco euros e recebem um cartão de sócio e um saco de pano para levar os produtos.

Como funciona a cooperativa Fruta Feia?
Atualmente existem duas delegações. À segunda-feira, as cestas são entregues na Casa Independente, das 17h00 às 21h00. Na terça-feira, as entregas são feitas no Ateneu Comercial de Lisboa, próximo ao Coliseu de Lisboa, das 17h30 às 21h00. Por enquanto existem apenas estes dois pontos de entrega, mas a “Fruta Feia” quer expandir-se para outras zonas do país.

Que tipo de cesta pode escolher?
Depende do consumo de verduras e hortaliças que faz por semana. Existe a opção de escolher a cesta pequena, que pesa quatro quilos e pode levar até sete variedades de produtos. Tem um custo de 3,5 euros. A cesta grande leva oito quilos e até nove produtos diferentes. Custa sete euros. Todas as semanas os produtos variam consoante a época do ano e a oferta disponibilizada pelos agricultores.