Barack Obama criticou, na sexta-feira, o tratamento que a CIA teve com suspeitos de terrorismo no passado, afirmando que compreende que a agência tenha-se apressado a “usar métodos de interrogação controversos” na época após o 11 de Setembro, mas admitindo: “Nós torturamos algumas pessoas.”

Num dos seus discursos mais acesos sobre os programas de detenção agência de segurança americana, Obama afirmou que os EUA “ultrapassaram a linha” enquanto tentava reagir à ameaça de mais ataques da Al-Qaeda, após o 11 de Setembro. Contudo, também disse que é importante para os americanos não serem “demasiado santos”, acrescentando que acredita que os responsáveis pela tortura dos detidos, na época, estavam a trabalhar num período de stress e medo extremo.

“É importante, quando olharmos para trás, lembrar como as pessoas tinham medo depois da queda das torres gémeas, o Pentágono ter sido atingido, o avião que caiu na Pensilvânia, e as pessoas não sabiam se mais ataques estavam iminentes”, disse Obama, para justificar o contexto em que a CIA utilizou aqueles métodos “controversos”. E acrescentou: “Fizemos muitas coisas que eram certas, mas nós também torturamos algumas pessoas. Fizemos algumas coisas que eram contrárias aos nossos valores. Eu compreendo porque é que isto aconteceu.

Estes comentários do presidente norte-americano surgem na antecipação da publicação de um relatório, já muito antecipado nos meios de comunicação americanos, que vai criticar a CIA por ter abusado brutalmente de suspeitos de terrorismo de sob custódia, sem qualquer intuito de salvar vidas.

Em 2009, pouco depois de ter assumido o cargo de presidente dos Estados Unidos da América, Obama baniu o uso de tortura, sendo que isto tinha sido uma das suas promessas durante a campanha eleitoral – a CIA chama a tortura de “técnicas avançadas de interrogatório.

Também não foi a primeira vez que Obama utilizou a palavra “tortura” para descrever a metodologia da CIA. Por exemplo, em 2009, afirmou que “waterboarding” (uma técnica de afogamento), um dos vários métodos controversos de interrogação utilizados pelas agências de segurança dos EUA durante a administração de George W. Bush era uma forma de “tortura” e que “qualquer justificação legal foi um erro.”

Ainda assim, Obama defendeu o diretor da CIA, John Brennan, que na quinta-feira foi obrigado a pedir desculpas ao Comité de Inteligência do Senado americano, depois de ter admitido que elementos da sua agência tinha espiado elementos do Congresso responsáveis pelo relatório prestes a ser divulgado sobre a CIA.

“A CIA espiou de forma inconstitucional o congresso ao piratear nos computadores do comité de inteligência do senado”, afirmou Mark Udall, senador democrata do Colorado, na quinta-feira, exigindo a demissão de Brenman. “Esta conduta é não só ilegal mas viola o requerimento da constituição da separação de poderes”, acrescentou. Contudo, Obama ficou do lado do diretor da CIA: “Tenho confiança total no John Brenman.”