Depois da Guiné Conacri e Serra Leoa, foi a vez da Libéria fechar parte das suas fronteiras na sequência do pior surto de Ébola alguma vez visto, que já vitimou 670 pessoas na África Ocidental. Depois de um registo total de 129 mortes na Libéria, a presidente Ellen Johnson Sirleaf anunciou na segunda-feira o encerramento de todas as fronteiras exceto três, de acesso à Serra Leoa, à Guiné e uma outra que atravessa os dois países. O aeroporto internacional continua aberto.

A vigilância foi apertada, nomeadamente no controlo dos passageiros do aeroporto que saem do país, mas a Organização Mundial de Saúde voltou a dizer que o encerramento das fronteiras e as restrições à saída de turistas, como forma de travar a propagação da doença, não são solução.

Tanto na Libéria como na Serra Leoa e na Guiné Conacri, que mesmo com as limitações continuam a operar voos internacionais, as autoridades intensificaram o controlo no check in dos aeroportos, procurando sinais de febre nos passageiros que deixam o país e dispondo de recipientes de cloro para desinfeção nos principais locais de saída de população.

Especialistas em saúde internacionais afirmam que esse rastreio e verificação de passageiros no local de saída do país é difícil e ineficaz, já que no seu estágio inicial, a doença assume sinais comuns a várias doenças – febre, dores musculares, fraqueza e vómitos -, que são semelhantes aos da malária ou da febre tifóide ou até de outras doenças mais comuns e menos graves.

“Teríamos de reconsiderar todas as recomendações de viagens com muito cuidado”, defende o porta-voz da Organização Mundial de Saúde Gregory Hartl, para quem a melhor maneira de acabar com o surto não é impedir a deslocação das pessoas com medo da propagação, mas sim levar a cabo todas as medidas necessárias junto da fonte de infeção. Fechar as fronteiras “pode ajudar, mas não vai ser um gesto exaustivo e infalível”, diz.

Além de que o risco de os turistas que viajam para estes países contraírem a doença não é muito alto, uma vez que para o Ébola se propagar exige o contacto direto com sangue, urina ou fluidos corporais das pessoas infetadas, como o suor ou a saliva. O vírus não se propaga como no caso da gripe pelo contacto casual ou pelo simples facto de respirar o mesmo ar, e a doença só se torna contagiosa quando progride ao ponto de revelar sintomas. Sintomas esses que chegam a ser tão fortes que deixam a pessoa infetada demasiado doente para viajar.

Ao todo, o surto já fez 670 vítimas mortais. Só na Guiné Conacri, onde se registou o primeiro caso, morreram 319 pessoas, e na Serra Leoa outras 224. Na Libéria o número chega às 129 vítimas e, de acordo com o Daily Telegraph, morreu no sábado um médico de topo do maior hospital do país e ficaram infetados dois médicos norte-americanos. A doença tem um grau de sobrevivência muito baixo, na ordem dos 10%.